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Vacinação contra HPV fará com que menos jovens tenham câncer de orofaringe nas próximas duas décadas

Levando em conta as taxas atuais de vacinação contra HPV, entre 2018 e 2045 a incidência de câncer de orofaringe deverá diminuir entre os mais jovens. A estimativa é que a população na faixa de 36 a 45 anos tenha sua prevalência reduzida de 1,4 para 0,8 casos para cada 1000 mil habitantes. Entre os indivíduos de 46 a 55 anos a redução será de 8,7 para 7,2 casos. Por sua vez, a doença continuará com prevalência crescente entre os mais velhos – de 73 a 83 anos – saltando de 16,8 para 29 casos a cada 100 mil pessoas. Considerando todas as faixas etárias, a associação da vacina contra HPV com a incidência geral de orofaringe até 2045 permanecerá modesta, caindo de 14,3 casos sem vacinação para 13,8 casos por 100 mil habitantes entre os vacinados. Estes são os principais dados do estudo Projected Association of Human Papillomavirus Vaccination With Oropharynx Cancer Incidence in the US, 2020-2045, publicado na revista JAMA Oncology, da Associação Médica Americana, por pesquisadores dos departamentos de Epidemiologia e de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia da John Hopkins University, dos Estados Unidos.

Estas prevalências representam que, até 2045, a vacinação contra o HPV está projetada para reduzir a incidência de câncer de orofaringe entre indivíduos de 36 a 45 anos de idade (homens em 48,1% e mulheres em 42,5%) e de 46 a 55 anos de idade (homens em 9,0% e mulheres em 22,6%), mas entre aqueles com 56 anos ou mais, as taxas não são significativamente reduzidas. Entre 2018 e 2045, um total de 6.334 casos de câncer de orofaringe serão prevenidos pela vacinação contra o HPV, dos quais 88,8% desses casos ocorrem em faixas etárias mais jovens (até 55 anos).

 

Efeito a longo prazo do impacto positivo da vacina

No cenário ideal, a vacina contra o HPV deve ser aplicada antes do início da vida sexual. O câncer de cabeça e pescoço mais associado com o HPV é o de orofaringe, doença que ocorre preferencialmente acima dos 45 anos de idade. Por conta disso, para quem se vacina hoje, o efeito protetivo desta imunização será observado 30 a 40 anos mais tarde. “Isto significa que a partir de 2060, desde que consigamos vacinar os jovens adequadamente hoje, observaremos uma redução substancial da incidência do câncer de orofaringe associado ao HPV”, vislumbra o cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Antônio Bertelli, convidado pelo GBCP a comentar o estudo.

O especialista acrescenta que estruturar medidas de prevenção secundária, com campanhas de rastreamento da doença em fase inicial, que possibilite a identificação de lesões pré-malignas, seria fundamental para esta redução. Ainda segundo Dr. Bertelli, a principal contribuição deste estudo é demonstrar que a faixa etária dos pacientes com cancer de orofaringe relacionado ao HPV será mais elevada nos próximos anos.

Hoje, explica ele, a doença acomete indivíduos mais jovens e o efeito protetivo da vacina ocorrerá primeiro nestes mesmos indivíduos, nos próximos anos, uma vez que a vacinação se iniciou a partir da segunda década do novo milênio. “Portanto, a ocorrência da doença aumentará entre os indivíduos com mais idade, que não foram vacinados, e precisaremos nos preparar para tratar os pacientes com mais comorbidades e muitas vezes com limitações para certos tratamentos, e continuar estimulando as campanhas de prevenção especialmente entre estes indivíduos não vacinados”, afirma Dr. Bertelli, que é médico assistente da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Professor de Ensino Superior da Universidade Nove de Julho e chefe de equipe do Hospital Samaritano.

 

HPV e câncer de orofaringe no Brasil

No Brasil, diferente do que ocorre nos Estados Unidos, o câncer de orofaringe ainda está muito relacionado com o hábito de fumar e de consumir álcool. Enquanto nos Estados Unidos o cancer de orofaringe se tornou o mais comumente causado pelo vírus HPV, aqui no Brasil, explica Dr. Antônio Bertelli, ainda se observa que a maioria dos pacientes com a doença fuma e bebe demasiadamente.

Portanto, as campanhas de prevenção e conscientização tanto relacionadas ao tabagismo como àquelas relacionadas ao câncer de cabeça e pescoço, são fundamentais para a redução da incidência do cancer de orofaringe no país. Políticas públicas antitabagismo e etilismo, bem como aquelas que auxiliam a cessação destes hábitos são primordiais, assim como o estímulo às campanhas de rastreamento da doença em população de risco.

 

Referência do estudo

Zhang Y, Fakhry C, D’Souza G. Projected Association of Human Papillomavirus Vaccination With Oropharynx Cancer Incidence in the US, 2020-2045. JAMA Oncol. 2021 Oct 1;7(10):e212907.

Disponível em:  https://jamanetwork.com/journals/jamaoncology/article-abstract/2783491

 

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Como minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço?

A quimioterapia é uma das opções de tratamento para o câncer de cabeça e pescoço, podendo ser indicada de forma isolada ou combinada com a cirurgia ou à radioterapia. O procedimento consiste na administração de medicamentos que tem como objetivo eliminar as células cancerígenas, controlar o crescimento dessas células ou reduzir os sintomas relacionados à doença. 

Esses medicamentos podem ser administrados de diversas formas: por via oral, via intravenosa, por injeções. O tipo de medicamento administrado, assim como a quantidade de sessões necessárias dependem do tipo e das características do câncer e da condição clínica do paciente.

 

Efeitos colaterais da quimioterapia – o que fazer?

Os medicamentos utilizados no tratamento quimioterápico são diversos e indicados de acordo com o tipo de câncer. Dependendo do tipo e da dosagem do medicamento, pode acarretar efeitos colaterais que variam de paciente a paciente. A maioria deles é temporário e vai acabar assim que o tratamento for finalizado.

Dentre os efeitos mais comuns estão:

1 – Queda de pelos e cabelo: A perda de pelos e cabelos geralmente tem início de sete a 21 dias após o início do tratamento. Alguns pacientes começam a recuperar o cabelo já durante o tratamento.

  • Procure cortar ou raspar o cabelo assim que notar o início da queda
  • Procure lavar regularmente o cabelo e coura cabeludo e use xampus suaves e escovas de cabelo macias
  • Evite equipamentos para secar ou modelar os cabelos (secadores de cabelo, chapinha, modeladores)
  • Proteja o couro cabeludo do sol com chapéus, perucas ou protetor solar
  • Abuse de lenços, turbantes ou chapéus coloridos. E se preferir utilize as perucas em diversos modelos.

2 – Fraqueza:  um dos sintomas mais comuns.

  • Evite esforço excessivo e aumente as horas de descanso.
  • Procure fazer exercícios físicos regulares, durante o dia ou a tarde, com a liberação do seu médico
  • Procure relaxar uma hora antes de dormir, ouvindo uma música calma ou com um banho quente
  • Mantenha horário regular de sono
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas, cafeína e chocolate à noite.
  • Procure adotar uma alimentação mais leve no jantar

3 – Náuseas e vômito: grande parte dos medicamentos quimioterápicos podem causar esse efeito.

  • Procure orientação de seu médico sobre medicamentos que possam aliviar a náusea.
  • Faça refeições com porções pequenas e mais vezes ao dia
  • Beba água em quantidade adequada
  • O consumo de bebidas e alimentos gelados, azedos, gaseificados podem ajudar a aliviar o sintoma: bala de hortelã, gelo, água gelada com limão, bebidas com gás, sorvetes
  • Evite alimentos fritos, gordurosos ou apimentados

4 – Diarreia ou constipação: alguns medicamentos podem aliviar esse sintoma. Procure conversar com seu médico

  • Beba água em quantidade suficiente.
  • Procure incluir em sua dieta alimentos que ajudam na evacuação: ameixas, cereais e frutas ricos em fibras
  • Faça atividade física diária, após liberação de seu médico
  • Vá ao banheiro imediatamente ao sentir vontade de evacuar.

5 – Feridas na boca:  os medicamentos podem causar feridas na boca e na garganta, secura, irritação ou sangramento.

  • Fazer a higiene da boca pelo menos 3 vezes ao dia, principalmente após as refeições, com escovação de dentes, gengiva e língua. Usar uma escova macia.
  • Buscar orientação médica se é permitida a utilização de fio dental e de enxaguantes bucais durante o tratamento.
  • Se utilizar dentadura, escovar diariamente. Manter a dentadura ajustada a boca, sem folga e sem estar apertada. Se possível, diminuir o tempo de uso e quando não estiver usando, colocar em água misturada a uma colher de café de água sanitária.
  • Consumir água regularmente e manter a boca e lábios hidratados e úmidos. Ás vezes, é necessária a utilização de saliva artificial. Consulte o médico para ver se é indicado.
  • Mascar chicletes sem açúcar;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Não fumar (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha);
  • Comer alimentos gelados, líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • Evitar o consumo de alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.

6 – Perda ou aumento de peso: nesse caso, é importante passar por consulta com uma nutricionista para que seja elaborado um plano alimentar personalizado para alcançar o objetivo

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Tipo de tumor e agressividade são determinantes para o cirurgião definir o quanto retira de tecido para reduzir risco de recidiva

Um estudo brasileiro realizado por pesquisadores do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia e do Departamento de Patologia do A.C.Camargo Cancer Center avaliou qual é a margem ideal de retirada de tecido ao redor do tumor para se diminuir o risco de recidiva (volta da doença) em casos de carcinoma espinocelular oral, o tipo mais comum de câncer de boca. O trabalho The impact of worst pattern of invasion on the extension of surgical margins in oral squamous cell carcinoma foi publicado na Head & Neck – Journal for the Sciences & Specialties of the Head and Neck.

O objetivo dos autores foi avaliar o impacto do pior padrão de invasão (WPOI) na extensão das margens cirúrgicas no carcinoma espinocelular. Reuniram uma coorte retrospectiva de 772 pacientes com pior padrão de invasão (WPOI) graduado de 1 a 5, sendo que a recorrência local foi o desfecho de interesse.

Os resultados apontam que a recidiva local ocorreu em 164 pacientes (21,2%). “Esta incidência é comparável a outras séries da literatura. Porém, temos de lembrar que a recidiva local é um fator de risco para morte por câncer e, portanto, devemos tentar diminuí-la”, ressalta o cirurgião oncológico de Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Hugo Fontan Kohler, coautor do estudo.

Os piores padrão de invasão (WPOI) são dos tipos 4 e 5, nos quais se demonstra que o tumor consegue penetrar no tecido do paciente de forma mais dispersa e profunda, o que dificulta a remoção cirúrgica. Comparativamente, os autores mostram que em pacientes com WPOI tipos 1/2/3, um ponto de corte de 1,7 mm foi considerado a extensão de margem ideal. Por sua vez em pacientes com WPOI tipos 4/5, o ponto de corte foi de 7,8 mm. De acordo com Dr. Hugo, pacientes abaixo desses limiares, ou seja, que não tiveram essa margem retirada, tiveram uma incidência significativamente maior de recorrência local.

 

O que pode mudar na avaliação de margem segura?

Antes deste estudo, a literatura não diferenciava a margem pelo padrão de invasão. Na verdade, considerava vários valores como margem adequada vários valores. O que o estudo mostra agora é que a margem cirúrgica depende do tipo de tumor e de sua agressividade. “Isto não havia sido demonstrado antes. Permite que sejamos capazes de individualizar o quanto de tecido em torno do tumor é removido para cada situação. Podendo ser mais, em tumores mais agressivos, ou menos, em tumores menos agressivos. No primeiro caso, diminuindo a chance de recidiva. No segundo, diminuindo a morbidade do procedimento”, explica o cirurgião.

O próximo passo é avaliar, neste perfil de pacientes, os motivos pelos quais tanto a cirurgia quanto a radioterapia adjuvante (feita após a cirurgia) não melhoraram a taxa de sobrevida global.

 

Referência do estudo

Köhler HF, Vartanian JG, Pinto CAL, da Silva Rodrigues IFP, Kowalski LP. The impact of worst pattern of invasion on the extension of surgical margins in oral squamous cell carcinoma. Head Neck. 2021 Dec 14.

Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26956

 

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O câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido

Esse ano, no mundo, mais de 1,5 milhão de pessoas vão receber o diagnóstico de um câncer de cabeça e pescoço. Esses dados são uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS-Globocan 2020).  O câncer de cabeça e pescoço agrupa os tumores que se desenvolvem na face, fossas nasais, seios paranasais, boca, lábio, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, tecidos moles do pescoço e paratireoide.

Boa parte desses diagnósticos ocorrem em razão de alguns hábitos de vida que são prejudiciais à saúde e, para se ter uma ideia, cerca de 40% dos casos de câncer de cabeça e pescoço poderiam ser evitados com a mudança desses hábitos, já que os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV – Papilomavirus Humano.

De acordo com dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, 80% dos diagnósticos da doença acontecem em fumantes ou ex-fumantes e o consumo de bebida alcoólicas está presente em 50% dos casos.

 

Quais atitudes devo tomar para prevenir o câncer de cabeça e pescoço?

1 – Não consumir nenhum produto derivado do tabaco (cigarro, narguilé, cachimbo, charuto, cigarro de palha entre outros)

2 – Não consumir bebida alcoólica em excesso

3 – Vacinar contra o Papilomavírus Humano – HPV, infecção transmitida durante a relação sexual, inclusive oral. O HPV é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço, principalmente de orofaringe.  A prevenção começa na infância com a vacina tetravalente contra o HPV que previne alguns tipos de vírus que causam a infecção. A vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos; e homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos e mulheres de 9 a 45 anos.

4 – Adotar uma dieta equilibrada rica em frutas, verduras, legumes, fibras e cereais.

5 – Manter o peso adequado e praticar atividade física regularmente

6 – Usar preservativo durante a relação sexual

7 – Não se expor ao sol sem protetor solar, inclusive nos lábios

8 – Conhecer e estar atento aos possíveis sintomas e procurar avaliação médica em caso de suspeita, pois o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso no tratamento.

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Conheça as causas e sinais do câncer de faringe

O câncer de faringe é um dos tipos de câncer de cabeça e pescoço. Ele se desenvolve na região da garganta, podendo acometer três áreas: a nasofaringe, a orofaringe e a hipofaringe. A maioria dos casos de câncer da faringe tem desenvolvimento silencioso, raramente apresenta sintomas em fases iniciais e por isso o diagnostico ocorre em fases mais avançadas da doença.
Aqui vamos explicar cada um dos tipos de câncer que se desenvolvem na faringe, suas causas e principais sintomas.

Esteja atento e ao perceber qualquer alteração suspeita, procure uma avaliação com médico especialista

Câncer de Orofaringe: se desenvolve na parte da garganta localizada atrás da boca, a orofaringe, que é por onde passa o ar e os alimentos, inclui a base da língua, palato mole, amígdalas e/ou na parte lateral e parede posterior da garganta. A maioria dos casos de câncer de faringe são encontrados nessa região. As principais causas desse tipo de câncer estão relacionadas ao tabagismo, ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, hábitos alimentares irregulares e a infecção pelo Papilomavírus Humano – HPV, que é transmitida principalmente pelo contato sexual, nesse caso, oral. É importante estar atento alguns sintomas que podem indicar a doença: lesão que não cicatriza, incômodo na garganta (sensação de “espinho”), dificuldade para mastigar, engolir, mobilidade da língua e mandíbula prejudicadas, rouquidão, mal hálito constante e aparecimento de nódulo no pescoço.

Câncer de Nasofaringe: se desenvolve na cavidade que possui forma de cubo, localizada atrás da cavidade nasal. Os fatores de risco, além do tabaco e do consumo de bebidas alcoólicas, estão relacionados a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV),  a fatores genéticos e exposição a fumaça de madeira queimada. Os principais sintomas são aparecimento de massa na região do pescoço, obstrução nasal, dor de cabeça constante, infecção de ouvido recorrente e zumbido no ouvido.

Câncer de Hipofaringe: se desenvolve na parte profunda da garganta, frequentemente invadem os linfonodos do pescoço. As causas estão relacionadas também ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas, além da doença do refluxo gastroesofágico. Dentre os principais sintomas: dificuldade para engolir, dor de ouvido recorrente, perda de peso, aparecimento de nódulo ou massa no pescoço.

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Tratamento se mostra protetor contra mucosite oral em pacientes submetidos a quimiorradioterapia

Evidências sugerem que, quando submetidos aos atuais protocolos de quimiorradioterapia (QRT) todos os pacientes (100%) com carcinoma espinocelular (CEC) avançado de cavidade oral e orofaringe desenvolverão mucosite oral (MO) quando não tratados por meio de protocolos multiprofissionais preventivos. Paralelamente, três entre dez pacientes desenvolverão MO grave na última semana da QRT, gerando quadros clínicos com dor intensa, que, na maioria dos casos, demanda uso de dieta via enteral, assim como uso de opioides para controle da dor, podendo levar, inclusive, a interrupção do tratamento. Como consequência, forte impacto negativo em termos de qualidade de vida e prognóstico oncológico.
Uma boa notícia é trazida no estudo Extraoral photobiomodulation for prevention of oral and oropharyngeal mucositis in head and neck cancer patients: interim analysis of a randomized, double-blind, clinical trial, publicado na revista Supportive Care in Cancer por um grupo multicêntrico e internacional, com liderança de pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, vinculada à Universidade de Campinas (UNICAMP) e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP-FMUSP).

O trabalho mostra que a técnica extraoral de fotobiomodulação como estratégia de prevenção de mucosite oral (MO) é bem tolerada pelos pacientes e não causou nenhum efeito adverso significativo, resultando na manutenção da capacidade de prevenir o início precoce da MO, além de reduzir os níveis de dor e a necessidade de analgésicos e medicamentos anti-inflamatórios. “Adicionalmente, não houve impacto no comportamento ou controle do tumor e nos resultados de sobrevida”, ressalta o cirurgião-dentista Dr. Alan Roger dos Santos-Silva, professor do Departamento de Diagnóstico Oral da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (UNICAMP). Convidado pelo GBCP a comentar o estudo, Santos-Silva, um dos autores do estudo e orientador da mestranda Elisa Kauark Fontes, corresponsável pela pesquisa.

Por este trabalho, Elisa recebeu o prêmio “Young Investigator Award 2021” da Multinational Association of Supportive Care in Cancer/International Society of Oral Oncology (MASCC/ISOO). Essa premiação, que ocorre anualmente, elege os trabalhos de pesquisa com melhor potencial translacional e de inovação na área do suporte ao tratamento de pacientes com câncer que são submetidos ao comitê científico do grupo por pesquisadores jovens (menos de 7 anos de carreira).
Resultado reflete na pandemia

Ao demonstrar eficácia para uma série de desfechos primários de controle de dor e de gravidade da mucosite oral com manutenção da segurança oncológica, a técnica extraoral de fotobiomodulação trouxe novas perspectivas para o suporte oncológico durante o desafiador cenário da pandemia Covid-19, tendo em vista o menor risco de transmissão do SARS-CoV-2 da modalidade extraoral quando comparada à técnica convencional intraoral que demanda manipulação dos tecidos bucais e saliva. “A fotobiomodulação (FBM) utiliza luz vermelha de baixa energia e luz “quase infravermelha” para controlar a produção e a liberação de mediadores inflamatórios, assim como para modular espécies reativas de oxigênio que resultam clinicamente no alívio da dor. Por fim, promove regeneração dos tecidos, sendo recomendada como estratégia não-farmacológica de prevenção e redução da gravidade da MO induzida pela QRT”, detalha Dr. Santos-Silva.

A conclusão é que este ensaio clínico prospectivo, duplo-cego – pioneiro ao avaliar a performance e a segurança oncológica da FBM aplicada por via extraoral (transdérmica) em protocolo profilático para a MO induzida pela QRT em pacientes com CEC avançado em cavidade oral e orofaringe – representa um avanço em termos clínicos, tendo em vista seu potencial para minimizar o tempo de aplicação por paciente, a ausência do contato direto com a mucosa oral e a saliva, bem como a aplicação da luz em pacientes com trismo e limitação de abertura bucal por via transdérmica (com a boca dos pacientes fechada). Dentre os autores, destaca-se também a participação da dentista e doutora em Estomatologia, Dra. Thaís Bianca Brandão, coordenadora do serviço de Odontologia Oncológica do ICESP e corresponsável pelo estudo clínico ao lado de Dr. Santos-Silva.

 

Referência do estudo

Kauark-Fontes E, Migliorati CA, Epstein JB, Treister NS, Alves CGB, Faria KM, Palmier NR, Rodrigues-Oliveira L, de Pauli Paglioni M, Gueiros LAM, da Conceição Vasconcelos KGM, de Castro G Jr, Leme AFP, Lopes MA, Prado-Ribeiro AC, Brandão TB, Santos-Silva AR. Extraoral photobiomodulation for prevention of oral and oropharyngeal mucositis in head and neck cancer patients: interim analysis of a randomized, double-blind, clinical trial. Support Care Cancer. 2021 Oct 28:1–12.

Disponível em: https://europepmc.org/article/med/34708311

 

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Tenho um nódulo no pescoço, o que devo fazer?

Muitas pessoas acabam descobrindo um nódulo no pescoço ao olhar no espelho ou durante um autoexame, quando se faz a palpação do pescoço. Mas o que é esse nódulo? É necessário se preocupar?

Geralmente um nódulo no pescoço que dói quando é apertado não é sinal de gravidade. Pode ser uma íngua, um gânglio linfático que está aumentado por alguma razão, e esse é um fator bastante comum.

Os gânglios desempenham uma função importante que é a defesa do organismo. Quando ocorre o aumento de um gânglio significa que pode haver alguma inflamação ou infecção que está se manifestando, ou uma obstrução do ducto salivar ou até mesmo um lipoma, uma bolinha de gordura localizada entre a pele e a camada do músculo.  Na maioria das vezes, esses gânglios costumam desaparecer espontaneamente da mesma forma que apareceram.

Porém, se você apresenta um nódulo no pescoço e tem o hábito de fumar e/ou consumir bebidas alcoólicas, principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço, é importante estar atento a alguns aspectos que vão requerer uma investigação e avaliação médica: nódulos maiores que 2 cm de diâmetro, que persistem há mais de 30 dias, que começam a aumentar de tamanho, que não são maleáveis e não se movem ao toque, nos dando a impressão de que são profundos.

Nesses casos, a consulta com um médico especialista em cabeça e pescoço é fundamental. Após fazer a avaliação clínica, se necessário, ele vai solicitar alguns exames para descartar qualquer suspeita de um câncer de tireoide, laringe, faringe, um linfoma por exemplo.

O diagnóstico precoce aumentar consideravelmente as chances de sucesso no tratamento. Esteja atento aos sinais e não deixe de procurar avaliação médica.

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A cirurgia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Os tumores que se desenvolvem na região da cabeça e pescoço (face, fossas nasais, seios paranasais, boca, lábio, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, tecidos moles do pescoço, paratireoide) tem, na maioria dos casos, como tratamento principal a cirurgia.

Para a definição da melhor opção de tratamento é preciso levar em conta alguns fatores:

  • Local que a doença teve início
  • O estadiamento, ou seja, a extensão do câncer, se está restrita apenas ao local primário, se afetou gânglio ou se afetou outros órgãos
  • As características do câncer, o tipo histológico
  • As condições físicas e clínicas do paciente

A cirurgia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço consiste na retirada do tumor incluindo a margem de segurança que são tecidos sadios ao redor da lesão. Durante o procedimento, geralmente é necessário realizar também a retirada de gânglios linfáticos do pescoço para evitar a recidiva ou disseminação da doença para outros órgãos.

É o médico cirurgião oncológico de cabeça e pescoço o profissional indicado para realizar esse tipo de procedimento por ser especialista e conhecer amplamente as características dos tipos de câncer e as técnicas cirúrgicas para o tratamento da doença. Esse especialista tem também como diferencial a visão multidisciplinar que consiste em conduzir de forma personalizada e completa o planejamento terapêutico em conjunto com as demais especialidades envolvidas. Esse aspecto é fundamental para aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Algumas técnicas cirúrgicas são utilizadas no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Entre elas:

  • Excisão: é a “retirada do tumor”. Nesse caso, o tumor é removido com tecidos vizinhos, isto é, margens de segurança;
  • Dissecção ou esvaziamento linfonodal: caso o câncer tenha se espalhado para outros órgãos, os gânglios linfáticos na região do pescoço poderão ser removidos também.
  • Endoscópica com ou sem laser: utilizada quando os tumores estão em estágios iniciais, principalmente usada para o câncer de laringe;
  • Robótica: técnica minimamente invasiva em que o cirurgião usa um equipamento robótico para realizar a cirurgia. Essa técnica não é indicada para todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço, precisa ser avaliado caso a caso. Geralmente traz uma recuperação mais rápida, com menor tempo de internação e redução de riscos pós cirúrgicos.
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Estudo sugere potencial novo tratamento para pacientes com subtipo de câncer de ducto salivar associado com hormônios

O Abiraterona, medicamento que tem a ação de inibir a produção de androgênios (hormônios sexuais), quando associado a um agonista do hormônio liberador de hormônio luteinizante se mostrou ativo e seguro como uma opção de segunda linha em carcinomas de glândula salivar que expressam receptores de androgênio e são resistentes à castração. Em resumo, pacientes com este tipo de câncer que, na primeira linha, não respondem à castração hormonal, podem se beneficiar deste protocolo de segunda linha. A conclusão é do estudo Abiraterone Acetate in Patients With Castration-Resistant, Androgen Receptor–Expressing Salivary Gland Cancer: A Phase II Trial, publicado na revista científica Journal of Clinical Oncology, da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Neste ensaio clínico de fase II foram avaliados 24 pacientes com carcinoma de ducto salivar e positivo para receptor de androgênio, tratados na Fondazione IRCCS Istituto Nazionale dei Tumori, na Itália. O trabalho, realizado por pesquisadores de uma equipe multidisciplinar que engloba a Oncologia de Cabeça e Pescoço, Epidemiologia, Pesquisa Clínica, Patologia e Onco-Hematologia, mostra que o tratamento avaliado confirmou apresentar resposta positiva (desfecho primário) assim como taxa de controle da doença, segurança, sobrevida livre de progressão e sobrevida geral (desfechos secundários).
A taxa de resposta geral foi de 21%, com uma taxa de controle da doença de 62,5%. A duração mediana da resposta foi de 5,82 meses. A sobrevida livre de progressão mediana foi de 3,65 meses e a sobrevida global mediana foi de 22,47 meses. A resposta objetiva à castração hormonal anterior não se correlacionou com a atividade da abiraterona. Os eventos adversos (AEs) foram registrados em 22 casos (92% da amostra). Os eventos adversos associados ao tratamento foram a fadiga (dois casos), rubor (um) e taquicardia supraventricular (um). Nenhum evento adverso de grau 4 ou 5 relacionado ao medicamento foi registrado.

Câncer de ducto salivar a e produção hormonal

O carcinoma de ducto salivar (CDS) é uma neoplasia rara, agressiva e que em muito se assemelha – por sua característica histopatológica e perfil molecular – com o carcinoma ductal da mama de alto grau. Convidado pelo GBCP para analisar o estudo, o oncologista clínico Dr. Eduardo Dias de Moraes, do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB) do Grupo Oncoclínicas, explica que dentre estas similaridades destaca-se a alta expressão de receptor de androgênio (RA), em 90% dos CDS, e do fator de crescimento epitelial 2 (HER-2), co-expresso em 35-58% dos casos de CDS. “Por conta disso é que se indica a pesquisa da expressão de RA e HER-2 em todos os casos de CDS e adenocarcinoma de glândulas salivares”, ressalta Dr. Eduardo Moraes.

O especialista contextualiza que, nos últimos anos, o tratamento com terapia de privação de andrógenos (TPA) se tornou recomendada na primeira linha de tratamento de carcinoma de glândula salivar com RA positivo, mesmo sem haver os resultados do estudo randomizado de Fase III (NCT01969578). Isso, comenta Dr. Moraes, deve-se ao fato de quimioterapia ter pouca atividade nesse tipo de tumores, 20-30% de taxa de resposta, a estudos de Fase II e série de casos que demostraram eficácia e baixa toxicidade de TPA, nesse cenário clínico.

O oncologista clínico observa que, embora o estudo de Fase II, da Dra. Locati e al, tenha uma amostra pequena, foi bem desenhado e conduzido e acrescenta mais uma opção terapêutica e luz ao entendimento do manejo dessa neoplasia. Entretanto, faz a ressalva de que muitas dúvidas ainda pairam sobre a atividade de outros antiandrogênicos na primeira e segunda linha, assim como do manejo dos tumores que coexpressam AR e HER-2. O ideal, ressalta Eduardo de Moraes, é que essas neoplasias raras sejam encaminhadas para centros de referência para participarem de estudos clínicos e/ou discutidas em reuniões multidisciplinares, pois só assim, conclui, haverá número suficiente de pacientes para responder às perguntas que seguem em aberto.

Referência do estudo

Locati LD, Cavalieri S, Bergamini C, Resteghini C, Colombo E, Calareso G, Mariani L, Quattrone P, Alfieri S, Bossi P, Platini F, Capone I, Licitra L. Abiraterone Acetate in Patients With Castration-Resistant, Androgen Receptor-Expressing Salivary Gland Cancer: A Phase II Trial. J Clin Oncol. 2021 Oct 1:JCO2100468.

 

Disponível em:

https://ascopubs.org/doi/10.1200/JCO.21.00468

 

 

 

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A radioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Além da cirurgia e da quimioterapia, uma das modalidades mais indicadas para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço é a radioterapia, um procedimento que utiliza radiações ionizantes para destruir ou diminuir o tumor ou impedir a sua progressão.

A radioterapia é fundamental no tratamento do câncer de cabeça e pescoço e muito utilizada, tanto de forma isolada ou combinada com a cirurgia ou com a quimioterapia. A indicação vai depender das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

 Como acontece o procedimento

O equipamento utilizado para a realização da radioterapia é o Acelerador Linear, ele produz as radiações que são direcionadas ao local do tumor.

É o médico radio-oncologista quem vai fazer a avaliação do paciente para indicar a radioterapia. Por meio do resultado de um exame de tomografia computadorizada, ressonância magnética e o PET-CT, o radio-oncologista juntamente com físico médico definem o planejamento radioterápico, que consiste na delimitação do local exato que será irradiado, a proteção dos locais,a serem preservados, a quantidade de radiação e sessões necessárias, que variam entre seis e sete semanas.  Geralmente, as sessões acontecem diariamente e têm a duração de cerca de 20 minutos.

Para que a irradiação seja precisa no local do tumor, são utilizadas máscaras termomoldáveis individuais e descartáveis, que são produzidas nas medidas exatas do roto do paciente. O objetivo é isolar as demais regiões, deixando exposta apenas a região a ser irradiada.

O médico radio-oncologista fará o acompanhamento do paciente durante todo o processo para avaliar possíveis intercorrências e orientar sobre as condutas necessárias para minimizar efeitos colaterais do tratamento, caso ocorram.

Após o término de todas as sessões indicadas, são realizados novos exames para avaliar o resultado do tratamento.

Efeitos colaterais do tratamento com radioterapia

Alguns efeitos colaterais podem surgir durante o tratamento radioterápico.  Esses efeitos podem ser variados a depender do local e da extensão do tumor e do tipo e quantidade de radiação que será administrada.  Os principais efeitos colaterais são:

  • Dificuldade na ingestão de alimentos
  • Boca seca
  • Perda de apetite
  • Náuseas
  • Feridas na boca, mucosite
  • Alteração na pele (descamação, vermelhidão, ressecamento)
  • Queda de cabelos e pelos

Ao surgir qualquer um dos sintomas, o médico deve ser informado. Ele afará o acompanhamento e dará as orientações para minimizar esses sintomas

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