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Podcast Conexão Cabeça e Pescoço – Evolução no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Em nosso Podcast Conexão Cabeça e Pescoço, em alusão ao Julho Verde, mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, Dra. Aline Lauda, oncologista clínica e presidente do GBCP, e o jornalista Moura Leite Netto, recebem para um bate-papo sobre a evolução do tratamento do câncer de cabeça e pescoço os especialistas: Dr. Gustavo Meyer, cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Pedro De Marchi, oncologista clínico e Dr. Diego Resende, radio-onocologista.

 

Clique para ouvir:

 

https://soundcloud.com/user-694999191/conexao-cabeca-pescoco-episodio-1-novidades-no-tratamento-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco

 

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Equipe multidisciplinar é essencial no tratamento do câncer de cabeça e pescoço

No tratamento do câncer de cabeça e pescoço é fundamental a abordagem de uma equipe multidisciplinar. Isso, principalmente, em casos diagnosticados em fase avançada da doença, situação, infelizmente, muito comum. São pacientes que necessitam de procedimento cirúrgico complexo e de grande porte, além de radioterapia e quimioterapia. Um caso como esse vai envolver, no mínimo, os médicos especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, oncologista clínico e radio-oncologista.

Apesar dos avanços na área, como a incorporação de técnicas de reconstrução cirúrgica (estudos mostram que, em alguns casos, a extensão do procedimento cirúrgico pode ser menor que o padrão, sem prejuízo do resultado oncológico); e da introdução da cirurgia robótica, quando possível, que resulta em menor morbidade, trata-se de uma região do corpo que, além do aspecto estético, inclui funções importantes, como a fala, audição, respiração, deglutição etc.

Dependendo da localização do tumor e da extensão da cirurgia para ressecá-lo, o paciente pode ter algumas de suas funções prejudicadas. Assim, a reabilitação é fundamental para que ele tenha a melhor qualidade de vida possível. Nesse aspecto, entram em cena os profissionais de saúde das áreas de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, odontologia e psicologia. O envolvimento desses profissionais com foco na reabilitação física e emocional do paciente pode, inclusive, começar antes da cirurgia. Entenda um pouco mais sobre a importância de cada um deles:

  • Enfermagem: profissional muito importante para o manejo clínico desses pacientes – muitos deles com dificuldade de comunicação, alimentação e respiração, além do aspecto emocional. Portanto, a atuação da enfermagem contribui para obtenção da melhor condição de saúde.
  • Dentista: especialidade da odontologia que previne, diagnostica e trata as doenças que se manifestam na boca. Pacientes tratados com quimioterapia e/ou radioterapia nessa região podem ser acometidos por mucosite (feridas e lesões na boca e garganta). O tratamento odontologico ameniza esse efeito colateral.
  • Fisioterapia: o tratamento de um câncer da laringe (cordas vocais) pode trazer alterações importantes na forma de respirar e de engolir. Por essa razão, são comuns doenças respiratórias associadas. A fisioterapia pode amenizar muito esses efeitos. A retirada dos linfonodos (ínguas do pescoço) pode causar dificuldade de movimentar o pescoço, ombros e braços – a fisioterapia ajuda na reabilitação destas sequelas.
  • Fonoaudiologia: o tratamento oncológico pode trazer comprometimento na voz, fala e alimentação. Com a reabilitação fonoaudiológica, os pacientes podem recuperar a sua comunicação e a segurança ao se alimentar.
  • Nutrição: a avaliação de um nutricionista é muito importante durante a doença. O suporte nutricional precoce pode reduzir a perda de peso antes, durante e após a conclusão do tratamento, resultando melhores resultados e qualidade de vida.
  • Psicólogia: importante para avaliar o impacto emocional da doença no paciente e na família e fazer o acompanhamento necessário para que eles possam lidar da melhor forma possível com o impacto de uma nova realidade.
  • Serviço social: pode ajudar no apoio aos cuidadores e acesso ao paciente aos tratamentos e medidas de suporte e reintegração na sociedade após o tratamento, além de orientar os direitos do paciente.
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Julho Verde e a missão de falar sobre como o câncer de cabeça e pescoço pode ser evitado, diagnosticado precocemente e curado

Os números oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS-Globocan 2020) mostram que são esperados mais de 1,5 milhão de novos casos de câncer de cabeça e pescoço no mundo. Além disso, mais de 460 mil pessoas morrem anualmente vítimas da doença.  Esses dados vêm acompanhados – e são consequência – de outros fatores  alarmantes, como 70% a 80% dos casos de câncer na região de cabeça e pescoço serem diagnosticados quando a doença está em fase avançada, resultando em menor chance de controle da doença, pior qualidade de vida, maiores taxas de morbidade e mortalidade, maior risco de mutilação em razão da necessidade de cirurgias mais extensas, maior complexidade de outras modalidades de tratamento e maior demanda por reconstrução facial, assim como mais desafios na reabilitação do paciente.

Um cenário complexo e atualmente negativo que pode ser revertido com informação, políticas de saúde e acesso. Essa é a missão do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) ao se engajar no movimento Julho Verde, mês de conscientização sobre a doença, criando para o Brasil o movimento inédito “O silêncio não pode ser a última resposta” / #devozavida.  

No contexto do Julho Verde, a data de 27 de julho foi escolhida como Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço pela IFHNOS – International Federation of Head and Neck Oncologic Societies No Brasil, por meio da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a campanha foi adaptada e ganhou o nome de Julho Verde, trazendo a bandeira da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. “A sociedade precisa conhecer a doença, seus fatores de risco, a possibilidade de prevenção e como identificar os sinais de alerta para fazer o diagnóstico em fases mais precoces da doença, quando as chances de cura são maiores. Para cumprir com esse propósito, estamos trabalhando com informação referenciada sobre essas três frentes para conscientizar e engajar a sociedade e equipe médicas e multiprofissionais nessa causa”, ressalta Dra. Aline Lauda Freitas Chaves, oncologista, presidente do GBCP.

O que é o câncer de cabeça e pescoço e como a campanha pode fazer a diferença?

 Não se trata de uma doença única, mas de um conjunto de tipos de câncer que podem se desenvolver na cavidade oral (boca, lábios, língua, gengiva, assoalho da boca e palato), nos seios da face (maxilares, frontais, etmoidais e esfenoidais), na faringe (nasofaringe (atrás da cavidade nasal), orofaringe (onde se encontra a amígdala e a base da língua) e hipofaringe (porção final da faringe, junto ao início do esôfago), na laringe (supraglote, glote e subglote), nas glândulas salivares e na glândula tireoide.

Cada tipo de câncer de cabeça e pescoço tem características diferentes e tratamentos diferentes. Mas há um fator comum que possibilita se fazer a diferença: são tumores evitáveis. Para ser mais exato, cerca de 40% dos casos poderiam ser evitados. Não fumar, não consumir em excesso bebidas alcoólicas, estar vacinado contra o Papilomavírus Humano (HPV) e fazer a higiene bucal corretamente. Este é o caminho da prevenção.

Juntos podemos ser agentes transformadores

Para o êxito desta campanha é importante o apoio de diferentes esferas da sociedade. Desta forma, será possível amplificar e construir uma base de informação sólida que quebre o desconhecido e gere transformação. Para tanto, o GBCP solicita o envolvimento da sociedade, da imprensa, dos formadores de opinião e dos educadores para que o máximo de pessoas, de todas as faixas de idade, conheçam a doença, quais as causas, os sintomas, como prevenir e fazer o autoexame para identificar alterações suspeitas.

É fundamental também o envolvimento de todos os profissionais de saúde. “Queremos que a informação correta e atualizada sobre o câncer de cabeça e pescoço chegue a todos os profissionais de saúde. Que os médicos que fazem o primeiro atendimento do paciente com suspeita da doença possam ter o conhecimento necessário para diagnosticar com precisão e o mais breve possível, o que resulta em maiores chances de sucesso no tratamento. Queremos que todos os pacientes e seus familiares encontrem na equipe multiprofissional a competência, o suporte, o acolhimento e a segurança necessários para enfrentarem o tratamento”, vislumbra Dra. Aline Chaves.

Como participar

Você pode se comprometer conosco nessa causa, fazendo o que estiver ao seu alcance para que sejamos capazes de combater o câncer de cabeça e pescoço em nosso país: conversar com as pessoas ao seu redor (virtual ou presencialmente), promover iniciativas de educação, usar os seus perfis nas mídias sociais para difundir informação, adotar as medidas de prevenção e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Algumas sugestões:

1 – Em nossos perfis nas mídias sociais, durante todo o mês de Julho, vamos trazer conteúdos importantes. Compartilhe essas informações. Siga nossos perfis e seja um agente de transformação também.

2 – Todos os materiais que desenvolvemos estão disponíveis para download neste site. Divulgue sem moderação.

3 – Troque a sua foto de perfil no Facebook pelo nosso Avatar do movimento.

4 – Você também pode fazer uma foto fazendo o autoexame da boca no espelho para incentivar outras pessoas a também adotarem esse hábito que pode salvar vidas, pois é uma forma de identificar alguma lesão suspeita precocemente. 

6 – Participe de nossas Lives sobre o assunto.

7 – Ao divulgar qualquer informação do nosso movimento, utilize sempre as hashtags: #devozavida  #cancerdecabeçaepescoco #julhoverde #gbcp

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Com benefícios e não inferioridade oncológica, biópsia de linfonodo sentinela é opção em câncer de cavidade oral precoce

Quando comparada ao esvaziamento cervical (retirada dos nódulos no pescoço por cirurgia), a biópsia do linfonodo sentinela resulta em vantagens como menor tempo cirúrgico, menor tempo de internação, menor risco de complicações e melhor qualidade de vida para o paciente com carcinoma de células escamosas, em estadio inicial, na cavidade oral (OCSCC). Esses benefícios foram demonstrados no estudo Neck Dissections Based on Sentinel Lymph Node Navigation Versus Elective Neck Dissections in Early Oral Cancers: A Randomized, Multicenter, and Noninferiority Trial, publicado no Journal of Clinical Oncology, da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

 

Realizado por 18 serviços japoneses, o objetivo neste estudo foi comparar: braço 1 (composto por pacientes com carcinoma de células escamosas precoce de cavidade oral com tumor em estádio I ou II, linfonodo negativo e sem metástase à distância tratados com esvaziamento cervical eletivo – ND -, tradicional) com o braço 2 (aqueles tratados com biópsia de linfonodo sentinela – SLNB), usando sobrevivência, função dos nervos do pescoço e complicações como desfechos.

 

“Esses desfechos são os habituais na avaliação da técnica. Além disso, o recorte de três anos de seguimento é o padrão no câncer oral. Isso porque a maior parte das recidivas acontecem nesse período, o que já foi amplamente demonstrado em outros estudos. Analisando o artigo, os resultados foram semelhantes em termos de resultado oncológico, com vantagem funcional para a biópsia de linfonodo sentinela”, comenta o cirurgião de cabeça e pescoço e pesquisador Dr. Leandro Luongo Matos, que atua em hospitais como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e no Hospital Israelita Albert Einstein. Leandro analisa a pesquisa.

 

Na metodologia adotada, os pacientes selecionados apresentavam idade a partir de 18 anos, diagnóstico de OCSCC, não tratados previamente e com confirmação histológica pela Union for International Cancer Control a partir da classificação TNM de Tumores Malignos da 7ª edição T1-2. Os pacientes elegíveis também tinham pescoço negativo, sem metástase à distância.

 

O desfecho primário analisado foi a taxa de sobrevida global de 3 anos, com uma margem de não inferioridade de 12%. Desfechos secundários incluíram funcionalidade e complicações pós-operatórias e sobrevida livre de doença em três anos. Os linfonodos sentinelas foram submetidos à exame de congelação intraoperatório para o diagnóstico.

 

Principais resultados

Na amostra analisada, metástases cervicais foram observadas em 24,8% (34 de 137) e 33,6% (46 de 134) dos pacientes nos grupos ND e SLNB, respectivamente. A sobrevida global de três anos no grupo SLNB (87,9%) foi não inferior à do grupo ND. A taxa de sobrevida livre de doença em três anos foi de 78,7% e 81,3% nos grupos SLNB e ND, respectivamente. Além disso, os escores de funcionalidade do pescoço no grupo SLNB foram significativamente melhores do que aqueles no grupo ND.

 

 

Referência do estudo

Hasegawa Y, Tsukahara K, Yoshimoto S, Miura K, Yokoyama J, Hirano S, et al. Neck Dissections Based on Sentinel Lymph Node Navigation Versus Elective Neck Dissections in Early Oral Cancers: A Randomized, Multicenter, and Noninferiority Trial. J Clin Oncol. 2021 Apr 20:JCO2003637. 

 

Disponível em  https://ascopubs.org/doi/full/10.1200/JCO.20.03637

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Alimentação após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode trazer impactos à rotina de vida dos pacientes e afetar, inclusive, a capacidade do paciente realizar sua alimentação em razão dos efeitos colaterais físicos e psicológicos. Esses efeitos são diversos e podem variar de paciente para paciente, dependendo da gravidade do tumor e da complexidade do tratamento realizado em cada caso. No geral, estão relacionados à dificuldade de mastigação e de engolir os alimentos, boca seca (xerostomia) pela falta de produção de saliva suficiente, perda do paladar. Outro ponto importante é que esses impactos podem causar a falta de vontade de se alimentar e resultar na redução da ingestão de calorias e na desnutrição.

Dependendo da gravidade do tratamento, alguns pacientes vão precisar se alimentar por meio de sonda para que a nutrição seja o mais adequada possível. Assegurar um suporte profissional de um nutricionista com a indicação das melhores alternativas de alimentação é fundamental para minimizar esses impactos.

Confira aqui algumas orientações que podem ajudar em uma dieta nutricional equilibrada:

  • para facilitar a alimentação e a digestão, procure optar por alimentos triturados e pastosos, como purês, sopas e iogurtes. As frutas e legumes ao natural também podem ser processadas e são ótimas opções de alimentação saudável.
  • alimentos mais macios, como os peixes com escamas, guisados de carne e vegetais também podem ser amassados e triturados e trazer os nutrientes necessários.
  • escolher alimentos com alto teor de gordura, como leite integral queijos, azeite de oliva extravirgem, iogurte natural rico em gordura e sucos de fruta também fornecem calorias e nutrientes adicionais
  • a avaliação e acompanhamento de um nutricionista e de seu médico é importante também porque pode ser necessária a complementação da alimentação com suplementos e vitaminas

Conheça o nosso livro “Faça sentido, faça sabor”. Nele você encontra orientações mais detalhadas sobre o assunto e receitas que podem auxiliar na alimentação do paciente após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço: http://www.gbcp.org.br/facasentido.pdf

 

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Atualização de importante estudo em câncer de cabeça e pescoço reforça benefício da quimioterapia concomitante no tratamento da doença não-metastática

Em recente publicação, são trazidos os resultados de atualização da maior metanálise que avalia papel da quimioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço (MACH-NC). O artigo intitulado “Meta-analysis of chemotherapy in head and neck cancer (MACH-NC): An update on 107 randomized trials and 19,805 patients, on behalf of MACH-NC Group” foi publicado na Radiotherapy and Oncology, revista científica da European Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ESTRO), e demonstrou que a quimioterapia concomitante aumentou a sobrevida global em cinco e dez anos em pacientes sem metástase à distância.

Esta meta-análise inclui ensaios clínicos randomizados do período de 1965 a 2017 que avaliaram o papel da adição de quimioterapia a um tratamento local na doença não-metastática. Comparou-se o tratamento curativo locorregional (LRT) com LRT + quimioterapia (QT) concomitante ou adicionando outro tempo de QT para LRT + QT concomitantes. Havia também, entre os estudos incluídos, braços comparando QT de indução + radioterapia com radioterapia + QT concomitante (ou alternada).

Ao analisar o trabalho, o oncologista clínico da Oncoclínicas, Dr. Pedro De Marchi, observa que o principal mérito dos autores foi apresentar resultados que reforçam a importância de a quimioterapia ser utilizada de forma concomitante à radioterapia no tratamento do câncer de cabeça e pescoço locorregional avançado. “Esse trabalho confirma o que temos feito na prática clínica como o padrão de tratamento”, destaca Dr. Pedro, que também é membro diretor do GBCP.

O desfecho primário analisado foi sobrevida global, tendo sido incluídos 101 estudos (16 novos e 11 estudos atualizados), um total de 18.951 pacientes e acompanhamento médio de 6,5 anos. Cerca de 90% dos pacientes apresentavam doença em estadio III ou IV.

A interação entre o efeito do tratamento na sobrevida global e o momento da QT foi estatisticamente significativo, com o benefício sendo limitado à QT concomitante. Vale ressaltar que a eficácia diminuiu com o aumento da idade dos pacientes. “Houve redução de benefício da quimioterapia nas populações de pacientes idosos. Para esses pacientes a utilização desse tipo de tratamento deve ser analisado caso a caso”, explica Dr. Pedro de Marchi. Outro dado trazido no estudo é que a sobrevida global não aumentou com a adição de QT de indução ou QT adjuvante.

 

Referência do estudo

Lacas B, Carmel A, Landais C, Wong SJ, Licitra L, Tobias JS, et al. MACH-NC Collaborative Group. Meta-analysis of chemotherapy in head and neck cancer (MACH-NC): An update on 107 randomized trials and 19,805 patients, on behalf of MACH-NC Group. Radiother Oncol. 2021 Mar;156:281-293.

Disponível em: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0167-8140(21)00013-X

 

 

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