É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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Como funciona a cirurgia Robótica no tratamento do câncer de cabeça e pescoço?

Geralmente, um dos principais tipos de tratamento indicados para o câncer de cabeça e pescoço é a cirurgia para remoção total ou parcial do tumor. A indicação vai depender de alguns fatores importantes, como o tipo e subtipo do câncer, a sua localização, o estadiamento, o grau de agressividade e as condições clínicas do paciente.

Dentre as opções cirúrgicas que podem ser utilizadas, a cirurgia minimamente invasiva robótica vem ganhando espaço no tratamento do câncer de cabeça e pescoço e trazendo benefícios importantes ao paciente. Porém, nem todos os casos têm indicação para a técnica robótica. Essa avaliação é feita pelo cirurgião.

 

O que é a cirurgia robótica?

A cirurgia robótica surgiu na década de 1980 na Inglaterra e chegou ao Brasil em 2008. De lá para cá, o crescimento de procedimentos realizados com a técnica é cada vez maior e amplia-se a utilização em novas especialidades médicas. Atualmente é utilizada na urologia, ginecologia, oncologia, cirurgia torácica, cirurgia geral, do aparelho digestivo, bariátrica, pediátrica, de cabeça e pescoço e cardíaca.

Na cirurgia pela plataforma robótica, a intervenção é realizada por meio de um robô que consegue reproduzir todos os movimentos da mão do cirurgião, que é quem comanda o robô através de um console (similar a um joystick de videogame) próximo à mesa cirúrgica. Um dos braços robóticos tem um laparoscópio e os outros braços seguram pequenos instrumentos cirúrgicos que podem entrar em uma incisão de menos de um centímetro. As pinças robóticas fazem movimentos 360 graus e conseguem acessar regiões estreitas e angulosas. São movimentos de alta precisão, difíceis de serem realizados diretamente com a mão humana. Por meio de um monitor 3D, os médicos acompanham todo o procedimento com visão em alta definição. Em cirurgia na garganta, as incisões são realizadas por dentro da boca, assim como para algumas doenças da tireoide. Para alguns tumores do pescoço podem ser realizadas em áreas não visíveis (como atrás da orelha).

 

Tipos de câncer de cabeça e pescoço que podem ter a indicação da Cirurgia Robótica

A indicação da cirurgia robótica é feita pelo cirurgião. Não são todos os pacientes que podem utilizar a técnica. Atualmente, a cirurgia robótica pode ser utilizada em alguns casos de câncer de laringe, faringe e tireoide e também quando é necessária a realização de esvaziamento cervical, procedimento para remover linfonodos (gânglios linfáticos) e vasos linfáticos que foram atingidos por um câncer.

A cirurgia robótica é uma técnica de alta complexidade e, por isso, é fundamental que o cirurgião seja experiente e certificado para realização do procedimento., pois o manuseio exige um treinamento específico.

 

Benefícios da Cirurgia Robótica no tratamento do câncer de cabeça e pescoço?

  • Menor tempo de cirurgia
  • Menor risco de infecções e complicações pós-cirúrgicas;
  • Menos dor e diminuição da perda de sangue e hemorragias;
  • Menor tempo de internação e volta mais rápida às atividades habituais.;
  • Incisões menores, com cicatrizes menores e mais discretas
  • Redução da necessidade de cirurgias reparadoras
  • Recuperação mais rápida, acelerando o retorno às atividades diárias.
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Seleção correta dos pacientes com câncer de orofaringe é primordial para potencializar benefícios da cirurgia e radioterapia

Por conta da epidemia de infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é crescente a incidência do carcinoma espinocelular de orofaringe (OPSCC). O manejo ideal do câncer de orofaringe em estágio inicial com cirurgia ou radioterapia é uma controvérsia clínica, com escassez de dados randomizados de longo prazo comparando as duas modalidades. Esta premissa norteou o estudo Randomized Trial of Radiotherapy Versus Transoral Robotic Surgery for Oropharyngeal Squamous Cell Carcinoma: Long-Term Results of the ORATOR Trial, publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology (JCO), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Multicêntrico e multidisciplinar, o estudo conta com participação de instituições do Canadá e Austrália.  

Neste estudo, foram selecionados aleatoriamente pacientes com tumores de orofaringe T1-T2 com linfonodos negativos ou com linfonodos cervicais comprometidos com até 4 cm de diâmetro. Eles foram randomizados para radioterapia de intensidade modulada (com quimioterapia em caso de linfonodos comprometidos) ou para cirurgia robótica transoral com esvaziamento cervical (TORS + ND) – com ou sem terapia adjuvante (radio e/ou quimioterapia).

O endpoint primário foi a qualidade da deglutição 01 ano após o término do tratamento, a qual foi avaliada através do score proposto pelo MD Anderson (MD Anderson Dysphagia Index-MDADI). Os endpoints secundários incluíram eventos adversos, outros desfechos de qualidade de vida, assim como sobrevida global e sobrevida livre de progressão. Todas as análises foram por intenção de tratar. Ao todo, participaram 68 pacientes, sendo 34 em cada braço, randomizados entre 10 de agosto de 2012 e 9 de junho de 2017. O seguimento mediano foi de 45 meses.

As análises demonstraram superioridade estatística do braço de radioterapia (RT) ao longo do tempo, embora as diferenças além de um ano tenham sido de menor magnitude. Os autores ressaltam que essas diferenças não atingiram o limite para se qualificar como uma mudança clinicamente significativa em nenhum momento (diferença absoluta superior a 10%). A conclusão foi que a diferença da qualidade da deglutição entre as abordagens RT primária e TORS + ND persiste, mas diminui ao longo do tempo. Além disso, pacientes com OPSCC devem ser informados sobre os prós e os contras de ambas as opções de tratamento.

 

O que dizem os especialistas no Brasil?

Para ter um cenário da abordagem clínica no câncer de orofaringe HPV positivo no Brasil o GBCP convidou dois especialistas para analisar o estudo e debater as indicações da cirurgia robótica e da radioterapia. Toparam este desafio o cirurgião oncológico Dr. Renan Bezerra Lira, do Departamento de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center e o radio-oncologista Dr. Diego Chaves Rezende Morais, titular da Oncoclínicas Recife e do Centro de Oncologia de Caruaru, além de membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e membro fundador do GBCP. 

Ambas as opções de tratamento se mostraram válidas no cenário de tumores iniciais de orofaringe com excelentes resultados de sobrevida global e sobrevida livre de doença. Na avaliação de Dr. Diego Rezende, no que diz respeito às toxicidades relacionadas ao tratamento, os desfechos de deglutição, dor, trismo e tosse favoreceram os pacientes tratados com radioterapia, enquanto os desfechos de xerostomia, zumbido e perda auditiva favoreceram os pacientes tratados com cirurgia. “Falando de uma maneira mais genérica, a principal desvantagem da cirurgia é ser uma abordagem invasiva com riscos associados ao procedimento propriamente dito, lembrando que houve um episódio de sangramento grau IV e uma morte por sangramento no grupo da cirurgia e que o estudo subsequente – ORATOR 2 – foi fechado precocemente para recrutamento devido à ocorrência de dois óbitos entre os pacientes operados. Em relação à radioterapia, a principal desvantagem reside na necessidade de idas diárias do paciente (segunda a sexta) para realização do tratamento durante sete semanas consecutivas”, comenta o radio-oncologista.

O cirurgião oncológico Dr. Renan Bezerra afirma que é preciso haver uma seleção bem rigorosa dos casos que vão ser submetidos à cirurgia robótica transoral para que sejam garantidos bons resultados para o paciente. Ele acrescenta que além do estadiamento, deve-se levar em conta nesta seleção os subsítios dentro da orofaringe e características anatômicas do paciente, entre outros fatores. Com isso, é possível garantir margem de segurança e maior possibilidade de boa recuperação funcional. “Como o estudo simplesmente randomizou, sem submeter a esses critérios de seleção, provavelmente alguns pacientes, que não eram bons candidatos à cirurgia, foram submetidos ao procedimento”, opina.

Outro ponto ressaltado por Dr. Renan é que neste trabalho os autores tiveram resultados de complicação e manejo pós-operatório muito divergentes com a atual prática clínica nos centros de referência em todo o mundo. Eles tiveram uma taxa de mortalidade pós-operatória de 3%, que é 10 vezes maior do que o reportado consistentemente na literatura retrospectiva e prospectiva e, até por isso, passaram a recomendar realização de traqueostomia de proteção em todos os casos, algo que é indicado em aproximadamente 6% dos casos nas grandes séries publicadas. “Essas traqueostomias certamente podem ter interferido nos dados de avaliação de qualidade de vida dos pacientes”, avalia Dr. Renan Bezerra.

O radio-oncologista Dr. Diego Rezende observa que outro ponto fraco do estudo é o pequeno número de pacientes randomizados, o que, segundo ele, é algo habitual em estudos que realizam comparação direta de cirurgia com radioterapia. Já a principal contribuição do estudo, segundo ele, reside no fato de que ele traz nível I de evidência de que cirurgia e radioterapia proporcionam resultados oncológicos equivalentes ao mesmo tempo em que ele quebra o “pré-conceito” que habitualmente existe de que a radioterapia é a responsável pela maioria das sequelas relacionadas ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço.

“Na verdade, o estudo traz muita luz a essa discussão, pois demonstra, com seguimento longo, que a radioterapia está associada a melhores desfechos de deglutição além de menor incidência de trismo, dor e tosse quando comparada à cirurgia. Esses resultados reforçam que a radioterapia deve ser sempre discutida e oferecida aos pacientes com tumores de orofaringe iniciais e que discussões multiprofissionais são fundamentais e imprescindíveis para definição do melhor tratamento de nossos pacientes”, afirma Dr. Rezende.

Na avaliação de Dr. Renan Lira, com a cirurgia a recuperação é mais rápida, com internação apenas dois a três dias e recuperação pós-cirúrgica em 15 dias. Depois disso, o paciente tem a resolução dos sintomas e sequela funcional discreta ou nenhuma. “Outra vantagem é que o cirurgião tem informação completa do tumor ao ter a peça cirúrgica em mãos. As desvantagens são as complicações cirúrgicas, além da dor pós-operatória em até 15 dias e sangramento, que pode ser fatal em 0,3% dos casos. Em radioterapia, a vantagem é não necessitar de cirurgia, evitando assim o risco de complicações, porém, além de mais demorado, têm potenciais sequelas mais duradoras, como xerostomia e disfagia, que podem inclusive piorar com o tempo”, avalia Dr. Lira.

Outro ponto a ser observado, segundo Dr. Rezende, é que pacientes com tumores de base de língua tiveram scores de deglutição significativamente melhores quando tratados com radioterapia, com diferença absoluta em três anos de quase 15%, sugerindo que esse subgrupo de pacientes tenha um benefício ainda maior quando tratado com radioterapia. Por fim, o maior nível de concordância entre as duas opiniões consultadas pelo GBCP foi que é essencial haver uma criteriosa seleção dos pacientes através de discussões multidisciplinares e que mais dados prospectivos são necessários para termos maior esclarecimento sobre os melhores critérios de seleção, melhorando assim a individualização do tratamento oncológico do carcinoma de orofaringe.

 

Referência do estudo

Nichols AC, Theurer J, Prisman E, Read N, Berthelet E, Tran E, Fung K, de Almeida JR, Bayley A, Goldstein DP, Hier M, Sultanem K, Richardson K, Mlynarek A, Krishnan S, Le H, Yoo J, MacNeil SD, Winquist E, Hammond JA, Venkatesan V, Kuruvilla S, Warner A, Mitchell S, Chen J, Corsten M, Johnson-Obaseki S, Odell M, Parker C, Wehrli B, Kwan K, Palma DA. Randomized Trial of Radiotherapy Versus Transoral Robotic Surgery for Oropharyngeal Squamous Cell Carcinoma: Long-Term Results of the ORATOR Trial. J Clin Oncol. 2022 Mar 10;40(8):866-875.

 

Disponível em  https://ascopubs.org/doi/pdf/10.1200/JCO.21.01961

 

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Quatro fatos sobre o câncer de laringe

O câncer de laringe é uma doença que pode se desenvolver em uma das três áreas do órgão:  supraglote, glote e subglote. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados anualmente 7.560 novos casos da doença, que é mais prevalente em homens.

A detecção precoce do câncer de laringe traz a possibilidade de mais de 90% de chances de sucesso no tratamento. Por isso, é muito importante estar atento aos possíveis sintomas e buscar avaliação médica se perceber qualquer alteração.

Para isso, o primeiro passo é conhecer mais sobre a doença, que inclusive pode ser prevenida com algumas atitudes.

 

Veja aqui 4 fatos sobre o câncer de laringe que você precisa saber:

 

1 – o tabagismo e o consumo em excesso de bebidas alcoólicas são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de laringe. Outros fatores que podem estar associados são: estresse e mau uso da voz, excesso de gordura corporal, exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão e solventes.

2 – Geralmente os sintomas do câncer de laringe são: dor de garganta ou rouquidão persistente, alteração na qualidade da voz, leve dificuldade de engolir e sensação de “caroço” na garganta. Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, podem ocorrer dor na garganta, dificuldade mais severa para engolir, dificuldade para respirar ou falta de ar.

3 – Cerca de 30% dos casos de câncer de laringe poderiam ser evitados com algumas mudanças de comportamento, como: manter o peso corporal adequado, não fumar cigarro, cachimbo, charuto, narguilé cigarro eletrônico, cigarro de palha, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, falar pausadamente e de forma mais leve para evitar calos vocais.

4 – Para confirmação diagnóstica do câncer de laringe será necessária a realização de um exame chamado laringoscopia com a coleta de fragmentos da lesão (biópsia) para análise anatomopatológica. Por meio desse laudo é possível confirmar ou não o câncer e ter todas as informações sobre as características do tipo de câncer para a definição do melhor tratamento

 

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Mitos e verdades sobre o câncer de tireoide

A tireoide é uma glândula que se localiza na parte frontal do pescoço, abaixo da região conhecida como pomo de Adão e tem a forma de uma borboleta, com 2 lobos – o lobo direito e o lobo esquerdo – ligada por uma região chamada istmo. Ela é responsável por produzir hormônios que atuam na regulação do metabolismo do organismo, influenciam no desenvolvimento do corpo e na atividade do sistema nervoso. O câncer pode se desenvolver nessa região e é importante conhecer a doença, identificar os principais sintomas para que o diagnóstico possa ser o mais precoce possível.

Reunimos aqui os principais mitos e verdades sobre a doença. Confira:

 

1 – Todo nódulo na tireoide é câncer?

Mito.  É muito comum identificar algum nódulo na tireoide e, na maioria das vezes, esse nódulo é benigno. Memo com essa boa notícia, é fundamental, ao perceber um nódulo no pescoço, buscar avaliação médica de um cirurgião de cabeça e pescoço para investigação.

 

2 – O câncer de tireoide pode não apresentar sintomas?

Verdade. Em estágios iniciais o câncer de tireoide não costuma apresentar sintomas. Conforme ele vai crescendo, um dos primeiros sintomas é o aparecimento de um nódulo palpável no pescoço. Outros sintomas possíveis são:  rouquidão, tosse e dificuldade para engolir

 

3 – O câncer de tireoide é mais frequente em mulheres?

Verdade. A maioria dos casos de câncer de tireoide acontece em mulheres, mas os homens também podem desenvolver a doença. O Instituto Nacional do Câncer (INCA), prevê 13.780 novos casos anuais da doença, sendo que 1.830 serão em homens e 11.950 em mulheres.

 

4- O câncer de tireoide pode ter como causa a exposição à radiação em exames de Raio-X?

Mito. Esse tipo de radiação não oferece risco para o desenvolvimento de câncer de tireoide

 

5 – O câncer de tireoide tem pouca chance de cura?

Mito. Apenas 5% dos casos de câncer de tireoide são altamente agressivos e os índices de sucesso podem chegar a 95% quando o diagnóstico é precoce e o tratamento adequado

 

6 – Hipotireoidismo e hipertireoidismo podem causar câncer de tireoide?

Mito. Não há relação entre hipertireoidismo (produção em excesso de hormônios) e o hipotireoidismo (queda no nível de hormônios produzidos) com o desenvolvimento do câncer de tireoide.

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Qual o tipo de tratamento para o câncer de tireoide?

O câncer de tireoide é o tipo mais frequente dos cânceres de cabeça e pescoço. É mais incidente em mulheres do que em homens e tem grandes chances de sucesso no tratamento. Dentre os tipos de câncer de tireoide, o carcinoma diferenciado é o mais comum, entre eles estão o papilífero (50% a 80% dos casos), o folicular (15% a 20% dos casos) e o de células de Hürthle. Também existe o carcinoma pouco diferenciados e o carcinoma indiferenciados (cerca de 10% dos casos cada um deles).

Após o diagnóstico do câncer de tireoide, o cirurgião de cabeça e pescoço de posse do laudo anatomopatológico com a avaliação da biópsia, contendo todas as informações sobre o tipo do câncer, poderá definir a opção mais assertiva de tratamento para cada caso. A definição do protocolo de tratamento vai depender das características do tumor e também das condições clínicas do paciente.

A cirurgia é o tipo de tratamento principal para a maioria dos casos de câncer de tireoide. A cirurgia mais frequente é tireoidectomia, um procedimento utilizado para remover a glândula tireoide e ela pode ser total ou parcial, a depender do tipo, tamanho e grau de agressividade do tumor. Já a técnica de lobectomia é utilizada geralmente nos casos de câncer diferenciado (papilífero ou folicular) para remover o lobo contendo o câncer, juntamente como istmo (parte que une os lobos). Em alguns casos, durante a cirurgia, será necessário ainda fazer a remoção dos linfonodos, isso se caso haja comprometimento dos gânglios linfáticos do pescoço.

Quando o tumor é menor que 1 cm, sem evidência de metástases ou invasão local, pode ser indicada a vigilância ativa, ou seja, o acompanhamento médico com a realização de exames periódicos, sem a necessidade de um tratamento imediato.

Após a cirurgia, em alguns casos, também será necessária a indicação de tratamento complementar com iodoterapia.

Já a radioterapia, associada ou não à quimioterapia, pode ser recomendada em caso de tumores agressivos.

O tratamento do câncer de tireoide tem uma abordagem multiprofissional, por isso, é fundamental que o paciente seja acompanhado por uma equipe composta pelo cirurgião de cabeça e pescoço, endocrinologista, oncologista e radiooncologista, além da equipe de enfermagem, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia

 

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Aumento da quantidade de cálcio no sangue pode ser indicativo de tumor na paratireoide

O tumor de paratireoide é raro e a maioria deles é benigna. O diagnóstico, geralmente, acontece por meio de um exame de sangue, quando é identificado aumento dos níveis de cálcio (hipercalcemia), ocasionando hiperparatireoidismo. Isso porque os tumores de paratireoide secretam uma quantidade de hormônio Paratormônio (PTH) muito acima do que é normalmente secretada pelas glândulas paratireoides.

Quando a pessoa tem hipercalcemia, os principais sintomas são cansaço, fraqueza, perda de apetite e de memória, constipação e aumento da vontade de urinar.

Dentre os tumores que se desenvolvem na paratireoide, o adenoma é o tipo benigno da doença mais comum. Já o tumor maligno é o carcinoma de paratireoide tem como principais fatores de risco a exposição à radioterapia no pescoço, histórico familiar de tumores de paratireoide e a síndrome de neoplasia endócrina múltipla (NEM) e tem desenvolvimento lento.

A maioria desses tumores são assintomáticos no início. Para diagnosticar a doença, é necessária a realização de alguns exames como tomografia computadorizada com ou sem biópsia, ressonância magnética (RM), cintilografia, ultrassonografia de alta resolução ou angiografia.

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6 Mitos ou Verdades sobre o Câncer de Laringe

Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, estima-se que em 2022, no Brasil, serão 7.650 novos casos de câncer de laringe.

A laringe é a parte da garganta localizada entre a base da língua e a traqueia, é nela que estão as cordas vocais. O câncer de laringe pode se desenvolver tanto na supraglote que é a parte superior da laringe, acima das cordas vocais, como na glote, a parte média da laringe onde as cordas vocais estão localizadas e na subglote, parte inferior da laringe entre as cordas vocais e a traqueia. Tanto a fala, como a respiração e alimentação podem ser afetadas quando ocorre um câncer nessa região.

Relacionamos aqui 6 mitos ou verdades sobre o câncer de laringe, confira:

 

6 Mitos ou Verdades sobre o câncer de laringe

 

1 – O tabaco é a principal causa do câncer de laringe, responsável por 97% dos diagnósticos

Verdade. Inclusive, o tabagismo associado ao consumo de bebidas alcoólicas aumenta em cerca de 10 vezes o desenvolvimento do câncer nessa região

Outros fatores de risco são:

  • infecção pelo vírus HPV – Papilomavírus Humano, transmitido principalmente pelo contato sexual.
  • refluxo gastroesofágico, uma doença crônica
  • estresse e mau uso da voz
  • excesso de gordura corporal
  • exposição a algumas substâncias como óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos

 

2 – O câncer de laringe é o tipo menos comum de câncer de cabeça e pescoço

Mito.  É um dos mais comuns, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa região.

 

3 – A maioria dos casos de câncer de laringe ocorre na glote, onde estão localizadas as cordas vocais

Verdade. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais).

 

4 – O câncer de laringe acomete mais as mulheres

Mito. Esse tipo de câncer é mais frequente em homens acima de 40 anos

 

5 – Dor de garganta e rouquidão persistente podem ser sinais de câncer de laringe

 Verdade.  Esses são dois dos principais sintomas do câncer de laringe, que incluem também alteração na voz, tosse constante, dor e dificuldade em engolir, dor de ouvido, problemas respiratórios, perda de peso, caroço ou massa no pescoço.

 

6 – Nos últimos anos, o câncer de laringe tem aumentado em pessoas mais jovens, que não bebem e não fumam

Verdade. Esse fato está associado à infecção pelo vírus do HPV, que é transmitida pelo contato sexual, inclusive oral.

 

 

 

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5 Fatos sobre o câncer

É fato que a incidência do câncer no mundo vem aumentando. Segundo dados da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), a projeção para novos casos de câncer em 2040 é de 28,4 milhões. Isso significa um crescimento de 47% se comparado os dados de 2020, que apontou 19,2 milhões de casos de câncer no mundo.

Esse cenário tem relação com alguns aspectos, como o envelhecimento da população, o crescimento populacional e às mudanças socioeconômicas e culturais que impactam em comportamentos que caracterizam como fatores de risco para a doença.

É importante conhecer mais sobre o câncer pois a informação também contribui para mudar esse cenário no mundo, já que a doença, em muitos casos, pode ser prevenida e se diagnosticada e tratada precocemente tem grandes chances de cura.

Relacionamos aqui 5 fatos sobre o câncer que todos precisam saber. Confira:

 

5 fatos sobre o câncer que todos precisam saber

1 – O câncer é um conjunto de doenças com mais de 200 tipos que podem se desenvolver em diversos órgãos do corpo.  Cada tipo tem comportamento diferente e, por essa razão, a indicação do tratamento também é diferente, a depender do tipo de câncer e da condição clínica do paciente.

 

2 – O câncer é uma doença de origem genética e se desenvolve quando ocorre o crescimento desordenado das células, passando de células normais para células cancerígenas. Geralmente cerca de 10% dos casos tem como causa o fator hereditário, ou seja, a doença é herdada dos pais. Já os outros 90% estão relacionados a três categorias de agentes externos:

  • cancerígenos físicos: radiação ultravioleta e ionizante;
  • substâncias químicas cancerígenas: amianto, componentes do tabaco, aflatoxina (um contaminante alimentar) e arsênio (um contaminante da água potável)
  • cancerígenos biológicos: infecções por certos vírus, bactérias ou parasitas, entre eles: Helicobacter pylori, Papilomavírus Humano (HPV), os vírus da hepatite B e hepatite C e o vírus Epstein-Barr.

O envelhecimento também é um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença, considerando que ocorre a acumulação de fatores de riscos gerais combinada com a tendência de que os mecanismos de reparação celular sejam menos eficazes à medida em que a pessoa envelhece.

 

3 – Cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com hábitos de prevenção

O consumo de produtos derivados do tabaco e de bebidas alcoólicas, a exposição ao sol sem proteção, adoção de uma alimentação desequilibrada, sedentarismo e a obesidade são alguns dos principais fatores de risco para o câncer em todo o mundo.

Para prevenir o câncer, as ações são:

  • Não fumar
  • Manter o peso adequado
  • Adotar uma alimentação saudável, rica em frutas, vegetais e fibras
  • Praticar atividade física regularmente
  • Não consumir bebida alcoólica em excesso
  • Vacina contra o HPV – Papilomavírus Humano
  • A exposição ao sol somente com proteção

 

4 – Se o câncer é diagnosticado em fases iniciais e tratado imediatamente, as chances de sucesso no tratamento podem superar 90%.

Por isso, é importante passar por consulta médica anualmente e realizar os exames de rotina de acordo com a idade e a necessidade clínica, entre eles: a mamografia para câncer de mama,  o Papanicolau para câncer de colo do útero, o exame de toque retal e PSA para câncer de próstata

Observar as alterações do corpo também é muito importante. Alguns sinais podem requerer uma avaliação médica. Entre eles:

  • Tosse persistente ou rouquidão
  • Alterações no hábito intestinal
  • Sangue na urina
  • Dor persistente que surge sem causa aparente
  • Perda de peso inexplicada
  • Alterações em pintas
  • Ferida que não cicatriza após três semanas
  • Sangramento inesperado
  • Aparecimento ou crescimento de um nódulo
  • Inchaço ou a presença de massa palpável no abdômen
  • Dificuldade para engolir

 

5 – Os principais tipos de tratamento para o câncer podem englobar: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou a combinação deles

O diagnóstico correto do câncer é essencial para um tratamento adequado e eficaz, porque cada tipo da doença precisa de um tratamento específico, que inclui uma ou mais modalidades.  Os objetivos do tratamento podem ser curar, prolongar a vida do paciente ou  melhorar a qualidade de vida. 

 

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A influência da alimentação na prevenção e no pós-tratamento do câncer de cabeça e pescoço

A nutrição é um dos fatores mais importantes para a saúde. Uma dieta alimentar equilibrada pode auxiliar desde a prevenção de algumas doenças, como de alguns tipos de câncer e também diretamente o paciente oncológico em seu tratamento ou reabilitação.

Para entender melhor como a nutrição pode auxiliar tanto na prevenção quanto no pós-tratamento do câncer de cabeça e pescoço, conversamos com Thais Manfrinato Miola, Supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center.

Veja porque os cuidados com a nutrição são fundamentais quando o assunto é câncer de cabeça e pescoço:

 

GBCP: É possível dizer que alguns hábitos na alimentação podem prevenir alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço? Se sim, quais são?

Thais Manfrinato Miola: Sim, é possível. A alimentação saudável contribui para a redução do risco de diversos tipos de tumores, inclusive do câncer de cabeça e pescoço. O consumo frequente de frutas e vegetais tem sido associado ao menor risco de desenvolvimento de tumores na boca, nasofaringe, faringe e laringe.

 

GBCP: Há alimentos que podem atuar como fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço? Se sim, quais são os que mais devemos evitar o consumo?

Thais Manfrinato Miola: Para o câncer de nasofaringe existe evidência de que o consumo de vegetais em conserva e do peixe salgado cantonês, um alimento tradicional na China e preservado em sal, aumenta o risco. Existe também uma evidência limitada, mas que sugere a interação de carne vermelha e processada com o risco do câncer de nasofaringe.

Além disso, a obesidade é um fator de risco para estes tumores e, na maioria das vezes, ela ocorre devido ao alto consumo de alimentos com alta densidade energética, como açúcares e gorduras.

 

GBCP: Falando agora sobre o paciente com câncer de cabeça e pescoço: qual a importância de um acompanhamento nutricional após o tratamento da doença?

Thais Manfrinato Miola: O acompanhamento nutricional do paciente com câncer de cabeça e pescoço deve ocorrer em todas as fases do tratamento, desde o diagnóstico da doença, já que são pacientes considerados de alto risco nutricional.

O tratamento, seja cirúrgico ou sistêmico, traz diversos efeitos colaterais que impactam diretamente na ingestão alimentar, o que pode acarretar perda de peso, principalmente de massa muscular e essa recuperação de massa muscular não é tão rápida quanto a sua perda. São necessários no mínimo 3 meses de intervenção nutricional e fisioterápica para observamos resultado.

É importante ressaltar que, a intervenção nutricional sozinha auxilia na recuperação muscular, porém chega um momento em que esse cenário se estabiliza, pois é necessário o estímulo para o crescimento da massa muscular. Por isso é importante que a equipe de fisioterapia atue em conjunto nesse processo.

Estes pacientes muitas vezes podem apresentar sintomas tardios que continuam a dificultar a ingestão alimentar e, consequentemente, piora a qualidade de vida. Por exemplo, pacientes que fizeram radioterapia podem continuar com xerostomia (boca seca) e apresentar trismo (dores e dificuldades para abrir a boca), o que dificulta a ingestão de certos alimentos e ainda faz com que o paciente perca o prazer na alimentação.

 

GBCP: Após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, quais alimentos são mais indicados? E quais podem ser contraindicados?

Thais Manfrinato Miola: Não existe uma dieta exclusiva para os pacientes com câncer de cabeça e pescoço após o tratamento e nem contraindicação. Tudo vai depender do que ele consegue comer após o tratamento. Devem ser respeitadas as preferências e aversões alimentares para montar um plano alimentar saudável e que atenda às necessidades nutricionais de cada paciente.

 

Fonte:

Thais Manfrinato Miola – Supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. Doutora e Mestre em Ciências na Área de Oncologia. Especialista em Nutrição Clínica e Oncológica.

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Estudo que sugere que “menos é mais” poderá se aplicar aos pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo

Em pacientes com câncer de orofaringe que são positivos para o papilomavírus humano (HPV) do tipo 16 e que foram previamente operados (com margens cirúrgicas-PSM ou extensão extranodal-ENE), a quimioterapia associada à radioterapia não resultou em melhora da sobrevida global. Esta é a conclusão do estudo Comparing adjuvant radiation to adjuvant chemoradiation in postsurgical p16+ oropharyngeal carcinoma patients with extranodal extension or positive margins, publicado na edição de março da revista científica Head & Neck por pesquisadores do Huntsman Cancer Institute, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

Os autores partiram da premissa que diretrizes adjuvantes (pós-cirurgia) em carcinoma de orofaringe p16+ ressecado cirurgicamente com margens cirúrgicas positivas (PSM) ou extensão extranodal (ENE) são baseadas em ensaios clínicos randomizados anteriores ao status p16. Portanto, ainda não está claro se a quimioterapia adjuvante é necessária em pacientes p16+ com essas características.

Para contribuir com a resposta, os pesquisadores usaram o National Cancer Database para identificar casos de carcinoma de orofaringe HPV16+ não metastáticos diagnosticados de 2010 a 2017. Ao todo, 14.071 pacientes tratados com ressecção cirúrgica seguida de radiação adjuvante (aRT) ou quimiorradiação adjuvante (aCRT) foram elegíveis para análise. Nesta amostra, a sobrevida global não foi estatisticamente diferente entre aRT e aCRT em pacientes com PSM. Com isso, concluiu-se que para os pacientes com carcinoma de orofaringe p16+ com ENE, PSM ou ambos, a adição de quimioterapia à radioterapia adjuvante não foi associada à melhora da sobrevida global.

 

RESULTADO AINDA NÃO MUDA A CONDUTA

A desintensificação do tratamento do carcinoma espinocelular HPV+ de cabeça e pescoço, em especial os localizados na orofaringe, é ensejo de alguns estudos na atualidade, explica o oncologista clínico Dr. Fernando Moura, coordenador médico do Centro de Medicina de Precisão do Hospital Israelita Albert Einstein e convidado pelo GBCP para comentar este estudo. Dentre as distintas abordagens estudadas no cenário HPV positivo, elenca Moura, estão a quimioterapia de indução, redução de doses de radioterapia pós-operatória ou de radioterapia definitiva, redução de doses de quimioterapia em concomitância à radioterapia ou, até mesmo, exclusão de quimioterapia em associação à radioterapia.

Em comum, esses estudos de desintensificação têm o objetivo de reduzir os efeitos tóxicos dos tratamentos (preservando a qualidade de vida) ao mesmo tempo que pretendem assegurar os desfechos de interesse, como redução do risco de recorrência e ganhos em sobrevida global para o paciente. “O status de infecção por HPV no câncer de orofaringe poderá, no futuro, contribuir para seleção de pacientes, como forma de personalizar o tratamento, reduzindo suas toxicidades”, vislumbra Dr. Fernando.

Embora enalteça os resultados promissores deste trabalho e de alguns estudos de fase II envolvendo pacientes com câncer de orofaringe HPV+, Dr. Moura ressalta que não há recomendação formal e baseada em evidências científicas sólidas para modificar as recomendações de tratamento já estabelecidas e empregadas atualmente, tanto com relação às doses de radioterapia, quanto de quimioterapia. “Apesar de provocadores, os resultados baseados em dados retrospectivos não nos autorizam a modificar a recomendação padrão. Não há suporte para excluir quimioterapia com cisplatina durante a radioterapia adjuvante”, ressalta o especialista brasileiro.

No entanto, conclui Dr. Moura, este trabalho de Fenlon e colaboradores deixa claro que pode existir oportunidade para abolir o tratamento com cisplatina durante a radioterapia adjuvante de pacientes com câncer de orofaringe p16+ (mesmo em cenários de pior prognóstico como presença de ENE e/ou margens comprometidas) sem prejuízo ao desfecho de sobrevida global e aprimorando a qualidade de vida. Porém, há necessidade de dados prospectivos e confirmatórios para que se altere a prática clínica.

 

Referência do estudo

Fenlon JB, Hutten RJ, Weil CR, Lloyd S, Cannon DM, Kerrigan K, Cannon RB, Hitchcock YJ. Comparing adjuvant radiation to adjuvant chemoradiation in postsurgical p16+ oropharyngeal carcinoma patients with extranodal extension or positive margins. Head Neck. 2022 Mar;44(3):606-614.   

Disponível em  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26951

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