Highlights sobre Câncer de Cabeça e Pescoço da ASTRO 2019

 

 

 

 

Diego Chaves Rezende Morais (Radiooncologista do Grupo Oncoclínicas Recife e do Centro de Oncologia de Caruaru)e membro do GBCP

 Ocorreu na cidade de Chicago-EUA entre os dias 15 e 18 de setembro o encontro anual da Sociedade Americana de Radioterapia (ASTRO) trazendo mais uma vez inúmeros avanços e inovações no tratamento oncológico incluindo tumores de cabeça e pescoço.

Entre os estudos direcionados às neoplasias de cabeça e pescoço alguns merecem ser citados:

  • NRG-HN002 trial: estudo randomizado fase II apresentado na sessão plenária e que avaliou a segurança oncológica em desintensificarmos o tratamento dos tumores localmente avançados de orofaringe (tumores T3 ou com linfonodos positivos com exceção de tumores N2C ou N3 de acordo com a sétima edição da AJCC) relacionados ao HPV (p16 positivos) em pacientes com baixa carga tabágica (menor ou igual a 10 maços/ano). 306 pacientes foram randomizados para 60 Gy com radioterapia exclusiva ou associada a 06 ciclos de cisplatina semanal. A sobrevida livre de doença e a falha locorregional em 02 anos foram de 90,5% e 3,3%, respectivamente, com radioquimioterapia e de 87,6% e 9,5%, respectivamente, com radioterapia exclusiva. O braço da radioterapia exclusiva não atendeu aos critérios de aceitabilidade para sobrevida livre de progressão, apesar de estar associado a menor toxicidade aguda grau III ou IV;

 

  • Stem cell sparing IMRT for head and neck cancer patients: a double-blind randomized controlled trial: estudo randomizado duplo cego com 81 pacientes cujo objetivo foi testar a hipótese de que poupar a região das células-tronco da glândula parótida proporcionaria maior preservação da função salivar. Os pacientes eram randomizados para dois planos de tratamento radioterápico: IMRT clássico com proteção de toda a glândula parótida e IMRT com proteção das glândulas parótidas, porém com ênfase na proteção da região das células-tronco. Os resultados não mostraram melhora das taxas de xerostomia moderada ou severa ou nas taxas de redução do fluxo salivar 12 meses após a radioterapia. Entretanto, análises adicionais sugerem que a xerostomia quantificada pelo paciente durante o dia parece ser menor após proteção de stem cell e que a dose na região das células-tronco é um preditor mais importante para o desenvolvimento da xerostomia quando comparada à dose em toda a glândula parótida.

 

  • Reduction of Radiotherapy Dose to the Elective Neck in Head and Neck Squamous Cell Carcinoma: Update of the Long-Term Tumor Control of a Randomized Clinical Trial: estudo com 200 pacientes com tumores de cabeça e pescoço tratados com radioterapia com indicação de radioterapia cervical bilateral no qual os pacientes eram randomizados para 40 Gy versus 50 Gy sobre as regiões de irradiação cervical eletiva. O endpoint primário era a taxa de disfagia e endpoint secundário foi o controle oncológico do tumor. Após 7,6 anos de seguimento, não houve diferença na taxa de recidiva local, na sobrevida global e na sobrevida livre de doença entre os braços. A recidiva regional foi de 14% com a dose de 40 Gy versus 7,5% com dose de 50 Gy, porém essa diferença não atingiu significância estatística e a maioria das recidivas ocorreram dentro do volume de alta dose (70 Gy), Dados de toxicidade não foram apresentados.

 

  • Randomized Clinical Trial on 7-days-a-week Postoperative Radiotherapy vs. Concurrent Postoperative Radio-chemotherapy in Locally Advanced Cancer of the Oral Cavity/Oropharynx: estudo com 111 pacientes com tumores de cabeça e pescoço operados com indicação de tratamento adjuvante randomizados para radioquimioterapia adjuvante (63 Gy em 35 frações, 05 dias por semana durante 07 semanas com 03 ciclos de cisplatina a cada 21 dias) ou radioterapia exclusiva (63 Gy em 35 frações, 07 dias por semana durante 05 semanas) que apresentou fechamento precoce devido a recrutamento lento e com limitações importantes tais como dados limitados sobre a presença de extravasamento extracapsular e longo intervalo entre a cirurgia e o início da radioterapia em alto percentual de pacientes. Os resultados mostraram maior toxicidade no braço do tratamento combinado com tendência a melhor controle locorregional, porém sem diferença na sobrevida global.

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