É NOTÍCIA

Autor: GBCP Equipe

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Tenho um nódulo no pescoço, o que devo fazer?

Muitas pessoas acabam descobrindo um nódulo no pescoço ao olhar no espelho ou durante um autoexame, quando se faz a palpação do pescoço. Mas o que é esse nódulo? É necessário se preocupar?

Geralmente um nódulo no pescoço que dói quando é apertado não é sinal de gravidade. Pode ser uma íngua, um gânglio linfático que está aumentado por alguma razão, e esse é um fator bastante comum.

Os gânglios desempenham uma função importante que é a defesa do organismo. Quando ocorre o aumento de um gânglio significa que pode haver alguma inflamação ou infecção que está se manifestando, ou uma obstrução do ducto salivar ou até mesmo um lipoma, uma bolinha de gordura localizada entre a pele e a camada do músculo.  Na maioria das vezes, esses gânglios costumam desaparecer espontaneamente da mesma forma que apareceram.

Porém, se você apresenta um nódulo no pescoço e tem o hábito de fumar e/ou consumir bebidas alcoólicas, principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço, é importante estar atento a alguns aspectos que vão requerer uma investigação e avaliação médica: nódulos maiores que 2 cm de diâmetro, que persistem há mais de 30 dias, que começam a aumentar de tamanho, que não são maleáveis e não se movem ao toque, nos dando a impressão de que são profundos.

Nesses casos, a consulta com um médico especialista em cabeça e pescoço é fundamental. Após fazer a avaliação clínica, se necessário, ele vai solicitar alguns exames para descartar qualquer suspeita de um câncer de tireoide, laringe, faringe, um linfoma por exemplo.

O diagnóstico precoce aumentar consideravelmente as chances de sucesso no tratamento. Esteja atento aos sinais e não deixe de procurar avaliação médica.

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A cirurgia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Os tumores que se desenvolvem na região da cabeça e pescoço (face, fossas nasais, seios paranasais, boca, lábio, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, tecidos moles do pescoço, paratireoide) tem, na maioria dos casos, como tratamento principal a cirurgia.

Para a definição da melhor opção de tratamento é preciso levar em conta alguns fatores:

  • Local que a doença teve início
  • O estadiamento, ou seja, a extensão do câncer, se está restrita apenas ao local primário, se afetou gânglio ou se afetou outros órgãos
  • As características do câncer, o tipo histológico
  • As condições físicas e clínicas do paciente

A cirurgia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço consiste na retirada do tumor incluindo a margem de segurança que são tecidos sadios ao redor da lesão. Durante o procedimento, geralmente é necessário realizar também a retirada de gânglios linfáticos do pescoço para evitar a recidiva ou disseminação da doença para outros órgãos.

É o médico cirurgião oncológico de cabeça e pescoço o profissional indicado para realizar esse tipo de procedimento por ser especialista e conhecer amplamente as características dos tipos de câncer e as técnicas cirúrgicas para o tratamento da doença. Esse especialista tem também como diferencial a visão multidisciplinar que consiste em conduzir de forma personalizada e completa o planejamento terapêutico em conjunto com as demais especialidades envolvidas. Esse aspecto é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Algumas técnicas cirúrgicas são utilizadas no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Entre elas:

  • Excisão: é a “retirada do tumor”. Nesse caso, o tumor é removido com tecidos vizinhos, isto é, margens de segurança;
  • Dissecção ou esvaziamento linfonodal: caso o câncer tenha se espalhado para outros órgãos, os gânglios linfáticos na região do pescoço poderão ser removidos também.
  • Endoscópica com ou sem laser: utilizada quando os tumores estão em estágios iniciais, principalmente usada para o câncer de laringe;
  • Robótica: técnica minimamente invasiva em que o cirurgião usa um equipamento robótico para realizar a cirurgia. Essa técnica não é indicada para todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço, precisa ser avaliado caso a caso. Geralmente traz uma recuperação mais rápida, com menor tempo de internação e redução de riscos pós cirúrgicos.
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Estudo sugere potencial novo tratamento para pacientes com subtipo de câncer de ducto salivar associado com hormônios

O Abiraterona, medicamento que tem a ação de inibir a produção de androgênios (hormônios sexuais), quando associado a um agonista do hormônio liberador de hormônio luteinizante se mostrou ativo e seguro como uma opção de segunda linha em carcinomas de glândula salivar que expressam receptores de androgênio e são resistentes à castração. Em resumo, pacientes com este tipo de câncer que, na primeira linha, não respondem à castração hormonal, podem se beneficiar deste protocolo de segunda linha. A conclusão é do estudo Abiraterone Acetate in Patients With Castration-Resistant, Androgen Receptor–Expressing Salivary Gland Cancer: A Phase II Trial, publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Neste ensaio clínico de fase II foram avaliados 24 pacientes com carcinoma de ducto salivar e positivo para receptor de androgênio, tratados na Fondazione IRCCS Istituto Nazionale dei Tumori, na Itália. O trabalho, realizado por pesquisadores de uma equipe multidisciplinar que engloba a Oncologia de Cabeça e Pescoço, Epidemiologia, Pesquisa Clínica, Patologia e Onco-Hematologia, mostra que o tratamento avaliado confirmou apresentar resposta positiva (desfecho primário) assim como taxa de controle da doença, segurança, sobrevida livre de progressão e sobrevida geral (desfechos secundários).
A taxa de resposta geral foi de 21%, com uma taxa de controle da doença de 62,5%. A duração mediana da resposta foi de 5,82 meses. A sobrevida livre de progressão mediana foi de 3,65 meses e a sobrevida global mediana foi de 22,47 meses. A resposta objetiva à castração hormonal anterior não se correlacionou com a atividade da abiraterona. Os eventos adversos (AEs) foram registrados em 22 casos (92% da amostra). Os eventos adversos associados ao tratamento foram a fadiga (dois casos), rubor (um) e taquicardia supraventricular (um). Nenhum evento adverso de grau 4 ou 5 relacionado ao medicamento foi registrado.

Câncer de ducto salivar a e produção hormonal

O carcinoma de ducto salivar (CDS) é uma neoplasia rara, agressiva e que em muito se assemelha – por sua característica histopatológica e perfil molecular – com o carcinoma ductal da mama de alto grau. Convidado pelo GBCP para analisar o estudo, o oncologista clínico Dr. Eduardo Dias de Moraes, do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB) do Grupo Oncoclínicas, explica que dentre estas similaridades destaca-se a alta expressão de receptor de androgênio (RA), em 90% dos CDS, e do fator de crescimento epitelial 2 (HER-2), co-expresso em 35-58% dos casos de CDS. “Por conta disso é que se indica a pesquisa da expressão de RA e HER-2 em todos os casos de CDS e adenocarcinoma de glândulas salivares”, ressalta Dr. Eduardo Moraes.

O especialista contextualiza que, nos últimos anos, o tratamento com terapia de privação de andrógenos (TPA) se tornou recomendada na primeira linha de tratamento de carcinoma de glândula salivar com RA positivo, mesmo sem haver os resultados do estudo randomizado de Fase III (NCT01969578). Isso, comenta Dr. Moraes, deve-se ao fato de quimioterapia ter pouca atividade nesse tipo de tumores, 20-30% de taxa de resposta, a estudos de Fase II e série de casos que demostraram eficácia e baixa toxicidade de TPA, nesse cenário clínico.

O oncologista clínico observa que, embora o estudo de Fase II, da Dra. Locati e al, tenha uma amostra pequena, foi bem desenhado e conduzido e acrescenta mais uma opção terapêutica e luz ao entendimento do manejo dessa neoplasia. Entretanto, faz a ressalva de que muitas dúvidas ainda pairam sobre a atividade de outros antiandrogênicos na primeira e segunda linha, assim como do manejo dos tumores que coexpressam AR e HER-2. O ideal, ressalta Eduardo de Moraes, é que essas neoplasias raras sejam encaminhadas para centros de referência para participarem de estudos clínicos e/ou discutidas em reuniões multidisciplinares, pois só assim, conclui, haverá número suficiente de pacientes para responder às perguntas que seguem em aberto.

Referência do estudo

Locati LD, Cavalieri S, Bergamini C, Resteghini C, Colombo E, Calareso G, Mariani L, Quattrone P, Alfieri S, Bossi P, Platini F, Capone I, Licitra L. Abiraterone Acetate in Patients With Castration-Resistant, Androgen Receptor-Expressing Salivary Gland Cancer: A Phase II Trial. J Clin Oncol. 2021 Oct 1:JCO2100468.

 

Disponível em:

https://ascopubs.org/doi/10.1200/JCO.21.00468

 

 

 

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A radioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Além da cirurgia e da quimioterapia, uma das modalidades mais indicadas para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço é a radioterapia, um procedimento que utiliza radiações ionizantes para destruir ou diminuir o tumor ou impedir a sua progressão.

A radioterapia é fundamental no tratamento do câncer de cabeça e pescoço e muito utilizada, tanto de forma isolada ou combinada com a cirurgia ou com a quimioterapia. A indicação vai depender das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

 Como acontece o procedimento

O equipamento utilizado para a realização da radioterapia é o Acelerador Linear, ele produz as radiações que são direcionadas ao local do tumor.

É o médico radio-oncologista quem vai fazer a avaliação do paciente para indicar a radioterapia. Por meio do resultado de um exame de tomografia computadorizada, ressonância magnética e o PET-CT, o radio-oncologista juntamente com físico médico definem o planejamento radioterápico, que consiste na delimitação do local exato que será irradiado, a proteção dos locais,a serem preservados, a quantidade de radiação e sessões necessárias, que variam entre seis e sete semanas.  Geralmente, as sessões acontecem diariamente e têm a duração de cerca de 20 minutos.

Para que a irradiação seja precisa no local do tumor, são utilizadas máscaras termomoldáveis individuais e descartáveis, que são produzidas nas medidas exatas do roto do paciente. O objetivo é isolar as demais regiões, deixando exposta apenas a região a ser irradiada.

O médico radio-oncologista fará o acompanhamento do paciente durante todo o processo para avaliar possíveis intercorrências e orientar sobre as condutas necessárias para minimizar efeitos colaterais do tratamento, caso ocorram.

Após o término de todas as sessões indicadas, são realizados novos exames para avaliar o resultado do tratamento.

Efeitos colaterais do tratamento com radioterapia

Alguns efeitos colaterais podem surgir durante o tratamento radioterápico.  Esses efeitos podem ser variados a depender do local e da extensão do tumor e do tipo e quantidade de radiação que será administrada.  Os principais efeitos colaterais são:

  • Dificuldade na ingestão de alimentos
  • Boca seca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Feridas na boca, mucosite
  • Alteração na pele (descamação, vermelhidão, ressecamento)
  • Queda de cabelos e pelos

Ao surgir qualquer um dos sintomas, o médico deve ser informado. Ele afará o acompanhamento e dará as orientações para minimizar esses sintomas

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Por que o paciente com câncer de cabeça e pescoço precisa do acompanhamento de um fonoaudiólogo?

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço, que engloba os tumores da cavidade oral, fossas nasais, seios paranasais, lábios, faringe (nasofaringe, orofaringe e hipofaringe), laringe, tireoide, glândulas salivares, tecidos moles do pescoço, paratireoide, base de crânio, geralmente envolve a necessidade de cirurgia e/ou radioterapia e e/ou quimioterapia e, a depender da extensão, localidade e estadiamento desse tumor esses procedimentos podem acarretar alguns distúrbios temporários ou permanentes.

Por isso, ter um fonoaudiólogo especializado em oncologia como parte da equipe multiprofissional para o cuidado integral desse paciente é fundamental. A atuação do fonoaudiólogo deve ocorrer em todas as etapas, desde o pré-tratamento, tratamento até o pós-tratamento. É durante a fase de pré-tratamento que o fonoaudiólogo, em conjunto com o oncologista e cirurgião, já pode fazer a avaliação dos possíveis riscos e perdas decorrentes do tratamento, construir a abordagem terapêutica mais indicada e fornecer orientações e esclarecimentos ao paciente e familiares/cuidadores sobre esse processo. Isso traz mais segurança e estabelece um elo de confiança entre equipe e paciente.

 

Distúrbios decorrentes do tratamento

Dentre as complicações do tratamento do câncer de cabeça e pescoço estão as alterações fisiológicas, como a disfagia, aspiração, dificuldades de mastigação, alterações na fala e alterações estéticas, o que resulta na redução da qualidade de vida dos pacientes.

A avaliação do fonoaudiólogo engloba os impactos na motricidade oral, na fala, na deglutição, respiração, no padrão de articulação, se será necessária a utilização de sonda alimentar, de traqueostomia, de aparelho fonatório para produção da voz. O objetivo é a reabilitação das funções e proporcionar melhora da qualidade de vida. No caso da deglutição, por exemplo, quando o paciente, após período de utilização de sonda para se alimentar, já consegue engolir com segurança, sem aspiração, durante o processo de reintrodução da alimentação por via oral, é o fonoaudiólogo quem vai definir a consistência mais adequada do alimento e fazer a estimulação sensorial, manobras para proteção das vias aéreas e exercícios de fortalecimento.

Já no caso de pacientes que perderam a fala em razão de uma laringectomia total (cirurgia para a retirada da laringe), o fonoaudiólogo faz o acolhimento desse paciente e orienta sobre os mecanismos disponíveis para reabilitação vocal, fazendo o acompanhamento e treinamento durante todo o processo.

O cuidado integral de uma equipe multidisciplinar que conta com o apoio de um fonoaudiólogo para o paciente em tratamento do câncer de cabeça e pescoço contribui efetivamente para aumentar as chances de  sucesso do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

 

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O sol pode ser um vilão para o câncer de lábio

Dezembro Laranja é o mês de conscientização sobre o câncer de pele, doença que segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA, terá 185.390 novos casos da doença (dos tipos melanoma e não melanoma), em 2022 no Brasil. Embora o câncer de pele seja o tipo de câncer mais frequente em nosso país, o principal fator de risco para o seu desenvolvimento pode ser prevenido: a exposição ao sol sem proteção.

O sol, quando falamos sobre câncer, é um vilão. Não só no caso do câncer de pele, mas também em relação a um dos tipos de câncer que se desenvolvem na região da cabeça e pescoço, o câncer de lábio. A doença pode se manifestar em toda a região dos lábios, mas é mais comum no lábio inferior, que fica mais exposto ao sol, e em pessoas de pele clara, mas quem tem pele morena ou negra não deve descuidar da proteção também.

O tipo mais comum de câncer de lábio é carcinoma espinocelular.

Sintomas

Geralmente o câncer de lábio é precedido de uma lesão benigna com potencial de malignidade, a Queilite Actínica, que surge em razão da exposição ao sol prolongada e ao longo da vida sem proteção. Quando as células se modificam e se tornam cancerosas, na maioria das vezes apresenta no início alguns sinais como descamação (aquela pele bem fina que solta dos lábios) que pode evoluir para feridas que não cicatrizam. Também pode apresentar inchaço, manchas brancas e vermelhas, bolhas, sensação de queimação, nódulos, sangramento e dor.

Ao observar algum desses sintomas é fundamental procurar avaliação médica, de um especialista de cabeça e pescoço ou de um dermatologista. Como no início o sintoma mais comum é apenas uma descamação, muitas pessoas negligenciam isso e não buscam um médico e o diagnóstico do câncer acaba acontecendo em fases mais avançadas quando o tratamento é mais invasivo. Se descoberto em estágios iniciais as chances de cura superam 90%.

 

Prevenção do câncer de lábio

O câncer de lábio tem como principais causas a exposição excessiva ao sol sem proteção, o tabagismo e consumo excessivo de bebida alcoólica

Todos esses fatores podem ser evitados. Confira as formas de prevenção:

  • Exposição ao sol: o contato com os raios ultravioletas do sol é acumulativo e os danos podem aparecer a longo prazo, por isso, evite a exposição ao sol em horários de maior intensidade dos raios UV, das 10 horas às 16 horas. Utilize protetor solar labial e corporal com fator de proteção acima de 30, chapéu e bonés.
  • Não fume nenhum produto derivado do tabaco (cigarro, narguilé, charuto, cachimbo, cigarro de palha)
  • Bebidas alcoólicas devem ser consumidas com moderação
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A quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Quando o câncer de cabeça e pescoço é diagnosticado as informações fornecidas pelo laudo anatomopatológico vão direcionar a decisão da equipe médica sobre o protocolo de tratamento a ser seguido. Isso vai depender do tipo e subtipo do tumor, seu grau de estadiamento e as condições clínicas do paciente. 

No caso do câncer ser descoberto em estágios iniciais, o tratamento mais indicado é a cirurgia e a radioterapia. Já quando a doença se apresenta em estágios avançados, com a presença de metástase (quando o câncer invade outros órgãos além do local de origem) ou doença recidivada, geralmente é indicada a quimioterapia. A indicação da quimioterapia pode ser combinada com a radioterapia e/ou com a cirurgia.

O que é a quimioterapia?

É um tipo de tratamento que utiliza medicamentos potentes com o objetivo de combater e destruir as células cancerosas em qualquer parte do organismo. Pode ser utilizado um único medicamento ou a combinação de alguns deles a depender do tipo de tumor.

O tratamento quimioterápico pode ser realizado tanto com o paciente internado, em ambulatório ou em casa. As formas de administração do medicamento podem ser por:

  • Via oral (pela boca): em forma de comprimidos ou cápsulas. São usados em casa.
  • Via Intravenosa (pela veia): administrada por meio de cateter temporário ou permanente (um tubo fino colocado na veia). A medicação é diluída em soro.
  • Via Intramuscular (pelo músculo): administrada por injeções aplicadas no músculo.
  • Via Subcutânea (pela pele): administrada por injeções aplicadas por baixo da pele.
  • Via Intratecal (pela espinha dorsal): medicamento é aplicado no líquor (líquido da espinha), pelo próprio médico ou no centro cirúrgico.
  • Tópico (sobre a pele ou mucosa): com medicamentos na forma de líquidos ou pomadas, aplicado na região afetada.


Tipos de quimioterapia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço

A quimioterapia para o tratamento de câncer de cabeça e pescoço pode ser administrada em conjunto com a radioterapia ou a cirurgia ou de forma isolada. Os tipos de quimioterapia podem ser:

– Quimioterapia neoadjuvante ou de indução

Realizada antes do tratamento primário (cirurgia ou radioterapia), quando há necessidade de reduzir o tamanho do tumor com o objetivo de diminuir a agressividade do tratamento cirúrgico, por exemplo. 

– Quimioterapia adjuvante

É realizada após o tratamento primário como a cirurgia e tem o objetivo de reduzir o risco da doença voltar e também eliminar as células cancerígenas que possam ter se espalhado para outros órgãos

– Quimiorradiação

É realizada concomitantemente à aplicação da radioterapia para reduzir ou eliminar tumores que não podem ser removidos pela cirurgia ou em casos em que essa combinação é eficaz sem que seja necessário o tratamento padrão com cirurgia e radioterapia.

 

Efeitos Colaterais da Quimioterapia

Os efeitos colaterais mais comuns do tratamento quimioterápico são: vômito, náuseas, sensação de cansaço, diarreia e perda de pelos.

 

Duração da Quimioterapia

A quimioterapia é administrada em ciclos que se alternam entre períodos de tratamento e repouso. A duração pode variar de paciente para paciente a depender das condições clínicas e também do tipo de câncer e medicamento.  

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Como o homem pode prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

O mês de novembro traz à tona a importância de conscientizar os homens sobre os cuidados com a saúde e sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata, o tipo de tumor mais frequente na população masculina depois do câncer de pele não-melanoma.

Assim como o câncer de próstata, o câncer de cabeça e pescoço também precisa de atenção pois a sua incidência em homens é maior do que nas mulheres e isso tem um motivo. Segundo dados do Globocan 2020, do IARC/OMS, em 2020, a estimativa de novos casos de câncer de cabeça e pescoço, contemplado tumores de orofaringe, nasofaringe, hipofaringe, laringe, cavidade oral e glândulas salivares em homens foi três vezes maior que nas mulheres, totalizando 700 mil novos casos.

No nosso artigo vamos explicar os fatores que contribuem para esse cenário e também quais são as formas de prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O primeiro passo é a informação, conhecer a doença e tomar as medidas necessárias para evitá-la ou diagnosticar precocemente, quando as chances de sucesso no tratamento são muito maiores.

Homens, cuidem da saúde. Esse é seu maior bem.

 

Por que o câncer de cabeça e pescoço atinge mais os homens?

Todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço somados, segundo o levantamento Globocan 2020, do IARC/OMS, totalizam mais de 1,5 milhão de novo casos/ano, sendo o câncer de tireoide o mais comum (586,2 mil), cavidade oral (377,7 mil), laringe (184,6 mil), nasofaringe (133,3 mil), orofaringe (98,4 mil), hipofaringe (84,2 mil) e glândulas salivares (53,5 mil).

Se excluirmos o câncer de tireoide que é mais prevalente em mulheres, o número de casos de câncer em homens é três vezes maior que na população feminina. Isso se explica pelos comportamentos e hábitos que são mais comuns entre os homens e que são fatores de risco para o desenvolvimento desses tipos de câncer: o tabagismo e o consumo em excesso de bebidas alcoólicas.

Os homens se enquadram no grupo que mais consome esse tipo de produto constantemente e além disso, também são os que menos cuidam da saúde e adotam a medicina preventiva, com a realização de exames de rotina e consultas periódicas ao médico, o que reduz a possibilidade de diagnósticos precoces.

 

Sinais e Sintomas do câncer de cabeça e pescoço

Ao notar algum dos sinais abaixo que sejam persistentes por mais de três semanas, é fundamental buscar avaliação médica para descartar qualquer suspeita de um câncer de cabeça e pescoço:

  • ferida na boca que não cicatriza
  • manchas esbranquiçadas na boca
  • rouquidão sem causa aparente
  • nódulo palpável no pescoço
  • dor de garganta que não melhorar com o uso de antibiótico
  • dor ou dificuldade para engolir ou respirar
  • sangramento ou secreção persistente pelo nariz.
  • dor no ouvido ou dificuldade para ouvir
  • dores de cabeça e tosse persistente.

O câncer de cabeça e pescoço tem cura e isso depende do estágio em que o diagnóstico acontece. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura da doença.

 

Como prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

A adoção de alguns hábitos pode contribuir para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com essas atitudes:

  • Não fumar nenhum produto que tenha tabaco
  • Manter a higiene bucal adequada, com visitas regulares ao dentista
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Manter uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes e pobre em carnes salgadas, defumados e embutidos
  • Não se expor ao sol sem proteção
  • Se vacinar contra o HPV – Papilomavirus Humano. A infecção pelo HPV também é fator de risco para o câncer da cavidade oral. A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo SUS a meninas e meninos entre 11 e 15 anos de idade.
  • Usar preservativo durante as relações sexuais
  • Praticar exercícios físicos regularmente e manter o peso adequado
  • Conhecer e estar atento aos sintomas do câncer de cabeça e pescoço para fazer o diagnóstico precoce

 

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Saúde Bucal: cuidados que o paciente com câncer de cabeça e pescoço deve ter

Além da cirurgia, o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, geralmente, pode envolver a quimioterapia e a radioterapia em alguma fase.  Esses tratamentos quando indicados podem causar alguns efeitos colaterais que incidem diretamente na saúde da boca, deixando essa região mais sensível e exposta a doenças. Para minimizar qualquer problema mais grave, todo paciente em tratamento deve adotar medidas de higiene bucal ainda mais rigorosas.

Dentre os principais problemas bucais decorrentes da quimioterapia ou da radioterapia estão a perda de paladar, a c e após o tratamento, pois essas implicações variam em relação ao tipo de câncer, tipo e tempo de tratamento, medicamento utilizado, podendo perdurar por longo período.  Além da prática rigorosa de higiene bucal, é preciso ter o acompanhamento periódico de um dentista que irá identificar o problema e determinar a forma de tratamento para aliviar os sintomas.

Dentre os cuidados que podem ser estabelecidos pelo paciente estão:

  • passar por consulta regular com o dentista;
  • fazer a higiene da boca pelo menos 3 vezes ao dia, principalmente após as refeições, com escovação de dentes, gengiva e língua. Usar uma escova macia.
  • buscar orientação médica se é permitida a utilização de fio dental e de enxaguantes bucais durante o tratamento.
  • em caso de utilizar dentadura, escovar diariamente. Manter a dentadura ajustada a boca, sem folga e sem estar apertada. Se possível, diminuir o tempo de uso e quando não estiver usando, colocar em água misturada a uma colher de café de água sanitária.
  • consumir água regularmente e manter a boca e lábios hidratados e úmidos. Ás vezes, é necessária a utilização de saliva artificial. Consulte o médico para ver se é indicado.
  • mascar chicletes sem açúcar;
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • não fumar (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha);
  • Comer alimentos gelados, líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • evitar o consumo de alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.
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Resposta sobre quais pacientes com câncer de nasofaringe se beneficiam de neoadjuvância pode estar nos biomarcadores

Estudos futuros, que tragam uma avaliação de biomarcadores, podem ajudar a determinar quais pacientes podem se beneficiar de uma terapia adjuvante após o diagnóstico de câncer de nasofaringe avançado”. Esta é a observação da oncologista clínica da Oncologia D´Or e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Dra. Milena Mak, após analisar, atendendo o nosso convite, o estudo Metronomic capecitabine as adjuvant therapy in locoregionally advanced nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, open-label, parallel-group, randomised, controlled, phase 3 trial, publicado na revista científica The Lancet.

Neste estudo multicêntrico, aberto, randomizado, controlado e de fase 3, participam 675 pacientes, de catorze hospitais na China, com diagnóstico de carcinoma nasofaríngeo locorregional avançado de alto risco confirmado histologicamente. Eles foram aleatorizados para receber capecitabina metronômica oral (204 participantes) ou terapia padrão (202). O desfecho primário foi a sobrevida livre de falha, definida como o tempo desde a randomização até a recorrência da doença (metástase à distância ou recorrência loco-regional) ou morte por qualquer causa, na população com intenção de tratar.
Após um acompanhamento médio de 38 meses, houve 29 (14%) eventos de recorrência ou morte no grupo de capecitabina e 53 (26%) eventos de recorrência ou morte no grupo de terapia padrão. A sobrevida livre de falhas em três anos foi significativamente maior no grupo de capecitabina metronômica (85,3%) do que no grupo de terapia padrão (75,7%). Portanto, a adição de capecitabina metronômica adjuvante à quimiorradioterapia melhorou significativamente a sobrevida livre de falha em pacientes com carcinoma nasofaríngeo avançado locorregionalmente de alto risco. No entanto, na opinião de Milena Mak, não necessariamente representa que este deve ser o novo padrão de tratamento.
Segundo a oncologista clínica, a partir desse resultado, em casos de carcinomas não-queratinizantes de alto risco, a relação risco benefício do uso dessa terapia deve ser discutida com o paciente. “Cautela é necessária por tratar-se de população asiática e submetida a diferentes regimes de terapia de indução”, ressalta Milena Mak, que também destaca o fato de 72% dos pacientes terem sido tratados com combinação de cisplatina e docetaxel na indução, um regime não estabelecido em estudos de fase III como a combinação de cisplatina e gencitabina ou cisplatina, docetaxel e 5-fluorouracil. Além disso, reforça Milena, houve uma taxa de descontinuação de 25% da terapia de manutenção e incidência não desprezível de eventos de síndrome mão-pé (58%).

Dra. Milena Mak conclui sua análise reforçando que o papel da adjuvância em carcinoma de nasofaringe não-queratinizante precisa ser mais bem esclarecido e que estudos futuros, com avaliação de biomarcadores, serão necessários para determinar a população que apresenta maior benefício deste tipo de intervenção.

Referência do estudo

Chen YP, Liu X, Zhou Q, Yang KY, Jin F, Zhu XD, Shi M, Hu GQ, Hu WH, Sun Y, Wu HF, Wu H, Lin Q, Wang H, Tian Y, Zhang N, Wang XC, Shen LF, Liu ZZ, Huang J, Luo XL, Li L, Zang J, Mei Q, Zheng BM, Yue D, Xu J, Wu SG, Shi YX, Mao YP, Chen L, Li WF, Zhou GQ, Sun R, Guo R, Zhang Y, Xu C, Lv JW, Guo Y, Feng HX, Tang LL, Xie FY, Sun Y, Ma J. Metronomic capecitabine as adjuvant therapy in locoregionally advanced nasopharyngeal carcinoma: a multicentre, open-label, parallel-group, randomised, controlled, phase 3 trial. Lancet. 2021 Jul 24;398(10297):303-313.

Disponível em:

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(21)01123-5/fulltext

 

 

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