CEC de cabeça e pescoço recidivado ou metastático: novas opções na 1ª. linha de tratamento. Resumo do estudo Keynote 048

Por Gilberto Castro Junior – oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e Hospital Sírio Libanês e membro do GBCP

O Estudo KN048 é um estudo multicêntrico internacional que investigou pembrolizumabe isoladamente ou em combinação com Quimioterapia (5-FU + Carboplatina ou Cisplatina) no cenário do carcinoma de células escamosas de cavidade oral, orofaringe, hipofaringe ou laringe, metastático ou recidivado localmente sem possibilidade de resgate com cirurgia ou radioterapia. Este estudo teve a participação de diversos centros de pesquisa brasileiros. O braço controle foi a combinação de cetuximabe com a mesma quimioterapia, conhecido como regime EXTREME, que na verdade foi o último avanço em termos de tratamento de primeira linha dessa doença, há 11 anos.

O estudo foi positivo e demonstrou ganho de sobrevida global na comparação de pembrolizumabe monoterapia (200mg EV a cada 3 semanas) vs EXTREME, nos pacientes cuja neoplasia apresentava CPS (12·3 meses vs 10·3 meses, HR=0·78, p=0·0086) superior a 1 e 20  (mediana 14·9 meses vs 10·7 meses, HR=0·61, p=0·0007)).  Da mesma forma, o estudo foi positivo na comparação de pembrolizumabe + quimioterapia vs EXTREME, independentemente da expressão de PD-L1 avaliada por CPS (13·0 meses vs 10·7 meses, HR 0·77, p=0·0034). Em termos de resposta, pembrolizumabe isoladamente ofereceu uma taxa de resposta de 19% em comparação com EXTREME 35%, enquanto a combinação pembrolizumabe + quimioterapia teve uma resposta muito semelhante à do EXTREME 36%. Chama atenção que a duração de resposta foi significantemente superior nos pacientes respondedores tratados com pembrolizumabe (23.4 meses), em comparação a EXTREME (4.5 meses), o que não se observou com a combinação pembrolizumabe + quimioterapia (6.7 meses). O perfil de segurança favorece pembrolizumabe isoladamente em comparação com o regime EXTREME e a combinação pembrolizumabe + quimioterapia não mostra grandes diferenças em relação ao EXTREME.

Estes dados em conjunto suportam a utilização de pembrolizumabe como terapia de primeira nestes pacientes, tendo inclusive já indicação em bula no Brasil (29/10/2019).

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