CasaUncategorizedImplicações no tratamento de quimiorradioterapia pós-operatória para o carcinoma de células escamosas de cavidade oral com extensão extranodal menor e maior

Implicações no tratamento de quimiorradioterapia pós-operatória para o carcinoma de células escamosas de cavidade oral com extensão extranodal menor e maior

Por Julia Pastorello, Oncologista clínica do Hospital de Clínicas de Passo Fundo RS

No carcinoma escamoso de cabeça e pescoço (HNSCC) o achado de extensão extranodal (EEN) no acometimento dos linfonodos cervicais submetidos a ressecção cirúrgica ocorre em até 20% dos pacientes, sendo que em 13% o pescoço era considerado clinicamente negativo inicialmente. De maneira geral, a extensão extranodal juntamente com a margem cirúrgica comprometida são considerados na literatura os fatores prognósticos de alto risco de recidiva local e a distância, embasando o benefício da associação de quimioterapia e radioterapia adjuvante conforme os dois principais estudos randomizados RTOG (9501) e EORTC (22931) neste cenário. A importância prognóstica da (EEN) parece estar correlacionada com o tamanho da extensão além da cápsula do linfonodo. A 8ª edição da classificação do TNM nesse contexto recomenda o tamanho da extensão da ENE como menor ( ≤ 2 mm) ou maior (definido como > 2 mm), no entanto permanece incerto as implicações terapêuticas que devem ser adotadas conforme esta subdivisão. Figura 1

No presente artigo que recrutou 384 pacientes com HNSCC de cavidade oral operados entre 2006 e 2017, com o objetivo de avaliar as diferenças prognósticas em relação ao tamanho da EEN e investigar o papel da quimiorradioterapia com cisplatina nestes subgrupos EEN ausente, maior ou menor. Na análise, 51% do pacientes receberam radioterapia adjuvante, quimioradioterapia foi indicada em 34% dos pacientes de acordo com os critérios clássicos de alto risco, a cisplatina em altas doses a cada 3 semanas foi o padrão com intensidade de dose acima de 200 mg/m2 na maioria dos tratamentos. O grupo em investigação ENE menor representou 16% da amostra total. Na análise multivariada dos pacientes submetidos a tratamento adjuvante, os dados do grupo sem ENE e menor ENE são muito semelhantes e sem diferença estatistica em relação a PFS, recidiva loco regional e a distância, entretanto o grupo ENE maior apresenta piora significativa nas curvas em relação OS, PFS e controle a distância em relação ao grupo sem ENE e ENE menor. Figura 2

De acordo com o estudo podemos concluir que ENE acima de 2 mm possui um prognóstico sombrio para o qual o emprego de quimioradioterapia adjuvante melhora os desfechos, já o benefício da quimiorradioterapia adjuvante em pacientes com ENE menor é questionável e este subgrupo parece ter desfechos mais próximos daquele sem ENE. Claramente ainda não atingimos a melhor estratégia de tratamento adjuvante, principalmente do ponto de vista sistêmico no HNSCC e uma intensificação do tratamento de acordo com os fatores de risco necessita ser mais detalhada e compreendida.

Referência

  1. de Almeida JR, Truong T, Khan NM, et al. Treatment implications of postoperative chemoradiotherapy for squamous cell carcinoma of the oral cavity with minor and major extranodal extension. Oral Oncol. 2020;110:104845. doi:https://doi.org/10.1016/j.oraloncology.2020.104845

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