É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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Como se preparar para iniciar a radioterapia de um câncer de cabeça e pescoço?

A radioterapia é um dos tipos de tratamento utilizados para o câncer de cabeça e pescoço. Esse procedimento utiliza a radiação para destruir ou impedir o crescimento das células cancerígenas, controlar sangramentos e dores e reduzir tumores que estejam comprimindo outros órgãos. É um procedimento seguro e totalmente planejado para preservar ao máximo as células saudáveis. Caso essas células normais sejam afetadas pela radioterapia, elas conseguem se reparar.

Caso a radioterapia seja o tratamento indicado para o seu caso, é importante se preparar e conhecer como funciona esse procedimento e estar preparado para essa etapa importante.

Para começar, não fique preocupado porque as sessões do tratamento não causam nenhum tipo de dor, quando são realizadas. A radiação é direcionada para o local onde está o tumor a partir de uma máquina, chamada acelerador linear, localizada longe do corpo. Você não verá essas ondas radioativas.

Antes de iniciar o tratamento será necessária a confecção de uma máscara personalizada feita exclusivamente para você, é um dispositivo de imobilização extremamente importante, pois irá garantir que você esteja exatamente na mesma posição todos os dias e não movimente a cabeça durante a realização do tratamento. Durante o procedimento é importante não se mexer, porque qualquer movimento pode alterar a área que está recebendo a radiação.

No momento do tratamento você irá colocar a máscara e o técnico vai posicioná-lo corretamente no equipamento para receber a radioterapia. O tempo de duração da sessão pode variar dependendo da técnica utilizada no tratamento, mas será aproximadamente de 8 a 12 minutos.

Durante a sessão, você permanecerá sozinho dentro da sala, mas o técnico responsável estará sempre monitorando o procedimento por meio de uma televisão e caso seja necessário se comunicar com ele, haverá um microfone na sala para que possa utilizá-lo. Além disso, se houver necessidade, a máquina poderá ser interrompida a qualquer momento.

Alguns ruídos no equipamento são normais, como clicar, bater ou zumbir, mas não se preocupe, pois o técnico tem total controle da máquina.

Durante toda a duração das sessões você deve passar por consulta com o radio-oncologista uma vez por semana, mesmo que esteja se sentindo bem e sem efeitos colaterais.

Em alguns casos, quando ocorrem efeitos colaterais mais severos, pode ser necessário interromper o tratamento por alguns dias. Geralmente, os tratamentos são programados cinco dias por semana, de segunda a sexta-feira, e continuam por várias semanas. O número de sessões necessárias depende do tamanho, da localização e do tipo de câncer, do objetivo do tratamento, das condições de saúde geral do paciente e de outros tratamentos associados.

 

Conheça os possíveis efeitos colaterais da radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço

Durante todo o curso do tratamento, podem ocorrer algumas complicações. Os principais efeitos colaterais são:

  • Dificuldade na ingestão de alimentos
  • Boca seca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Feridas na boca, mucosite
  • Alteração na pele (descamação, vermelhidão, ressecamento)
  • Queda de cabelos e pelos

Ao surgir qualquer um dos sintomas, o médico deve ser informado. Ele afará o acompanhamento e dará as orientações para minimizar esses sintomas.

É importante que haja também um acompanhamento de uma equipe multiprofissional  antes, durante e depois do tratamento: avaliação odontológica, orientação nutricional e avaliação por fonoaudiólogo e fisioterapeuta

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Má higiene bucal pode ter relação com o câncer de boca?

No Brasil, segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer) são diagnosticados mais de 15 mil novos casos de câncer de boca anualmente. Também chamado de câncer da cavidade oral, a doença pode acometer as gengivas, língua, lábio, soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), palato duro (céu da boca), e a área atrás dos dentes do siso (retromolar).

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A infecção pelo HPV (Papilomavirus Humano), transmitida pelo contato sexual, é investigada como fator de risco nestes tipos de câncer..

Mas existe relação entre o câncer de boca e a má higiene oral?

Alguns estudos científicos evidenciam que higiene oral inadequada é também um dos fatores que pode predispor ao desenvolvimento da doença, principalmente pessoas com problemas de periodontite. 

A recomendação é que a higiene oral seja realizada de forma adequada com a escovação regular após as três principais refeições do dia, o uso de fio dental e a limpeza da língua. Além disso, é fundamental passar por consulta de avaliação com o dentista semestralmente para verificar a saúde da boca.

O dentista, nessa consulta pode, inclusive, identificar a presença de sinais que podem indicar um câncer da cavidade oral, como, por exemplo, lesões esbranquiçadas ou avermelhadas, feridas (úlceras) que não cicatrizam e que podem até ser indolores, nódulos ou caroços endurecidos.

O diagnóstico precoce do câncer de boca salva vidas.

 

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Imunoterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Além da cirurgia, radioterapia e quimioterapia, uma outra opção de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço é a imunoterapia. Quando há o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço recidivado (o tumor é tratado inicialmente, mas retorna após o tratamento) ou metastático (o tumor já se disseminou para outros órgãos ou linfonodos), a imunoterapia é uma alternativa promissora para a sobrevida do paciente.

 

Mas o que é a imunoterapia e como funciona?

É uma opção de tratamento para o câncer que tem como objetivo fazer com que o sistema imunológico (sistema de defesa) reconheça e destrua a célula cancerígena, eliminado ou reduzindo o tamanho do tumor.

O nosso organismo consegue reconhecer desde o início a célula cancerígena como uma ameaça, algo anormal.  Acontece que com o desenvolvimento da doença, o tumor consegue “despistar” o sistema imunológico para que não mais o perceba.

Os remédios imunoterápicos são administrados por via intravenosa e em vez de atuarem diretamente na célula cancerígena, atuam no sistema imunológico do organismo para que ele detecte e combata a doença. Eles buscam bloquear os fatores que inibem o sistema imunológico de reconhecer o câncer como algo estranho e aumentam a resposta imune.

O tratamento com imunoterapia não é indicado para todos os casos de câncer de cabeça e pescoço. Apenas a equipe médica poderá avaliar qual a melhor alternativa para cada caso.

 

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Cirurgia transoral (TOS) seguida de radioterapia se mostra eficaz em pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo

A cirurgia transoral (TOS) se mostrou a principal estratégia terapêutica para pacientes com câncer de orofaringe HPV positivos em estadios intermediários (fase T1-2, com um ou dois nódulos comprometidos – N1-2 e sem metástase – M0). Convidado pelo GBCP para comentar o estudo Phase II Randomized Trial of Transoral Surgery and Low-Dose Intensity Modulated Radiation Therapy in Resectable p16+ Locally Advanced Oropharynx Cancer: An ECOG-ACRIN Cancer Research Group Trial (E3311), Dr. Fernando Dias, chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional de Câncer (INCA), avalia que esta é a principal contribuição do trabalho multi-institucional publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology (JCO), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Neste trabalho, cirurgiões credenciados realizaram TOS para 495 pacientes. Os pacientes elegíveis e tratados foram designados da seguinte forma: braço A (baixo risco, 38 pacientes), braços de risco intermediário B (radioterapia com 50 Gy, 100 pacientes) ou C (radioterapia com 60 Gy, 108 pacientes) e o braço D (alto risco, 113 pacientes). Com um acompanhamento médio de 35,2 meses (elegíveis e tratados), a estimativa de sobrevida livre de progressão de 2 anos é de 96,9% para o braço A (observação), 94,9 % para o braço B, 96,0% para o braço C e 90,7% para o braço D.

“Os objetivos primários do estudo, que eram demonstrar a viabilidade da construção de um estudo multi-institucional prospectivo para o tratamento do câncer da orofaringe induzido pelo HPV, utilizando a cirurgia transoral (laser ou robótica) seguida de tratamento complementar baseado no estádio pTNM, e com desfecho baseado na sobrevida livre de doença em dois anos, foram plenamente alcançados”, analisa Dr. Fernando Dias, que é também Professor titular do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro.

 

O que levou ao estudo?

Embora a quimioterapia definitiva ou pós-operatória seja curativa para o câncer de orofaringe (OPC) associado ao papilomavírus humano (HPV+), esta é uma terapia que induz uma toxicidade significativa. O percentual de pacientes que necessitam de uma via alternativa de alimentação após tratamento com quimioterapia associada com radioterapia é variável indo de 3% até cerca de 50%. De acordo com Ang et al., a necessidade de uso de gastrostomia é de cerca de 30% em pacientes submetidos a QT+RT para este perfil de doença, com acompanhamento de longo prazo.

Para ser uma opção a este cenário, o estudo agora publicado no JCO foi desenhado com a proposta de buscar uma estratégia de desintensificação por meio de cirurgia transoral primária (TOS) e radioterapia pós-operatória (RT) reduzida em câncer de orofaringe com HPV positivo de risco intermediário e os resultados apontam que a TOS primária e RT pós-operatória reduzida resultam em excelente resultado oncológico e resultados funcionais favoráveis.

Ainda na análise de Dr. Fernando Dias, a cirurgia transoral, em particular a cirurgia transoral robótica (TORS) ofereceu, efetivamente, uma mudança de paradigma no tratamento do câncer da orofaringe (seja ele induzido pelo HPV ou não). “Está provada a utilidade da ferramenta robótica no tratamento do câncer da cabeça e pescoço (orofaringe e laringe supraglótica), justificando plenamente sua utilização”, conclui.

 

Referência do estudo

Ferris RL, Flamand Y, Weinstein GS, Li S, Quon H, Mehra R, Garcia JJ, Chung CH, Gillison ML, Duvvuri U, O’Malley BW Jr, Ozer E, Thomas GR, Koch WM, Gross ND, Bell RB, Saba NF, Lango M, Méndez E, Burtness B. Phase II Randomized Trial of Transoral Surgery and Low-Dose Intensity Modulated Radiation Therapy in Resectable p16+ Locally Advanced Oropharynx Cancer: An ECOG-ACRIN Cancer Research Group Trial (E3311). J Clin Oncol. 2022 Jan 10;40(2):138-149.

Disponível em https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.21.01752

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Vacinação contra HPV fará com que menos jovens tenham câncer de orofaringe nas próximas duas décadas

Levando em conta as taxas atuais de vacinação contra HPV, entre 2018 e 2045 a incidência de câncer de orofaringe deverá diminuir entre os mais jovens. A estimativa é que a população na faixa de 36 a 45 anos tenha sua prevalência reduzida de 1,4 para 0,8 casos para cada 1000 mil habitantes. Entre os indivíduos de 46 a 55 anos a redução será de 8,7 para 7,2 casos. Por sua vez, a doença continuará com prevalência crescente entre os mais velhos – de 73 a 83 anos – saltando de 16,8 para 29 casos a cada 100 mil pessoas. Considerando todas as faixas etárias, a associação da vacina contra HPV com a incidência geral de orofaringe até 2045 permanecerá modesta, caindo de 14,3 casos sem vacinação para 13,8 casos por 100 mil habitantes entre os vacinados. Estes são os principais dados do estudo Projected Association of Human Papillomavirus Vaccination With Oropharynx Cancer Incidence in the US, 2020-2045, publicado na revista JAMA Oncology, da Associação Médica Americana, por pesquisadores dos departamentos de Epidemiologia e de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia da John Hopkins University, dos Estados Unidos.

Estas prevalências representam que, até 2045, a vacinação contra o HPV está projetada para reduzir a incidência de câncer de orofaringe entre indivíduos de 36 a 45 anos de idade (homens em 48,1% e mulheres em 42,5%) e de 46 a 55 anos de idade (homens em 9,0% e mulheres em 22,6%), mas entre aqueles com 56 anos ou mais, as taxas não são significativamente reduzidas. Entre 2018 e 2045, um total de 6.334 casos de câncer de orofaringe serão prevenidos pela vacinação contra o HPV, dos quais 88,8% desses casos ocorrem em faixas etárias mais jovens (até 55 anos).

 

Efeito a longo prazo do impacto positivo da vacina

No cenário ideal, a vacina contra o HPV deve ser aplicada antes do início da vida sexual. O câncer de cabeça e pescoço mais associado com o HPV é o de orofaringe, doença que ocorre preferencialmente acima dos 45 anos de idade. Por conta disso, para quem se vacina hoje, o efeito protetivo desta imunização será observado 30 a 40 anos mais tarde. “Isto significa que a partir de 2060, desde que consigamos vacinar os jovens adequadamente hoje, observaremos uma redução substancial da incidência do câncer de orofaringe associado ao HPV”, vislumbra o cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Antônio Bertelli, convidado pelo GBCP a comentar o estudo.

O especialista acrescenta que estruturar medidas de prevenção secundária, com campanhas de rastreamento da doença em fase inicial, que possibilite a identificação de lesões pré-malignas, seria fundamental para esta redução. Ainda segundo Dr. Bertelli, a principal contribuição deste estudo é demonstrar que a faixa etária dos pacientes com cancer de orofaringe relacionado ao HPV será mais elevada nos próximos anos.

Hoje, explica ele, a doença acomete indivíduos mais jovens e o efeito protetivo da vacina ocorrerá primeiro nestes mesmos indivíduos, nos próximos anos, uma vez que a vacinação se iniciou a partir da segunda década do novo milênio. “Portanto, a ocorrência da doença aumentará entre os indivíduos com mais idade, que não foram vacinados, e precisaremos nos preparar para tratar os pacientes com mais comorbidades e muitas vezes com limitações para certos tratamentos, e continuar estimulando as campanhas de prevenção especialmente entre estes indivíduos não vacinados”, afirma Dr. Bertelli, que é médico assistente da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Professor de Ensino Superior da Universidade Nove de Julho e chefe de equipe do Hospital Samaritano.

 

HPV e câncer de orofaringe no Brasil

No Brasil, diferente do que ocorre nos Estados Unidos, o câncer de orofaringe ainda está muito relacionado com o hábito de fumar e de consumir álcool. Enquanto nos Estados Unidos o cancer de orofaringe se tornou o mais comumente causado pelo vírus HPV, aqui no Brasil, explica Dr. Antônio Bertelli, ainda se observa que a maioria dos pacientes com a doença fuma e bebe demasiadamente.

Portanto, as campanhas de prevenção e conscientização tanto relacionadas ao tabagismo como àquelas relacionadas ao câncer de cabeça e pescoço, são fundamentais para a redução da incidência do cancer de orofaringe no país. Políticas públicas antitabagismo e etilismo, bem como aquelas que auxiliam a cessação destes hábitos são primordiais, assim como o estímulo às campanhas de rastreamento da doença em população de risco.

 

Referência do estudo

Zhang Y, Fakhry C, D’Souza G. Projected Association of Human Papillomavirus Vaccination With Oropharynx Cancer Incidence in the US, 2020-2045. JAMA Oncol. 2021 Oct 1;7(10):e212907.

Disponível em:  https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/article-abstract/2783491

 

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Como minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço?

A quimioterapia é uma das opções de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço, podendo ser indicada de forma isolada ou combinada com a cirurgia ou à radioterapia. O procedimento consiste na administração de medicamentos que tem como objetivo eliminar as células cancerígenas, controlar o crescimento dessas células ou reduzir os sintomas relacionados à doença. 

Esses medicamentos podem ser administrados de diversas formas: por via oral, via intravenosa, por injeções. O tipo de medicamento administrado, assim como a quantidade de sessões necessárias dependem do tipo e das características do câncer e da condição clínica do paciente.

 

Efeitos colaterais da quimioterapia – o que fazer?

Os medicamentos utilizados no tratamento quimioterápico são diversos e indicados de acordo com o tipo de câncer. Dependendo do tipo e da dosagem do medicamento, pode acarretar efeitos colaterais que variam de paciente a paciente. A maioria deles é temporário e vai acabar assim que o tratamento for finalizado.

Dentre os efeitos mais comuns estão:

1 – Queda de pelos e cabelo: A perda de pelos e cabelos geralmente tem início de sete a 21 dias após o início do tratamento. Alguns pacientes começam a recuperar o cabelo já durante o tratamento.

  • Procure cortar ou raspar o cabelo assim que notar o início da queda
  • Procure lavar regularmente o cabelo e coura cabeludo e use xampus suaves e escovas de cabelo macias
  • Evite equipamentos para secar ou modelar os cabelos (secadores de cabelo, chapinha, modeladores)
  • Proteja o couro cabeludo do sol com chapéus, perucas ou protetor solar
  • Abuse de lenços, turbantes ou chapéus coloridos. E se preferir utilize as perucas em diversos modelos.

2 – Fraqueza:  um dos sintomas mais comuns.

  • Evite esforço excessivo e aumente as horas de descanso.
  • Procure fazer exercícios físicos regulares, durante o dia ou a tarde, com a liberação do seu médico
  • Procure relaxar uma hora antes de dormir, ouvindo uma música calma ou com um banho quente
  • Mantenha horário regular de sono
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas, cafeína e chocolate à noite.
  • Procure adotar uma alimentação mais leve no jantar

3 – Náuseas e vômito: grande parte dos medicamentos quimioterápicos podem causar esse efeito.

  • Procure orientação de seu médico sobre medicamentos que possam aliviar a náusea.
  • Faça refeições com porções pequenas e mais vezes ao dia
  • Beba água em quantidade adequada
  • O consumo de bebidas e alimentos gelados, azedos, gaseificados podem ajudar a aliviar o sintoma: bala de hortelã, gelo, água gelada com limão, bebidas com gás, sorvetes
  • Evite alimentos fritos, gordurosos ou apimentados

4 – Diarreia ou constipação: alguns medicamentos podem aliviar esse sintoma. Procure conversar com seu médico

  • Beba água em quantidade suficiente.
  • Procure incluir em sua dieta alimentos que ajudam na evacuação: ameixas, cereais e frutas ricos em fibras
  • Faça atividade física diária, após liberação de seu médico
  • Vá ao banheiro imediatamente ao sentir vontade de evacuar.

5 – Feridas na boca:  os medicamentos podem causar feridas na boca e na garganta, secura, irritação ou sangramento.

  • Fazer a higiene da boca pelo menos 3 vezes ao dia, principalmente após as refeições, com escovação de dentes, gengiva e língua. Usar uma escova macia.
  • Buscar orientação médica se é permitida a utilização de fio dental e de enxaguantes bucais durante o tratamento.
  • Se utilizar dentadura, escovar diariamente. Manter a dentadura ajustada a boca, sem folga e sem estar apertada. Se possível, diminuir o tempo de uso e quando não estiver usando, colocar em água misturada a uma colher de café de água sanitária.
  • Consumir água regularmente e manter a boca e lábios hidratados e úmidos. Ás vezes, é necessária a utilização de saliva artificial. Consulte o médico para ver se é indicado.
  • Mascar chicletes sem açúcar;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Não fumar (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha);
  • Comer alimentos gelados, líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • Evitar o consumo de alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.

6 – Perda ou aumento de peso: nesse caso, é importante passar por consulta com uma nutricionista para que seja elaborado um plano alimentar personalizado para alcançar o objetivo

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Tipo de tumor e agressividade são determinantes para o cirurgião definir o quanto retira de tecido para reduzir risco de recidiva

Um estudo brasileiro realizado por pesquisadores do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia e do Departamento de Patologia do A.C.Camargo Cancer Center avaliou qual é a margem ideal de retirada de tecido ao redor do tumor para se diminuir o risco de recidiva (volta da doença) em casos de carcinoma espinocelular oral, o tipo mais comum de câncer de boca. O trabalho The impact of worst pattern of invasion on the extension of surgical margins in oral squamous cell carcinoma foi publicado na Head & Neck – Journal for the Sciences & Specialties of the Head and Neck.

O objetivo dos autores foi avaliar o impacto do pior padrão de invasão (WPOI) na extensão das margens cirúrgicas no carcinoma espinocelular. Reuniram uma coorte retrospectiva de 772 pacientes com pior padrão de invasão (WPOI) graduado de 1 a 5, sendo que a recorrência local foi o desfecho de interesse.

Os resultados apontam que a recidiva local ocorreu em 164 pacientes (21,2%). “Esta incidência é comparável a outras séries da literatura. Porém, temos de lembrar que a recidiva local é um fator de risco para morte por câncer e, portanto, devemos tentar diminuí-la”, ressalta o cirurgião oncológico de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Hugo Fontan Kohler, coautor do estudo.

Os piores padrão de invasão (WPOI) são dos tipos 4 e 5, nos quais se demonstra que o tumor consegue penetrar no tecido do paciente de forma mais dispersa e profunda, o que dificulta a remoção cirúrgica. Comparativamente, os autores mostram que em pacientes com WPOI tipos 1/2/3, um ponto de corte de 1,7 mm foi considerado a extensão de margem ideal. Por sua vez em pacientes com WPOI tipos 4/5, o ponto de corte foi de 7,8 mm. De acordo com Dr. Hugo, pacientes abaixo desses limiares, ou seja, que não tiveram essa margem retirada, tiveram uma incidência significativamente maior de recorrência local.

 

O que pode mudar na avaliação de margem segura?

Antes deste estudo, a literatura não diferenciava a margem pelo padrão de invasão. Na verdade, considerava vários valores como margem adequada vários valores. O que o estudo mostra agora é que a margem cirúrgica depende do tipo de tumor e de sua agressividade. “Isto não havia sido demonstrado antes. Permite que sejamos capazes de individualizar o quanto de tecido em torno do tumor é removido para cada situação. Podendo ser mais, em tumores mais agressivos, ou menos, em tumores menos agressivos. No primeiro caso, diminuindo a chance de recidiva. No segundo, diminuindo a morbidade do procedimento”, explica o cirurgião.

O próximo passo é avaliar, neste perfil de pacientes, os motivos pelos quais tanto a cirurgia quanto a radioterapia adjuvante (feita após a cirurgia) não melhoraram a taxa de sobrevida global.

 

Referência do estudo

Köhler HF, Vartanian JG, Pinto CAL, da Silva Rodrigues IFP, Kowalski LP. The impact of worst pattern of invasion on the extension of surgical margins in oral squamous cell carcinoma. Head Neck. 2021 Dec 14.

Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26956

 

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O câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido

Esse ano, no mundo, mais de 1,5 milhão de pessoas vão receber o diagnóstico de um câncer de cabeça e pescoço. Esses dados são uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS-Globocan 2020).  O câncer de cabeça e pescoço agrupa os tumores que se desenvolvem na face, fossas nasais, seios paranasais, boca, lábio, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, tecidos moles do pescoço e paratireoide.

Boa parte desses diagnósticos ocorrem em razão de alguns hábitos de vida que são prejudiciais à saúde e, para se ter uma ideia, cerca de 40% dos casos de câncer de cabeça e pescoço poderiam ser evitados com a mudança desses hábitos, já que os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV – Papilomavirus Humano.

De acordo com dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, 80% dos diagnósticos da doença acontecem em fumantes ou ex-fumantes e o consumo de bebida alcoólicas está presente em 50% dos casos.

 

Quais atitudes devo tomar para prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

1 – Não consumir nenhum produto derivado do tabaco (cigarro, narguilé, cachimbo, charuto, cigarro de palha entre outros)

2 – Não consumir bebida alcoólica em excesso

3 – Vacinar contra o Papilomavírus Humano – HPV, infecção transmitida durante a relação sexual, inclusive oral. O HPV é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço, principalmente de orofaringe.  A prevenção começa na infância com a vacina tetravalente contra o HPV que previne alguns tipos de vírus que causam a infecção. A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos; e homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos e mulheres de 9 a 45 anos.

4 – Adotar uma dieta equilibrada rica em frutas, verduras, legumes, fibras e cereais.

5 – Manter o peso adequado e praticar atividade física regularmente

6 – Usar preservativo durante a relação sexual

7 – Não se expor ao sol sem protetor solar, inclusive nos lábios

8 – Conhecer e estar atento aos possíveis sintomas e procurar avaliação médica em caso de suspeita, pois o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento.

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Conheça as causas e sinais do câncer de faringe

O câncer de faringe é um dos tipos de câncer de cabeça e pescoço. Ele se desenvolve na região da garganta, podendo acometer três áreas: a nasofaringe, a orofaringe e a hipofaringe. A maioria dos casos de câncer da faringe tem desenvolvimento silencioso, raramente apresenta sintomas em fases iniciais e por isso o diagnostico ocorre em fases mais avançadas da doença.
Aqui vamos explicar cada um dos tipos de câncer que se desenvolvem na faringe, suas causas e principais sintomas.

Esteja atento e ao perceber qualquer alteração suspeita, procure uma avaliação com médico especialista

Câncer de Orofaringe: se desenvolve na parte da garganta localizada atrás da boca, a orofaringe, que é por onde passa o ar e os alimentos, inclui a base da língua, palato mole, amígdalas e/ou na parte lateral e parede posterior da garganta. A maioria dos casos de câncer de faringe são encontrados nessa região. As principais causas desse tipo de câncer estão relacionadas ao tabagismo, ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, hábitos alimentares irregulares e a infecção pelo Papilomavírus Humano – HPV, que é transmitida principalmente pelo contato sexual, nesse caso, oral. É importante estar atento alguns sintomas que podem indicar a doença: lesão que não cicatriza, incômodo na garganta (sensação de “espinho”), dificuldade para mastigar, engolir, mobilidade da língua e mandíbula prejudicadas, rouquidão, mal hálito constante e aparecimento de nódulo no pescoço.

Câncer de Nasofaringe: se desenvolve na cavidade que possui forma de cubo, localizada atrás da cavidade nasal. Os fatores de risco, além do tabaco e do consumo de bebidas alcoólicas, estão relacionados a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV),  a fatores genéticos e exposição a fumaça de madeira queimada. Os principais sintomas são aparecimento de massa na região do pescoço, obstrução nasal, dor de cabeça constante, infecção de ouvido recorrente e zumbido no ouvido.

Câncer de Hipofaringe: se desenvolve na parte profunda da garganta, frequentemente invadem os linfonodos do pescoço. As causas estão relacionadas também ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas, além da doença do refluxo gastroesofágico. Dentre os principais sintomas: dificuldade para engolir, dor de ouvido recorrente, perda de peso, aparecimento de nódulo ou massa no pescoço.

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Tratamento se mostra protetor contra mucosite oral em pacientes submetidos a quimiorradioterapia

Evidências sugerem que, quando submetidos aos atuais protocolos de quimiorradioterapia (QRT) todos os pacientes (100%) com carcinoma espinocelular (CEC) avançado de cavidade oral e orofaringe desenvolverão mucosite oral (MO) quando não tratados por meio de protocolos multiprofissionais preventivos. Paralelamente, três entre dez pacientes desenvolverão MO grave na última semana da QRT, gerando quadros clínicos com dor intensa, que, na maioria dos casos, demanda uso de dieta via enteral, assim como uso de opioides para controle da dor, podendo levar, inclusive, a interrupção do tratamento. Como consequência, forte impacto negativo em termos de qualidade de vida e prognóstico oncológico.
Uma boa notícia é trazida no estudo Extraoral photobiomodulation for prevention of oral and oropharyngeal mucositis in head and neck cancer patients: interim analysis of a randomized, double-blind, clinical trial, publicado na revista Supportive Care in Cancer por um grupo multicêntrico e internacional, com liderança de pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, vinculada à Universidade de Campinas (UNICAMP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP-FMUSP).

O trabalho mostra que a técnica extraoral de fotobiomodulação como estratégia de prevenção de mucosite oral (MO) é bem tolerada pelos pacientes e não causou nenhum efeito adverso significativo, resultando na manutenção da capacidade de prevenir o início precoce da MO, além de reduzir os níveis de dor e a necessidade de analgésicos e medicamentos anti-inflamatórios. “Adicionalmente, não houve impacto no comportamento ou controle do tumor e nos resultados de sobrevida”, ressalta o cirurgião-dentista Dr. Alan Roger dos Santos-Silva, professor do Departamento de Diagnóstico Oral da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (UNICAMP). Convidado pelo GBCP a comentar o estudo, Santos-Silva, um dos autores do estudo e orientador da mestranda Elisa Kauark Fontes, corresponsável pela pesquisa.

Por este trabalho, Elisa recebeu o prêmio “Young Investigator Award 2021” da Multinational Association of Supportive Care in Cancer/International Society of Oral Oncology (MASCC/ISOO). Essa premiação, que ocorre anualmente, elege os trabalhos de pesquisa com melhor potencial translacional e de inovação na área do suporte ao tratamento de pacientes com câncer que são submetidos ao comitê científico do grupo por pesquisadores jovens (menos de 7 anos de carreira).
Resultado reflete na pandemia

Ao demonstrar eficácia para uma série de desfechos primários de controle de dor e de gravidade da mucosite oral com manutenção da segurança oncológica, a técnica extraoral de fotobiomodulação trouxe novas perspectivas para o suporte oncológico durante o desafiador cenário da pandemia Covid-19, tendo em vista o menor risco de transmissão do SARS-CoV-2 da modalidade extraoral quando comparada à técnica convencional intraoral que demanda manipulação dos tecidos bucais e saliva. “A fotobiomodulação (FBM) utiliza luz vermelha de baixa energia e luz “quase infravermelha” para controlar a produção e a liberação de mediadores inflamatórios, assim como para modular espécies reativas de oxigênio que resultam clinicamente no alívio da dor. Por fim, promove regeneração dos tecidos, sendo recomendada como estratégia não-farmacológica de prevenção e redução da gravidade da MO induzida pela QRT”, detalha Dr. Santos-Silva.

A conclusão é que este ensaio clínico prospectivo, duplo-cego – pioneiro ao avaliar a performance e a segurança oncológica da FBM aplicada por via extraoral (transdérmica) em protocolo profilático para a MO induzida pela QRT em pacientes com CEC avançado em cavidade oral e orofaringe – representa um avanço em termos clínicos, tendo em vista seu potencial para minimizar o tempo de aplicação por paciente, a ausência do contato direto com a mucosa oral e a saliva, bem como a aplicação da luz em pacientes com trismo e limitação de abertura bucal por via transdérmica (com a boca dos pacientes fechada). Dentre os autores, destaca-se também a participação da dentista e doutora em Estomatologia, Dra. Thaís Bianca Brandão, coordenadora do serviço de Odontologia Oncológica do ICESP e corresponsável pelo estudo clínico ao lado de Dr. Santos-Silva.

 

Referência do estudo

Kauark-Fontes E, Migliorati CA, Epstein JB, Treister NS, Alves CGB, Faria KM, Palmier NR, Rodrigues-Oliveira L, de Pauli Paglioni M, Gueiros LAM, da Conceição Vasconcelos KGM, de Castro G Jr, Leme AFP, Lopes MA, Prado-Ribeiro AC, Brandão TB, Santos-Silva AR. Extraoral photobiomodulation for prevention of oral and oropharyngeal mucositis in head and neck cancer patients: interim analysis of a randomized, double-blind, clinical trial. Support Care Cancer. 2021 Oct 28:1–12.

Disponível em: https://europepmc.org/article/med/34708311

 

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