É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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O sol pode ser um vilão para o câncer de lábio

Dezembro Laranja é o mês de conscientização sobre o câncer de pele, doença que segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA, terá 185.390 novos casos da doença (dos tipos melanoma e não melanoma), em 2022 no Brasil. Embora o câncer de pele seja o tipo de câncer mais frequente em nosso país, o principal fator de risco para o seu desenvolvimento pode ser prevenido: a exposição ao sol sem proteção.

O sol, quando falamos sobre câncer, é um vilão. Não só no caso do câncer de pele, mas também em relação a um dos tipos de câncer que se desenvolvem na região da cabeça e pescoço, o câncer de lábio. A doença pode se manifestar em toda a região dos lábios, mas é mais comum no lábio inferior, que fica mais exposto ao sol, e em pessoas de pele clara, mas quem tem pele morena ou negra não deve descuidar da proteção também.

O tipo mais comum de câncer de lábio é carcinoma espinocelular.

Sintomas

Geralmente o câncer de lábio é precedido de uma lesão benigna com potencial de malignidade, a Queilite Actínica, que surge em razão da exposição ao sol prolongada e ao longo da vida sem proteção. Quando as células se modificam e se tornam cancerosas, na maioria das vezes apresenta no início alguns sinais como descamação (aquela pele bem fina que solta dos lábios) que pode evoluir para feridas que não cicatrizam. Também pode apresentar inchaço, manchas brancas e vermelhas, bolhas, sensação de queimação, nódulos, sangramento e dor.

Ao observar algum desses sintomas é fundamental procurar avaliação médica, de um especialista de cabeça e pescoço ou de um dermatologista. Como no início o sintoma mais comum é apenas uma descamação, muitas pessoas negligenciam isso e não buscam um médico e o diagnóstico do câncer acaba acontecendo em fases mais avançadas quando o tratamento é mais invasivo. Se descoberto em estágios iniciais as chances de cura superam 90%.

 

Prevenção do câncer de lábio

O câncer de lábio tem como principais causas a exposição excessiva ao sol sem proteção, o tabagismo e consumo excessivo de bebida alcoólica

Todos esses fatores podem ser evitados. Confira as formas de prevenção:

  • Exposição ao sol: o contato com os raios ultravioletas do sol é acumulativo e os danos podem aparecer a longo prazo, por isso, evite a exposição ao sol em horários de maior intensidade dos raios UV, das 10 horas às 16 horas. Utilize protetor solar labial e corporal com fator de proteção acima de 30, chapéu e bonés.
  • Não fume nenhum produto derivado do tabaco (cigarro, narguilé, charuto, cachimbo, cigarro de palha)
  • Bebidas alcoólicas devem ser consumidas com moderação
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A quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Quando o câncer de cabeça e pescoço é diagnosticado as informações fornecidas pelo laudo anatomopatológico vão direcionar a decisão da equipe médica sobre o protocolo de tratamento a ser seguido. Isso vai depender do tipo e subtipo do tumor, seu grau de estadiamento e as condições clínicas do paciente. 

No caso do câncer ser descoberto em estágios iniciais, o tratamento mais indicado é a cirurgia e a radioterapia. Já quando a doença se apresenta em estágios avançados, com a presença de metástase (quando o câncer invade outros órgãos além do local de origem) ou doença recidivada, geralmente é indicada a quimioterapia. A indicação da quimioterapia pode ser combinada com a radioterapia e/ou com a cirurgia.

O que é a quimioterapia?

É um tipo de tratamento que utiliza medicamentos potentes com o objetivo de combater e destruir as células cancerosas em qualquer parte do organismo. Pode ser utilizado um único medicamento ou a combinação de alguns deles a depender do tipo de tumor.

O tratamento quimioterápico pode ser realizado tanto com o paciente internado, em ambulatório ou em casa. As formas de administração do medicamento podem ser por:

  • Via oral (pela boca): em forma de comprimidos ou cápsulas. São usados em casa.
  • Via Intravenosa (pela veia): administrada por meio de cateter temporário ou permanente (um tubo fino colocado na veia). A medicação é diluída em soro.
  • Via Intramuscular (pelo músculo): administrada por injeções aplicadas no músculo.
  • Via Subcutânea (pela pele): administrada por injeções aplicadas por baixo da pele.
  • Via Intratecal (pela espinha dorsal): medicamento é aplicado no líquor (líquido da espinha), pelo próprio médico ou no centro cirúrgico.
  • Tópico (sobre a pele ou mucosa): com medicamentos na forma de líquidos ou pomadas, aplicado na região afetada.


Tipos de quimioterapia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço

A quimioterapia para o tratamento de câncer de cabeça e pescoço pode ser administrada em conjunto com a radioterapia ou a cirurgia ou de forma isolada. Os tipos de quimioterapia podem ser:

– Quimioterapia neoadjuvante ou de indução

Realizada antes do tratamento primário (cirurgia ou radioterapia), quando há necessidade de reduzir o tamanho do tumor com o objetivo de diminuir a agressividade do tratamento cirúrgico, por exemplo. 

– Quimioterapia adjuvante

É realizada após o tratamento primário como a cirurgia e tem o objetivo de reduzir o risco da doença voltar e também eliminar as células cancerígenas que possam ter se espalhado para outros órgãos

– Quimiorradiação

É realizada concomitantemente à aplicação da radioterapia para reduzir ou eliminar tumores que não podem ser removidos pela cirurgia ou em casos em que essa combinação é eficaz sem que seja necessário o tratamento padrão com cirurgia e radioterapia.

 

Efeitos Colaterais da Quimioterapia

Os efeitos colaterais mais comuns do tratamento quimioterápico são: vômito, náuseas, sensação de cansaço, diarreia e perda de pelos.

 

Duração da Quimioterapia

A quimioterapia é administrada em ciclos que se alternam entre períodos de tratamento e repouso. A duração pode variar de paciente para paciente a depender das condições clínicas e também do tipo de câncer e medicamento.  

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Como o homem pode prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

O mês de novembro traz à tona a importância de conscientizar os homens sobre os cuidados com a saúde e sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata, o tipo de tumor mais frequente na população masculina depois do câncer de pele não-melanoma.

Assim como o câncer de próstata, o câncer de cabeça e pescoço também precisa de atenção pois a sua incidência em homens é maior do que nas mulheres e isso tem um motivo. Segundo dados do Globocan 2020, do IARC/OMS, em 2020, a estimativa de novos casos de câncer de cabeça e pescoço, contemplado tumores de orofaringe, nasofaringe, hipofaringe, laringe, cavidade oral e glândulas salivares em homens foi três vezes maior que nas mulheres, totalizando 700 mil novos casos.

No nosso artigo vamos explicar os fatores que contribuem para esse cenário e também quais são as formas de prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O primeiro passo é a informação, conhecer a doença e tomar as medidas necessárias para evitá-la ou diagnosticar precocemente, quando as chances de sucesso no tratamento são muito maiores.

Homens, cuidem da saúde. Esse é seu maior bem.

 

Por que o câncer de cabeça e pescoço atinge mais os homens?

Todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço somados, segundo o levantamento Globocan 2020, do IARC/OMS, totalizam mais de 1,5 milhão de novo casos/ano, sendo o câncer de tireoide o mais comum (586,2 mil), cavidade oral (377,7 mil), laringe (184,6 mil), nasofaringe (133,3 mil), orofaringe (98,4 mil), hipofaringe (84,2 mil) e glândulas salivares (53,5 mil).

Se excluirmos o câncer de tireoide que é mais prevalente em mulheres, o número de casos de câncer em homens é três vezes maior que na população feminina. Isso se explica pelos comportamentos e hábitos que são mais comuns entre os homens e que são fatores de risco para o desenvolvimento desses tipos de câncer: o tabagismo e o consumo em excesso de bebidas alcoólicas.

Os homens se enquadram no grupo que mais consome esse tipo de produto constantemente e além disso, também são os que menos cuidam da saúde e adotam a medicina preventiva, com a realização de exames de rotina e consultas periódicas ao médico, o que reduz a possibilidade de diagnósticos precoces.

 

Sinais e Sintomas do câncer de cabeça e pescoço

Ao notar algum dos sinais abaixo que sejam persistentes por mais de três semanas, é fundamental buscar avaliação médica para descartar qualquer suspeita de um câncer de cabeça e pescoço:

  • ferida na boca que não cicatriza
  • manchas esbranquiçadas na boca
  • rouquidão sem causa aparente
  • nódulo palpável no pescoço
  • dor de garganta que não melhorar com o uso de antibiótico
  • dor ou dificuldade para engolir ou respirar
  • sangramento ou secreção persistente pelo nariz.
  • dor no ouvido ou dificuldade para ouvir
  • dores de cabeça e tosse persistente.

O câncer de cabeça e pescoço tem cura e isso depende do estágio em que o diagnóstico acontece. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura da doença.

 

Como prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

A adoção de alguns hábitos pode contribuir para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com essas atitudes:

  • Não fumar nenhum produto que tenha tabaco
  • Manter a higiene bucal adequada, com visitas regulares ao dentista
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Manter uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes e pobre em carnes salgadas, defumados e embutidos
  • Não se expor ao sol sem proteção
  • Se vacinar contra o HPV – Papilomavirus Humano. A infecção pelo HPV também é fator de risco para o câncer da cavidade oral. A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo SUS a meninas e meninos entre 11 e 15 anos de idade.
  • Usar preservativo durante as relações sexuais
  • Praticar exercícios físicos regularmente e manter o peso adequado
  • Conhecer e estar atento aos sintomas do câncer de cabeça e pescoço para fazer o diagnóstico precoce

 

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Saúde Bucal: cuidados que o paciente com câncer de cabeça e pescoço deve ter

Além da cirurgia, o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, geralmente, pode envolver a quimioterapia e a radioterapia em alguma fase.  Esses tratamentos quando indicados podem causar alguns efeitos colaterais que incidem diretamente na saúde da boca, deixando essa região mais sensível e exposta a doenças. Para minimizar qualquer problema mais grave, todo paciente em tratamento deve adotar medidas de higiene bucal ainda mais rigorosas.

Dentre os principais problemas bucais decorrentes da quimioterapia ou da radioterapia estão a perda de paladar, a c e após o tratamento, pois essas implicações variam em relação ao tipo de câncer, tipo e tempo de tratamento, medicamento utilizado, podendo perdurar por longo período.  Além da prática rigorosa de higiene bucal, é preciso ter o acompanhamento periódico de um dentista que irá identificar o problema e determinar a forma de tratamento para aliviar os sintomas.

Dentre os cuidados que podem ser estabelecidos pelo paciente estão:

  • passar por consulta regular com o dentista;
  • fazer a higiene da boca pelo menos 3 vezes ao dia, principalmente após as refeições, com escovação de dentes, gengiva e língua. Usar uma escova macia.
  • buscar orientação médica se é permitida a utilização de fio dental e de enxaguantes bucais durante o tratamento.
  • em caso de utilizar dentadura, escovar diariamente. Manter a dentadura ajustada a boca, sem folga e sem estar apertada. Se possível, diminuir o tempo de uso e quando não estiver usando, colocar em água misturada a uma colher de café de água sanitária.
  • consumir água regularmente e manter a boca e lábios hidratados e úmidos. Ás vezes, é necessária a utilização de saliva artificial. Consulte o médico para ver se é indicado.
  • mascar chicletes sem açúcar;
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • não fumar (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha);
  • Comer alimentos gelados, líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • evitar o consumo de alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.
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Resposta sobre quais pacientes com câncer de nasofaringe se beneficiam de neoadjuvância pode estar nos biomarcadores

Estudos futuros, que tragam uma avaliação de biomarcadores, podem ajudar a determinar quais pacientes podem se beneficiar de uma terapia adjuvante após o diagnóstico de câncer de nasofaringe avançado”. Esta é a observação da oncologista clínica da Oncologia D´Or e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Dra. Milena Mak, após analisar, atendendo o nosso convite, o estudo Metronomic capecitabine as adjuvant therapy in locoregionally advanced nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, open-label, parallel-group, randomised, controlled, phase 3 trial, publicado na revista científica The Lancet.

Neste estudo multicêntrico, aberto, randomizado, controlado e de fase 3, participam 675 pacientes, de catorze hospitais na China, com diagnóstico de carcinoma nasofaríngeo locorregional avançado de alto risco confirmado histologicamente. Eles foram aleatorizados para receber capecitabina metronômica oral (204 participantes) ou terapia padrão (202). O desfecho primário foi a sobrevida livre de falha, definida como o tempo desde a randomização até a recorrência da doença (metástase à distância ou recorrência loco-regional) ou morte por qualquer causa, na população com intenção de tratar.
Após um acompanhamento médio de 38 meses, houve 29 (14%) eventos de recorrência ou morte no grupo de capecitabina e 53 (26%) eventos de recorrência ou morte no grupo de terapia padrão. A sobrevida livre de falhas em três anos foi significativamente maior no grupo de capecitabina metronômica (85,3%) do que no grupo de terapia padrão (75,7%). Portanto, a adição de capecitabina metronômica adjuvante à quimiorradioterapia melhorou significativamente a sobrevida livre de falha em pacientes com carcinoma nasofaríngeo avançado locorregionalmente de alto risco. No entanto, na opinião de Milena Mak, não necessariamente representa que este deve ser o novo padrão de tratamento.
Segundo a oncologista clínica, a partir desse resultado, em casos de carcinomas não-queratinizantes de alto risco, a relação risco benefício do uso dessa terapia deve ser discutida com o paciente. “Cautela é necessária por tratar-se de população asiática e submetida a diferentes regimes de terapia de indução”, ressalta Milena Mak, que também destaca o fato de 72% dos pacientes terem sido tratados com combinação de cisplatina e docetaxel na indução, um regime não estabelecido em estudos de fase III como a combinação de cisplatina e gencitabina ou cisplatina, docetaxel e 5-fluorouracil. Além disso, reforça Milena, houve uma taxa de descontinuação de 25% da terapia de manutenção e incidência não desprezível de eventos de síndrome mão-pé (58%).

Dra. Milena Mak conclui sua análise reforçando que o papel da adjuvância em carcinoma de nasofaringe não-queratinizante precisa ser mais bem esclarecido e que estudos futuros, com avaliação de biomarcadores, serão necessários para determinar a população que apresenta maior benefício deste tipo de intervenção.

Referência do estudo

Chen YP, Liu X, Zhou Q, Yang KY, Jin F, Zhu XD, Shi M, Hu GQ, Hu WH, Sun Y, Wu HF, Wu H, Lin Q, Wang H, Tian Y, Zhang N, Wang XC, Shen LF, Liu ZZ, Huang J, Luo XL, Li L, Zang J, Mei Q, Zheng BM, Yue D, Xu J, Wu SG, Shi YX, Mao YP, Chen L, Li WF, Zhou GQ, Sun R, Guo R, Zhang Y, Xu C, Lv JW, Guo Y, Feng HX, Tang LL, Xie FY, Sun Y, Ma J. Metronomic capecitabine as adjuvant therapy in locoregionally advanced nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, open-label, parallel-group, randomised, controlled, phase 3 trial. Lancet. 2021 Jul 24;398(10297):303-313.

Disponível em:

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)01123-5/fulltext

 

 

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Cabozantinibe desponta como nova opção para pacientes com câncer de tireoide que deixam de responder à iodoterapia

Um estudo de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que reuniu 187 participantes a partir de 16 anos, diagnosticados com câncer diferenciado de tireoide, refratários à radioiodoterapia e previamente tratados com terapia direcionada ao receptor do fator de crescimento endotelial vascular (VEGFR) – mostra que esse perfil de pacientes pode ser beneficiado com uma linha adicional de tratamento com cabozantinibe, um inibidor da tirosina quinase. Esta é a conclusão do estudo Cabozantinib for radioiodine-refractory differentiated thyroid cancer (COSMIC-311): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial, publicado na revista científica The Lancet Oncology.

Entre 27 de fevereiro de 2019 e 18 de agosto de 2020, os pacientes foram sorteados para receber cabozantinibe na dose de 60mg/dia ou placebo. Houve redução do volume tumoral em 76% dos pacientes que receberam cabozantinibe, sendo que dez participantes (15%) no grupo de cabozantinibe foram classificados como resposta parcial contra nenhuma resposta parcial no grupo placebo. O cabozantinibe mostrou melhora significativa na sobrevida livre de progressão em relação ao placebo e os eventos adversos de grau 3 ou 4 ocorreram em 71 (57%) de 125 pacientes que receberam cabozantinibe e 16 (26%) de 62 que receberam placebo, sendo que os mais frequentes foram eritrodisestesia palmo-plantar (conhecida como síndrome mão-pé), hipertensão e fadiga. Eventos adversos graves relacionados ao tratamento ocorreram em 20 (16%) de 125 pacientes no grupo de cabozantinibe e em um (2%) de 62 no grupo de placebo. Não houve mortes relacionadas ao tratamento.

Na opinião do oncologista clínico Dr. Lucas Vieira dos Santos, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, que comenta o estudo a convite do GBCP, o cabozantinibe deve, de fato, ser considerado o tratamento padrão a pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide em fase refratária a iodoterapia após falha ao tratamento inicial com lenvatinibe e/ou sorafenibe. “Esta recomendação baseia-se em ganho significativo de sobrevivência livre de progressão. Além disso, os dados de sobrevivência global, embora não fossem o desfecho primário do estudo, são numericamente maiores no grupo que recebeu cabozantinibe”, destaca Dr. Lucas dos Santos.

Por que se começa com iodoterapia, mas alguns casos se mostram refratários?

Dr. Lucas dos Santos explica que os tumores diferenciados de tireoide são, em sua maioria, funcionalmente semelhantes às células tiroidianas normais, incluindo a capacidade de internalizar iodo. Isso, segundo ele, abre a possibilidade de tratamento com iodo radioativo, como se fosse um Cavalo de Tróia. Com o passar do tempo, os tumores da tireoide adquirem, evolutivamente, mais agressividade e, com isso, perdem a capacidade de incorporar iodo em suas células, fazendo que a estratégia de oferecer iodo radioativo deixe de funcionar. “É neste momento que devemos adicionar as quimioterapias orais dentro do cuidado dos pacientes”, explica.

A principal contribuição do estudo, avalia Dr. Lucas, é a demonstração de que temos uma opção adicional àquelas já aprovadas. “Temos também boa evidência de que múltiplos tratamentos, em sequência, podem ajudar os pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide”, comemora.

Para ser possível atingir os melhores resultados, o oncologista acrescenta que os pacientes com carcinoma diferenciado de tireoide devem ser avaliados por um time multidisciplinar, com discussão integrada sobre os objetivos do tratamento e as melhores ferramentas para cada caso.

O medicamento, para essa indicação, foi aprovado na última sexta, dia 17.09.21, pelo FDA, agência reguladora dos Estados Unidos.

 

Referência do estudo

Brose MS, Robinson B, Sherman SI, Krajewska J, Lin CC, Vaisman F, Hoff AO, Hitre E, Bowles DW, Hernando J, Faoro L, Banerjee K, Oliver JW, Keam B, Capdevila J. Cabozantinib for radioiodine-refractory differentiated thyroid cancer (COSMIC-311): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial. Lancet Oncol. 2021 Aug;22(8):1126-1138. -controlled, multicentre, phase 3 trial. Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):450-462.

 

Disponível em:

 https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(21)00332-6/fulltext

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Nutricionistas recomendam ingestão de ao menos 30 calorias/kg diárias para pacientes com câncer de cabeça e pescoço

Com a proposta de melhor correlacionar a relação entre a ingestão alimentar e as mudanças na composição corporal que ocorrem com o paciente oncológico com tumor de cabeça e pescoço durante o tratamento, pesquisadores dos Departamentos de Agricultura, Alimentos e Ciência Nutricional e de Oncologia da Universidade de Alberta e do Serviço de Saúde de Alberta, em Edmonton, no Canadá, evidenciam que seguir as diretrizes da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN) – que recomenda o consumo diário mínimo de 25 calorias/kg – não é suficiente.

No estudo Meeting Minimum ESPEN Energy Recommendations Is Not Enough to Maintain Muscle Mass in Head and Neck Cancer Patients, publicado na revista científica Nutrients, os autores observam que os resultados são otimizados com ingestão de 30 calorias/kg/dia. Para chegar a esta evidência, os pesquisadores das instituições canadenses compararam a ingestão alimentar no diagnóstico e no final do tratamento em relação às alterações na massa muscular e adiposidade em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Tanto a ingestão alimentar (registro de três dias de observação clínica) quanto a composição corporal (por meio de exame de tomografia computadorizada/TC) foram avaliadas no momento do diagnóstico e no pós-tratamento (com quimioterapia e radioterapia).

Convidada pelo GBCP para comentar o estudo, a nutricionista clínica e doutora em Oncologia, Thais Manfrinato Miola, supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, destaca que o aconselhamento dietético por uma nutricionista oncológica é a primeira linha de terapia nutricional para garantir a oferta de nutrientes necessária a cada paciente. Ela explica que, dentro do aconselhamento dietético, estão as estratégias alimentares para minimizar os efeitos colaterais dos tratamentos e auxiliar na ingestão alimentar adequada. Além disso, acrescenta, a recomendação de suplementos nutricionais orais favorece o aumento da ingestão calórico-proteica.

Os pacientes com câncer de cabeça e pescoço comumente apresentam desnutrição e, por isso, já devem fazer uso de suplementos de forma profilática (preventiva). Thaís explica que, para os pacientes que não conseguem atingir o consumo de, pelo menos, 60% das necessidades nutricionais, é indicada a nutrição enteral (por meio de um tubo ou sonda flexível). “Muitos pacientes com câncer de cabeça e pescoço podem se beneficiar do uso da nutrição enteral profilática, mas cada paciente deve ser avaliado individualmente”, orienta.

Perda de músculos e o consumo mínimo recomendado para evitá-lo

Thaís Miola conta que a baixa massa muscular tem o potencial de refletir negativamente no quadro clínico do paciente oncológico, como o aumento das complicações e taxas de reinternação, dificuldade de cicatrização, aumento do tempo de internação, maior toxicidade do tratamento, pior qualidade de vida e aumento da mortalidade.

Embora este trabalho não traga fortes correlações com alta ingestão proteica, inclusive porque apenas seis pacientes consumiram ao menos 1,5 gramas de proteína/kg peso/dia, outros estudos mostram a importância da proteína na síntese muscular. “O que vale ressaltar do estudo é que foi encontrada uma correlação com a caloria, mostrando que o músculo não precisa apenas de proteína, mas também de outros nutrientes como carboidrato, ácidos graxos insaturados, vitaminas e minerais”, comenta Thaís Miola.

A especialista reforça que a nutrição faz parte do tratamento oncológico e todos os pacientes com câncer de cabeça e pescoço devem acompanhar com um nutricionista, especializado em oncologia, desde o diagnóstico da doença, ou seja, antes mesmo de iniciar o tratamento. Na fase pré-tratamento, inclusive, é válido iniciar a terapia nutricional com suplementos nutricionais de forma precoce. Assim, o paciente já consegue recuperar o estado nutricional ou mantê-lo, se estiver adequado, para tolerar melhor o tratamento e apresentar melhor prognóstico.

Referência do estudo

McCurdy B, Nejatinamini S, Debenham BJ, Álvarez-Camacho M, Kubrak C, Wismer WV, Mazurak VC. Meeting Minimum ESPEN Energy Recommendations Is Not Enough to Maintain Muscle Mass in Head and Neck Cancer Patients. Nutrients. 2019 Nov 12;11(11):2743.

 

Disponível em:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6893412/pdf/nutrients-11-02743.pdf

 

 

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Câncer de cabeça e pescoço: fatores de risco e sintomas

O câncer de cabeça e pescoço se desenvolve em órgãos localizados nessa região, exceto nos olhos, cérebro, orelhas ou esôfago. Geralmente, começam nas células escamosas que revestem as superfícies úmidas da mucosa, como por exemplo dentro da boca, nariz e garganta. 

Apesar de sua gravidade e do aumento da prevalência, ainda há pouco conhecimento sobre a doença e isso é comprovado por alguns dados estatísticos:

  • 60% das pessoas com câncer de cabeça e pescoço apresentam doença localmente avançada no momento do diagnóstico
  • 60% das pessoas diagnosticadas em estágio avançado morrem da doença em cinco anos 
  • pacientes diagnosticados em estágios iniciais da doença tem índices de sobrevivência de 80-90%

 

Fatores de Risco

Dentre os principais fatores de risco que podem influenciar o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço estão:

 

  • Tabagismo: os fumantes têm risco maior do que os não fumantes de desenvolveram a doença. Uma pessoa que fuma tem 15 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de cabeça e pescoço do que um não fumante.
  • Bebida alcoólica: o consumo regular de bebidas alcoólicas aumenta o risco de desenvolver a doença.
  • Papilomavírus Humano (HPV) : a infecção pelo Papilomavirus Humano – HPV está associado ao desenvolvimento de câncer de garganta, língua e amígdalas, também conhecido como câncer de orofaringe.

 

Prevalência

O câncer de cabeça e pescoço é mais comum a partir dos 40 anos. Os homens têm 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver câncer de cabeça e pescoço do que as mulheres; no entanto, a incidência de câncer de cabeça e pescoço em mulheres está aumentando.

 

Sinais e sintomas

Dentre os sintomas mais comuns do câncer de cabeça e pescoço estão:

  • ferida na boca que não cicatriza
  • manchas esbranquiçadas na boca
  • rouquidão
  • nódulo palpável no pescoço
  • dor de garganta que não melhora
  • dor ou dificuldade para engolir ou respirar
  • sangramento ou secreção persistente pelo nariz.
  • dor no ouvido ou dificuldade para ouvir
  • dores de cabeça e tosse persistente.

Ao perceber algum desses sinais que persista por mais de três semanas, busque avaliação médica com um especialista otorrinolaringologista (médico que trata de doenças do ouvido, nariz e garganta) ou cirurgião de cabeça e pescoço para que sejam realizados os exames necessários para o diagnóstico preciso.

 

Fonte: https://makesensecampaign.eu/en/cancer-information/head-neck-cancer/

 

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Tratamento para o câncer de cabeça e pescoço: conheça as opções.

A indicação do tratamento mais efetivo para o câncer de cabeça e pescoço depende de alguns fatores que precisam ser avaliados de forma individual, entre eles o tipo de tumor, a sua localização e suas características, o estadiamento da doença e o perfil clínico do paciente. Dentre as opções estão a cirurgia para remoção do tumor, a radioterapia, a quimioterapia e a imunoterapia. Esses procedimentos podem ocorrer de forma isolada ou combinada.

 

Cirurgia para o câncer de cabeça e pescoço

Em grande parte das vezes, a cirurgia é o tipo de tratamento inicial para doença, tendo a quimioterapia e a radioterapia como tratamentos complementares e posteriores para reduzir os riscos de uma recidiva, ou seja, da doença voltar. Na cirurgia, o objetivo é remover totalmente o tumor e também os gânglios linfáticos ou linfonodos, que podem ter sido acometidos por metástases.

A evolução das técnicas cirúrgicas trouxe opções menos invasivas para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Atualmente, além da cirurgia aberta, tradicional, existem outras modalidades que podem ser aplicadas em alguns casos: a cirurgia minimamente invasiva (laparoscópica), a microcirurgia transoral a laser e a cirurgia robótica, que propiciam menor tempo de recuperação e de internação, menos sangramento, menos intercorrências e cortes menores. Para as cirurgias de base de crânio, por exemplo, pode ser utilizada ainda a técnica minimamente invasiva chamada endoscopia transnasal.

É importante contar com a experiência de um cirurgião de cabeça e pescoço que tenha habilidade de operar com todas essas técnicas para que ele, juntamente com a equipe multidisciplinar, faça uma avaliação minuciosa do caso para planejar o tratamento e tomar a decisão sobre a melhor estratégia cirúrgica a ser utilizada em cada caso, com o intuito curativo e com o cuidado de preservação das funções motoras, de deglutição e fala.

 

Radioterapia

A radioterapia é um tipo de tratamento que utiliza feixes de radiação através da pele em direção ao tumor para destruir as células cancerígenas, com uma eficácia importante no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Esse procedimento deve ser muito preciso para preservar as células sadias ao redor do tumor.

A radioterapia pode ser indicada como único tratamento ou após a cirurgia para a retirada do tumor, com o intuito de evitar que o câncer volte. O planejamento para o tratamento com radioterapia deve ser minucioso e personalizado, considerando o tipo, tamanho e a forma do tumor em milímetros.

Dentre as opções de radioterapia disponíveis estão: a radioterapia convencional , 3D , a terapia de prótons (nao disponível no Brasil) , a radioterapia de intensidade modulada (IMRT), a terapia de radiação modulada por intensidade guiada por imagem (IG-IMRT), a radioterapia estereotáxica corporal (SBRT) e a braquiterapia.

 

Quimioterapia

A quimioterapia é um tipo de tratamento que utiliza medicamentos muito potentes para destruir as células cancerígenas. Pode ser realizada antes ou após a cirurgia e também durante a radioterapia, concomitante a essa, para preservar órgão ou quando o tumor for iressecável. Esses medicamentos podem ser administrados por via oral ou por via intravenosa. São muitas as opções de medicamentos quimioterápicos para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço e a definição de qual utilizar vai levar em conta a situação clínica do paciente e as características da doença.

O tempo de tratamento e a quantidade de sessões pode variar de acordo com o tipo de tumor e a sua extensão.  As reações adversas ao tratamento também variam de acordo com o paciente e os medicamentos utilizados., dentre as mais comuns estão: fraqueza, diarreia, perda ou aumento de peso, feridas na boca, tonturas, vômito, enjoo e queda de cabelo ou dos pelos do corpo.

 

Imunoterapia

A imunoterapia é um tratamento sistêmico, recém aprovado no Brasil para o câncer de cabeça e pescoço, que utiliza medicamentos capazes de capacitar o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas. É uma modalidade eficaz e que pode trazer menores efeitos colaterais. Porém não indicada para todos os casos, a recomendação, geralmente é para casos avançados da doença, recidivados ou  que apresentam metástases.

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Cuidado multidisciplinar em Cabeça e Pescoço melhora qualidade de vida, resultados funcionais e qualidade de vida do paciente

Partindo da premissa que o câncer de cabeça e pescoço é complexo e multifacetado, um grupo de pesquisa do The START Center for Cancer Care, Sarah Cannon e San Antonio Head and Neck, instituições especializadas em assistência oncológica e localizada em San Antonio, no estado do Texas, publicaram um relatório de diretrizes sobre um melhor manejo dos pacientes de tal forma que supere barreiras e desafios que impactam no atendimento de qualidade e em tempo oportuno, em todas as fases do tratamento, do diagnóstico à reabilitação. O trabalho Barriers to Comprehensive Multidisciplinary Head and Neck Care in a Community Oncology Practice foi publicado no Educational book, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

 

De acordo com os autores, formar uma equipe multidisciplinar de câncer de cabeça e pescoço abrangente, com profissionais de várias especialidades, que ofereçam cuidados de alta qualidade exige muito tempo e comprometimento, mas é viável e altamente recompensado. Segundo eles, com boa comunicação, trabalho árduo, adesão às diretrizes nacionais e coordenação criativa dos recursos da comunidade, as barreiras ao atendimento multidisciplinar podem ser superadas.

 

Convidado pelo GBCP para analisar o estudo e compartilhar a experiência brasileira, o cirurgião de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. José Guilherme Vartanian, aponta que muitos pacientes apresentam grandes dificuldades para acesso ao sistema de saúde, com consequente atraso diagnóstico, dificuldades para deslocamentos (para realização de exames, consultas, tratamentos prolongados), limitações financeiras para suportar o período geralmente longo do tratamento e carecem do suporte familiar mais adequado.

 

Nesta entrevista, Dr. Vartanian fala sobre o papel das equipes multidiscipliares na comunidade (fora dos grandes centros), impacto deste cuidado no tempo e qualidade de sobrevida e o quanto as medidas, com potencial de superar as principais barreiras, são factíveis de serem aplicadas no Brasil. 

 

GBCP – Como você definiria uma equipe multidisciplinar baseada na comunidade e quais são os reais benefícios para os pacientes com diagnóstico de algum tipo de câncer de cabeça e pescoço?

Dr. Vartanian – Temos evidências claras na literatura de que o manejo dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, dentro de uma equipe multidisciplinar integrada, proporciona melhores desfechos, tanto oncológicos – com melhores taxas de sobrevida – como melhores resultados funcionais e de qualidade de vida, o que representa qualidade assistencial. Pela diversidade de situações clínicas, repercussões funcionais significativas e multidisciplinaridade do tratamento destes pacientes, principalmente no cenário de doença avançada, são consideradas essenciais. Em uma equipe multidisciplinar são diversos especialistas envolvidos, dentre eles médicos, como o cirurgião de cabeça e pescoço, radio-oncologista, oncologista clínico, radiologista, patologista (todos de preferência subespecializados em cabeça e pescoço), além dos demais profissionais não médicos envolvidos em toda a jornada destes pacientes e que auxiliam no manejo, suporte e reabilitação, como o dentista, nutricionista, fonoaudiólogo, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo e assistente social.

GBCP – Com base no apontado no estudo e em sua experiência clínica, quais você considera como as principais barreiras financeiras e sociais em câncer de cabeça e pescoço?

Dr. Vartanian – Uma das principais barreiras para uma abordagem multidisciplinar mais abrangente no contexto baseado na comunidade, ou seja, fora dos grandes centros de tratamento oncológico, seria a dificuldade de acesso ao sistema de saúde, tanto no SUS quanto na Saúde Suplementar. Neste contexto, os pacientes, em sua maioria, são dependentes do sistema público de saúde, geralmente de classes socioeconômicas menos favorecidas, sendo que muitos deles não dispõem de uma estrutura familiar adequada. Desta forma, muitos apresentam grandes dificuldades para acesso ao sistema de saúde com consequente atraso diagnóstico, dificuldades para deslocamentos (para realização de exames, consultas, tratamentos prolongados), limitações financeiras para suportar o período geralmente longo do tratamento e carecem do suporte familiar mais adequado, que seria muito importante durante toda a jornada do tratamento e reabilitação.

GBCP – Os autores apontam que por meio de boa comunicação, trabalho árduo, adesão às diretrizes nacionais e coordenação criativa dos recursos da comunidade é possível superar as barreiras ao atendimento multidisciplinar e o atendimento individualizado, personalizado e altamente bem-sucedido pode ser fornecido aos pacientes. Como você avalia essa observação?

Dr. Vartanian – De fato, os principais fatores associados aos melhores desfechos dentro do cenário de manejo multidisciplinar seriam o diagnóstico e estadiamento mais precisos, contribuindo para uma melhor definição e personalização da estratégia terapêutica. Também é imprtante a rapidez na decisão terapêutica baseada em uma mais efetiva comunicação entre os profissionais envolvidos, maior aderência às diretrizes de tratamento com melhor evidência científica e um suporte mais personalizado antes, durante e após o tratamento, evitando interrupções e descontinuidade do mesmo e mitigando as potenciais complicações e sequelas da doença e seu tratamento. Para tanto, é necessário haver um esforço muito grande, principalmente para selecionar e integrar os profissionais envolvidos, engajar os pacientes e familiares e sobretudo uma coordenação bastante efetiva de todos os processos.

GBCP Considerando o cenário brasileiro, como isso se tornaria factível?

Dr. Vartanian – Nas capitais brasileiras, regiões metropolitanas e grandes centros regionais, considerando o cenário da saúde suplementar e pacientes privados, a abordagem multidisciplinar em centros de referência já é uma realidade para a maioria. Porém, em centros menores, regiões interioranas e nas regiões mais distantes do país, principalmente nas populações que dependem do sistema público de saúde, inúmeras barreiras ainda precisam ser superadas. Como proposto pelos autores do estudo em questão e que também considero essencial, seria a formação de equipes multidisciplinares, envolvendo os profissionais médicos e não médicos a partir de reuniões semanais, os chamados “tumor boards”. O engajamento destes profissionais, valorizando o papel de cada um na jornada dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, é essencial. Esta iniciativa pode ser tomada a partir dos próprios profissionais da região, mas também poderia ser estimulada pelas sociedades de especialidades, facilitando o contato e comunicação entre estes profissionais. Mesmo que alguns possam atuar em diferentes serviços de saúde na região, modelos híbridos de reuniões multidisciplinares, presencial e virtual, poderiam ser realizadas. O segundo passo que podemos considerar como um grande facilitador para a logística e redução de atrasos entre exames, consultas e tratamento, seria o envolvimento de enfermeiros navegadores, que ajudariam na coordenação e orientação aos pacientes, agendamento de exames e consultas, e ajudariam também na comunicação entre equipes e pacientes. Estas ações, feitas de forma coordenada, poderiam reduzir o tempo para a realização dos tratamentos principais e adjuvantes, assim como ser um facilitador para melhor integração entre as equipes de suporte e reabilitação.

GBCP – Qual é a principal contribuição deste estudo?

Dr. Vartanian – Acredito que a principal contribuição seja o estímulo a adoção deste modelo de assistência oncológica, com as melhores evidências de desfechos, mesmo no ambiente comunitário, longe dos grandes centros de referência. Outra contribuição muito importante foram as sugestões para solucionar as principais barreiras para a implementação deste modelo multidisciplinar, reforçando as principais medidas relacionadas as equipes, pacientes e instituições de saúde.

GBCP – Algo mais que gostaria de acrescentar?

Dr. Vartanian – No Brasil, vivemos diferentes realidades nas diferentes regiões do pais. Além disso, mesmo em grandes centros, podemos vivenciar discrepâncias significativas entre os diferentes serviços de saúde (privado x público x saúde suplementar). Se realmente quisermos melhorar nossos serviços oncológicos, oferecendo aos nossos pacientes a melhor qualidade assistencial, devemos nos mobilizar de fato, buscando implementar o modelo de assistência multidisciplinar, onde todos os profissionais estejam engajados e se sintam valorizados em toda a jornada do paciente com câncer de cabeça e pescoço. Sugerir mudanças nas políticas públicas de assistência a saúde é primordial e isto deve ser feito pelas sociedades de especialidades, sociedades de classe e CFM. Nosso engajamento, como profissionais diretamente envolvidos no manejo dos pacientes, pode ser realizado nos mais diversos ambientes. Para tanto, necessitamos de profissionais motivados, dispostos a sair da “zona de conforto” e usar nossa criatividade, tecnologia e trabalho em equipe para superar os obstáculos que enfrentamos em nosso pais.

 

Referência do estudo

 

Beeram M, Kennedy A, Hales N. Barriers to Comprehensive Multidisciplinary Head and Neck Care in a Community Oncology Practice. American Society of Clinical Oncology Educational Book 41 (May 19, 2021) e236-e245.

Disponível em  https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/EDBK_320967  

 

 

 

 

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