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Qual o tipo de tratamento para o câncer de tireoide?

O câncer de tireoide é o tipo mais frequente dos cânceres de cabeça e pescoço. É mais incidente em mulheres do que em homens e tem grandes chances de sucesso no tratamento. Dentre os tipos de câncer de tireoide, o carcinoma diferenciado é o mais comum, entre eles estão o papilífero (50% a 80% dos casos), o folicular (15% a 20% dos casos) e o de células de Hürthle. Também existe o carcinoma pouco diferenciados e o carcinoma indiferenciados (cerca de 10% dos casos cada um deles).

Após o diagnóstico do câncer de tireoide, o cirurgião de cabeça e pescoço de posse do laudo anatomopatológico com a avaliação da biópsia, contendo todas as informações sobre o tipo do câncer, poderá definir a opção mais assertiva de tratamento para cada caso. A definição do protocolo de tratamento vai depender das características do tumor e também das condições clínicas do paciente.

A cirurgia é o tipo de tratamento principal para a maioria dos casos de câncer de tireoide. A cirurgia mais frequente é tireoidectomia, um procedimento utilizado para remover a glândula tireoide e ela pode ser total ou parcial, a depender do tipo, tamanho e grau de agressividade do tumor. Já a técnica de lobectomia é utilizada geralmente nos casos de câncer diferenciado (papilífero ou folicular) para remover o lobo contendo o câncer, juntamente como istmo (parte que une os lobos). Em alguns casos, durante a cirurgia, será necessário ainda fazer a remoção dos linfonodos, isso se caso haja comprometimento dos gânglios linfáticos do pescoço.

Quando o tumor é menor que 1 cm, sem evidência de metástases ou invasão local, pode ser indicada a vigilância ativa, ou seja, o acompanhamento médico com a realização de exames periódicos, sem a necessidade de um tratamento imediato.

Após a cirurgia, em alguns casos, também será necessária a indicação de tratamento complementar com iodoterapia.

Já a radioterapia, associada ou não à quimioterapia, pode ser recomendada em caso de tumores agressivos.

O tratamento do câncer de tireoide tem uma abordagem multiprofissional, por isso, é fundamental que o paciente seja acompanhado por uma equipe composta pelo cirurgião de cabeça e pescoço, endocrinologista, oncologista e radiooncologista, além da equipe de enfermagem, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia

 

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Aumento da quantidade de cálcio no sangue pode ser indicativo de tumor na paratireoide

O tumor de paratireoide é raro e a maioria deles é benigna. O diagnóstico, geralmente, acontece por meio de um exame de sangue, quando é identificado aumento dos níveis de cálcio (hipercalcemia), ocasionando hiperparatireoidismo. Isso porque os tumores de paratireoide secretam uma quantidade de hormônio Paratormônio (PTH) muito acima do que é normalmente secretada pelas glândulas paratireoides.

Quando a pessoa tem hipercalcemia, os principais sintomas são cansaço, fraqueza, perda de apetite e de memória, constipação e aumento da vontade de urinar.

Dentre os tumores que se desenvolvem na paratireoide, o adenoma é o tipo benigno da doença mais comum. Já o tumor maligno é o carcinoma de paratireoide tem como principais fatores de risco a exposição à radioterapia no pescoço, histórico familiar de tumores de paratireoide e a síndrome de neoplasia endócrina múltipla (NEM) e tem desenvolvimento lento.

A maioria desses tumores são assintomáticos no início. Para diagnosticar a doença, é necessária a realização de alguns exames como tomografia computadorizada com ou sem biópsia, ressonância magnética (RM), cintilografia, ultrassonografia de alta resolução ou angiografia.

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6 Mitos ou Verdades sobre o Câncer de Laringe

Segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, estima-se que em 2022, no Brasil, serão 7.650 novos casos de câncer de laringe.

A laringe é a parte da garganta localizada entre a base da língua e a traqueia, é nela que estão as cordas vocais. O câncer de laringe pode se desenvolver tanto na supraglote que é a parte superior da laringe, acima das cordas vocais, como na glote, a parte média da laringe onde as cordas vocais estão localizadas e na subglote, parte inferior da laringe entre as cordas vocais e a traqueia. Tanto a fala, como a respiração e alimentação podem ser afetadas quando ocorre um câncer nessa região.

Relacionamos aqui 6 mitos ou verdades sobre o câncer de laringe, confira:

 

6 Mitos ou Verdades sobre o câncer de laringe

 

1 – O tabaco é a principal causa do câncer de laringe, responsável por 97% dos diagnósticos

Verdade. Inclusive, o tabagismo associado ao consumo de bebidas alcoólicas aumenta em cerca de 10 vezes o desenvolvimento do câncer nessa região

Outros fatores de risco são:

  • infecção pelo vírus HPV – Papilomavírus Humano, transmitido principalmente pelo contato sexual.
  • refluxo gastroesofágico, uma doença crônica
  • estresse e mau uso da voz
  • excesso de gordura corporal
  • exposição a algumas substâncias como óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos

 

2 – O câncer de laringe é o tipo menos comum de câncer de cabeça e pescoço

Mito.  É um dos mais comuns, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa região.

 

3 – A maioria dos casos de câncer de laringe ocorre na glote, onde estão localizadas as cordas vocais

Verdade. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais).

 

4 – O câncer de laringe acomete mais as mulheres

Mito. Esse tipo de câncer é mais frequente em homens acima de 40 anos

 

5 – Dor de garganta e rouquidão persistente podem ser sinais de câncer de laringe

 Verdade.  Esses são dois dos principais sintomas do câncer de laringe, que incluem também alteração na voz, tosse constante, dor e dificuldade em engolir, dor de ouvido, problemas respiratórios, perda de peso, caroço ou massa no pescoço.

 

6 – Nos últimos anos, o câncer de laringe tem aumentado em pessoas mais jovens, que não bebem e não fumam

Verdade. Esse fato está associado à infecção pelo vírus do HPV, que é transmitida pelo contato sexual, inclusive oral.

 

 

 

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5 Fatos sobre o câncer

É fato que a incidência do câncer no mundo vem aumentando. Segundo dados da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), a projeção para novos casos de câncer em 2040 é de 28,4 milhões. Isso significa um crescimento de 47% se comparado os dados de 2020, que apontou 19,2 milhões de casos de câncer no mundo.

Esse cenário tem relação com alguns aspectos, como o envelhecimento da população, o crescimento populacional e às mudanças socioeconômicas e culturais que impactam em comportamentos que caracterizam como fatores de risco para a doença.

É importante conhecer mais sobre o câncer pois a informação também contribui para mudar esse cenário no mundo, já que a doença, em muitos casos, pode ser prevenida e se diagnosticada e tratada precocemente tem grandes chances de cura.

Relacionamos aqui 5 fatos sobre o câncer que todos precisam saber. Confira:

 

5 fatos sobre o câncer que todos precisam saber

1 – O câncer é um conjunto de doenças com mais de 200 tipos que podem se desenvolver em diversos órgãos do corpo.  Cada tipo tem comportamento diferente e, por essa razão, a indicação do tratamento também é diferente, a depender do tipo de câncer e da condição clínica do paciente.

 

2 – O câncer é uma doença de origem genética e se desenvolve quando ocorre o crescimento desordenado das células, passando de células normais para células cancerígenas. Geralmente cerca de 10% dos casos tem como causa o fator hereditário, ou seja, a doença é herdada dos pais. Já os outros 90% estão relacionados a três categorias de agentes externos:

  • cancerígenos físicos: radiação ultravioleta e ionizante;
  • substâncias químicas cancerígenas: amianto, componentes do tabaco, aflatoxina (um contaminante alimentar) e arsênio (um contaminante da água potável)
  • cancerígenos biológicos: infecções por certos vírus, bactérias ou parasitas, entre eles: Helicobacter pylori, Papilomavírus Humano (HPV), os vírus da hepatite B e hepatite C e o vírus Epstein-Barr.

O envelhecimento também é um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença, considerando que ocorre a acumulação de fatores de riscos gerais combinada com a tendência de que os mecanismos de reparação celular sejam menos eficazes à medida em que a pessoa envelhece.

 

3 – Cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com hábitos de prevenção

O consumo de produtos derivados do tabaco e de bebidas alcoólicas, a exposição ao sol sem proteção, adoção de uma alimentação desequilibrada, sedentarismo e a obesidade são alguns dos principais fatores de risco para o câncer em todo o mundo.

Para prevenir o câncer, as ações são:

  • Não fumar
  • Manter o peso adequado
  • Adotar uma alimentação saudável, rica em frutas, vegetais e fibras
  • Praticar atividade física regularmente
  • Não consumir bebida alcoólica em excesso
  • Vacina contra o HPV – Papilomavírus Humano
  • A exposição ao sol somente com proteção

 

4 – Se o câncer é diagnosticado em fases iniciais e tratado imediatamente, as chances de sucesso no tratamento podem superar 90%.

Por isso, é importante passar por consulta médica anualmente e realizar os exames de rotina de acordo com a idade e a necessidade clínica, entre eles: a mamografia para câncer de mama,  o Papanicolau para câncer de colo do útero, o exame de toque retal e PSA para câncer de próstata

Observar as alterações do corpo também é muito importante. Alguns sinais podem requerer uma avaliação médica. Entre eles:

  • Tosse persistente ou rouquidão
  • Alterações no hábito intestinal
  • Sangue na urina
  • Dor persistente que surge sem causa aparente
  • Perda de peso inexplicada
  • Alterações em pintas
  • Ferida que não cicatriza após três semanas
  • Sangramento inesperado
  • Aparecimento ou crescimento de um nódulo
  • Inchaço ou a presença de massa palpável no abdômen
  • Dificuldade para engolir

 

5 – Os principais tipos de tratamento para o câncer podem englobar: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou a combinação deles

O diagnóstico correto do câncer é essencial para um tratamento adequado e eficaz, porque cada tipo da doença precisa de um tratamento específico, que inclui uma ou mais modalidades.  Os objetivos do tratamento podem ser curar, prolongar a vida do paciente ou  melhorar a qualidade de vida. 

 

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A influência da alimentação na prevenção e no pós-tratamento do câncer de cabeça e pescoço

A nutrição é um dos fatores mais importantes para a saúde. Uma dieta alimentar equilibrada pode auxiliar desde a prevenção de algumas doenças, como de alguns tipos de câncer e também diretamente o paciente oncológico em seu tratamento ou reabilitação.

Para entender melhor como a nutrição pode auxiliar tanto na prevenção quanto no pós-tratamento do câncer de cabeça e pescoço, conversamos com Thais Manfrinato Miola, Supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center.

Veja porque os cuidados com a nutrição são fundamentais quando o assunto é câncer de cabeça e pescoço:

 

GBCP: É possível dizer que alguns hábitos na alimentação podem prevenir alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço? Se sim, quais são?

Thais Manfrinato Miola: Sim, é possível. A alimentação saudável contribui para a redução do risco de diversos tipos de tumores, inclusive do câncer de cabeça e pescoço. O consumo frequente de frutas e vegetais tem sido associado ao menor risco de desenvolvimento de tumores na boca, nasofaringe, faringe e laringe.

 

GBCP: Há alimentos que podem atuar como fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço? Se sim, quais são os que mais devemos evitar o consumo?

Thais Manfrinato Miola: Para o câncer de nasofaringe existe evidência de que o consumo de vegetais em conserva e do peixe salgado cantonês, um alimento tradicional na China e preservado em sal, aumenta o risco. Existe também uma evidência limitada, mas que sugere a interação de carne vermelha e processada com o risco do câncer de nasofaringe.

Além disso, a obesidade é um fator de risco para estes tumores e, na maioria das vezes, ela ocorre devido ao alto consumo de alimentos com alta densidade energética, como açúcares e gorduras.

 

GBCP: Falando agora sobre o paciente com câncer de cabeça e pescoço: qual a importância de um acompanhamento nutricional após o tratamento da doença?

Thais Manfrinato Miola: O acompanhamento nutricional do paciente com câncer de cabeça e pescoço deve ocorrer em todas as fases do tratamento, desde o diagnóstico da doença, já que são pacientes considerados de alto risco nutricional.

O tratamento, seja cirúrgico ou sistêmico, traz diversos efeitos colaterais que impactam diretamente na ingestão alimentar, o que pode acarretar perda de peso, principalmente de massa muscular e essa recuperação de massa muscular não é tão rápida quanto a sua perda. São necessários no mínimo 3 meses de intervenção nutricional e fisioterápica para observamos resultado.

É importante ressaltar que, a intervenção nutricional sozinha auxilia na recuperação muscular, porém chega um momento em que esse cenário se estabiliza, pois é necessário o estímulo para o crescimento da massa muscular. Por isso é importante que a equipe de fisioterapia atue em conjunto nesse processo.

Estes pacientes muitas vezes podem apresentar sintomas tardios que continuam a dificultar a ingestão alimentar e, consequentemente, piora a qualidade de vida. Por exemplo, pacientes que fizeram radioterapia podem continuar com xerostomia (boca seca) e apresentar trismo (dores e dificuldades para abrir a boca), o que dificulta a ingestão de certos alimentos e ainda faz com que o paciente perca o prazer na alimentação.

 

GBCP: Após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, quais alimentos são mais indicados? E quais podem ser contraindicados?

Thais Manfrinato Miola: Não existe uma dieta exclusiva para os pacientes com câncer de cabeça e pescoço após o tratamento e nem contraindicação. Tudo vai depender do que ele consegue comer após o tratamento. Devem ser respeitadas as preferências e aversões alimentares para montar um plano alimentar saudável e que atenda às necessidades nutricionais de cada paciente.

 

Fonte:

Thais Manfrinato Miola – Supervisora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center. Doutora e Mestre em Ciências na Área de Oncologia. Especialista em Nutrição Clínica e Oncológica.

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Estudo que sugere que “menos é mais” poderá se aplicar aos pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo

Em pacientes com câncer de orofaringe que são positivos para o papilomavírus humano (HPV) do tipo 16 e que foram previamente operados (com margens cirúrgicas-PSM ou extensão extranodal-ENE), a quimioterapia associada à radioterapia não resultou em melhora da sobrevida global. Esta é a conclusão do estudo Comparing adjuvant radiation to adjuvant chemoradiation in postsurgical p16+ oropharyngeal carcinoma patients with extranodal extension or positive margins, publicado na edição de março da revista científica Head & Neck por pesquisadores do Huntsman Cancer Institute, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

Os autores partiram da premissa que diretrizes adjuvantes (pós-cirurgia) em carcinoma de orofaringe p16+ ressecado cirurgicamente com margens cirúrgicas positivas (PSM) ou extensão extranodal (ENE) são baseadas em ensaios clínicos randomizados anteriores ao status p16. Portanto, ainda não está claro se a quimioterapia adjuvante é necessária em pacientes p16+ com essas características.

Para contribuir com a resposta, os pesquisadores usaram o National Cancer Database para identificar casos de carcinoma de orofaringe HPV16+ não metastáticos diagnosticados de 2010 a 2017. Ao todo, 14.071 pacientes tratados com ressecção cirúrgica seguida de radiação adjuvante (aRT) ou quimiorradiação adjuvante (aCRT) foram elegíveis para análise. Nesta amostra, a sobrevida global não foi estatisticamente diferente entre aRT e aCRT em pacientes com PSM. Com isso, concluiu-se que para os pacientes com carcinoma de orofaringe p16+ com ENE, PSM ou ambos, a adição de quimioterapia à radioterapia adjuvante não foi associada à melhora da sobrevida global.

 

RESULTADO AINDA NÃO MUDA A CONDUTA

A desintensificação do tratamento do carcinoma espinocelular HPV+ de cabeça e pescoço, em especial os localizados na orofaringe, é ensejo de alguns estudos na atualidade, explica o oncologista clínico Dr. Fernando Moura, coordenador médico do Centro de Medicina de Precisão do Hospital Israelita Albert Einstein e convidado pelo GBCP para comentar este estudo. Dentre as distintas abordagens estudadas no cenário HPV positivo, elenca Moura, estão a quimioterapia de indução, redução de doses de radioterapia pós-operatória ou de radioterapia definitiva, redução de doses de quimioterapia em concomitância à radioterapia ou, até mesmo, exclusão de quimioterapia em associação à radioterapia.

Em comum, esses estudos de desintensificação têm o objetivo de reduzir os efeitos tóxicos dos tratamentos (preservando a qualidade de vida) ao mesmo tempo que pretendem assegurar os desfechos de interesse, como redução do risco de recorrência e ganhos em sobrevida global para o paciente. “O status de infecção por HPV no câncer de orofaringe poderá, no futuro, contribuir para seleção de pacientes, como forma de personalizar o tratamento, reduzindo suas toxicidades”, vislumbra Dr. Fernando.

Embora enalteça os resultados promissores deste trabalho e de alguns estudos de fase II envolvendo pacientes com câncer de orofaringe HPV+, Dr. Moura ressalta que não há recomendação formal e baseada em evidências científicas sólidas para modificar as recomendações de tratamento já estabelecidas e empregadas atualmente, tanto com relação às doses de radioterapia, quanto de quimioterapia. “Apesar de provocadores, os resultados baseados em dados retrospectivos não nos autorizam a modificar a recomendação padrão. Não há suporte para excluir quimioterapia com cisplatina durante a radioterapia adjuvante”, ressalta o especialista brasileiro.

No entanto, conclui Dr. Moura, este trabalho de Fenlon e colaboradores deixa claro que pode existir oportunidade para abolir o tratamento com cisplatina durante a radioterapia adjuvante de pacientes com câncer de orofaringe p16+ (mesmo em cenários de pior prognóstico como presença de ENE e/ou margens comprometidas) sem prejuízo ao desfecho de sobrevida global e aprimorando a qualidade de vida. Porém, há necessidade de dados prospectivos e confirmatórios para que se altere a prática clínica.

 

Referência do estudo

Fenlon JB, Hutten RJ, Weil CR, Lloyd S, Cannon DM, Kerrigan K, Cannon RB, Hitchcock YJ. Comparing adjuvant radiation to adjuvant chemoradiation in postsurgical p16+ oropharyngeal carcinoma patients with extranodal extension or positive margins. Head Neck. 2022 Mar;44(3):606-614.   

Disponível em  https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26951

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Como se preparar para iniciar a radioterapia de um câncer de cabeça e pescoço?

A radioterapia é um dos tipos de tratamento utilizados para o câncer de cabeça e pescoço. Esse procedimento utiliza a radiação para destruir ou impedir o crescimento das células cancerígenas, controlar sangramentos e dores e reduzir tumores que estejam comprimindo outros órgãos. É um procedimento seguro e totalmente planejado para preservar ao máximo as células saudáveis. Caso essas células normais sejam afetadas pela radioterapia, elas conseguem se reparar.

Caso a radioterapia seja o tratamento indicado para o seu caso, é importante se preparar e conhecer como funciona esse procedimento e estar preparado para essa etapa importante.

Para começar, não fique preocupado porque as sessões do tratamento não causam nenhum tipo de dor, quando são realizadas. A radiação é direcionada para o local onde está o tumor a partir de uma máquina, chamada acelerador linear, localizada longe do corpo. Você não verá essas ondas radioativas.

Antes de iniciar o tratamento será necessária a confecção de uma máscara personalizada feita exclusivamente para você, é um dispositivo de imobilização extremamente importante, pois irá garantir que você esteja exatamente na mesma posição todos os dias e não movimente a cabeça durante a realização do tratamento. Durante o procedimento é importante não se mexer, porque qualquer movimento pode alterar a área que está recebendo a radiação.

No momento do tratamento você irá colocar a máscara e o técnico vai posicioná-lo corretamente no equipamento para receber a radioterapia. O tempo de duração da sessão pode variar dependendo da técnica utilizada no tratamento, mas será aproximadamente de 8 a 12 minutos.

Durante a sessão, você permanecerá sozinho dentro da sala, mas o técnico responsável estará sempre monitorando o procedimento por meio de uma televisão e caso seja necessário se comunicar com ele, haverá um microfone na sala para que possa utilizá-lo. Além disso, se houver necessidade, a máquina poderá ser interrompida a qualquer momento.

Alguns ruídos no equipamento são normais, como clicar, bater ou zumbir, mas não se preocupe, pois o técnico tem total controle da máquina.

Durante toda a duração das sessões você deve passar por consulta com o radio-oncologista uma vez por semana, mesmo que esteja se sentindo bem e sem efeitos colaterais.

Em alguns casos, quando ocorrem efeitos colaterais mais severos, pode ser necessário interromper o tratamento por alguns dias. Geralmente, os tratamentos são programados cinco dias por semana, de segunda a sexta-feira, e continuam por várias semanas. O número de sessões necessárias depende do tamanho, da localização e do tipo de câncer, do objetivo do tratamento, das condições de saúde geral do paciente e de outros tratamentos associados.

 

Conheça os possíveis efeitos colaterais da radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço

Durante todo o curso do tratamento, podem ocorrer algumas complicações. Os principais efeitos colaterais são:

  • Dificuldade na ingestão de alimentos
  • Boca seca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Feridas na boca, mucosite
  • Alteração na pele (descamação, vermelhidão, ressecamento)
  • Queda de cabelos e pelos

Ao surgir qualquer um dos sintomas, o médico deve ser informado. Ele afará o acompanhamento e dará as orientações para minimizar esses sintomas.

É importante que haja também um acompanhamento de uma equipe multiprofissional  antes, durante e depois do tratamento: avaliação odontológica, orientação nutricional e avaliação por fonoaudiólogo e fisioterapeuta

GBCP_boca

Má higiene bucal pode ter relação com o câncer de boca?

No Brasil, segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer) são diagnosticados mais de 15 mil novos casos de câncer de boca anualmente. Também chamado de câncer da cavidade oral, a doença pode acometer as gengivas, língua, lábio, soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), palato duro (céu da boca), e a área atrás dos dentes do siso (retromolar).

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A infecção pelo HPV (Papilomavirus Humano), transmitida pelo contato sexual, é investigada como fator de risco nestes tipos de câncer..

Mas existe relação entre o câncer de boca e a má higiene oral?

Alguns estudos científicos evidenciam que higiene oral inadequada é também um dos fatores que pode predispor ao desenvolvimento da doença, principalmente pessoas com problemas de periodontite. 

A recomendação é que a higiene oral seja realizada de forma adequada com a escovação regular após as três principais refeições do dia, o uso de fio dental e a limpeza da língua. Além disso, é fundamental passar por consulta de avaliação com o dentista semestralmente para verificar a saúde da boca.

O dentista, nessa consulta pode, inclusive, identificar a presença de sinais que podem indicar um câncer da cavidade oral, como, por exemplo, lesões esbranquiçadas ou avermelhadas, feridas (úlceras) que não cicatrizam e que podem até ser indolores, nódulos ou caroços endurecidos.

O diagnóstico precoce do câncer de boca salva vidas.

 

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Imunoterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Além da cirurgia, radioterapia e quimioterapia, uma outra opção de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço é a imunoterapia. Quando há o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço recidivado (o tumor é tratado inicialmente, mas retorna após o tratamento) ou metastático (o tumor já se disseminou para outros órgãos ou linfonodos), a imunoterapia é uma alternativa promissora para a sobrevida do paciente.

 

Mas o que é a imunoterapia e como funciona?

É uma opção de tratamento para o câncer que tem como objetivo fazer com que o sistema imunológico (sistema de defesa) reconheça e destrua a célula cancerígena, eliminado ou reduzindo o tamanho do tumor.

O nosso organismo consegue reconhecer desde o início a célula cancerígena como uma ameaça, algo anormal.  Acontece que com o desenvolvimento da doença, o tumor consegue “despistar” o sistema imunológico para que não mais o perceba.

Os remédios imunoterápicos são administrados por via intravenosa e em vez de atuarem diretamente na célula cancerígena, atuam no sistema imunológico do organismo para que ele detecte e combata a doença. Eles buscam bloquear os fatores que inibem o sistema imunológico de reconhecer o câncer como algo estranho e aumentam a resposta imune.

O tratamento com imunoterapia não é indicado para todos os casos de câncer de cabeça e pescoço. Apenas a equipe médica poderá avaliar qual a melhor alternativa para cada caso.

 

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Cirurgia transoral (TOS) seguida de radioterapia se mostra eficaz em pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo

A cirurgia transoral (TOS) se mostrou a principal estratégia terapêutica para pacientes com câncer de orofaringe HPV positivos em estadios intermediários (fase T1-2, com um ou dois nódulos comprometidos – N1-2 e sem metástase – M0). Convidado pelo GBCP para comentar o estudo Phase II Randomized Trial of Transoral Surgery and Low-Dose Intensity Modulated Radiation Therapy in Resectable p16+ Locally Advanced Oropharynx Cancer: An ECOG-ACRIN Cancer Research Group Trial (E3311), Dr. Fernando Dias, chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional de Câncer (INCA), avalia que esta é a principal contribuição do trabalho multi-institucional publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology (JCO), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Neste trabalho, cirurgiões credenciados realizaram TOS para 495 pacientes. Os pacientes elegíveis e tratados foram designados da seguinte forma: braço A (baixo risco, 38 pacientes), braços de risco intermediário B (radioterapia com 50 Gy, 100 pacientes) ou C (radioterapia com 60 Gy, 108 pacientes) e o braço D (alto risco, 113 pacientes). Com um acompanhamento médio de 35,2 meses (elegíveis e tratados), a estimativa de sobrevida livre de progressão de 2 anos é de 96,9% para o braço A (observação), 94,9 % para o braço B, 96,0% para o braço C e 90,7% para o braço D.

“Os objetivos primários do estudo, que eram demonstrar a viabilidade da construção de um estudo multi-institucional prospectivo para o tratamento do câncer da orofaringe induzido pelo HPV, utilizando a cirurgia transoral (laser ou robótica) seguida de tratamento complementar baseado no estádio pTNM, e com desfecho baseado na sobrevida livre de doença em dois anos, foram plenamente alcançados”, analisa Dr. Fernando Dias, que é também Professor titular do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro.

 

O que levou ao estudo?

Embora a quimioterapia definitiva ou pós-operatória seja curativa para o câncer de orofaringe (OPC) associado ao papilomavírus humano (HPV+), esta é uma terapia que induz uma toxicidade significativa. O percentual de pacientes que necessitam de uma via alternativa de alimentação após tratamento com quimioterapia associada com radioterapia é variável indo de 3% até cerca de 50%. De acordo com Ang et al., a necessidade de uso de gastrostomia é de cerca de 30% em pacientes submetidos a QT+RT para este perfil de doença, com acompanhamento de longo prazo.

Para ser uma opção a este cenário, o estudo agora publicado no JCO foi desenhado com a proposta de buscar uma estratégia de desintensificação por meio de cirurgia transoral primária (TOS) e radioterapia pós-operatória (RT) reduzida em câncer de orofaringe com HPV positivo de risco intermediário e os resultados apontam que a TOS primária e RT pós-operatória reduzida resultam em excelente resultado oncológico e resultados funcionais favoráveis.

Ainda na análise de Dr. Fernando Dias, a cirurgia transoral, em particular a cirurgia transoral robótica (TORS) ofereceu, efetivamente, uma mudança de paradigma no tratamento do câncer da orofaringe (seja ele induzido pelo HPV ou não). “Está provada a utilidade da ferramenta robótica no tratamento do câncer da cabeça e pescoço (orofaringe e laringe supraglótica), justificando plenamente sua utilização”, conclui.

 

Referência do estudo

Ferris RL, Flamand Y, Weinstein GS, Li S, Quon H, Mehra R, Garcia JJ, Chung CH, Gillison ML, Duvvuri U, O’Malley BW Jr, Ozer E, Thomas GR, Koch WM, Gross ND, Bell RB, Saba NF, Lango M, Méndez E, Burtness B. Phase II Randomized Trial of Transoral Surgery and Low-Dose Intensity Modulated Radiation Therapy in Resectable p16+ Locally Advanced Oropharynx Cancer: An ECOG-ACRIN Cancer Research Group Trial (E3311). J Clin Oncol. 2022 Jan 10;40(2):138-149.

Disponível em https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.21.01752

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