É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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Terapia de manutenção com capecitabina melhora quadro de pacientes com carcinoma de nasofaringe (NPC) metastático, aponta estudo

Um estudo aberto e randomizado de fase 3 realizado no Centro de Câncer da Universidade Sun Yat-sen (SYSUCC), na China, investigou a eficácia da terapia de manutenção com capecitabina entre pacientes com carcinoma de nasofaringe (NPC) metastático. No experimento foi observada uma melhora da sobrevida, associada às toxicidades gerenciáveis. Esta é a conclusão da pesquisa Effect of Capecitabine Maintenance Therapy Plus Best Supportive Care vs Best Supportive Care Alone on Progression-Free Survival Among Patients With Newly Diagnosed Metastatic Nasopharyngeal Carcinoma Who Had Received Induction Chemotherapy A Phase 3 Randomized Clinical Tria, publicado na revista científica JAMA Oncology.

A análise incluiu 104 pacientes, com idade mediana de 47 anos, sendo 80,8% homens, com carcinoma nasofaríngeo metastático recém-diagnosticado. Realizado de 16 de maio de 2015 a 9 de janeiro de 2020, foi observado um benefício absoluto em sobrevida livre de progressão mediana de 27,7 meses. Os dados de sobrevida global ainda são imaturos, mas já se observa uma tendência de benefício. Na pesquisa, em relação à progressão da doença ou morte, foram 23 eventos (44,2%) no grupo de manutenção com capecitabina e 37 eventos (71,2%) no grupo de melhor cuidado de suporte sozinho.

Os eventos adversos de grau 3 ou 4 mais comuns durante a terapia de manutenção foram anemia (6 de 50 [12,0%]), síndrome mão-pé (5 de 50 [10,0%]), náuseas e vômitos (3 de 50 [6,0%]), fadiga (2 de 50 [4,0%]) e mucosite (2 de 50 [4,0%]). Nenhuma morte no grupo de manutenção foi considerada relacionada ao tratamento.

 

Tratamento com capecitabina

Para avaliar esses resultados, o oncologista clínico Dr. Leonardo Boente, da CLION /Oncoclínicas, comenta o estudo a convite do GBCP. Ele acredita que “é um tratamento promissor, facilmente acessível e com boa relação custo-benefício”. Lembrando que a capecitabina é frequentemente incluída em regimes de quimioterapia, mas que este é o primeiro ensaio clínico randomizado de fase 3 que investiga a eficácia da terapia de manutenção com capecitabina em pacientes com NPC metastático diagnosticado, após 4 a 6 ciclos de quimioterapia de indução de TPC.

Ainda na opinião do oncologista, a capecitabina apresenta indicação em diversas neoplasias e as toxicidades reveladas são consistentes com as observadas em outros cenários. “São manejáveis com ajuste de dose e a minoria dos pacientes necessita interromper o tratamento por toxicidade. Portanto, apresenta um perfil de segurança favorável”, esclarece.

Para ser possível atingir os melhores resultados, o médico oncologista alerta para a população selecionada no estudo, que excluiu pacientes com mais de 65 anos. Logo, esses resultados não podem ser generalizados para pacientes mais idosos. Os pesquisadores também ressaltam serem necessários mais investigações para definir a duração ideal da manutenção com capecitabina e identificar os indivíduos que podem se beneficiar com a terapia de manutenção.

 

Referência do estudo
LIU, Guo-Ying; et al. Effect of Capecitabine Maintenance Therapy Plus Best Supportive Care vs Best Supportive Care Alone on Progression-Free Survival Among Patients With Newly Diagnosed Metastatic Nasopharyngeal Carcinoma Who Had Received Induction Chemotherapy. JAMA Network, 2022.

Disponível em:
https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/article-abstract/2789163

 

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Orientação multiprofissional reduz permanência hospitalar após cirurgia oncológica de cabeça e pescoço, aponta estudo

Avaliações e orientações pré-operatórias fornecidas por uma equipe multiprofissional ao paciente com câncer avançado de cabeça e pescoço podem reduzir significativamente a gravidade das complicações, tempo de internação e custos de pacientes submetidos a cirurgias complexas. Essa é a conclusão do estudo retrospectivo de caso-controle Association of Multiprofessional Preoperative Assessment and Information for Patients With Head and Neck Cancer With Postoperative Outcomes, publicado na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.

A adoção do protocolo de um dia dedicado à informação e avaliação multiprofissional pré-operatória abrangente (MUPAID) incluiu 161 pacientes, dos quais 81 (50,3%) estavam no grupo de intervenção e (49,7%) no grupo controle. O estudo foi realizado no Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário de Berna, na Suíça. O acompanhamento ocorreu de janeiro de 2012 a julho de 2018 – antes (grupo controle) e depois (grupo de intervenção) – para implementação do MUPAID institucional. Já a análise dos dados foi realizada entre 2019 e 2020.

Os resultados apresentados por este estudo mostram que os pacientes que receberam orientações estruturadas por uma equipe multiprofissional no período pré-operatório, quando comparados com aqueles que não foram submetidos a esta abordagem, apresentaram menos complicações locais e sistêmicas, tempo de internação hospitalar e redução de custos por caso. Tudo isso por apresentaram melhor adesão ao tratamento, além de um preparo psicológico para enfrentamento de sua nova condição, e melhor adesão aos cuidados pós-operatórios.

Na análise multivariada dos fatores associados ao desenvolvimento de complicações, o MUPAID foi associado a uma redução de quase 60% em complicações em comparação com o grupo controle. Ainda, segundo os pesquisadores, nenhum estudo anterior relatou a associação de uma intervenção pré-operatória comparável ao MUPAID com a gravidade das complicações pós-operatórias, embora os autores sugiram tratamento mais adequado para cada paciente devido ao longo período observacional.

 

Realidade clínica no Brasil

Convidada pelo GBCP para comentar este estudo, a enfermeira oncológica Renata Otoni Neiva afirma que desconhece a prática de avaliações estruturadas desta maneira nos centros oncológicos do Brasil, exceto pelo A.C.Camargo Cancer Center, onde atua. Na avaliação da enfermeira, “no local são realizadas orientações pré-operatórias ao paciente elegível a cirurgia oncológica de grande porte de cabeça e pescoço. Conforme a elegibilidade, o médico cirurgião encaminha estes pacientes para avaliações e orientações pré-operatórias com equipe de enfermagem, estomatologia e nutricionista”, explica.

Segundo Renata, o que difere do estudo são as avaliações realizadas por equipe multidisciplinar, que ocorrem conforme a agenda disponível das equipes, não sendo necessariamente em um único dia. Quando apoderado de informações claras o paciente envolve-se mais no seu cuidado, e entende que sua colaboração contribui para uma melhor recuperação e reabilitação após a cirurgia.  A profissional conclui que conhecer os resultados pós-operatórios apresentados estimula a implementação desta prática nas instituições oncológicas, visto a evidência de melhores desfechos clínicos e desempenho apresentados por estes pacientes. Porém, ela alerta: “também é necessário que uma assistência multidisciplinar pós-operatória contemple holisticamente suas necessidades, pois é um período de adaptações funcionais decorrentes das possíveis sequelas geradas pela cirurgia, além de alterações estéticas significativas que podem impactar na autoestima e convívio social”, avalia.

 

Referência do estudo

Schmid M, Giger R, Nisa L, Mueller SA, Schubert M, Schubert AD. Association of multiprofessional preoperative assessment and information for patients with head and neck cancer with postoperative outcomes. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2022;148(3):259-267.

Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamaotolaryngology/article-abstract/2788229

 

 

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HPV, um vírus sexualmente transmissível e uma das causas do câncer de cabeça e pescoço

Não é somente o câncer de colo do útero que tem o HPV (Papilomavírus Humano) como fator de risco para o seu desenvolvimento, o  câncer de cabeça e pescoço, particularmente de orofaringe, que inclui a base da língua, as amídalas e a parte lateral e posterior da garganta, também.

 

Mas por que existe essa relação?

O HPV – Papilomavírus Humano é um grupo de vírus transmitido na maioria dos casos por meio do contato sexual e, no contexto do câncer de orofaringe, pela prática do sexo oral. A relação desse tipo de câncer com o HPV é mais comum nos homens e, atualmente, cerca de 75% do câncer de orofaringe são resultado de infecções por HPV.

O HPV é muito comum, cerca de 80% das pessoas ativas sexualmente terão contato com vírus no decorrer da vida. A maioria delas não desenvolve sintomas e o próprio organismo vai eliminar a infecção espontaneamente. Já em outros casos a infecção persiste, podendo levar ao desenvolvimento de verrugas ou papilomas genitais e até ao câncer.

São mais de 150 tipos de vírus HPV e 12 deles são de alto risco para o desenvolvimento dos cânceres de garganta, boca, colo do útero, vagina, vulva, pênis e ânus

 

A prevenção do HPV

Prevenir o HPV é possível. Existe uma vacina contra o HPV que está disponível, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde e em clínica particulares também. Essa vacina deve ser administrada ainda na infância, antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz.

A vacina contra o HPV previne a maioria dos cânceres de colo do útero, o câncer de ânus, vagina, vulva e reduz o risco da maioria dos cânceres de garganta, boca e pênis relacionados ao HPV. Também previne verrugas genitais.

Todas as meninas com idade entre 9 e 14 anos e todos os meninos entre 11 e 14 anos devem tomar a vacina, sendo duas doses, com intervalos de 06 meses entre elas. Além desse grupo, também é recomendada para homens e mulheres até 45 anos portadores do vírus HIV, transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou em tratamento oncológico. Nesse caso, são recomendadas 03 doses, sendo que a segunda dose é feita após 2 meses da primeira e a terceira dose após 6 meses da primeira dose.

O uso de preservativo (camisinha) não é 100% eficaz para prevenir o HPV, pois não cobre todas as áreas do corpo que podem ter contato com o vírus, como a pele da região genital ou anal, por exemplo.

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Tabagismo associado ao consumo de bebida alcoólica pode aumentar em até 100 vezes o risco de desenvolver a doença

O câncer de cabeça e pescoço poderia ser evitado em 40% dos casos. Isso porque as principais causas estão relacionadas ao tabagismo, associado ao consumo excessivo de bebida alcoólica e à infecção pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano).

O câncer de cabeça e pescoço inclui aqueles que se desenvolvem na cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal.

Outro dado alarmante é que no Brasil, cerca de 80% dos casos são diagnosticados em fases avançadas da doença, o que traz menores chances de sucesso no tratamento e, consequentemente, aumenta o índice de mortalidade.

 

O tabagismo combinado com a bebida alcoólica

Ter o hábito de fumar e consumir frequentemente bebida alcoólica aumenta os riscos de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço. Dados do INCA mostram que 70% dos casos dessa neoplasia têm o tabagismo e o álcool como causas.

Para se ter uma ideia, o consumo de bebida alcoólica associado ao hábito de fumar pode aumentar em até 100 vezes o risco de desenvolver a doença

Por isso, as principais formas de prevenção são não fumar nenhum produto que contenha tabaco e evitar consumir bebida alcoólica. Além disso, se vacinar contra o HPV, a vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Para esse grupo são recomendadas 02 doses, com intervalos de 06 meses entre elas. Além desse grupo, ela também é recomendada para homens e mulheres até 45 anos portadores do vírus HIV, transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou em tratamento oncológico. Nesse caso, são recomendadas 03 doses.

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5 dicas para largar o tabagismo

O tabaco possui mais de 4.700 substâncias tóxicas em sua composição. A fumaça inalada é levada pela corrente sanguínea e chega a diversos órgãos do seu organismo o colocando em contato com:  monóxido de carbono, nicotina, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, alcatrão, arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, substâncias radioativas, entre outras. Ao todo, mais de 60 substâncias que estão no tabaco são cancerígenas.

São muitos os malefícios do tabagismo, mas na maioria das vezes eles só vão ser percebidos depois de muitos anos. E não estamos falando apenas do cigarro tradicional mas de qualquer tipo de produto que contenha tabaco: cachimbo, charuto, narguilé, cigarro de palha, cigarro eletrônico.

Além de doenças pulmonares e cardiovasculares, o tabagismo é responsável por 90% dos casos de tumores pulmonares além de câncer de cabeça e pescoço, de esôfago, estômago, pâncreas, rim, bexiga, mama e em tumores da região de cabeça e pescoço, como boca, laringe e garganta.

Tabagismo e o câncer de cabeça e pescoço

Os tipos de câncer que se desenvolvem na região da cabeça e pescoço (cavidade oral, faringe, laringe, glândulas salivares, seios da face, por exemplo), tem como uma de suas principais causas o tabagismo. O contato da fumaça com as estruturas aerodigestivas são muito presentes, o que provoca a alteração das células saudáveis, podendo resultar no desenvolvimento do câncer nessas regiões.

Estudos científicos mostram que o tabagismo aumenta cerca de dez vezes o risco de desenvolvimento de câncer na cavidade oral e quando associado ao consumo de bebidas alcoólicas, esse risco triplica. O INCA – Instituto Nacional de Câncer estima que no Brasil, em 2022, são esperados 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço. 

 

A dependência química

A nicotina que está presente no tabaco é uma substância que causa dependência química. Ao ter contato com o cérebro, a fumaça desencadeia a liberação de substâncias como a dopamina e a serotonina que provocam a sensação de tranquilidade, prazer e bem-estar. Quanto mais a pessoa fuma, mais nicotina é necessária para alcançar o mesmo efeito agradável.

O hábito de fumar também traz uma dependência psicológica. O fumante relaciona o ato de fumar a alguns comportamentos, como por exemplo tomar café. E esse comportamento estimula o hábito.

 

5 dicas para abandonar o tabagismo:

Para de fumar não é fácil. É preciso persistência. Dados mostram que geralmente o fumante tenta de 3 a 4 vezes até conseguir abandonar o vício.

É muito importante ter a ajuda de profissionais especializados nesse processo. O Sistema Único de Saúde, por meio de suas UBS’s e alguns Hospitais, já oferece Programas gratuitos para os fumantes que desejam parar.

 

Algumas dicas:

1 – Procure a ajuda especializada para conhecer as opções de tratamentos disponíveis para o seu caso

2 – Mude comportamentos que estão associados ao seu hábito de fumar

3 – Pratique atividade física, pois o exercício libera a serotonina e endorfina que promovem sensação de bem-estar

4 – Quando pensar em acender um cigarro, tome água, chupe uma bala. Isso desvia a atenção.

5 – Faça várias refeições menores durante o dia, isso ajuda a combater a ansiedade e também desvia a atenção do ato de fumar.

 

Benefícios de parar de fumar:

  • 24 a 48 horas sem fumar melhora o olfato e o paladar
  • 2 a 3 semanas sem fumar melhora circulação sanguínea
  • 1 a 9 meses sem fumar diminui tosse, congestão nasal, cansaço e falta de ar
  • 1 ano sem fumar redução pela metade do risco de ataque cardíaco
  • após 20 anos o risco de câncer de pulmão, boca, garganta esôfago além de derrame e infarto passa a ser semelhante ao de quem nunca fumou
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Como ocorre a reabilitação vocal do paciente laringectomizado?

Todo 11 de agosto marca o Dia Nacional do Paciente Laringectomizado, uma data que reforça também a importância da conscientização sobre o câncer de laringe. Em 2022, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei (PL 2.115/2019) para tornar esta data oficial.

A laringe é um órgão localizado na região da garganta que contém as cordas vocais que, ao vibrarem, produzem sons na boca, nariz e na garganta, permitindo, assim, a fala. O câncer nessa região afeta as cordas vocais e outras áreas do órgão, trazendo a necessidade, muitas vezes, da realização de um procedimento cirúrgico chamado laringectomia, ou seja, a remoção total ou parcial da laringe. Esta cirurgia pode alterar a capacidade de fala do paciente, mas existem tratamentos e terapias de reabilitação vocal que podem possibilitar aos pacientes laringectomizados voltar a ser comunicar.

Cerca de 85-90% dos laringectomizados aprendem a falar usando um dos três principais métodos de fala. Cerca de 10% não se comunicam falando, mas podem usar métodos baseados em computador ou outros para se comunicar. Os métodos usados para falar novamente dependem do tipo de cirurgia. Algumas pessoas podem estar limitadas a um único método, enquanto outras podem ter várias opções. Cada método possui características, vantagens e desvantagens únicas. Os fonoaudiólogos podem auxiliar e orientar os laringectomizados no uso adequado dos métodos e/ou dispositivos que usam para obter o discurso mais compreensível. A fala melhora consideravelmente entre seis meses e um ano após a laringectomia total. A reabilitação ativa da voz está associada à obtenção de melhor fala funcional.

Opções disponíveis para a recuperação da fala

Fala traqueoesofágica:

Na fala traqueoesofágica, o ar pulmonar é exalado da traqueia para o esôfago através de uma pequena prótese de voz de silicone que conecta os dois, e as vibrações são geradas pela faringe inferior

Fala esofágica:

Na fala esofágica, as vibrações são geradas pelo ar que é expelido a partir do esôfago. Este método não requer nenhuma instrumentação. Dos três principais tipos de fala após a laringectomia, a fala esofágica geralmente leva mais tempo para ser aprendida. No entanto, tem várias vantagens, sendo a não menos importante a liberdade de dependência de dispositivos e instrumentação.

Fala por laringe eletrônica ou laringe artificial:

As vibrações neste método de fala são geradas por um vibrador externo com bateria (chamado de laringe eletrônica ou artificial) que normalmente é colocado na bochecha ou sob o queixo. Ele vibra um zumbido que atinge a garganta e a boca do usuário. A pessoa então modifica o som usando sua boca para gerar sons de fala. Há dois métodos principais para conseguir os sons de vibração criados por uma laringe artificial na garganta e na boca (intraoralmente). Um é diretamente na boca por um tubo similar a um canudo e o outro por meio da pele do pescoço ou rosto. No último método, a laringe eletrônica (LE) é mantida pressionando o rosto ou pescoço.

 

Cuidados durante a reabilitação vocal

Apesar de eficazes, os métodos de reabilitação vocal precisam da ajuda do paciente para que os resultados sejam eficazes. Além das terapias fonoaudiólogas e acompanhamento da equipe multidisciplinar, alguns passos são fundamentais e devem ser realizados pelo paciente constantemente:

  • Manter boa umidade nos ambientes – um umidificador pode ajudar bastante
  • Beber bastante líquido, para manter a região lubrificada
  • Fazer inalações com vapor de água
  • Evitar o ar frio e fazer uso de roupas e acessórios para proteger a região da garganta
  • Evitar locais empoeirados ou com partículas alergênicas (por exemplo, ácaros)

 

Para mais informações sobre a reabilitação da voz para o paciente laringectomizado, acesse o Guia do Paciente Laringectomizaado:  http://www.gbcp.org.br/manuais-para-pacientes/

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Julho Verde 2022 – Nilmar de Sousa – Um câncer quase interrompeu a minha carreira de radialista

Sou radialista há 40 anos e nos últimos oito anos apresento um programa na TV Candidés, em Divinópolis (MG). Em 2020, durante uma das edições do meu programa, senti algo estranho na garganta. Tive a sensação, ao engolir, que ela estava mais estreita que o normal. Foi nessa época que algumas pessoas e eu também percebemos a presença de um pequeno caroço do lado direito do meu pescoço. Então, não adiei e marquei uma consulta para avaliação médica. O médico que me examinou pediu que eu procurasse um especialista para fazer um ultrassom.

Com resultado do exame em mãos, fui encaminhado no mesmo dia para avaliação de um cirurgião de cabeça e pescoço que fez um novo exame, chamado nasofibrolaringoscopia, um tipo de endoscopia feita pelo nariz. O especialista de cabeça e pescoço disse que pela aparência do nódulo, as chances de ser um tumor maligno na laringe eram de 99%.

Foi uma notícia muito difícil. O médico com a mão em meu ombro me explicava que havia tratamento e que a chance de sucesso era grande. Mas eu só pensava em minha família. Mandei mensagem para minha esposa. Ela e um dos meus filhos foram para o consultório onde eu estava. Fui internado para fazer uma biopsia, que mostrou que o tumor, apesar de pequeno e descoberto no início, era de um tipo agressivo.

Preservar a voz

Conversando com o médico, ele explicou que tínhamos dois caminhos de tratamento. Um consistia em uma cirurgia, acompanhada da introdução de uma cânula na traqueia por um mês. No entanto, esse tratamento tinha muitas chances de alterar minha voz, que é meu instrumento de trabalho. Outra alternativa seria me submeter a quatro sessões de quimioterapia e 33 de radioterapia. Em conjunto com o médico, eu e minha família optamos pelo tratamento não cirúrgico.

Foram meses difíceis, com tratamento de abril a outubro de 2020. A radioterapia aplicada no local do tumor queima. A quimioterapia, por sua vez, afetou o paladar. Mas eu sabia que me alimentar era importante para minha recuperação. Assim, coloquei na cabeça que mesmo sem paladar ou com qualquer outra dificuldade advinda dos tratamentos, eu iria me alimentar bem e ficaria curado. Eu era o único paciente da quimioterapia que levava marmita para obedecer os horários das refeições. Foi assim que consegui passar pelos tratamentos quase sem perder peso.

Além do apoio de toda a equipe médica e multiprofissional que me acompanhou, o carinho da minha esposa, meus filhos e minha enteada foi essencial para vencer cada desafio. Fiquei curado, minha voz ficou normal e retomei as minhas atividades profissionais.

Gostaria de nunca ter começado a fumar

Hoje, se eu pudesse mudar alguma coisa em minha vida, seria nunca ter começado a fumar. Fui fumante por 42 anos e decidi parar apenas em 2019, quando este hábito resultou, antes do câncer de faringe, que também aconteceu devido o tabagismo, no primeiro grande prejuízo a minha saúde. Foi naquele ano que comecei a ter fortes dores na panturrilha das duas pernas. Fui ao médico e estava com trombose, provavelmente, resultado do tabagismo. Decidi parar de fumar  em 4 de março de 2019 por causa disso. Um marco na minha vida. Não é fácil, mas minha força de vontade tem sido mais forte que o vício. Fui submetido à cirurgia para colocação de stents, que são como pequenos tubos expansíveis que permitem restaurar o fluxo sanguíneo na região afetada. O procedimento deu resultado e pude voltar a praticar atividade física, inclusive o futebol que tanto gosto.

A conta sempre chega

Aprendi com esses dois episódios que a conta do tabagismo sempre chega na forma de alguma doença. No meu caso foi a trombose e o câncer de laringe, mas poderia ter sido um AVC, um infarto e outras doenças. Por isso, o ideal é nunca fumar e se já tiver sido pego pelo vício parar imediatamente. Também aprendi que câncer tem tratamento e cura, principalmente, se for tratado no início. Por essa razão, é fundamental ir ao médico quando percebemos qualquer sinal diferente em nosso organismo. No meu caso era um tumor agressivo, mas com o diagnóstico precoce o tratamento teve sucesso.

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Julho Verde 2022 – Carolina Ferrão Huibers Vitor: Tive câncer de orofaringe, um nódulo pequeno e indolor foi o primeiro sinal

Meu nome é Carolina Ferrão Huibers Vitor, tenho 45 anos, sou casada com Claudio e mãe de três filhos. Moramos em Sete Lagoas, Minas Gerais e somos muito felizes. Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, fui diagnosticada com câncer de orofaringe, um tipo de câncer de cabeça e pescoço. Quando recebi o diagnóstico, olhei para o câncer como uma etapa a ser vencida e não como uma sentença de morte e hoje posso dizer que venci.

Um pequeno incomodo estético

Tudo começou, em novembro de 2019, quando percebi um pequeno nódulo embaixo de minha mandíbula. Apesar de não sentir dor ou qualquer outro sintoma, achei muito estranho aquele caroço e resolvi buscar avaliação médica. Sou nutricionista de formação e sempre estive atenta a minha saúde. Meus exames de sangue estavam normais e uma ultrassonografia mostrou que o nódulo por dentro parecia algo líquido e o médico disse que logo esse nódulo iria desaparecer, mas isso não aconteceu. Em janeiro de 2020, o nódulo ainda continuava lá. Eu não sentia qualquer dor, meu incomodo era estético e decidi fazer consultas com dois especialistas, um médico otorrinolaringologista e um endocrinologista.

O otorrino olhou a ultrassonografia e pediu que eu procurasse um cirurgião de cabeça e pescoço. Foi o que fiz imediatamente.  Esse especialista achou que se tratava de uma má formação genética. Recomendou a retirada cirúrgica porque eu estava incomodada com a aparência daquele nódulo. Veio a pandemia da Covid-19 em março de 2020 e como minha cirurgia era estética, foi adiada.

Um sinal diferente

No entanto, em agosto de 2020, comecei a sentir certa dor na região do nódulo. Voltei ao cirurgião de cabeça e pescoço que ao me examinar percebeu que as amígdalas estavam diferentes. Realizei uma nasofibrolaringoscopia, um tipo de endoscopia feita pelo nariz, que permite colher amostras de tecido para biopsia. Nesse exame veio a confirmação de um câncer de orofaringe. Foi quando tudo mudou e o tempo passou a ser importante. O tratamento indicado para meu caso foi quimioterapia e radioterapia.

Suporte multidisciplinar

Foi durante o tratamento que descobri a existência e a importância da equipe multidisciplinar. Além do oncologista clínico, responsável pelo tratamento de quimioterapia, e o radioterapeuta, responsável pela radioterapia, tive o suporte de enfermeiros, dentistas, nutricionistas, psicólogos. Esse time foi fundamental na minha jornada de tratamento e não tenho palavras para agradecer a cada um deles e aos médicos. Além da minha família, pude contar com o acompanhamento de todos esses profissionais.

Celebrar a vida

Meu tratamento foi de novembro de 2020 a fevereiro de 2021. O fato de eu não ter ignorado aquele nódulo e ter buscado avaliação médica, ter tido todo o apoio familiar, ter acesso aos exames, ao tratamento e uma equipe médica e multiprofissional de excelência foram determinantes para alcançar o resultado esperado. O PET-CT, exame de diagnóstico por imagem capaz de identificar o câncer em qualquer região do corpo, mostrou que eu estava livre do câncer de orofaringe e que não havia qualquer sinal da doença em outros locais.

Neste dia, celebramos a vida em família com muita alegria e é o que fazemos todos os dias. Hoje sou uma pessoa que cuida ainda mais da saúde e se eu tivesse que escolher uma ideia para passar adiante sobre a minha experiência com o câncer eu diria: fique atento a qualquer mudança em seu corpo e procure um médico. Se você tiver um câncer, o tempo é seu aliado.

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Julho Verde 2022 – Alex Garcia: Tive câncer de amígdala: percebi os nódulos enquanto me barbeava

Meu nome é Alex Garcia, tenho 51 anos, sou casado com a Cinthia e tenho dois filhos. Moro em Salvador, Bahia, desde os meus 14 anos. Sou empresário, tenho uma pequena empresa de locação e manutenção de empilhadeiras. Gosto de correr e de pescar – um hobby maravilhoso de se ter aqui na Bahia.

Em 2016 fui diagnosticado com um câncer na amígdala. Passado o choque inicial, eu aceitei a doença, porque acredito que ter foco, perseverança e atitude são fundamentais para enfrentar desafios. Após meses de quimioterapia e radioterapia, em fevereiro de 2017 encerrei as sessões. Fiz um acompanhamento por mais 5 anos e agora posso dizer: estou curado do câncer.

Pensei em fazer um diário durante o tratamento, porque vi muita gente sendo derrotada pelos traumas, medos e convicções, não pelo câncer. Por isso agradeço pela oportunidade de contar um pouco da minha história e contribuir para desmistificar o câncer.

Algo estranho apareceu

Faço a barba dia sim, dia não. Em meio a essa rotina, enquanto me barbeava em um dia qualquer, notei que tinha uns linfonodos no pescoço. Era uns dois nódulos do lado direito e logo pensei “aqui tem algum problema”.

Marquei um otorrinolaringologista para tentar descobrir o que era. No exame foram identificados os linfonodos aumentados e o médico me encaminhou para um cirurgião de cabeça e pescoço para que entendesse o que causou esse inchaço.

Durante um ultrassom, o cirurgião descobriu que não eram dois, mas três linfonodos. Ele fez uma punção no local para tentar identificar a causa, mas o resultado não deu nada de anormal. Mas eu sabia que alguma coisa estava errada. E precisava descobrir o que era.

Busquei então a opinião de outro cirurgião de cabeça e pescoço. Este especialista, logo ao tentar localizar os linfonodos aumentados da garganta pela boca, notou um inchaço no lado direito e recomendou que eu fizesse uma cirurgia para retirá-los. Durante o procedimento, ele encontrou um tumor na amígdala direita.

O médico conversou com minha esposa e disse que, agora que temos o diagnóstico confirmado do câncer, vamos precisar iniciar o tratamento imediatamente.

O instante após o diagnóstico

Inicialmente é um choque, claro. Mas de posse de todos os exames vimos que o câncer havia sido diagnosticado em fase inicial e não tinha um perfil tão agressivo e por isso as chances de sucesso no tratamento eram maiores.

Em nenhum momento escondi a doença de ninguém. Quando eu contava que estava com câncer, parecia que eu via a face da morte. Não em mim, mas nas pessoas, porque essa palavra ainda é um tabu e precisamos desmistificar isso. Minha insistência em tentar descobrir o que causou os inchaços nos linfonodos foi importante. Sei que é comum entre os homens ter medo, insegurança de ir ao médico e descobrir algum problema. Mas essa procura colaborou para o meu diagnóstico precoce.

O dia a dia durante o tratamento

Durante todo o tratamento, eu conversava com os médicos e a equipe multidisciplinar e deixava claro que eu era engenheiro mecânico e não profissional da área da saúde e por isso, confiava plenamente na equipe e iria seguir todas as orientações que os especialistas me dessem.

Eu passava por dois tipos de tratamento: as sessões de quimioterapia às segundas-feiras e as de radioterapia nos outros dias da semana. Uma das primeiras reações foi a perda de paladar por causa da quimioterapia. Tudo passou a ter o mesmo gosto para mim, mas continuei a me alimentar porque sabia que era importante para seguir saudável no tratamento.

Mas o mais difícil foi a radioterapia. Como a radiação era na região do pescoço, perdi um pouco de cabelo atrás e sentia incômodos na garganta. Eram 32 sessões de radioterapia, mas depois das 22ª, não conseguia sequer engolir água. Isso fez com que eu emagrecesse, perdi quase 1,5kg em um final de semana e quando cheguei para a quimioterapia na segunda-feira, não podia fazer, pois tinha perdido muito peso.

Então colocaram em mim uma sonda gástrica para poder me alimentar e hidratar. A partir daí, passei a comer de tudo mesmo, pois não sentia o sabor. Mas era só líquido, então foram vários caldos – até caldo de rã.

Fui dado como curado em fevereiro de 2017 – mas tinha que acompanhar por mais 5 anos. No final do tratamento passei por uma cirurgia para remover os linfonodos inchados e fazer uma limpeza na região direita do pescoço. Depois foi feita uma biópsia desse material removido. Fiquei apreensivo, mas não deu nada: foi constatada a ausência de células cancerígenas.

O suporte da família

Eu foquei no tratamento do câncer e minha família foi um suporte muito importante. Eu nunca vi minha esposa chorando, mas ela confessou depois que saía para chorar, porque o tratamento não é fácil. Minha filha também sentiu o peso e foi procurar um psicólogo para conseguir lidar.

Mas minha maior preocupação foi meu sogro, Edelmy. Ele se preocupou bastante, mas eu falava para ele se tranquilizar e que tudo tem uma razão. Meus pais também ficaram preocupados e acompanhavam o tratamento. Eles não demonstraram se abater, pois sabiam que eu estava confiante na minha cura.

A volta à rotina

Eu já tinha o hábito de correr, e sei que a saúde proporcionada pela atividade física rotineira foi importante durante o tratamento. Perguntei ao médico quando podia retornar e ele pediu para esperar a cicatrização do pescoço.

Por causa do tratamento, não pude participar do campeonato de pesca oceânica no ano de 2017 e minha equipe ficou em segundo lugar. Fiquei cerca de seis meses sem pescar por causa do risco de me machucar. No ano seguinte, porém, pude voltar e ganhamos o campeonato. Esse troféu foi realmente da redenção.

Saúde proporcionada pela atividade física rotineira foi importante durante o tratamento

Não quis deixar de trabalhar durante o tratamento, mas claro que reduzi o ritmo. Passei a acompanhar a empresa de longe, trabalhando somente de casa. Nunca fui um empresário daqueles que só se dedicavam à empresa, sempre separei um tempo importante para a família e o lazer e isso se intensificou ainda mais depois da minha história com o câncer. Priorizar o que é prioridade com praticidade sempre.

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Julho Verde 2022 – Vera Cavalcanti: Tive câncer de laringe: rouquidão e tosse fizeram eu procurar logo um médico

Eu me chamo Vera Cavalcanti e tenho 67 anos. Me considero uma pessoa feliz e procuro sempre ser agregadora nas minhas relações. Quando tinha 41, passei por um momento difícil, a morte do meu marido. Foi um desafio enorme cuidar dos meus três filhos, mas esse período de incertezas foi superado. Hoje são todos casados e me proporcionaram a experiência de ser avó: tenho seis netos, que me ajudam até no meu trabalho de confecção de fantasias infantis.

Quando eu estava com 56 anos, descobri um câncer de laringe. O diagnóstico foi uma grande surpresa, mas as coisas vão se encaixando e eu contei com uma rede de apoio muito importante durante todo o tratamento, acobertada de todos os mimos que um paciente com câncer precisa.

Hoje sou muito grata aos médicos e a todos os profissionais que cuidaram de mim. O tratamento do câncer foi um período marcante e me deu a certeza de que eu sou muito amada e que ainda quero viver muito tempo para poder contar histórias como essa.

Os sinais que alertaram

Minha voz sempre foi um pouco rouca, mas comecei a perceber que parecia que tinha um pigarro, uma secreção na garganta. Eu moro sozinha e um dia minha irmã veio dormir aqui em casa e disse que eu roncava muito e parecia até que era uma apneia.

Procurei um otorrinolaringologista e ele pediu que eu fizesse alguns exames, como a  laringoscopia [exame que traz uma visão detalhada da laringe e da garganta] e polissonografia [exame que avalia qualidade do sono]. O médico me disse que eu estava com um refluxo e passou medicamentos também para rinite. Até então eu nunca havia tido nada disso.

Uns sete meses depois, estava em uma reunião familiar e na volta para casa tive uma hemoptise (tosse com sangue). Fiquei desesperada, porque na hora lembrei do meu pai que faleceu com câncer de pulmão e o primeiro sinal foi esse também.

Fui direto para a emergência do hospital mais próximo. A médica achou melhor me internar naquela noite para investigar a causa daquele sintoma, mas eu não quis ficar ali, queria ir para um hospital que já conhecesse. Então, a médica preparou um relatório com todas as informações sobre o meu caso. Fiquei tão agoniada que nem li o relatório, apenas perguntei se era uma tuberculose. Eu já estava há 11 anos sem fumar e 15 anos sem beber nada de álcool.

Quando cheguei no outro hospital, acompanhada de minha cunhada e minha irmã, o otorrinolaringologista que me atendeu também pediu a minha internação. No outro dia pela manhã já fiz uma biópsia. Nesta hora me deu um branco porque tomei anestesia geral. Só lembro quando acordei, o médico me dizendo que o exame confirmou o diagnóstico de um câncer de laringe.

A força para lidar com a notícia

Quando acabou a recuperação da anestesia, voltei para o quarto. Lá estavam meus filhos, noras e todo mundo chorando. Senti como se estivessem no meu velório, então pedi para eles irem embora para não me sentir mal. Dei uma cochilada e, quando acordei, já estava com uma equipe multidisciplinar me atendendo. Em nenhum momento eu pensei em morte. Fiquei apreensiva no começo em passar por cirurgia ou perder os cabelos apenas.

Apesar de todos da família terem ficado preocupados, eu não estava sentenciada dentro de mim. Eu tinha 56 anos na época e decidi, diferentemente da opinião dos meus filhos, que não iria operar. Alguns dias depois já comecei a quimioterapia e a radioterapia.

O dia a dia do tratamento

O meu tratamento combinou a quimioterapia e a radioterapia. Esse processo durou cerca de 8 meses. Estava muito otimista e com muita coragem. Na segunda ou terceira sessão de quimio, o que eu havia imaginado aconteceu, já estava sem cabelo, mas não usei peruca e nem lenço. Assumi o meu novo visual. Algumas semanas depois comecei a fazer radioterapia. Foram mais de 30 sessões.

Tive medo em alguns momentos, principalmente quando ia para a quimioterapia. Mas logo esse medo passava. Depois da 25ª sessão de radioterapia, precisei passar por uma gastrostomia, porque fiquei sem saliva e minha garganta parecia ter queimado. Apesar de tudo, sempre levei com muita leveza.

Hoje sou muito grata aos médicos, que até viraram meus amigos. A rede de apoio que eu tive também foi muito importante. Fui acobertada de todos os mimos que uma pessoa nessa situação precisa, até porque tive várias reações.

A importância da equipe multidisciplinar

Eu tinha ao meu dispor uma clínica inteira: psicóloga, oncologista clínico, médico de cabeça e pescoço, radioterapeuta, técnicos, endocrinologista (porque eu tenho hipotireoidite de Hashimoto), equipe de enfermagem, auxiliares, recepcionistas, uma equipe incrível. Eu me senti em todo o tempo paparicada.

Histórico familiar

Eu perdi um irmão mais novo do que eu para o câncer. No dia que recebi alta do meu tratamento, o meu irmão avisou que um médico pediu para ele ir para Salvador e investigar um possível cálculo renal. Mas após o resultado da biópsia, descobriu que ele tinha um tumor raro, de ureter, de difícil diagnóstico e que já estava em metástase [quando se espalha para outras partes do corpo].

Além do meu pai, com câncer de pulmão, também perdi um tio com a doença no estômago. Mas também já tivemos vitórias, como a da minha neta, que na época tinha 15 anos, e da minha nora.           

O retorno para o trabalho e família

Terminei o tratamento da radioterapia e aos poucos voltei para a casa e para minha rotina. Na época eu trabalhava, mas como estava perto dos 60 anos, pedi a aposentadoria. Quando meu neto nasceu, passei a fazer fantasias infantis. Faço tudo bem diferenciado, pois sei que as clientes gostam de coisas exclusivas e, ao mesmo tempo, é bom para a criançada se divertir.

Gosto de passear e ir ao shopping e sempre passo tempo com meus filhos e netos. Hoje eu me sinto como uma fonte de união da minha família.

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