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IMRT é custo efetivo no SUS

   A radioterapia é um dos principais tratamentos do câncer de cabeça e pescoço. Periodicamente são incorporadas novas tecnologias, com o intuito de aumentar a eficácia e diminuir os efeitos colaterais deste tratamento nos pacientes portadores de CCP. A radioterapia por intensidade modulada foi mundialmente incorporada no tratamento destes tumores, garantindo menores efeitos colaterais, principalmente relativo a menor taxa de xerostomia (boca seca) e disfagia. No Brasil, essa tecnologia ainda não foi incorporada no sistema público (SUS), tendo pareceres negativos de órgãos reguladores. O impacto econômico da inserção desta nova tecnologia nos países em desenvolvimento era desconhecido até recentemente. Um importante estudo capitaneado pelo radio-oncologista Dr Gustavo Nader Marta, avaliou o custo-efetividade da radioterapia por intensidade modulada (IMRT) comparada a radioterapia conformacionada em 3D no sistema de saúde pública do Brasil. Utilizando modelos estruturados de análise de custo efetividade e baseando-se nos estudos publicados sobre IMRT no tratamento do câncer de cabeça e pescoço, os autores concluíram que IMRT é custo efetivo comparado a radioterapia conformacional na realidade pública brasileira.

Este é um estudo fundamental para apoiar a inclusão de IMRT no SUS. Associando os dados positivos de custo efetividade e a menor taxa de eventos adversos do tratamento tem-se argumentações sólidas para a inclusão de IMRT no SUS.

1. Marta GN, Silva V, Andrade Carvalho H, Arruda FF, Hanna SA, Gadia R, et al. Intensity-modulated radiation therapy for head and neck cancer: systematic review and meta-analysis. Radiother Oncol. 2014;110(1):9-15
2. Radioterapia com intensidade modulada para câncer de cabeça e pescoço. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS. http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2015/Relatorio_IMRT_TumorCabecaPescoco_CP.pdf, acessado em 24/08/2018
3. ARTA, Gustavo Nader; WELTMAN, Eduardo e FERRIGNO, Robson. Intensity-modulated radiation therapy (IMRT) versus 3-dimensional conformal radiation therapy (3D-CRT) for head and neck cancer: cost-effectiveness analysis. Rev. Assoc. Med. Bras.[online]. 2018, vol.64, n.4 [citado 2018-08-24], pp.318-323

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Congresso da ASCO (American Society of Clinical Oncology)

Entre 01/06/2018 a 05/06/2018, aconteceu, em Chicago, o Congresso da ASCO (American Society of Clinical Oncology) que reuniu mais de 35.000 especialistas no tratamento do câncer de todo o mundo.

Ocorreram várias discussões sobre o câncer de cabeça e pescoço (CCP), desde o seu tratamento até os cuidados suportivos demandados pelo paciente.

Dois estudos discutiram sobre a mucosite: inflamação das mucosas da boca geralmente devido a radioterapia e quimioterapia. A mucosite ocorre na maioria dos pacientes com CCP em tratamento, sendo intensa (grau III e IV) em até 70% dos casos. Há várias abordagens estudadas e já consolidadas no tratamento e prevenção deste efeito colateral. No Brasil, o mais usado é a laserterapia de baixa dose.

Os estudos apresentados na ASCO trouxeram novas abordagens, mas ainda são preliminares (estão em fase II de pesquisa) e não podem ser adotados na prática clínica. Um deles avaliou a droga avispassem versus placebo e outro avaliou gel de melatonina versus placebo. Ambos estudos demonstraram diminuição da taxa de mucosite nos pacientes com CCP em tratamento com radioterapia concomitante a quimioterapia. Novos estudos estão em andamento para consolidar ou não os dados encontrados.

O mais importante é saber que a mucosite é um efeito colateral do tratamento que pode acontecer; pode ser prevenida ou amenizada com suporte do dentista e analgesia adequada, para diminuir as consequências da mesma como dificuldade para alimentar e por consequência perda de peso e atraso do tratamento.

O suporte de uma equipe multidisciplinar é fundamental para o sucesso do tratamento do paciente com CCP.

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