É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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Com benefícios e não inferioridade oncológica, biópsia de linfonodo sentinela é opção em câncer de cavidade oral precoce

Quando comparada ao esvaziamento cervical (retirada dos nódulos no pescoço por cirurgia), a biópsia do linfonodo sentinela resulta em vantagens como menor tempo cirúrgico, menor tempo de internação, menor risco de complicações e melhor qualidade de vida para o paciente com carcinoma de células escamosas, em estadio inicial, na cavidade oral (OCSCC). Esses benefícios foram demonstrados no estudo Neck Dissections Based on Sentinel Lymph Node Navigation Versus Elective Neck Dissections in Early Oral Cancers: A Randomized, Multicenter, and Noninferiority Trial, publicado no Journal of Clinical Oncology, da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

 

Realizado por 18 serviços japoneses, o objetivo neste estudo foi comparar: braço 1 (composto por pacientes com carcinoma de células escamosas precoce de cavidade oral com tumor em estádio I ou II, linfonodo negativo e sem metástase à distância tratados com esvaziamento cervical eletivo – ND -, tradicional) com o braço 2 (aqueles tratados com biópsia de linfonodo sentinela – SLNB), usando sobrevivência, função dos nervos do pescoço e complicações como desfechos.

 

“Esses desfechos são os habituais na avaliação da técnica. Além disso, o recorte de três anos de seguimento é o padrão no câncer oral. Isso porque a maior parte das recidivas acontecem nesse período, o que já foi amplamente demonstrado em outros estudos. Analisando o artigo, os resultados foram semelhantes em termos de resultado oncológico, com vantagem funcional para a biópsia de linfonodo sentinela”, comenta o cirurgião de cabeça e pescoço e pesquisador Dr. Leandro Luongo Matos, que atua em hospitais como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e no Hospital Israelita Albert Einstein. Leandro analisa a pesquisa.

 

Na metodologia adotada, os pacientes selecionados apresentavam idade a partir de 18 anos, diagnóstico de OCSCC, não tratados previamente e com confirmação histológica pela Union for International Cancer Control a partir da classificação TNM de Tumores Malignos da 7ª edição T1-2. Os pacientes elegíveis também tinham pescoço negativo, sem metástase à distância.

 

O desfecho primário analisado foi a taxa de sobrevida global de 3 anos, com uma margem de não inferioridade de 12%. Desfechos secundários incluíram funcionalidade e complicações pós-operatórias e sobrevida livre de doença em três anos. Os linfonodos sentinelas foram submetidos à exame de congelação intraoperatório para o diagnóstico.

 

Principais resultados

Na amostra analisada, metástases cervicais foram observadas em 24,8% (34 de 137) e 33,6% (46 de 134) dos pacientes nos grupos ND e SLNB, respectivamente. A sobrevida global de três anos no grupo SLNB (87,9%) foi não inferior à do grupo ND. A taxa de sobrevida livre de doença em três anos foi de 78,7% e 81,3% nos grupos SLNB e ND, respectivamente. Além disso, os escores de funcionalidade do pescoço no grupo SLNB foram significativamente melhores do que aqueles no grupo ND.

 

 

Referência do estudo

Hasegawa Y, Tsukahara K, Yoshimoto S, Miura K, Yokoyama J, Hirano S, et al. Neck Dissections Based on Sentinel Lymph Node Navigation Versus Elective Neck Dissections in Early Oral Cancers: A Randomized, Multicenter, and Noninferiority Trial. J Clin Oncol. 2021 Apr 20:JCO2003637. 

 

Disponível em  https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.20.03637

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Alimentação após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode trazer impactos à rotina de vida dos pacientes e afetar, inclusive, a capacidade do paciente realizar sua alimentação em razão dos efeitos colaterais físicos e psicológicos. Esses efeitos são diversos e podem variar de paciente para paciente, dependendo da gravidade do tumor e da complexidade do tratamento realizado em cada caso. No geral, estão relacionados à dificuldade de mastigação e de engolir os alimentos, boca seca (xerostomia) pela falta de produção de saliva suficiente, perda do paladar. Outro ponto importante é que esses impactos podem causar a falta de vontade de se alimentar e resultar na redução da ingestão de calorias e na desnutrição.

Dependendo da gravidade do tratamento, alguns pacientes vão precisar se alimentar por meio de sonda para que a nutrição seja o mais adequada possível. Assegurar um suporte profissional de um nutricionista com a indicação das melhores alternativas de alimentação é fundamental para minimizar esses impactos.

Confira aqui algumas orientações que podem ajudar em uma dieta nutricional equilibrada:

  • para facilitar a alimentação e a digestão, procure optar por alimentos triturados e pastosos, como purês, sopas e iogurtes. As frutas e legumes ao natural também podem ser processadas e são ótimas opções de alimentação saudável.
  • alimentos mais macios, como os peixes com escamas, guisados de carne e vegetais também podem ser amassados e triturados e trazer os nutrientes necessários.
  • escolher alimentos com alto teor de gordura, como leite integral queijos, azeite de oliva extravirgem, iogurte natural rico em gordura e sucos de fruta também fornecem calorias e nutrientes adicionais
  • a avaliação e acompanhamento de um nutricionista e de seu médico é importante também porque pode ser necessária a complementação da alimentação com suplementos e vitaminas

Conheça o nosso livro “Faça sentido, faça sabor”. Nele você encontra orientações mais detalhadas sobre o assunto e receitas que podem auxiliar na alimentação do paciente após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço: http://www.gbcp.org.br/facasentido.pdf

 

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Atualização de importante estudo em câncer de cabeça e pescoço reforça benefício da quimioterapia concomitante no tratamento da doença não-metastática

Em recente publicação, são trazidos os resultados de atualização da maior metanálise que avalia papel da quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço (MACH-NC). O artigo intitulado “Meta-analysis of chemotherapy in head and neck cancer (MACH-NC): An update on 107 randomized trials and 19,805 patients, on behalf of MACH-NC Group” foi publicado na Radiotherapy and Oncology, revista científica da European Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ESTRO), e demonstrou que a quimioterapia concomitante aumentou a sobrevida global em cinco e dez anos em pacientes sem metástase à distância.

Esta meta-análise inclui ensaios clínicos randomizados do período de 1965 a 2017 que avaliaram o papel da adição de quimioterapia a um tratamento local na doença não-metastática. Comparou-se o tratamento curativo locorregional (LRT) com LRT + quimioterapia (QT) concomitante ou adicionando outro tempo de QT para LRT + QT concomitantes. Havia também, entre os estudos incluídos, braços comparando QT de indução + radioterapia com radioterapia + QT concomitante (ou alternada).

Ao analisar o trabalho, o oncologista clínico da Oncoclínicas, Dr. Pedro De Marchi, observa que o principal mérito dos autores foi apresentar resultados que reforçam a importância de a quimioterapia ser utilizada de forma concomitante à radioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço locorregional avançado. “Esse trabalho confirma o que temos feito na prática clínica como o padrão de tratamento”, destaca Dr. Pedro, que também é membro diretor do GBCP.

O desfecho primário analisado foi sobrevida global, tendo sido incluídos 101 estudos (16 novos e 11 estudos atualizados), um total de 18.951 pacientes e acompanhamento médio de 6,5 anos. Cerca de 90% dos pacientes apresentavam doença em estadio III ou IV.

A interação entre o efeito do tratamento na sobrevida global e o momento da QT foi estatisticamente significativo, com o benefício sendo limitado à QT concomitante. Vale ressaltar que a eficácia diminuiu com o aumento da idade dos pacientes. “Houve redução de benefício da quimioterapia nas populações de pacientes idosos. Para esses pacientes a utilização desse tipo de tratamento deve ser analisado caso a caso”, explica Dr. Pedro de Marchi. Outro dado trazido no estudo é que a sobrevida global não aumentou com a adição de QT de indução ou QT adjuvante.

 

Referência do estudo

Lacas B, Carmel A, Landais C, Wong SJ, Licitra L, Tobias JS, et al. MACH-NC Collaborative Group. Meta-analysis of chemotherapy in head and neck cancer (MACH-NC): An update on 107 randomized trials and 19,805 patients, on behalf of MACH-NC Group. Radiother Oncol. 2021 Mar;156:281-293.

Disponível em: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0167-8140(21)00013-X

 

 

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Nódulo na tireoide é sinal de câncer?

Nem sempre um nódulo na tireoide é câncer. É importante lembrar que os nódulos na tireoide são muito comuns, principalmente nas mulheres, e apesar da maioria deles ser benigna é necessário estar atento aos sinais e buscar avaliação médica para descartar qualquer suspeita. Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, em 2021 estão previstos 14.260 novos casos da doença.

Dentre os principais sinais que podem indicar um câncer de tireoide e que devem ser observados estão:

  • nódulos palpáveis na região inferior do pescoço
  • dor na parte da frente do pescoço, que pode irradiar para os ouvidos
  • rouquidão ou mudança no timbre de voz que não passa com o tempo
  • dificuldade para engolir e respirar
  • tosse persistente

Ao perceber alguma alteração como essas, um médico endocrinologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço deve ser consultado. Para descartar qualquer suspeita serão realizados alguns exames, iniciando pelo exame físico por meio da palpação do pescoço, se necessários ainda são solicitados exames laboratoriais, como TSH, T3, T4, anti-TPO e calcitonina, exames de imagem, como ultrassonografia e cintilografia da tireoide. Com base nesses resultados, pode ser necessária também a realização de uma biópsia, retirada de pequeno fragmento da lesão suspeita para análise anatomopatológica, que irá confirmar se esse nódulo é benigno ou maligno 

 

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Meta-análise sugere resultados melhores com radioterapia hiperfracionada e quimioterapia concomitante, mas não avalia toxicidade relacionada ao tratamento

Uma meta-análise robusta, de 116 ensaios clínicos randomizados publicados entre 1980 e 2016 avaliou 16 diferentes modalidades terapêuticas em 29.978 pacientes com câncer de cabeça e pescoço localmente avançado. Embora a conclusão dos autores tenha apontado a radioterapia hiperfracionada com quimioterapia concomitante (HFCRT) como o melhor tratamento na análise de sobrevida global e sobrevida livre de doença, o estudo  Chemotherapy and radiotherapy in locally advanced head and neck cancer: an individual patient data network meta-analysis, publicado na revista científica The Lancet Oncology, não altera a atual conduta clínica, que é de radioterapia (sem hiperfracionamento) com quimioterapia concomitante.

Ao analisar o trabalho, o radio-oncologista Dr. Diego Chaves Rezende Morais, membro fundador do GBCP, destaca que embora seja um estudo interessante por ser uma meta-análise, com uma grande coorte de pacientes, há fragilidades importantes. Dentre elas, o fato de muitos dos ensaios clínicos revisados serem antigos e terem sido realizados com estratégias menos eficazes. “Hoje a radioterapia é mais moderna. Além disso, o perfil da doença também mudou. Saímos do contexto de termos apenas tabagistas e etilistas para um cenário em que há um número crescente de pacientes mais jovens, que nunca fumaram e beberam, cujo tumor é causado pelo vírus HPV,  para os quais o prognóstico é significativamente melhor. Além disso, as populações contempladas não tiveram, na maioria dos casos, estratégias comparáveis, o que é um viés importante, dificultando uma melhor análise dos dados”, explica Dr. Diego, que é também radio-oncologista da Oncoclínicas Recife e do Centro de Oncologia de Caruaru.

Nesta meta-análise, realizada pelos grupos colaborativos MACH-NC e MARCH, a radioterapia hiperfracionada com quimioterapia concomitante (HFCRT) foi classificada como o melhor tratamento quando avaliados os end-points de sobrevida global, sobrevida livre de eventos e sobravida câncer específica.  Dr. Diego Rezende explica que na radioterapia hiperfracionada o paciente realiza duas sessões de radioterapia no mesmo dia com intervalo entre elas de pelo menos 6-8 horas.  “No entanto, dos mais de 29 mil pacientes avaliados no estudo, somente 384 foram tratados com essa estratégia.  Isso limita o resultado e dificulta uma generalização dos resultados obtidos”, ressalta.


Ausência de análise de toxidade

Embora a análise da toxidade para pacientes com câncer de cabeça e pescoço seja relevante, os autores não avaliaram esse aspecto. “O tratamento dos tumores nesta região costuma ser tóxico e o cenário de radioterapia com hiperfracionamento e ainda concomitante à quimioterapia, é potencialmente mais tóxico. A consequência é o maior risco de efeitos colaterais intensos, incluindo mucosite severa, odinofagia importante e perda ponderal significativa”, aponta.

Com o hiperfracionamento, embora sejam diminuídas as doses por fração, são aplicadas duas frações diárias ao invés de apenas uma por dia. No geral, explica Dr. Diego, são dadas mais frações no mesmo período. Ao invés de 35 frações em sete semanas, com o hiperfracionamento a média é de 68 frações em 34 dias.

Os eventos adversos mais comuns no tratamento de câncer de cabeça e pescoço são dor para engolir (odinofagia), perda do paladar, aftas e feridas na boca (mucosite), boca seca (xerostomia) e escurecimento da pele. “Costumo dizer que tudo conspira para o paciente não se alimentar adequadamente. Ele não sente o gosto do alimento, tem dificuldade para mastigar e engolir em virtude das aftas e da falta de saliva e ainda, quando consegue engolir, sente dor. Muitos pacientes perdem muito peso durante o tratamento e alguns precisam de sonda para poder se alimentar. Trata-se de um tratamento que requer uma participação intensa dos médicos envolvidos com envolvimento da equipe multidisciplinar com participação ativa da nutrição, odontologia, enfermagem e fonoaudiologia”.

Os autores da pesquisa esclarecem que o tratamento com hiperfracionamento pode ser difícil de implementar na prática diária, podendo, no entanto, ser adequado para o tratamento de tumores de cabeça e pescoço HPV-negativo localmente avançados ao diagnóstico. Quimioterapia de indução com base em taxanos seguida de forma ideal por quimiorradioterapia concomitante é outra estratégia que tem bons resultados para pacientes selecionados, com bom status de desempenho e comorbidades menores, porém cujos resultados precisam comparados à radioquimioterapia concomitantes a fim de definir a melhor estratégia.

Na opinião do radio-oncologista Dr. Diego Rezende, esses tratamentos devem, idealmente, ser mais investigados em ensaios clínicos randomizados. No entanto, na ausência de estudos randomizados, essas descobertas podem ajudar na tomada de decisão clínica atual, avalia.

 

Referência do estudo:

Petit C, Lacas B, Pignon JP, Le QT, Grégoire V, Grau C, Hackshaw A, et al. Chemotherapy and radiotherapy in locally advanced head and neck cancer: an individual patient data network meta-analysis. Lancet Oncol. 2021 May;22(5):727-736. doi: 10.1016/S1470-2045(21)00076-0. Epub 2021 Apr 13. PMID: 33862002.

Disponível em:

https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(21)00076-0/fulltext

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Iodoterapia no tratamento do câncer de tireoide

O principal tratamento para o câncer de tireoide é cirurgia. Em alguns casos é indicado o tratamento complementar com a iodoterapia, principalmente para os tumores de tireoide do tipo bem-diferenciado (papilíferos e carcinomas), cujas células têm características semelhantes às células tireóideas e por isso captam o iodo para fabricar hormônio. A iodoterapia contribui para eliminar as células cancerígenas que restaram no organismo após a tireoidectomia (cirurgia para a remoção da tireoide) ou a metástase para os gânglios linfáticos ou outros órgãos.

A dose de iodo radioativo (I-131), tem a capacidade de destruir as células cancerígenas, com pouco ou nenhum efeito sobre as células saudáveis. Esse protocolo contribui para diminuir o risco de recidiva do câncer, ou seja, do câncer voltar.

 

O que deve ser feito antes do tratamento da iodoterapia

Nos casos em que a tireoide foi removida durante a cirurgia, é indicado como primeira etapa elevar o nível de hormônio tireoestimulante (TSH) antes do tratamento com a iodoterapia, pois ele é mais eficaz em pacientes com níveis altos desse hormônio.

Para isso, o paciente pode receber uma injeção de TSH que faz com que que os hormônios da tireoide sejam retidos por um período de tempo ou permanecer sem tomar o hormônio T4, para que o TSH aumente espontaneamente e estimule a absorção do iodo radioativo. Também é recomendado que o paciente siga uma dieta pobre em iodo antes do tratamento, evitando alimentos que contêm sal iodado e corante vermelho, produtos lácteos, ovos, frutos do mar e soja.

 

Como é feito o procedimento de Iodoterapia

A administração do iodo-131 é feita por via oral. A depender da dose de iodo necessária, o paciente vai precisar ser internado em um quarto especial e ficar em isolamento por dois a três dias até eliminar do organismo toda substância radioativa para que não haja a contaminação do ambiente e de pessoas.
Após o tratamento com a iodoterapia é recomendado evitar a gravidez nos primeiros 12 meses.

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Reabilitação da voz e da deglutição pós-tratamento do câncer de laringe

O tratamento do câncer de laringe exige também um olhar integrado da equipe multiprofissional para preservação das funções dos órgãos afetados pelo câncer, com o intuito de contribuir para minimizar os impactos na função física, social e psicológica do paciente e para sua qualidade de vida.

Assim, o processo de reabilitação se torna parte fundamental da jornada do paciente. Em algumas situações, esse paciente passa por uma cirurgia, chamada laringectomia, para a remoção parcial ou total do tumor e, também, pela radioterapia.

Esses procedimentos podem levar o paciente a ter dificuldades para engolir, falar e até mesmo respirar, uma vez que com a laringectomia pode ser necessária a realização de uma ostomia, abertura na traqueia para ajudar na respiração. Outro ponto importante é que em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia de reconstrução da região afetada. Quando não é possível a sua realização em razão dos danos no tecido remanescente da cirurgia inicial ou da radioterapia, existe a opção de uso de prótese para restaurar a deglutição, fala e a aparência.

Uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas será responsável por acompanhar esse paciente em seu processo de reabilitação. 

A equipe de fonoaudiologia vai ser responsável por planejar o tratamento do paciente com foco na reabilitação da fala, deglutição e mastigação. Como durante o tratamento do câncer de laringe, o paciente pode ter utilizado a alimentação por sonda, o ato de se alimentar após esse tratamento pode exigir o acompanhamento do fonoaudiólogo que vai avaliar as consequências do tratamento e propor alternativas para a reabilitação.

Deglutição

Nem sempre, a restauração da alimentação por via oral será possível para todos os pacientes. Somente com a avaliação individualizada de cada caso é possível determinar a conduta adequada, considerando uma alimentação nutricional alternativa em conjunto com a equipe de nutricionistas, que englobe a adaptação da consistência, volume, temperatura dos alimentos, tempo destinado à entrega da alimentação e a frequência, além de manobras posturais e exercícios de mobilidade dos órgãos.  Quando existe o risco de aspiração, broncoaspiração, desnutrição ou desidratação, ainda há outras opções, que são avaliadas pela equipe multiprofissional de forma individualizada para cada paciente, entre elas: a sonda nasoenteral, gastrostomia ou nutrição parenteral total.

Fala

O tratamento do câncer de laringe pode causar alterações na fala, principalmente aqueles pacientes que passaram por laringectomia. Nesse caso, eles vão precisar reaprender a falar. Isso exige tempo e persistência e vai depender de cada caso. Para os pacientes que passaram por laringectomia total (retirada total da laringe e cordas vocais), existem três possibilidades de reabilitação: a voz esofágica, a voz traqueoesofágica e a laringe eletrônica. Já para os pacientes que receberam tratamento radioterápico ou passaram pela laringectomia parcial e ainda podem falar usando as cordas vocais, mas com algumas mudanças na qualidade da voz (rouquidão, fadiga), a equipe de fonoaudiologia poderá auxiliar na recuperação da qualidade da fala com um programa de reabilitação personalizado.

Confira o GUIA DO LARINGECTOMIZADO: http://www.gbcp.org.br/Guia_Do_Laringectomizado.pdf

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Tratamento combinado se mostra eficaz para pacientes com câncer de cabeça e pescoço metastático e recorrente

Estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology avalia a eficácia da combinação de cetuximabe, docetaxel e cisplatina em comparação com platina, flurouracil e cetuximabe como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de cabeça e pescoço de células escamosas, recorrente ou metastático (GORTEC 2014-01 TPExtreme). Multicêntrico, aberto, randomizado e de fase 2, o trabalho reuniu 541 pacientes. A conclusão é que o regime TPEx pode ser uma abordagem de primeira linha para este grupo de pacientes, especialmente para aqueles que podem não ser bons candidatos para o tratamento inicial com pembrolizumabe.

Considerando esses resultados, um artigo de comentário também publicado na The Lancet Oncology por Michael Hwang e Taguy Seiwert, ambos do Departamento de Oncologia da Johns Hopkins University, traz uma análise sobre o atual arsenal utilizado no tratamento para pacientes com câncer de cabeça e pescoço, incluindo o convencional uso de taxanos e a eficácia com as terapias multimodais e imunoterapia. O artigo busca responder à pergunta: are taxanes the future for head and neck cancer? / os taxanos são o futuro para o câncer de cabeça e pescoço?

Em busca da resposta, o primeiro questionamento trazido pelos autores é referente ao regime EXTREME, que ganhou visibilidade após artigo publicado em 2008. Ele consiste em protocolo de seis ciclos de fluorouracil (5-FU) infusional, platina e cetuximabe, seguido de manutenção semanal com cetuximabe. Foi o primeiro estudo em décadas a mostrar um benefício de sobrevida global em câncer de cabeça e pescoço metastático.

No entanto, recorda o oncologista clínico e secretário geral do GBCP, Dr. William Nassib William Junior, várias dúvidas surgiram à época da publicação, incluindo a necessidade de uso de platina e 5-FU como as drogas quimioterápicas básicas a serem combinadas com cetuximabe e a necessidade de se usar cetuximabe combinado à quimioterapia de primeira linha em comparação com a terapia de maneira sequencial (ou seja, imediatamente após a falha do esquema baseado em platina usado na primeira linha). 

“O reflexo disso foi que oncologistas, já desde os primórdios da aprovação do regime EXTREME, substituíram o 5-FU por um taxano ou usavam platina e taxano combinados na primeira linha e reservavam o uso de cetuximabe para a segunda linha. Essas adaptações eram justificadas, em grande parte, pelo potencial de toxicidade e complicações logísticas relacionadas a 5-FU infusional, sendo assim adotadas desde a aprovação inicial do regime EXTREME”, ressalta Dr. William Junior, diretor médico de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

 

Com otimismo, do pulmão para Cabeça e Pescoço

Entre as notícias com potencial de serem positivas está o estudo KEYNOTE-407, que mostrou com pacientes com câncer de pulmão de células escamosas uma sinergia entre taxanos e imunoterapia. Este trabalho, observa William Junior, consagrou o uso de quimioimunoterapia com platina, paclitaxel e pembrolizumabe para câncer de pulmão escamoso metastático virgem de tratamento. Segundo a análise do especialista, os dados robustos de ganho de sobrevida sugeriam que essa combinação poderia ter alta atividade não somente para câncer de pulmão, como também para outros cânceres do tipo escamoso (ou mesmo de outras histologias) de origem extrapulmonar, abrindo assim uma janela de oportunidade para pesquisas com câncer de cabeça e pescoço.

 

Um freio no otimismo

Ao contrário do estudo KEYNOTE-407, o  KEYNOTE-048 freia o otimismo em relação ao impacto da interação entre taxanos e imunoterapia, embora não exclua que essa linha de investigação deva ser o futuro dos ensaios clínicos também em câncer de cabeça e pescoço. Dr. William Junior explica que nesse protocolo foi necessário  o uso de platina e 5-FU como quimioterapia básica em combinação com pembrolizumabe. Isso, segundo ele, devido aos dados históricos do estudo EXTREME e às exigências feitas pelas agências regulatórias.

“Muitos oncologistas têm um entusiasmo menor pelo uso da combinação de platina, 5-FU, e pembrolizumabe justamente pelo potencial de toxicidade do 5-FU (e ausência de dados de que essa quimioterapia seria a mais adequada para uso em câncer de cabeça e pescoço). Na realidade, muitos serviços já adotaram o uso de platina, taxano e pembrolizumabe como tratamento padrão para câncer de cabeça e pescoço, em extrapolação aos dados de câncer de pulmão (KEYNOTE-407) e a todos os dados históricos que demonstram que um taxano é tão eficaz quanto (e menos tóxico que) 5-FU para câncer de cabeça e pescoço”, detalha  Dr. William Junior.

Concluindo a análise que faz sobre o comentário publicado pelos pesquisadores da Johns Hopkins na Lancet Oncology, o oncologista clínico William Junior observa que os autores reforçam o conceito, já adotado por muitos e desejado por tantos outros, de que a combinação platina e taxano deveria substituir platina e 5-FU como o regime citotóxico de base a ser usado na prática clínica diária e em estudos futuros de novas combinações para câncer de cabeça e pescoço metastático. 

             

Referências dos estudos

Guigay J, Aupérin A, Fayette J, Saada-Bouzid E, Lafond C, Taberna M, Geoffrois L, Martin L, Capitain O, Cupissol D, Castanie H, Vansteene D, Schafhausen P, Johnson A, Even C, Sire C, Duplomb S, Evrard C, Delord JP, Laguerre B, Zanetta S, Chevassus-Clément C, Fraslin A, Louat F, Sinigaglia L, Keilholz U, Bourhis J, Mesia R; GORTEC; AIO; TTCC, and UniCancer Head and Neck groups. Cetuximab, docetaxel, and cisplatin versus platinum, fluorouracil, and cetuximab as first-line treatment in patients with recurrent or metastatic head and neck squamous-cell carcinoma (GORTEC 2014-01 TPExtreme): a multicentre, open-label, randomised, phase 2 trial. Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):463-475. doi: 10.1016/S1470-2045(20)30755-5. 

Disponível em https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1470-2045(20)30755-5

 

Hwang M, Seiwert TY. Are taxanes the future for head and neck cancer? Pragmatism in the immunotherapy era. Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):413-415. doi: 10.1016/S1470-2045(21)00121-2. Epub 2021 Mar 5. Erratum in: Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):e134.

Disponível em https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1470204521001212

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Trastuzumabe aumenta a sobrevida de pacientes com câncer de glândula salivar com HER-2-positivo

Um estudo com 95 pacientes diagnosticados com câncer de glândula salivar de alto grau (SGC) e perfil HER-2 mostra que o uso de trastuzumabe adjuvante (inibidor de HER-2 após a cirurgia) aumenta exponencialmente o tempo de sobrevida do paciente quando comparado com aqueles que não recebem esta terapia. A conclusão é de pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, Brigham and Women´s Hospital, em Boston, nos Estados Unidos e BC Center, em Vancouver, no Canadá, no estudo The Benefits of Adjuvant Trastuzumab for HER-2-Positive Salivary Gland Cancers, publicado na revista científica The Oncologist.

Na amostra, obtida retrospectivamente (pacientes tratados de 2002 a 2019), observou-se que aqueles que expressam HER-2, quando tratados com trastuzumabe, viveram em média por 74 meses após o tratamento em primeira linha, enquanto os que não receberam a terapia viveram em média 43 meses. Dos 95 pacientes incluídos, a maioria tinha doenças de alto grau, com carcinoma do ducto salivar como o diagnóstico mais frequente.

Ao comentar o estudo para o GBCP, a oncologista clínica do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Dra. Julia Pastorello, destaca que o diferencial da pesquisa foi demonstrar o provável benefício no tratamento anti HER-2 com trastuzumabe adjuvante associado a quimioterapia baseada em carboplatina e taxano para pacientes com câncer de glândula salivar de alto grau (SGC), com taxa de benefício acima de 50%. “Mesmo com dados retrospectivos, o estudo fornece uma visão detalhada dos resultados do tratamento de um subtipo considerado muito raro de câncer de cabeça e pescoço e para o qual a literatura ainda é escassa nesse contexto”, ressalta Dra. Julia Pastorello.

Os resultados apontam também que 35 pacientes (37% da amostra) apresentaram recorrência (volta da doença). Nove de 17 (53%) pacientes com carcinoma do ducto salivar HER-2 positivo receberam quimiorradiação adjuvante com trastuzumabe. O trabalho evidencia que, além das terapias dirigidas por HER-2, a privação de andrógeno também resultou em benefício clínico além do cenário metastático de primeira linha, com resposta parcial observada já a partir do uso de segunda linha.

 

O que motivou o estudo?
O câncer de glândula salivar (SGC) é um grupo heterogêneo de tumores distintos, extremamente raro, e desafiador em seu perfil histológico e molecular. Somado a isso, tem comportamento clínico variável. O tratamento padrão costuma ser de cirurgia com intenção curativa, seguida por radioterapia adjuvante, dependendo das margens de retirada do tumor, assim como características histológicas e envolvimento linfonodal (número de linfonodos comprometidos).

Porém, o papel da quimioterapia é incerto, tanto no contexto adjuvante quanto no quadro recorrente, incurável ou metastático. A principal motivação dos autores é o fato que, do ponto de vista molecular, novos alvos terapêuticos vêm demonstrando relevância clínica, sendo os mais promissores a terapia de privação de androgênio (ADT) e terapias direcionadas ao oncogene HER-2, que já demonstraram eficácia terapêutica conhecida em câncer de próstata, estômago e mama. Partindo dessa premissa, se investigou a eficácia em câncer de glândula salivar.

Embora os benefícios tenham sido observados neste tipo de câncer, a principal ressalva, afirma Julia, é que cerca de 25% dos pacientes com SGCs de alto grau apresentam recorrências tardias. Portanto, se faz necessário, aponta Dra. Julia Pastorello, acompanhar os pacientes por um tempo superior aos habituais cinco anos.

 

Referência do estudo
Hanna GJ, Bae JE, Lorch JH, Haddad RI, Jo VY, Schoenfeld JD, Margalit DN, Tishler RB, Goguen LA, Annino DJ Jr, Chau NG. The Benefits of Adjuvant Trastuzumab for HER-2-Positive Salivary Gland Cancers. Oncologist. 2020 Jul;25(7):598-608.

Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7356716/pdf/ONCO-25-598.pdf

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Vamos falar sobre o câncer de laringe

A laringe é a parte da garganta localizada entre a base da língua e a traqueia, é nela que estão as cordas vocais. O câncer de laringe pode se desenvolver tanto na supraglote que é a parte superior da laringe, acima das cordas vocais, como na glote, a parte média da laringe onde as cordas vocais estão localizadas, na subglote, parte inferior da laringe entre as cordas vocais e a traqueia. Tanto a fala, como a respiração e alimentação podem ser afetadas quando ocorre um câncer nessa região. A maioria dos cânceres de laringe são do tipo carcinoma de células escamosas. Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, estima-se que em 2021, no Brasil, serão 7.650 novos casos da doença.

A doença, que é mais prevalente em homens acima dos 50 anos, tem alguns fatores de risco importantes e que podem ser evitados: fumar, consumir bebida alcoólica em excesso e a infecção pelo vírus HPV – Papilomavírus Humano, transmitido principalmente pelo contato sexual. Além desses, o refluxo gastroesofágico, uma doença crônica, também pode levar ao desenvolvimento do câncer de laringe.

Quando o câncer se desenvolve nas cordas vocais, frequentemente, o primeiro sintoma a se manifestar é a rouquidão ou alteração da voz. Se esse sintoma persistir por mais de duas semanas é importante procurar avaliação médica. Já se o câncer se desenvolve nas demais regiões da garganta, a rouquidão ocorre em estágios mais avançados, assim como outros sinais, entre eles: dor de garganta que não passa, tosse constante, dor ao engolir e dificuldade em engolir, dor de ouvido, problemas respiratórios, perda de peso, caroço ou massa no pescoço.

Se houver suspeita de câncer de laringe, o médico vai solicitar alguns exames para diagnóstico, como a laringoscopia e exames de imagem (tomografia, ressonância magnética) e, se necessário, uma biópsia da lesão para confirmar ou descartar o diagnóstico. O tratamento do câncer de laringe vai depender do estágio da doença e das condições clínicas do paciente, podendo ser indicada a cirurgia, combinada com radioterapia ou quimioterapia após a cirurgia para reduzir as chances de recidiva do câncer.

Quanto mais precoce for o diagnóstico da doença, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

 

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