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Revisão de 108 estudos das últimas três décadas aponta diretrizes para tratar pacientes com câncer de nasofaringe

Uma pesquisa robusta que contempla revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos publicados entre 1990 e 2020 define as diretrizes para se tratar pacientes com carcinoma de nasofaringe, um tipo raro de câncer, de difícil manejo clínico. A pesquisa bibliográfica identificou 108 estudos, sendo que cinco deles com questões clínicas abrangentes sobre radioterapia, sequência de quimioterapia, opções de quimioterapia concomitante (realizada com outra abordagem terapêutica), quimioterapia de indução (tratamento inicial) e quimioterapia adjuvante (após a cirurgia). Realizado por um painel de especialistas da Sociedade Chinesa de Oncologia Clínica (CSCO) e da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o estudo Chemotherapy in Combination with Radiotherapy for Definitive-Intent Treatment of Stage II-IVA Nasopharyngeal Carcinoma: CSCO and ASCO Guideline foi publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology, editada pela ASCO.

Os experts responsáveis por assinar essa diretriz debatem as principais questões a respeito do tratamento definitivo do carcinoma de nasofaringe nos estádios II a IV, fornecendo recomendações baseadas nos principais estudos dos últimos 30 anos com a proposta de auxiliar os oncologistas clínicos e radio-oncologista sobre as melhores evidências quanto ao uso de quimiorradioterapia. Os resultados de interesse incluíram sobrevida, controle de doença à distância e loco-regional e qualidade de vida do paciente.

A oncologista clínica do Hospital Integrado do Câncer da Rede Mater Dei de Saúde, Gabriela Freitas Chaves, ao analisar esse estudo a convite do GBCP, destaca que no trabalho há importantes questões clínicas sobre carcinoma de nasofaringe, a começar pelo papel do regime de radioterapia com intensidade modulada (IMRT). “Se possível, deve ser o de escolha para todos os pacientes, pois quando comparado com as técnicas bidimensional (2D) ou tridimensional (3D), mostrou-se superior em relação a toxicidade e eficácia do tratamento”, destaca Gabriela Chaves.

 

Demais evidências da diretriz
A revisão realizada pela CSCO e ASCO define também que para pacientes T2N0 a quimioterapia não é recomendada de rotina, mas pode ser considerada em casos com características adversas, como grandes volumes de tumor ou alto número de cópias de DNA de Vírus Epstein–Barr (EBV). Para pacientes com T1 ou T2 com N1, a quimioterapia concomitante a radioterapia deve ser oferecida, principalmente para T2N1.

Além disso, para pacientes com estágio III-IVA (exceto T3N0), sugere-se a quimioterapia de indução seguida de quimiorradioterapia concomitante. Em T3N0 indica-se quimiorradioterapia concomitante. Quimioterapia de indução ou adjuvante podem ser discutidas. Para pacientes com estágio III-IVA (exceto T3N0), que não receberam quimioterapia de indução, sugere-se quimioterapia adjuvante após a quimiorradioterapia. A classificação dos tumores, em todos os casos, é feita a partir da 8ª edição do AJCC.

 

Indicações de regimes de quimioterapia
O regime de escolha para quimiorradioterapia consiste em cisplatina semanal ou a cada 21 dias, caso o paciente não apresente contraindicações. Para regimes de indução sugere-se protocolos à base de platina (GP, TPF, PF, PX) de dois a três cliclos, sendo que o início da quimiorradioterapia deve ocorrer em 21-28 dias a partir do primeiro dia do último ciclo de quimioterapia de indução.

Para todos os pacientes recebendo quimioterapia adjuvante, sugere-se: cisplatina; 5-fluorouracil, infusão intravenosa contínua ou infusão contínua intravenosa. Para os pacientes com contraindicação à cisplatina, a carboplatina (AUC 5) pode ser combinada com 5-fluorouracil. Para os pacientes com contraindicação a platinas, o uso de regimes não baseados em platina permanece experimental e não deve ser oferecido rotineiramente fora do contexto de um ensaio clínico.

 

Referência do estudo

Chen YP, Ismaila N, Chua MLK, Colevas AD, Haddad R, Huang SH, Wee JTS, Whitley AC, Yi JL, Yom SS, Chan ATC, Hu CS, Lang JY, Le QT, Lee AWM, Lee N, Lin JC, Ma B, Morgan TJ, Shah J, Sun Y, Ma J. Chemotherapy in Combination With Radiotherapy for Definitive-Intent Treatment of Stage II-IVA Nasopharyngeal Carcinoma: CSCO and ASCO Guideline. J Clin Oncol. 2021 Mar 1;39(7):840-859.

Disponível em https://ascopubs.org/doi/pdf/10.1200/JCO.20.03237

 

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Seis mitos ou verdades sobre o câncer de boca

São várias as doenças que podem acometer a nossa boca e o câncer é uma delas. O câncer de boca também chamado de câncer da cavidade oral, pode afetar gengiva, língua, soalho bucal, céu da boca e bochechas. É um tipo de câncer passível de prevenção, pois alguns dos principais fatores de risco estão relacionados a hábitos de vida. Outro fator importante é que na maioria dos casos, ele é diagnosticado em fases mais avançadas, quando as chances de cura são menores.

Então, para você conhecer mais sobre a doença e cuidar da saúde da sua boca, relacionados 6 mitos ou verdades sobre a doença. Confira

1 – O câncer de boca tem como uma das causas a infecção pelo HPV – Papilomavírus Humano, um conjunto de vírus que é transmitido principalmente pelo contato sexual (vaginal, oral e anal)?

Verdade. O HPV é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de – garganta (orofaringe) , assim como de outros tipos de câncer:, colo do útero, vagina, vulga, pênis e ânus.  Também são fatores de risco: o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, sendo que o risco é 30 vezes maior para os indivíduos que fumam e bebem do que para aquelas pessoas que não o fazem, a exposição ao sol sem proteção (importante risco para o câncer de lábio) e o excesso de gordura corporal.

 

2 – Ferida na boca há mais de 15 dias que não cicatriza pode ser sinal de câncer de boca?

Verdade. Qualquer lesão na boca que não cicatriza dentro de 15 dias precisa de uma avaliação médica ou do cirurgião dentista  para descartar qualquer suspeita.

 

3 – Próteses dentárias tem relação com o desenvolvimento do câncer de boca?

Mito. A utilização de próteses dentárias não provoca câncer, mas se a prótese não estiver bem ajustada à boca, pode trazer irritações, ferimentos e lesões como as leucoplasias ou eritoplasias, que podem evoluem para o câncer. Isso também ocorre com dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações e coroas.

 

4 – Manchas brancas ou vermelhas na boca ou garganta podem levar ao câncer de boca?

Verdade. A leucoplasia (manchas esbranquiçadas) e eritroplasia (manchas avermelhadas) são áreas anormais na boca e em geral assintomáticas. Essas áreas podem ser cancerosas, pré-cancerosas ou benignas. A gravidade só pode ser avaliada após um exame clínico, e biópsia, quando necessário. Essas displasias podem ser causadas por um agente (tabagismo, traumatismo local crônico, provocado por dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações, coroas ou dentaduras mal ajustadas).

 

5 – O câncer de boca é mais frequente nas mulheres?

Mito.  O câncer de boca é mais frequente   em homens. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são previstos 15.190 novos casos de câncer na cavidade oral em 2021, sendo 11.180 em homens e 4.010 mulheres.

 

6 – Exposição ao sol pode ser fator de risco para o câncer de boca?

Verdade. Os casos de câncer de lábio são mais frequentes em profissionais que trabalham ao ar livre, expostos à radiação ultravioleta do sol. Protetor labial com filtro solar ajuda na prevenção.

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5 FATOS SOBRE O CÂNCER DE TIREOIDE

A tireoide é uma glândula que se localiza na parte frontal do pescoço, abaixo da região conhecida como pomo de Adão e tem a forma de uma borboleta, com 2 lobos – o lobo direito e o lobo esquerdo – ligada por uma região chamada istmo. Ela é responsável por produzir hormônios que atuam na regulação do metabolismo do organismo, influenciam no desenvolvimento do corpo e na atividade do sistema nervoso.

O câncer pode se desenvolver nessa região. Nódulos na tireoide são muito comuns, a maioria deles são benignos, mas em alguns casos o diagnóstico (biópsia) comprova a malignidade do tumor.

 

Veja os 5 fatos sobre o câncer de tireoide que você precisa saber:

1 – O câncer da tireoide é um tumor frequente da região da cabeça e pescoço, sendo três vezes mais comum em mulheres do que nos homens. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais incidente nas mulheres acima dos 40 e homens acima dos 60 anos. O INCA – Instituto Nacional do Câncer estima que em 2021 serão 13.780 novos casos da doença.

2 – Os tipos de câncer de tireoide mais comuns são: Papilar (o tipo mais comum e de desenvolvimento mais lento); Folicular; Medular e Anaplásico (o tipo mais raro e agressivo)

3 – Os principais fatores de risco para desenvolvimento do câncer de tireoide são: ter sido submetido à tratamento de radiação na cabeça e pescoço na infância, história familiar de câncer da tireoide; algumas síndromes hereditárias, obesidade e dieta pobre em iodo (presente no sal de cozinha e outros alimentos).

4 – O sintoma mais comum do câncer da tireoide costuma ser um nódulo indolor no pescoço. Outros sinais que merecem atenção são: sensação de que o pescoço está cheio, rouquidão e tosse persistente e dificuldade para respirar.

5 – O diagnóstico do câncer de tireoide é realizado por meio de ultrassonografia do pescoço e se for encontrado um nódulo suspeito será necessário realizar uma biópsia que irá confirmar ou não a suspeita do câncer. O câncer de tireoide se detectado precocemente as chances de sucesso no tratamento podem chegar a 97%.

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Revisão de 19 estudos demonstra eficácia de uso de dispositivo na boca para reduzir complicações durante radioterapia

O uso de stents intraorais (dispositivo inserido na boca) reduz as complicações orais associadas à radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. A afirmação é de estudo no qual os autores realizaram uma revisão sistemática de dezenove trabalhos com amostra de pacientes que receberam irradiação em áreas como a mandíbula e a maxila. Realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o estudo Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review foi publicado na revista científica Journal for the Sciences & Specialties of the Head and Neck.

As evidências geradas a partir desta revisão estabelecem linhas de conduta clínica que beneficiam os pacientes com câncer de cabeça e pescoço, com indicação de radioterapia, de acordo com a localização específica do tumor a ser irradiado. Em pacientes com câncer na mandíbula ou perto dela, por exemplo, o uso do stent durante a radioterapia está associado a redução da mucosite oral, do trismo (dificuldade de abrir a boca) e da xerostomia (baixa produção de saliva).

“A redução da mucosite oral e do trismo implicam diretamente na redução da dor, melhora da alimentação e da capacidade de higienização da cavidade oral do paciente. Essas variáveis impactam, por sua vez, na redução de complicações secundárias, como infecções”, explica um dos autores da pesquisa, Dr. Héliton Spíndola Antunes, dentista, estomatologista, doutor em Oncologia e pesquisador da Divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico do INCA, onde é docente do programa de pós-graduação.

Reduzir xerostomia também impacta positivamente a qualidade de vida do paciente. Além de facilitar o processo de fala, alimentação e a sensação de conforto, atenua os riscos de desenvolvimento de cáries. Outro dado importante, explica Antunes, é que as ferramentas adotadas em radioterapia vêm sendo aperfeiçoadas de forma acelerada nos últimos anos, o que possibilita preservar as estruturas saudáveis, pois as doses utilizadas são cada vez mais precisas e em menor quantidade, refletindo assim em tratamento menos agressivos e melhor qualidade de vida para o paciente.

A evolução da técnica de tratamento bidimensional (2D) para radioterapia conformacional tridimensional (3DCRT) possibilitou quantificar doses em regiões específicas do paciente com precisão. “De forma geral, as toxicidades orais, tanto agudas quanto crônicas são resultado da atuação da irradiação nas estruturas, desta forma, ao reduzir dose nas estruturas sadias adjacentes, esses efeitos são reduzidos”, acrescenta.

Dr. Héliton Antunes afirma também que o estudo tem como principal contribuição a evidência que os stents, que consistem em um dispositivo simples, de baixo custo e de confecção rápida, podem impactar de modo significativo na qualidade de vida do paciente durante e após o tratamento e podem representar a redução das limitações de reabilitação. “Desse modo, esperamos poder estimular os demais pesquisadores a desenvolver outros estudos, envolvendo tais dispositivos, aprofundando assim a investigação sobre os reais benefícios associados a seu uso e produzindo estudos com níveis de evidência mais altos, permitindo o estabelecimento de futuras linhas de conduta ainda mais precisas”, deseja. Sendo comprovado o benefício clínico associado ao uso dos stents, concluí o especialista, espera-se que sua confecção se torne rotina na prática clínica diária dos centros de tratamento de referência em câncer de cavidade oral.

Referência do estudo

Alves LDB, Menezes ACS, Pereira DL, Santos MTC, Antunes HS. Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review. Head Neck. 2021 Feb 1.

Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26620

 

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HPV e o desenvolvimento do câncer de boca e garganta

O HPV – Papilomavírus Humano é um grupo de vírus transmitido na maioria dos casos por meio do contato sexual (genital, oral e anal).  São mais de 150 tipos de vírus HPV e 12 deles são de alto risco para o desenvolvimento dos cânceres de garganta, boca, colo do útero, vagina, vulva, pênis e ânus

O HPV é muito comum, cerca de 8 em cada 10 pessoas terão contato com vírus no decorrer da vida. A maioria das pessoas com HPV não sabe que está infectada e não desenvolve sintomas e na maioria das vezes o corpo vai eliminar a infecção espontaneamente. Já em outros casos a infecção persiste, podendo levar ao desenvolvimento de verrugas ou papilomas genitais e até ao câncer.

HPV e câncer de garganta e boca

O câncer de garganta, também chamado de orofaríngeo, se desenvolve nas amigdalas, e ao redor da base da língua. A relação desse tipo de câncer com o HPV é mais comum nos homens, em razão da prática do sexo oral, mas as mulheres também podem adquirir o câncer nessa região em razão do HPV. Atualmente, cerca de 75% dos cânceres de garganta são resultado de infecções por HPV.

Uma vacina segura e eficaz que previne o HPV

Prevenir o HPV é possível. Existe uma vacina contra o HPV que está disponível, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde e em clínica particulares também. Essa vacina deve ser administrada ainda na infância, antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz.

A vacina contra o HPV previne a maioria dos cânceres de colo do útero, o câncer de ânus, vagina, vulva e reduz o risco da maioria dos cânceres de garganta, boca e pênis relacionados ao HPV. Também previne verrugas genitais.

Todas as meninas com idade entre 9 e 14 anos e todos os meninos entre 11 e 14 anos devem tomar a vacina, sendo duas doses, com intervalos de 06 meses entre elas. Além desse grupo, também é recomendada para homens e mulheres com idade entre 09 e 26 anos, portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Nesses casos, são recomendadas 03 doses, sendo que a segunda dose é feita após 2 meses da primeira e a terceira dose após 6 meses da primeira dose.

O uso de preservativo (camisinha) não é 100% eficaz para prevenir o HPV, pois não cobre todas as áreas do corpo que podem ter contato com o vírus, como a pele da região genital ou anal, por exemplo.

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Mucosite: como minimizar os efeitos colaterais

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode trazer alguns efeitos colaterais importantes, principalmente em razão da toxicidade causada pela exposição às doses elevadas de quimioterapia ou radioterapia. Dentre esses efeitos, um dos mais frequentes é a mucosite, um tipo de lesão inflamatória e/ou ulceradas que surge na cavidade oral ou no trato gastrointestinal. Geralmente, aparece entre 1 a 2 semanas após o início do tratamento e os principais sintomas são:

  • feridas na boca que podem ser vermelhas ou conter pequenas manchas brancas e sangrar ou infeccionar;
  • inchaço na gengiva, boca ou garganta;
  • dor ou desconforto ao mastigar ou engolir;
  • aumento de mucosa na boca;
  • sensação de secura, leve queimação ou dor ao comer alimentos quentes e frios;
  • azia ou indigestão.

Por geralmente causar muita dor quando surge, muitas vezes é necessário mudar a alimentação e isso pode trazer alguns outros problemas, como a desidratação, alimentação inadequada, falta de vitaminas e perda de peso. É preciso estar atento, pois a mucosite também pode interferir na evolução do tratamento, já que existe o risco do paciente apresentar um quadro de febre mais grave ou infecções.

 

Prevenção

Algumas técnicas podem aliviar ou reduzir os efeitos da mucosite, entre elas, a crioterapia que é a sucção de lascas de gelo antes e durante cada quimioterapia e a Laserterapia de baixa intensidade.

Outro fator que pode contribuir é manter a frequência dos hábitos de higiene oral, inclusive antes de iniciar o tratamento do câncer de cabeça e pescoço é recomendado passar por uma avaliação odontológica. Algumas práticas são indicadas para minimizar os efeitos da mucosite:

  • Escovar os dentes sempre após as refeições e optar por uma escova de dentes macia.
  • Buscar orientação médica sobre a utilização de fio dental, se deve ser mantido durante o tratamento e, também, sobre a utilização de enxaguantes bucais que possam auxiliar na limpeza e no desconforto.
  • Verificar com o médico sobre a prescrição de remédios indicados para reduzir o desconforto.
  • Manter os lábios úmidos, bebendo água com frequência, se não houver contraindicação médica
  • Comer alimentos congelados e alimentos líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • Evitar alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.
  • Evitar refrigerantes, álcool e tabaco.
  • Fazer um autoexame da boca duas diariamente e se observar algum sinal diferente, procurar avaliação médica.

 

Fontes:

https://revista.abrale.org.br/mucosite-tratamento-de-cancer/#:~:text=Mucosite%20s%C3%A3o%20inflama%C3%A7%C3%B5es%20que%20podem,mucosas%20s%C3%A3o%20semelhantes%20%C3%A0s%20cancer%C3%ADgenas

http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72722014000100007

https://www.cancer.org/treatment/treatments-and-side-effects/physical-side-effects/mouth-problems/mouth-sores.html

 

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Estudo reforça importância de oferecer suporte nutricional no início do tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Um estudo clínico de fase 3 publicado pelo Grupo de Oncologia e Radioterapia de Cabeça e Pescoço (GORTEC) mostra o impacto positivo do suporte nutricional nas taxas de sobrevida em três anos de pacientes com diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço de células escamosas localmente avançado. A sobrevida global foi de 81% entre os que receberam a fórmula imunomoduladora. Entre os controles, a taxa foi de 61%. A conclusão é do estudo A double-blind phase III trial of immunomodulating nutritional fórmula during adjuvant chemoradiotherapy in head and neck cancer patients: IMPATOX, publicado na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition.

Em formato duplo cego, foram incluídos 180 pacientes com indicação de quimiorradioterapia adjuvante (após a cirurgia), com intenção curativa. Entre novembro de 2009 e junho de 2013, os participantes foram aleatoriamente designados para receber suplementação oral de uma fórmula enriquecida com l-arginina, ácidos graxos ômega-3 e ribonucleicos (braço experimental) ou um isocalórico controle isonitrogênio (braço de controle), por cinco dias, antes de cada um dos três ciclos de cisplatina.

Este estudo é o primeiro ensaio clínico multicêntrico de fase III e randomizado que avalia a administração de imunonutrientes orais durante a quimiorradioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. O desfecho primário (primeiro objetivo do estudo) foi avaliar a eficácia dos imunonutrientes na redução de mucosite grave. Já os objetivos secundários foram avaliar a tolerância, conformidade, atrasos e necessidade de interrupções da terapia, assim como a sobrevida livre de progressão (PFS) e sobrevida global (OS) em um, dois e três anos.

Embora o desfecho primário não tenha apresentado significância estatística (um mês após o término da quimiorradioterapia – CRT não foram observadas diferenças na incidência de mucosite de graus 3-4 entre os grupos avaliados); houve a boa notícia de melhora significativa de sobrevida global em três anos no grupo que recebeu a fórmula imunomoduladora. Enquanto o grupo controle registrou sobrevida livre de progressão de 50% e sobrevida global de 61%, entre os pacientes que receberam imunonutrientes as taxas foram, respectivamente, de 73% e 81%.

 

Perfil nutricional e resposta imunológica

Ao avaliar a pesquisa, a nutricionista oncológica e membro do GBCP, Olívia Galvão De Podestá, destaca que o ponto trazido pelos pesquisadores do GORTEC foi a evidência de que o paciente se beneficia de uma abordagem precoce de suporte nutricional. “Incluir imunonutrientes na dieta do paciente melhora seu estado nutricional e aumenta sua resposta imunológica. O acompanhamento nutricional faz a diferença no cuidado ao paciente oncológico, em especial entre os de Cabeça e Pescoço”, ressalta Olívia.

A nutricionista chama a atenção, por sua vez, para limitações do trabalho. “O resultado relevante foi observado em relação à sobrevivência dos pacientes, mas este não foi o desfecho primário em avaliação. Embora a informação sobre melhora de sobrevida seja relevante, devemos avaliar os resultados com cautela”, ressalta. Como próximo passo, os autores realizam um estudo auxiliar, que visa explorar os fatores relacionados com a aceitação dos pacientes à suplementação oral e potenciais indicações de formas alternativas de suporte nutricional.

 

Referência do estudo

Boisselier P, Kaminsky MC, Thézenas S, Gallocher O, Lavau-Denes S, Garcia-Ramirez M, Alfonsi M, Cupissol D, de Forges H, Janiszewski C, Geoffrois L, Sire C, Senesse P; Head and Neck Oncology and Radiotherapy Group (GORTEC). A double-blind phase III trial of immunomodulating nutritional formula during adjuvant chemoradiotherapy in head and neck cancer patients: IMPATOX. Am J Clin Nutr. 2020 Dec 10;112(6):1523-1531. 

Disponível em https://bit.ly/3u7WC9r

 

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Múltiplos parceiros, sexo oral e relação extraconjugal sem proteção aumentam risco de câncer de garganta

O tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe (garganta), mas é evidente também o impacto do Papilomavírus Humano (HPV), infecção causada pelo sexo sem proteção, no processo de carcinogênese. Estudo publicado na revista científica Cancer, da American Cancer Society, aponta que os principais comportamentos de risco para carcinoma de células escamosas – que representa quase a totalidade dos casos de câncer de orofaringe – são ter múltiplos parceiros, contato ainda jovem com o HPV e fazer sexo oral com início em idade mais jovem e com maior frequência. Os dados são do estudo multicêntrico Timing, number and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer, liderado pela epidemiologista Gypsyamber D’Souza, da divisão de Epidemiologia do Câncer do John Hopkins, nos Estados Unidos.

Com 98 mil novos casos e 48 mil mortes no mundo anuais, segundo o Globocan 2018, o câncer de orofaringe (garganta) é um dos mais prevalentes da região de cabeça e pescoço. Neste estudo de caso-controle, foram incluídos, entre 2013 e 2018, um total de 508 participantes, sendo 163 pacientes e 345 controles, com o objetivo de investigar novos fatores de risco (comportamento de iniciação sexual, intensidade de exposição e dinâmica de relacionamento), assim como marcadores sorológicos e o quanto eles estão relacionados com a probabilidade de desenvolvimento de câncer de orofaringe associado com infecção pelo HPV, em especial do tipo 16.

Após a aplicação de questionário de comportamento sexual, o estudo mostra que os participantes que tiveram dez ou mais parceiros de sexo oral ao longo da vida tem 4,3 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de orofaringe. Ter a experiência de primeiro sexo oral antes dos 20 anos aumenta o risco em 1,8 vezes e a intensidade também é fator de risco.

Relações extraconjugais apresentaram probabilidade 1,6 vezes maior. Com base nesses números, os autores concluem que embora já fosse sabido que o número de parceiros de sexo oral já fosse conhecido como fator de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe, o tempo e a frequência de sexo oral agora podem ser vistos como novos fatores de risco independentes.

Na avaliação do médico oncologista Dr. Gilberto de Castro Junior, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), o principal mérito do estudo foi consolidar a associação entre HPV e câncer de orofaringe, e que quanto maior a exposição de risco, maior a chance de desenvolver este tumor, ou seja, prevenção através de sexo seguro é fundamental. Independentemente disso, ressalta Dr. Castro Junior, não fumar continua sendo a medida mais eficaz para prevenir o câncer de orofaringe, assim como de câncer de pulmão, boca, esôfago, bexiga, pâncreas, dentre outros.

Além de sexo seguro, vacinar meninos e meninas

Assim como a prática de sexo seguro é importante para reduzir o risco de infecção pelo HPV, outra medida eficaz é a vacina, que está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. A vacina quadrivalente protege contra os HPVs 6, 11, 16 e 18; sendo estes dois últimos os mais comumente associados ao câncer.

Para ser mais eficaz, a vacina deve ser administrada antes do início da vida sexual. Por isso, ela é indicada para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos, com recomendação de duas doses, com intervalos de seis meses entre elas. Também é indicada para grupos especiais: homens e mulheres de 9 a 26 anos portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Para esses grupos são recomendadas três doses, sendo que a segunda dose é feita após dois meses da primeira e a terceira dose após seis meses da primeira dose.

 

Referência do estudo

Drake VE, Fakhry C, Windon MJ, Stewart CM, Akst L, Hillel A, Chien W, Ha P, Miles B, Gourin CG, Mandal R, Mydlarz WK, Rooper L, Troy T, Yavvari S, Waterboer T, Brenner N, Eisele DW, D’Souza G. Timing, number, and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer. Cancer. 2021 Jan 11.

Disponível em https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cncr.33346

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O câncer também pode surgir nas glândulas salivares

Os tumores que acometem as glândulas salivares podem ser observados nas glândulas salivares maiores: parótidas, sublinguais e submandibulares e também nas glândulas salivares menores, que estão distribuídas praticamente por toda submucosa bucal.

Esse tipo de câncer, geralmente, no início se apresenta de forma discreta e pode ser de difícil diagnóstico. Por isso, importante que seja realizada consulta com um cirurgião-dentista especialista em estomatologia ou cirurgião de cabeça e pescoço para que seja possível identificar mesmo as lesões aparentemente discretas.

Sintomas:
• pequeno aumento de volume na parte lateral da face (especialmente região anterior à orelha, onde ficam internamente as glândulas parótidas, local mais comum para o aparecimento deste tipo de câncer), abaixo da mandíbula (glândulas submandibulares) ou embaixo da língua (glândulas sublinguais);
• pequeno aumento de volume dentro da boca, no soalho, e principalmente no palato posterior lateral (local mais comum destes tumores dentro da boca);
• paralisia facial;
• dores de ouvido.

Fatores de risco: idade avançada, exposição à radioterapia prévia, exposição ocupacional.

Tratamento: a forma de escolha depende do subtipo e estadiamento do tumor. A cirurgia é o principal tratamento. Radioterapia e quimioterapia podem ser usadas em alguns casos.

Alguns tumores raros como o carcinoma secretor de glândulas salivares apresentam uma alteração genética que o torna candidato à terapia alvo molecular (inibidores de TRK, como o Larotrectinib, por exemplo), para os casos mais graves. Felizmente, este tumor costuma ser de baixo grau, quando o tratamento cirúrgico costuma ser curativo.

 

Dr. Daniel Cohen Goldemberg é pesquisador, membro da Comissão de Ensino, professor e coordenador suplente do Programa de Residência em Odontologia do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

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Quando procurar um médico especialista em Cabeça e Pescoço?

O médico cirurgião de cabeça e pescoço é um especialista no diagnóstico e tratamento dos tumores benignos e malignos que acometem a região da face, como as fossas nasais, seios paranasais, boca, lábios, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, paratireoide. Nem sempre é ele quem, em um primeiro momento, avalia as alterações nessas regiões. Geralmente isso acontece com um dentista, um endocrinologista um otorrinolaringologista, um dermatologista e até mesmo um clínico geral, mas se for confirmada a suspeita de tumor, o paciente deverá ser encaminhado para essa especialidade. O paciente também pode procurar o médico de cabeça e pescoço diretamente, sem necessariamente ter antes que passar por um médico generalista.

É importante lembrar que a especialidade de Cabeça e Pescoço não trata das doenças cerebrais, como dores de cabeça, tumores cerebrais, aneurismas etc. Nesses casos, a indicação é o atendimento de um médico neurologista. Assim também acontece com dores no pescoço que devem ser avaliadas pelo ortopedistas e desvios de septo nasal, zumbidos no ouvido pelo Otorrinolaringologista.

É preciso estar sempre atento aos sintomas dos tumores de cabeça pescoço e, se observar alguma alteração, buscar a avaliação médica imediatamente. Alguns sinais importantes são; nódulos no pescoço, rouquidão por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca, lábio ou língua que não cicatrizam. 

Diagnóstico

A primeira etapa a ser realizada para investigação diagnóstica é a avaliação do histórico clínico e físico do paciente, no qual o médico vai examinar o órgão em questão. Exames de imagem como a tomografia computadorizada, ultrassonografia, radiografia, ressonância magnética também podem ser solicitados. Porém, a confirmação do câncer somente é possível após a realização de uma biópsia, retirada de um pequeno fragmento da lesão para avaliação microscópica. Existem vários tipos de biópsia e a indicação vai depender do local do tumor. Após a análise da biópsia é emitido um laudo anatomopatológico com todas as informações sobre as características do câncer para que seja possível determinar a melhor conduta de tratamento.

Tratamento multidisciplinar

Como parte do tratamento dos tumores da região da cabeça e pescoço pode ser necessário realizar uma cirurgia e, dependendo do estágio da doença, esse procedimento pode trazer algumas limitações estéticas, físicas e funcionais ao paciente, ou ser necessário ainda complementar o tratamento com radioterapia ou quimioterapia. Isso tudo requer um acompanhamento pós-cirúrgico multidisciplinar, por isso, os cirurgiões de cabeça e pescoço trabalham de forma integrada com outras especialidades médicas, como a oncologia clínica, radioterapia, estomatologia, odontologia, fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, nutrição. É a atuação integrada desse time que trará os melhores resultados para o paciente.

Quanto mais precoce for o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço maiores são as chances de sucesso no tratamento.

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