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Iodoterapia no tratamento do câncer de tireoide

O principal tratamento para o câncer de tireoide é cirurgia. Em alguns casos é indicado o tratamento complementar com a iodoterapia, principalmente para os tumores de tireoide do tipo bem-diferenciado (papilíferos e carcinomas), cujas células têm características semelhantes às células tireóideas e por isso captam o iodo para fabricar hormônio. A iodoterapia contribui para eliminar as células cancerígenas que restaram no organismo após a tireoidectomia (cirurgia para a remoção da tireoide) ou a metástase para os gânglios linfáticos ou outros órgãos.

A dose de iodo radioativo (I-131), tem a capacidade de destruir as células cancerígenas, com pouco ou nenhum efeito sobre as células saudáveis. Esse protocolo contribui para diminuir o risco de recidiva do câncer, ou seja, do câncer voltar.

 

O que deve ser feito antes do tratamento da iodoterapia

Nos casos em que a tireoide foi removida durante a cirurgia, é indicado como primeira etapa elevar o nível de hormônio tireoestimulante (TSH) antes do tratamento com a iodoterapia, pois ele é mais eficaz em pacientes com níveis altos desse hormônio.

Para isso, o paciente pode receber uma injeção de TSH que faz com que que os hormônios da tireoide sejam retidos por um período de tempo ou permanecer sem tomar o hormônio T4, para que o TSH aumente espontaneamente e estimule a absorção do iodo radioativo. Também é recomendado que o paciente siga uma dieta pobre em iodo antes do tratamento, evitando alimentos que contêm sal iodado e corante vermelho, produtos lácteos, ovos, frutos do mar e soja.

 

Como é feito o procedimento de Iodoterapia

A administração do iodo-131 é feita por via oral. A depender da dose de iodo necessária, o paciente vai precisar ser internado em um quarto especial e ficar em isolamento por dois a três dias até eliminar do organismo toda substância radioativa para que não haja a contaminação do ambiente e de pessoas.
Após o tratamento com a iodoterapia é recomendado evitar a gravidez nos primeiros 12 meses.

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Reabilitação da voz e da deglutição pós-tratamento do câncer de laringe

O tratamento do câncer de laringe exige também um olhar integrado da equipe multiprofissional para preservação das funções dos órgãos afetados pelo câncer, com o intuito de contribuir para minimizar os impactos na função física, social e psicológica do paciente e para sua qualidade de vida.

Assim, o processo de reabilitação se torna parte fundamental da jornada do paciente. Em algumas situações, esse paciente passa por uma cirurgia, chamada laringectomia, para a remoção parcial ou total do tumor e, também, pela radioterapia.

Esses procedimentos podem levar o paciente a ter dificuldades para engolir, falar e até mesmo respirar, uma vez que com a laringectomia pode ser necessária a realização de uma ostomia, abertura na traqueia para ajudar na respiração. Outro ponto importante é que em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia de reconstrução da região afetada. Quando não é possível a sua realização em razão dos danos no tecido remanescente da cirurgia inicial ou da radioterapia, existe a opção de uso de prótese para restaurar a deglutição, fala e a aparência.

Uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas será responsável por acompanhar esse paciente em seu processo de reabilitação. 

A equipe de fonoaudiologia vai ser responsável por planejar o tratamento do paciente com foco na reabilitação da fala, deglutição e mastigação. Como durante o tratamento do câncer de laringe, o paciente pode ter utilizado a alimentação por sonda, o ato de se alimentar após esse tratamento pode exigir o acompanhamento do fonoaudiólogo que vai avaliar as consequências do tratamento e propor alternativas para a reabilitação.

Deglutição

Nem sempre, a restauração da alimentação por via oral será possível para todos os pacientes. Somente com a avaliação individualizada de cada caso é possível determinar a conduta adequada, considerando uma alimentação nutricional alternativa em conjunto com a equipe de nutricionistas, que englobe a adaptação da consistência, volume, temperatura dos alimentos, tempo destinado à entrega da alimentação e a frequência, além de manobras posturais e exercícios de mobilidade dos órgãos.  Quando existe o risco de aspiração, broncoaspiração, desnutrição ou desidratação, ainda há outras opções, que são avaliadas pela equipe multiprofissional de forma individualizada para cada paciente, entre elas: a sonda nasoenteral, gastrostomia ou nutrição parenteral total.

Fala

O tratamento do câncer de laringe pode causar alterações na fala, principalmente aqueles pacientes que passaram por laringectomia. Nesse caso, eles vão precisar reaprender a falar. Isso exige tempo e persistência e vai depender de cada caso. Para os pacientes que passaram por laringectomia total (retirada total da laringe e cordas vocais), existem três possibilidades de reabilitação: a voz esofágica, a voz traqueoesofágica e a laringe eletrônica. Já para os pacientes que receberam tratamento radioterápico ou passaram pela laringectomia parcial e ainda podem falar usando as cordas vocais, mas com algumas mudanças na qualidade da voz (rouquidão, fadiga), a equipe de fonoaudiologia poderá auxiliar na recuperação da qualidade da fala com um programa de reabilitação personalizado.

Confira o GUIA DO LARINGECTOMIZADO: http://www.gbcp.org.br/Guia_Do_Laringectomizado.pdf

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Tratamento combinado se mostra eficaz para pacientes com câncer de cabeça e pescoço metastático e recorrente

Estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology avalia a eficácia da combinação de cetuximabe, docetaxel e cisplatina em comparação com platina, flurouracil e cetuximabe como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de cabeça e pescoço de células escamosas, recorrente ou metastático (GORTEC 2014-01 TPExtreme). Multicêntrico, aberto, randomizado e de fase 2, o trabalho reuniu 541 pacientes. A conclusão é que o regime TPEx pode ser uma abordagem de primeira linha para este grupo de pacientes, especialmente para aqueles que podem não ser bons candidatos para o tratamento inicial com pembrolizumabe.

Considerando esses resultados, um artigo de comentário também publicado na The Lancet Oncology por Michael Hwang e Taguy Seiwert, ambos do Departamento de Oncologia da Johns Hopkins University, traz uma análise sobre o atual arsenal utilizado no tratamento para pacientes com câncer de cabeça e pescoço, incluindo o convencional uso de taxanos e a eficácia com as terapias multimodais e imunoterapia. O artigo busca responder à pergunta: are taxanes the future for head and neck cancer? / os taxanos são o futuro para o câncer de cabeça e pescoço?

Em busca da resposta, o primeiro questionamento trazido pelos autores é referente ao regime EXTREME, que ganhou visibilidade após artigo publicado em 2008. Ele consiste em protocolo de seis ciclos de fluorouracil (5-FU) infusional, platina e cetuximabe, seguido de manutenção semanal com cetuximabe. Foi o primeiro estudo em décadas a mostrar um benefício de sobrevida global em câncer de cabeça e pescoço metastático.

No entanto, recorda o oncologista clínico e secretário geral do GBCP, Dr. William Nassib William Junior, várias dúvidas surgiram à época da publicação, incluindo a necessidade de uso de platina e 5-FU como as drogas quimioterápicas básicas a serem combinadas com cetuximabe e a necessidade de se usar cetuximabe combinado à quimioterapia de primeira linha em comparação com a terapia de maneira sequencial (ou seja, imediatamente após a falha do esquema baseado em platina usado na primeira linha). 

“O reflexo disso foi que oncologistas, já desde os primórdios da aprovação do regime EXTREME, substituíram o 5-FU por um taxano ou usavam platina e taxano combinados na primeira linha e reservavam o uso de cetuximabe para a segunda linha. Essas adaptações eram justificadas, em grande parte, pelo potencial de toxicidade e complicações logísticas relacionadas a 5-FU infusional, sendo assim adotadas desde a aprovação inicial do regime EXTREME”, ressalta Dr. William Junior, diretor médico de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

 

Com otimismo, do pulmão para Cabeça e Pescoço

Entre as notícias com potencial de serem positivas está o estudo KEYNOTE-407, que mostrou com pacientes com câncer de pulmão de células escamosas uma sinergia entre taxanos e imunoterapia. Este trabalho, observa William Junior, consagrou o uso de quimioimunoterapia com platina, paclitaxel e pembrolizumabe para câncer de pulmão escamoso metastático virgem de tratamento. Segundo a análise do especialista, os dados robustos de ganho de sobrevida sugeriam que essa combinação poderia ter alta atividade não somente para câncer de pulmão, como também para outros cânceres do tipo escamoso (ou mesmo de outras histologias) de origem extrapulmonar, abrindo assim uma janela de oportunidade para pesquisas com câncer de cabeça e pescoço.

 

Um freio no otimismo

Ao contrário do estudo KEYNOTE-407, o  KEYNOTE-048 freia o otimismo em relação ao impacto da interação entre taxanos e imunoterapia, embora não exclua que essa linha de investigação deva ser o futuro dos ensaios clínicos também em câncer de cabeça e pescoço. Dr. William Junior explica que nesse protocolo foi necessário  o uso de platina e 5-FU como quimioterapia básica em combinação com pembrolizumabe. Isso, segundo ele, devido aos dados históricos do estudo EXTREME e às exigências feitas pelas agências regulatórias.

“Muitos oncologistas têm um entusiasmo menor pelo uso da combinação de platina, 5-FU, e pembrolizumabe justamente pelo potencial de toxicidade do 5-FU (e ausência de dados de que essa quimioterapia seria a mais adequada para uso em câncer de cabeça e pescoço). Na realidade, muitos serviços já adotaram o uso de platina, taxano e pembrolizumabe como tratamento padrão para câncer de cabeça e pescoço, em extrapolação aos dados de câncer de pulmão (KEYNOTE-407) e a todos os dados históricos que demonstram que um taxano é tão eficaz quanto (e menos tóxico que) 5-FU para câncer de cabeça e pescoço”, detalha  Dr. William Junior.

Concluindo a análise que faz sobre o comentário publicado pelos pesquisadores da Johns Hopkins na Lancet Oncology, o oncologista clínico William Junior observa que os autores reforçam o conceito, já adotado por muitos e desejado por tantos outros, de que a combinação platina e taxano deveria substituir platina e 5-FU como o regime citotóxico de base a ser usado na prática clínica diária e em estudos futuros de novas combinações para câncer de cabeça e pescoço metastático. 

             

Referências dos estudos

Guigay J, Aupérin A, Fayette J, Saada-Bouzid E, Lafond C, Taberna M, Geoffrois L, Martin L, Capitain O, Cupissol D, Castanie H, Vansteene D, Schafhausen P, Johnson A, Even C, Sire C, Duplomb S, Evrard C, Delord JP, Laguerre B, Zanetta S, Chevassus-Clément C, Fraslin A, Louat F, Sinigaglia L, Keilholz U, Bourhis J, Mesia R; GORTEC; AIO; TTCC, and UniCancer Head and Neck groups. Cetuximab, docetaxel, and cisplatin versus platinum, fluorouracil, and cetuximab as first-line treatment in patients with recurrent or metastatic head and neck squamous-cell carcinoma (GORTEC 2014-01 TPExtreme): a multicentre, open-label, randomised, phase 2 trial. Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):463-475. doi: 10.1016/S1470-2045(20)30755-5. 

Disponível em https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1470-2045(20)30755-5

 

Hwang M, Seiwert TY. Are taxanes the future for head and neck cancer? Pragmatism in the immunotherapy era. Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):413-415. doi: 10.1016/S1470-2045(21)00121-2. Epub 2021 Mar 5. Erratum in: Lancet Oncol. 2021 Apr;22(4):e134.

Disponível em https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1470204521001212

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Trastuzumabe aumenta a sobrevida de pacientes com câncer de glândula salivar com HER-2-positivo

Um estudo com 95 pacientes diagnosticados com câncer de glândula salivar de alto grau (SGC) e perfil HER-2 mostra que o uso de trastuzumabe adjuvante (inibidor de HER-2 após a cirurgia) aumenta exponencialmente o tempo de sobrevida do paciente quando comparado com aqueles que não recebem esta terapia. A conclusão é de pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, Brigham and Women´s Hospital, em Boston, nos Estados Unidos e BC Center, em Vancouver, no Canadá, no estudo The Benefits of Adjuvant Trastuzumab for HER-2-Positive Salivary Gland Cancers, publicado na revista científica The Oncologist.

Na amostra, obtida retrospectivamente (pacientes tratados de 2002 a 2019), observou-se que aqueles que expressam HER-2, quando tratados com trastuzumabe, viveram em média por 74 meses após o tratamento em primeira linha, enquanto os que não receberam a terapia viveram em média 43 meses. Dos 95 pacientes incluídos, a maioria tinha doenças de alto grau, com carcinoma do ducto salivar como o diagnóstico mais frequente.

Ao comentar o estudo para o GBCP, a oncologista clínica do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Dra. Julia Pastorello, destaca que o diferencial da pesquisa foi demonstrar o provável benefício no tratamento anti HER-2 com trastuzumabe adjuvante associado a quimioterapia baseada em carboplatina e taxano para pacientes com câncer de glândula salivar de alto grau (SGC), com taxa de benefício acima de 50%. “Mesmo com dados retrospectivos, o estudo fornece uma visão detalhada dos resultados do tratamento de um subtipo considerado muito raro de câncer de cabeça e pescoço e para o qual a literatura ainda é escassa nesse contexto”, ressalta Dra. Julia Pastorello.

Os resultados apontam também que 35 pacientes (37% da amostra) apresentaram recorrência (volta da doença). Nove de 17 (53%) pacientes com carcinoma do ducto salivar HER-2 positivo receberam quimiorradiação adjuvante com trastuzumabe. O trabalho evidencia que, além das terapias dirigidas por HER-2, a privação de andrógeno também resultou em benefício clínico além do cenário metastático de primeira linha, com resposta parcial observada já a partir do uso de segunda linha.

 

O que motivou o estudo?
O câncer de glândula salivar (SGC) é um grupo heterogêneo de tumores distintos, extremamente raro, e desafiador em seu perfil histológico e molecular. Somado a isso, tem comportamento clínico variável. O tratamento padrão costuma ser de cirurgia com intenção curativa, seguida por radioterapia adjuvante, dependendo das margens de retirada do tumor, assim como características histológicas e envolvimento linfonodal (número de linfonodos comprometidos).

Porém, o papel da quimioterapia é incerto, tanto no contexto adjuvante quanto no quadro recorrente, incurável ou metastático. A principal motivação dos autores é o fato que, do ponto de vista molecular, novos alvos terapêuticos vêm demonstrando relevância clínica, sendo os mais promissores a terapia de privação de androgênio (ADT) e terapias direcionadas ao oncogene HER-2, que já demonstraram eficácia terapêutica conhecida em câncer de próstata, estômago e mama. Partindo dessa premissa, se investigou a eficácia em câncer de glândula salivar.

Embora os benefícios tenham sido observados neste tipo de câncer, a principal ressalva, afirma Julia, é que cerca de 25% dos pacientes com SGCs de alto grau apresentam recorrências tardias. Portanto, se faz necessário, aponta Dra. Julia Pastorello, acompanhar os pacientes por um tempo superior aos habituais cinco anos.

 

Referência do estudo
Hanna GJ, Bae JE, Lorch JH, Haddad RI, Jo VY, Schoenfeld JD, Margalit DN, Tishler RB, Goguen LA, Annino DJ Jr, Chau NG. The Benefits of Adjuvant Trastuzumab for HER-2-Positive Salivary Gland Cancers. Oncologist. 2020 Jul;25(7):598-608.

Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7356716/pdf/ONCO-25-598.pdf

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Vamos falar sobre o câncer de laringe

A laringe é a parte da garganta localizada entre a base da língua e a traqueia, é nela que estão as cordas vocais. O câncer de laringe pode se desenvolver tanto na supraglote que é a parte superior da laringe, acima das cordas vocais, como na glote, a parte média da laringe onde as cordas vocais estão localizadas, na subglote, parte inferior da laringe entre as cordas vocais e a traqueia. Tanto a fala, como a respiração e alimentação podem ser afetadas quando ocorre um câncer nessa região. A maioria dos cânceres de laringe são do tipo carcinoma de células escamosas. Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, estima-se que em 2021, no Brasil, serão 7.650 novos casos da doença.

A doença, que é mais prevalente em homens acima dos 50 anos, tem alguns fatores de risco importantes e que podem ser evitados: fumar, consumir bebida alcoólica em excesso e a infecção pelo vírus HPV – Papilomavírus Humano, transmitido principalmente pelo contato sexual. Além desses, o refluxo gastroesofágico, uma doença crônica, também pode levar ao desenvolvimento do câncer de laringe.
Quando o câncer se desenvolve nas cordas vocais, frequentemente, o primeiro sintoma a se manifestar é a rouquidão ou alteração da voz. Se esse sintoma persistir por mais de duas semanas é importante procurar avaliação médica. Já se o câncer se desenvolve nas demais regiões da garganta, a rouquidão ocorre em estágios mais avançados, assim como outros sinais, entre eles: dor de garganta que não passa, tosse constante, dor ao engolir e dificuldade em engolir, dor de ouvido, problemas respiratórios, perda de peso, caroço ou massa no pescoço.

Se houver suspeita de câncer de laringe, o médico vai solicitar alguns exames para diagnóstico, como a laringoscopia e exames de imagem (tomografia, ressonância magnética) e, se necessário, uma biópsia da lesão para confirmar ou descartar o diagnóstico. O tratamento do câncer de laringe vai depender do estágio da doença e das condições clínicas do paciente, podendo ser indicada a cirurgia, combinada com radioterapia ou quimioterapia após a cirurgia para reduzir as chances de recidiva do câncer.

Quanto mais precoce for o diagnóstico da doença, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

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Revisão de 108 estudos das últimas três décadas aponta diretrizes para tratar pacientes com câncer de nasofaringe

Uma pesquisa robusta que contempla revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos publicados entre 1990 e 2020 define as diretrizes para se tratar pacientes com carcinoma de nasofaringe, um tipo raro de câncer, de difícil manejo clínico. A pesquisa bibliográfica identificou 108 estudos, sendo que cinco deles com questões clínicas abrangentes sobre radioterapia, sequência de quimioterapia, opções de quimioterapia concomitante (realizada com outra abordagem terapêutica), quimioterapia de indução (tratamento inicial) e quimioterapia adjuvante (após a cirurgia). Realizado por um painel de especialistas da Sociedade Chinesa de Oncologia Clínica (CSCO) e da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o estudo Chemotherapy in Combination with Radiotherapy for Definitive-Intent Treatment of Stage II-IVA Nasopharyngeal Carcinoma: CSCO and ASCO Guideline foi publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology, editada pela ASCO.

Os experts responsáveis por assinar essa diretriz debatem as principais questões a respeito do tratamento definitivo do carcinoma de nasofaringe nos estádios II a IV, fornecendo recomendações baseadas nos principais estudos dos últimos 30 anos com a proposta de auxiliar os oncologistas clínicos e radio-oncologista sobre as melhores evidências quanto ao uso de quimiorradioterapia. Os resultados de interesse incluíram sobrevida, controle de doença à distância e loco-regional e qualidade de vida do paciente.

A oncologista clínica do Hospital Integrado do Câncer da Rede Mater Dei de Saúde, Gabriela Freitas Chaves, ao analisar esse estudo a convite do GBCP, destaca que no trabalho há importantes questões clínicas sobre carcinoma de nasofaringe, a começar pelo papel do regime de radioterapia com intensidade modulada (IMRT). “Se possível, deve ser o de escolha para todos os pacientes, pois quando comparado com as técnicas bidimensional (2D) ou tridimensional (3D), mostrou-se superior em relação a toxicidade e eficácia do tratamento”, destaca Gabriela Chaves.

 

Demais evidências da diretriz
A revisão realizada pela CSCO e ASCO define também que para pacientes T2N0 a quimioterapia não é recomendada de rotina, mas pode ser considerada em casos com características adversas, como grandes volumes de tumor ou alto número de cópias de DNA de Vírus Epstein–Barr (EBV). Para pacientes com T1 ou T2 com N1, a quimioterapia concomitante a radioterapia deve ser oferecida, principalmente para T2N1.

Além disso, para pacientes com estágio III-IVA (exceto T3N0), sugere-se a quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia concomitante. Em T3N0 indica-se quimiorradioterapia concomitante. Quimioterapia de indução ou adjuvante podem ser discutidas. Para pacientes com estágio III-IVA (exceto T3N0), que não receberam quimioterapia de indução, sugere-se quimioterapia adjuvante após a quimiorradioterapia. A classificação dos tumores, em todos os casos, é feita a partir da 8ª edição do AJCC.

 

Indicações de regimes de quimioterapia
O regime de escolha para quimiorradioterapia consiste em cisplatina semanal ou a cada 21 dias, caso o paciente não apresente contraindicações. Para regimes de indução sugere-se protocolos à base de platina (GP, TPF, PF, PX) de dois a três cliclos, sendo que o início da quimiorradioterapia deve ocorrer em 21-28 dias a partir do primeiro dia do último ciclo de quimioterapia de indução.

Para todos os pacientes recebendo quimioterapia adjuvante, sugere-se: cisplatina; 5-fluorouracil, infusão intravenosa contínua ou infusão contínua intravenosa. Para os pacientes com contraindicação à cisplatina, a carboplatina (AUC 5) pode ser combinada com 5-fluorouracil. Para os pacientes com contraindicação a platinas, o uso de regimes não baseados em platina permanece experimental e não deve ser oferecido rotineiramente fora do contexto de um ensaio clínico.

 

Referência do estudo

Chen YP, Ismaila N, Chua MLK, Colevas AD, Haddad R, Huang SH, Wee JTS, Whitley AC, Yi JL, Yom SS, Chan ATC, Hu CS, Lang JY, Le QT, Lee AWM, Lee N, Lin JC, Ma B, Morgan TJ, Shah J, Sun Y, Ma J. Chemotherapy in Combination With Radiotherapy for Definitive-Intent Treatment of Stage II-IVA Nasopharyngeal Carcinoma: CSCO and ASCO Guideline. J Clin Oncol. 2021 Mar 1;39(7):840-859.

Disponível em https://ascopubs.org/doi/pdf/10.1200/JCO.20.03237

 

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Seis mitos ou verdades sobre o câncer de boca

São várias as doenças que podem acometer a nossa boca e o câncer é uma delas. O câncer de boca também chamado de câncer da cavidade oral, pode afetar gengiva, língua, soalho bucal, céu da boca e bochechas. É um tipo de câncer passível de prevenção, pois alguns dos principais fatores de risco estão relacionados a hábitos de vida. Outro fator importante é que na maioria dos casos, ele é diagnosticado em fases mais avançadas, quando as chances de cura são menores.

Então, para você conhecer mais sobre a doença e cuidar da saúde da sua boca, relacionados 6 mitos ou verdades sobre a doença. Confira

1 – O câncer de boca tem como uma das causas a infecção pelo HPV – Papilomavírus Humano, um conjunto de vírus que é transmitido principalmente pelo contato sexual (vaginal, oral e anal)?

Verdade. O HPV é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de – garganta (orofaringe) , assim como de outros tipos de câncer:, colo do útero, vagina, vulga, pênis e ânus.  Também são fatores de risco: o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, sendo que o risco é 30 vezes maior para os indivíduos que fumam e bebem do que para aquelas pessoas que não o fazem, a exposição ao sol sem proteção (importante risco para o câncer de lábio) e o excesso de gordura corporal.

 

2 – Ferida na boca há mais de 15 dias que não cicatriza pode ser sinal de câncer de boca?

Verdade. Qualquer lesão na boca que não cicatriza dentro de 15 dias precisa de uma avaliação médica ou do cirurgião dentista  para descartar qualquer suspeita.

 

3 – Próteses dentárias tem relação com o desenvolvimento do câncer de boca?

Mito. A utilização de próteses dentárias não provoca câncer, mas se a prótese não estiver bem ajustada à boca, pode trazer irritações, ferimentos e lesões como as leucoplasias ou eritoplasias, que podem evoluem para o câncer. Isso também ocorre com dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações e coroas.

 

4 – Manchas brancas ou vermelhas na boca ou garganta podem levar ao câncer de boca?

Verdade. A leucoplasia (manchas esbranquiçadas) e eritroplasia (manchas avermelhadas) são áreas anormais na boca e em geral assintomáticas. Essas áreas podem ser cancerosas, pré-cancerosas ou benignas. A gravidade só pode ser avaliada após um exame clínico, e biópsia, quando necessário. Essas displasias podem ser causadas por um agente (tabagismo, traumatismo local crônico, provocado por dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações, coroas ou dentaduras mal ajustadas).

 

5 – O câncer de boca é mais frequente nas mulheres?

Mito.  O câncer de boca é mais frequente   em homens. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são previstos 15.190 novos casos de câncer na cavidade oral em 2021, sendo 11.180 em homens e 4.010 mulheres.

 

6 – Exposição ao sol pode ser fator de risco para o câncer de boca?

Verdade. Os casos de câncer de lábio são mais frequentes em profissionais que trabalham ao ar livre, expostos à radiação ultravioleta do sol. Protetor labial com filtro solar ajuda na prevenção.

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5 FATOS SOBRE O CÂNCER DE TIREOIDE

A tireoide é uma glândula que se localiza na parte frontal do pescoço, abaixo da região conhecida como pomo de Adão e tem a forma de uma borboleta, com 2 lobos – o lobo direito e o lobo esquerdo – ligada por uma região chamada istmo. Ela é responsável por produzir hormônios que atuam na regulação do metabolismo do organismo, influenciam no desenvolvimento do corpo e na atividade do sistema nervoso.

O câncer pode se desenvolver nessa região. Nódulos na tireoide são muito comuns, a maioria deles são benignos, mas em alguns casos o diagnóstico (biópsia) comprova a malignidade do tumor.

 

Veja os 5 fatos sobre o câncer de tireoide que você precisa saber:

1 – O câncer da tireoide é um tumor frequente da região da cabeça e pescoço, sendo três vezes mais comum em mulheres do que nos homens. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais incidente nas mulheres acima dos 40 e homens acima dos 60 anos. O INCA – Instituto Nacional do Câncer estima que em 2021 serão 13.780 novos casos da doença.

2 – Os tipos de câncer de tireoide mais comuns são: Papilar (o tipo mais comum e de desenvolvimento mais lento); Folicular; Medular e Anaplásico (o tipo mais raro e agressivo)

3 – Os principais fatores de risco para desenvolvimento do câncer de tireoide são: ter sido submetido à tratamento de radiação na cabeça e pescoço na infância, história familiar de câncer da tireoide; algumas síndromes hereditárias, obesidade e dieta pobre em iodo (presente no sal de cozinha e outros alimentos).

4 – O sintoma mais comum do câncer da tireoide costuma ser um nódulo indolor no pescoço. Outros sinais que merecem atenção são: sensação de que o pescoço está cheio, rouquidão e tosse persistente e dificuldade para respirar.

5 – O diagnóstico do câncer de tireoide é realizado por meio de ultrassonografia do pescoço e se for encontrado um nódulo suspeito será necessário realizar uma biópsia que irá confirmar ou não a suspeita do câncer. O câncer de tireoide se detectado precocemente as chances de sucesso no tratamento podem chegar a 97%.

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Revisão de 19 estudos demonstra eficácia de uso de dispositivo na boca para reduzir complicações durante radioterapia

O uso de stents intraorais (dispositivo inserido na boca) reduz as complicações orais associadas à radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. A afirmação é de estudo no qual os autores realizaram uma revisão sistemática de dezenove trabalhos com amostra de pacientes que receberam irradiação em áreas como a mandíbula e a maxila. Realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o estudo Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review foi publicado na revista científica Journal for the Sciences & Specialties of the Head and Neck.

As evidências geradas a partir desta revisão estabelecem linhas de conduta clínica que beneficiam os pacientes com câncer de cabeça e pescoço, com indicação de radioterapia, de acordo com a localização específica do tumor a ser irradiado. Em pacientes com câncer na mandíbula ou perto dela, por exemplo, o uso do stent durante a radioterapia está associado a redução da mucosite oral, do trismo (dificuldade de abrir a boca) e da xerostomia (baixa produção de saliva).

“A redução da mucosite oral e do trismo implicam diretamente na redução da dor, melhora da alimentação e da capacidade de higienização da cavidade oral do paciente. Essas variáveis impactam, por sua vez, na redução de complicações secundárias, como infecções”, explica um dos autores da pesquisa, Dr. Héliton Spíndola Antunes, dentista, estomatologista, doutor em Oncologia e pesquisador da Divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico do INCA, onde é docente do programa de pós-graduação.

Reduzir xerostomia também impacta positivamente a qualidade de vida do paciente. Além de facilitar o processo de fala, alimentação e a sensação de conforto, atenua os riscos de desenvolvimento de cáries. Outro dado importante, explica Antunes, é que as ferramentas adotadas em radioterapia vêm sendo aperfeiçoadas de forma acelerada nos últimos anos, o que possibilita preservar as estruturas saudáveis, pois as doses utilizadas são cada vez mais precisas e em menor quantidade, refletindo assim em tratamento menos agressivos e melhor qualidade de vida para o paciente.

A evolução da técnica de tratamento bidimensional (2D) para radioterapia conformacional tridimensional (3DCRT) possibilitou quantificar doses em regiões específicas do paciente com precisão. “De forma geral, as toxicidades orais, tanto agudas quanto crônicas são resultado da atuação da irradiação nas estruturas, desta forma, ao reduzir dose nas estruturas sadias adjacentes, esses efeitos são reduzidos”, acrescenta.

Dr. Héliton Antunes afirma também que o estudo tem como principal contribuição a evidência que os stents, que consistem em um dispositivo simples, de baixo custo e de confecção rápida, podem impactar de modo significativo na qualidade de vida do paciente durante e após o tratamento e podem representar a redução das limitações de reabilitação. “Desse modo, esperamos poder estimular os demais pesquisadores a desenvolver outros estudos, envolvendo tais dispositivos, aprofundando assim a investigação sobre os reais benefícios associados a seu uso e produzindo estudos com níveis de evidência mais altos, permitindo o estabelecimento de futuras linhas de conduta ainda mais precisas”, deseja. Sendo comprovado o benefício clínico associado ao uso dos stents, concluí o especialista, espera-se que sua confecção se torne rotina na prática clínica diária dos centros de tratamento de referência em câncer de cavidade oral.

Referência do estudo

Alves LDB, Menezes ACS, Pereira DL, Santos MTC, Antunes HS. Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review. Head Neck. 2021 Feb 1.

Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26620

 

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HPV e o desenvolvimento do câncer de boca e garganta

O HPV – Papilomavírus Humano é um grupo de vírus transmitido na maioria dos casos por meio do contato sexual (genital, oral e anal).  São mais de 150 tipos de vírus HPV e 12 deles são de alto risco para o desenvolvimento dos cânceres de garganta, boca, colo do útero, vagina, vulva, pênis e ânus

O HPV é muito comum, cerca de 8 em cada 10 pessoas terão contato com vírus no decorrer da vida. A maioria das pessoas com HPV não sabe que está infectada e não desenvolve sintomas e na maioria das vezes o corpo vai eliminar a infecção espontaneamente. Já em outros casos a infecção persiste, podendo levar ao desenvolvimento de verrugas ou papilomas genitais e até ao câncer.

HPV e câncer de garganta e boca

O câncer de garganta, também chamado de orofaríngeo, se desenvolve nas amigdalas, e ao redor da base da língua. A relação desse tipo de câncer com o HPV é mais comum nos homens, em razão da prática do sexo oral, mas as mulheres também podem adquirir o câncer nessa região em razão do HPV. Atualmente, cerca de 75% dos cânceres de garganta são resultado de infecções por HPV.

Uma vacina segura e eficaz que previne o HPV

Prevenir o HPV é possível. Existe uma vacina contra o HPV que está disponível, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde e em clínica particulares também. Essa vacina deve ser administrada ainda na infância, antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz.

A vacina contra o HPV previne a maioria dos cânceres de colo do útero, o câncer de ânus, vagina, vulva e reduz o risco da maioria dos cânceres de garganta, boca e pênis relacionados ao HPV. Também previne verrugas genitais.

Todas as meninas com idade entre 9 e 14 anos e todos os meninos entre 11 e 14 anos devem tomar a vacina, sendo duas doses, com intervalos de 06 meses entre elas. Além desse grupo, também é recomendada para homens e mulheres com idade entre 09 e 26 anos, portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Nesses casos, são recomendadas 03 doses, sendo que a segunda dose é feita após 2 meses da primeira e a terceira dose após 6 meses da primeira dose.

O uso de preservativo (camisinha) não é 100% eficaz para prevenir o HPV, pois não cobre todas as áreas do corpo que podem ter contato com o vírus, como a pele da região genital ou anal, por exemplo.

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