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Revisão de 19 estudos demonstra eficácia de uso de dispositivo na boca para reduzir complicações durante radioterapia

O uso de stents intraorais (dispositivo inserido na boca) reduz as complicações orais associadas à radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. A afirmação é de estudo no qual os autores realizaram uma revisão sistemática de dezenove trabalhos com amostra de pacientes que receberam irradiação em áreas como a mandíbula e a maxila. Realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o estudo Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review foi publicado na revista científica Journal for the Sciences & Specialties of the Head and Neck.

As evidências geradas a partir desta revisão estabelecem linhas de conduta clínica que beneficiam os pacientes com câncer de cabeça e pescoço, com indicação de radioterapia, de acordo com a localização específica do tumor a ser irradiado. Em pacientes com câncer na mandíbula ou perto dela, por exemplo, o uso do stent durante a radioterapia está associado a redução da mucosite oral, do trismo (dificuldade de abrir a boca) e da xerostomia (baixa produção de saliva).

“A redução da mucosite oral e do trismo implicam diretamente na redução da dor, melhora da alimentação e da capacidade de higienização da cavidade oral do paciente. Essas variáveis impactam, por sua vez, na redução de complicações secundárias, como infecções”, explica um dos autores da pesquisa, Dr. Héliton Spíndola Antunes, dentista, estomatologista, doutor em Oncologia e pesquisador da Divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico do INCA, onde é docente do programa de pós-graduação.

Reduzir xerostomia também impacta positivamente a qualidade de vida do paciente. Além de facilitar o processo de fala, alimentação e a sensação de conforto, atenua os riscos de desenvolvimento de cáries. Outro dado importante, explica Antunes, é que as ferramentas adotadas em radioterapia vêm sendo aperfeiçoadas de forma acelerada nos últimos anos, o que possibilita preservar as estruturas saudáveis, pois as doses utilizadas são cada vez mais precisas e em menor quantidade, refletindo assim em tratamento menos agressivos e melhor qualidade de vida para o paciente.

A evolução da técnica de tratamento bidimensional (2D) para radioterapia conformacional tridimensional (3DCRT) possibilitou quantificar doses em regiões específicas do paciente com precisão. “De forma geral, as toxicidades orais, tanto agudas quanto crônicas são resultado da atuação da irradiação nas estruturas, desta forma, ao reduzir dose nas estruturas sadias adjacentes, esses efeitos são reduzidos”, acrescenta.

Dr. Héliton Antunes afirma também que o estudo tem como principal contribuição a evidência que os stents, que consistem em um dispositivo simples, de baixo custo e de confecção rápida, podem impactar de modo significativo na qualidade de vida do paciente durante e após o tratamento e podem representar a redução das limitações de reabilitação. “Desse modo, esperamos poder estimular os demais pesquisadores a desenvolver outros estudos, envolvendo tais dispositivos, aprofundando assim a investigação sobre os reais benefícios associados a seu uso e produzindo estudos com níveis de evidência mais altos, permitindo o estabelecimento de futuras linhas de conduta ainda mais precisas”, deseja. Sendo comprovado o benefício clínico associado ao uso dos stents, concluí o especialista, espera-se que sua confecção se torne rotina na prática clínica diária dos centros de tratamento de referência em câncer de cavidade oral.

Referência do estudo

Alves LDB, Menezes ACS, Pereira DL, Santos MTC, Antunes HS. Benefits of intraoral stents in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy: Systematic review. Head Neck. 2021 Feb 1.

Disponível em https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hed.26620

 

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HPV e o desenvolvimento do câncer de boca e garganta

O HPV – Papilomavírus Humano é um grupo de vírus transmitido na maioria dos casos por meio do contato sexual (genital, oral e anal).  São mais de 150 tipos de vírus HPV e 12 deles são de alto risco para o desenvolvimento dos cânceres de garganta, boca, colo do útero, vagina, vulva, pênis e ânus

O HPV é muito comum, cerca de 8 em cada 10 pessoas terão contato com vírus no decorrer da vida. A maioria das pessoas com HPV não sabe que está infectada e não desenvolve sintomas e na maioria das vezes o corpo vai eliminar a infecção espontaneamente. Já em outros casos a infecção persiste, podendo levar ao desenvolvimento de verrugas ou papilomas genitais e até ao câncer.

HPV e câncer de garganta e boca

O câncer de garganta, também chamado de orofaríngeo, se desenvolve nas amigdalas, e ao redor da base da língua. A relação desse tipo de câncer com o HPV é mais comum nos homens, em razão da prática do sexo oral, mas as mulheres também podem adquirir o câncer nessa região em razão do HPV. Atualmente, cerca de 75% dos cânceres de garganta são resultado de infecções por HPV.

Uma vacina segura e eficaz que previne o HPV

Prevenir o HPV é possível. Existe uma vacina contra o HPV que está disponível, gratuitamente, no Sistema Único de Saúde e em clínica particulares também. Essa vacina deve ser administrada ainda na infância, antes do início da vida sexual, para ser mais eficaz.

A vacina contra o HPV previne a maioria dos cânceres de colo do útero, o câncer de ânus, vagina, vulva e reduz o risco da maioria dos cânceres de garganta, boca e pênis relacionados ao HPV. Também previne verrugas genitais.

Todas as meninas com idade entre 9 e 14 anos e todos os meninos entre 11 e 14 anos devem tomar a vacina, sendo duas doses, com intervalos de 06 meses entre elas. Além desse grupo, também é recomendada para homens e mulheres com idade entre 09 e 26 anos, portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Nesses casos, são recomendadas 03 doses, sendo que a segunda dose é feita após 2 meses da primeira e a terceira dose após 6 meses da primeira dose.

O uso de preservativo (camisinha) não é 100% eficaz para prevenir o HPV, pois não cobre todas as áreas do corpo que podem ter contato com o vírus, como a pele da região genital ou anal, por exemplo.

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Mucosite: como minimizar os efeitos colaterais

O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode trazer alguns efeitos colaterais importantes, principalmente em razão da toxicidade causada pela exposição às doses elevadas de quimioterapia ou radioterapia. Dentre esses efeitos, um dos mais frequentes é a mucosite, um tipo de lesão inflamatória e/ou ulceradas que surge na cavidade oral ou no trato gastrointestinal. Geralmente, aparece entre 1 a 2 semanas após o início do tratamento e os principais sintomas são:

  • feridas na boca que podem ser vermelhas ou conter pequenas manchas brancas e sangrar ou infeccionar;
  • inchaço na gengiva, boca ou garganta;
  • dor ou desconforto ao mastigar ou engolir;
  • aumento de mucosa na boca;
  • sensação de secura, leve queimação ou dor ao comer alimentos quentes e frios;
  • azia ou indigestão.

Por geralmente causar muita dor quando surge, muitas vezes é necessário mudar a alimentação e isso pode trazer alguns outros problemas, como a desidratação, alimentação inadequada, falta de vitaminas e perda de peso. É preciso estar atento, pois a mucosite também pode interferir na evolução do tratamento, já que existe o risco do paciente apresentar um quadro de febre mais grave ou infecções.

 

Prevenção

Algumas técnicas podem aliviar ou reduzir os efeitos da mucosite, entre elas, a crioterapia que é a sucção de lascas de gelo antes e durante cada quimioterapia e a Laserterapia de baixa intensidade.

Outro fator que pode contribuir é manter a frequência dos hábitos de higiene oral, inclusive antes de iniciar o tratamento do câncer de cabeça e pescoço é recomendado passar por uma avaliação odontológica. Algumas práticas são indicadas para minimizar os efeitos da mucosite:

  • Escovar os dentes sempre após as refeições e optar por uma escova de dentes macia.
  • Buscar orientação médica sobre a utilização de fio dental, se deve ser mantido durante o tratamento e, também, sobre a utilização de enxaguantes bucais que possam auxiliar na limpeza e no desconforto.
  • Verificar com o médico sobre a prescrição de remédios indicados para reduzir o desconforto.
  • Manter os lábios úmidos, bebendo água com frequência, se não houver contraindicação médica
  • Comer alimentos congelados e alimentos líquidos e pastosos, que são mais fáceis de engolir e usar um canudo se tiver com dificuldade para engolir.
  • Evitar alimentos condimentados, ácidos, salgados ou açucarados ao extremo, duros e secos.
  • Evitar refrigerantes, álcool e tabaco.
  • Fazer um autoexame da boca duas diariamente e se observar algum sinal diferente, procurar avaliação médica.

 

Fontes:

https://revista.abrale.org.br/mucosite-tratamento-de-cancer/#:~:text=Mucosite%20s%C3%A3o%20inflama%C3%A7%C3%B5es%20que%20podem,mucosas%20s%C3%A3o%20semelhantes%20%C3%A0s%20cancer%C3%ADgenas

http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72722014000100007

https://www.cancer.org/treatment/treatments-and-side-effects/physical-side-effects/mouth-problems/mouth-sores.html

 

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Estudo reforça importância de oferecer suporte nutricional no início do tratamento do câncer de cabeça e pescoço

Um estudo clínico de fase 3 publicado pelo Grupo de Oncologia e Radioterapia de Cabeça e Pescoço (GORTEC) mostra o impacto positivo do suporte nutricional nas taxas de sobrevida em três anos de pacientes com diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço de células escamosas localmente avançado. A sobrevida global foi de 81% entre os que receberam a fórmula imunomoduladora. Entre os controles, a taxa foi de 61%. A conclusão é do estudo A double-blind phase III trial of immunomodulating nutritional fórmula during adjuvant chemoradiotherapy in head and neck cancer patients: IMPATOX, publicado na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition.

Em formato duplo cego, foram incluídos 180 pacientes com indicação de quimiorradioterapia adjuvante (após a cirurgia), com intenção curativa. Entre novembro de 2009 e junho de 2013, os participantes foram aleatoriamente designados para receber suplementação oral de uma fórmula enriquecida com l-arginina, ácidos graxos ômega-3 e ribonucleicos (braço experimental) ou um isocalórico controle isonitrogênio (braço de controle), por cinco dias, antes de cada um dos três ciclos de cisplatina.

Este estudo é o primeiro ensaio clínico multicêntrico de fase III e randomizado que avalia a administração de imunonutrientes orais durante a quimiorradioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. O desfecho primário (primeiro objetivo do estudo) foi avaliar a eficácia dos imunonutrientes na redução de mucosite grave. Já os objetivos secundários foram avaliar a tolerância, conformidade, atrasos e necessidade de interrupções da terapia, assim como a sobrevida livre de progressão (PFS) e sobrevida global (OS) em um, dois e três anos.

Embora o desfecho primário não tenha apresentado significância estatística (um mês após o término da quimiorradioterapia – CRT não foram observadas diferenças na incidência de mucosite de graus 3-4 entre os grupos avaliados); houve a boa notícia de melhora significativa de sobrevida global em três anos no grupo que recebeu a fórmula imunomoduladora. Enquanto o grupo controle registrou sobrevida livre de progressão de 50% e sobrevida global de 61%, entre os pacientes que receberam imunonutrientes as taxas foram, respectivamente, de 73% e 81%.

 

Perfil nutricional e resposta imunológica

Ao avaliar a pesquisa, a nutricionista oncológica e membro do GBCP, Olívia Galvão De Podestá, destaca que o ponto trazido pelos pesquisadores do GORTEC foi a evidência de que o paciente se beneficia de uma abordagem precoce de suporte nutricional. “Incluir imunonutrientes na dieta do paciente melhora seu estado nutricional e aumenta sua resposta imunológica. O acompanhamento nutricional faz a diferença no cuidado ao paciente oncológico, em especial entre os de Cabeça e Pescoço”, ressalta Olívia.

A nutricionista chama a atenção, por sua vez, para limitações do trabalho. “O resultado relevante foi observado em relação à sobrevivência dos pacientes, mas este não foi o desfecho primário em avaliação. Embora a informação sobre melhora de sobrevida seja relevante, devemos avaliar os resultados com cautela”, ressalta. Como próximo passo, os autores realizam um estudo auxiliar, que visa explorar os fatores relacionados com a aceitação dos pacientes à suplementação oral e potenciais indicações de formas alternativas de suporte nutricional.

 

Referência do estudo

Boisselier P, Kaminsky MC, Thézenas S, Gallocher O, Lavau-Denes S, Garcia-Ramirez M, Alfonsi M, Cupissol D, de Forges H, Janiszewski C, Geoffrois L, Sire C, Senesse P; Head and Neck Oncology and Radiotherapy Group (GORTEC). A double-blind phase III trial of immunomodulating nutritional formula during adjuvant chemoradiotherapy in head and neck cancer patients: IMPATOX. Am J Clin Nutr. 2020 Dec 10;112(6):1523-1531. 

Disponível em https://bit.ly/3u7WC9r

 

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Múltiplos parceiros, sexo oral e relação extraconjugal sem proteção aumentam risco de câncer de garganta

O tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe (garganta), mas é evidente também o impacto do Papilomavírus Humano (HPV), infecção causada pelo sexo sem proteção, no processo de carcinogênese. Estudo publicado na revista científica Cancer, da American Cancer Society, aponta que os principais comportamentos de risco para carcinoma de células escamosas – que representa quase a totalidade dos casos de câncer de orofaringe – são ter múltiplos parceiros, contato ainda jovem com o HPV e fazer sexo oral com início em idade mais jovem e com maior frequência. Os dados são do estudo multicêntrico Timing, number and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer, liderado pela epidemiologista Gypsyamber D’Souza, da divisão de Epidemiologia do Câncer do John Hopkins, nos Estados Unidos.

Com 98 mil novos casos e 48 mil mortes no mundo anuais, segundo o Globocan 2018, o câncer de orofaringe (garganta) é um dos mais prevalentes da região de cabeça e pescoço. Neste estudo de caso-controle, foram incluídos, entre 2013 e 2018, um total de 508 participantes, sendo 163 pacientes e 345 controles, com o objetivo de investigar novos fatores de risco (comportamento de iniciação sexual, intensidade de exposição e dinâmica de relacionamento), assim como marcadores sorológicos e o quanto eles estão relacionados com a probabilidade de desenvolvimento de câncer de orofaringe associado com infecção pelo HPV, em especial do tipo 16.

Após a aplicação de questionário de comportamento sexual, o estudo mostra que os participantes que tiveram dez ou mais parceiros de sexo oral ao longo da vida tem 4,3 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de orofaringe. Ter a experiência de primeiro sexo oral antes dos 20 anos aumenta o risco em 1,8 vezes e a intensidade também é fator de risco.

Relações extraconjugais apresentaram probabilidade 1,6 vezes maior. Com base nesses números, os autores concluem que embora já fosse sabido que o número de parceiros de sexo oral já fosse conhecido como fator de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe, o tempo e a frequência de sexo oral agora podem ser vistos como novos fatores de risco independentes.

Na avaliação do médico oncologista Dr. Gilberto de Castro Junior, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), o principal mérito do estudo foi consolidar a associação entre HPV e câncer de orofaringe, e que quanto maior a exposição de risco, maior a chance de desenvolver este tumor, ou seja, prevenção através de sexo seguro é fundamental. Independentemente disso, ressalta Dr. Castro Junior, não fumar continua sendo a medida mais eficaz para prevenir o câncer de orofaringe, assim como de câncer de pulmão, boca, esôfago, bexiga, pâncreas, dentre outros.

Além de sexo seguro, vacinar meninos e meninas

Assim como a prática de sexo seguro é importante para reduzir o risco de infecção pelo HPV, outra medida eficaz é a vacina, que está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. A vacina quadrivalente protege contra os HPVs 6, 11, 16 e 18; sendo estes dois últimos os mais comumente associados ao câncer.

Para ser mais eficaz, a vacina deve ser administrada antes do início da vida sexual. Por isso, ela é indicada para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos, com recomendação de duas doses, com intervalos de seis meses entre elas. Também é indicada para grupos especiais: homens e mulheres de 9 a 26 anos portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Para esses grupos são recomendadas três doses, sendo que a segunda dose é feita após dois meses da primeira e a terceira dose após seis meses da primeira dose.

 

Referência do estudo

Drake VE, Fakhry C, Windon MJ, Stewart CM, Akst L, Hillel A, Chien W, Ha P, Miles B, Gourin CG, Mandal R, Mydlarz WK, Rooper L, Troy T, Yavvari S, Waterboer T, Brenner N, Eisele DW, D’Souza G. Timing, number, and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer. Cancer. 2021 Jan 11.

Disponível em https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cncr.33346

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O câncer também pode surgir nas glândulas salivares

Os tumores que acometem as glândulas salivares podem ser observados nas glândulas salivares maiores: parótidas, sublinguais e submandibulares e também nas glândulas salivares menores, que estão distribuídas praticamente por toda submucosa bucal.

Esse tipo de câncer, geralmente, no início se apresenta de forma discreta e pode ser de difícil diagnóstico. Por isso, importante que seja realizada consulta com um cirurgião-dentista especialista em estomatologia ou cirurgião de cabeça e pescoço para que seja possível identificar mesmo as lesões aparentemente discretas.

Sintomas:
• pequeno aumento de volume na parte lateral da face (especialmente região anterior à orelha, onde ficam internamente as glândulas parótidas, local mais comum para o aparecimento deste tipo de câncer), abaixo da mandíbula (glândulas submandibulares) ou embaixo da língua (glândulas sublinguais);
• pequeno aumento de volume dentro da boca, no soalho, e principalmente no palato posterior lateral (local mais comum destes tumores dentro da boca);
• paralisia facial;
• dores de ouvido.

Fatores de risco: idade avançada, exposição à radioterapia prévia, exposição ocupacional.

Tratamento: a forma de escolha depende do subtipo e estadiamento do tumor. A cirurgia é o principal tratamento. Radioterapia e quimioterapia podem ser usadas em alguns casos.

Alguns tumores raros como o carcinoma secretor de glândulas salivares apresentam uma alteração genética que o torna candidato à terapia alvo molecular (inibidores de TRK, como o Larotrectinib, por exemplo), para os casos mais graves. Felizmente, este tumor costuma ser de baixo grau, quando o tratamento cirúrgico costuma ser curativo.

 

Dr. Daniel Cohen Goldemberg é pesquisador, membro da Comissão de Ensino, professor e coordenador suplente do Programa de Residência em Odontologia do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

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Quando procurar um médico especialista em Cabeça e Pescoço?

O médico cirurgião de cabeça e pescoço é um especialista no diagnóstico e tratamento dos tumores benignos e malignos que acometem a região da face, como as fossas nasais, seios paranasais, boca, lábios, faringe, laringe, tireoide, glândulas salivares, paratireoide. Nem sempre é ele quem, em um primeiro momento, avalia as alterações nessas regiões. Geralmente isso acontece com um dentista, um endocrinologista um otorrinolaringologista, um dermatologista e até mesmo um clínico geral, mas se for confirmada a suspeita de tumor, o paciente deverá ser encaminhado para essa especialidade. O paciente também pode procurar o médico de cabeça e pescoço diretamente, sem necessariamente ter antes que passar por um médico generalista.

É importante lembrar que a especialidade de Cabeça e Pescoço não trata das doenças cerebrais, como dores de cabeça, tumores cerebrais, aneurismas etc. Nesses casos, a indicação é o atendimento de um médico neurologista. Assim também acontece com dores no pescoço que devem ser avaliadas pelo ortopedistas e desvios de septo nasal, zumbidos no ouvido pelo Otorrinolaringologista.

É preciso estar sempre atento aos sintomas dos tumores de cabeça pescoço e, se observar alguma alteração, buscar a avaliação médica imediatamente. Alguns sinais importantes são; nódulos no pescoço, rouquidão por mais de três semanas, dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca, lábio ou língua que não cicatrizam. 

Diagnóstico

A primeira etapa a ser realizada para investigação diagnóstica é a avaliação do histórico clínico e físico do paciente, no qual o médico vai examinar o órgão em questão. Exames de imagem como a tomografia computadorizada, ultrassonografia, radiografia, ressonância magnética também podem ser solicitados. Porém, a confirmação do câncer somente é possível após a realização de uma biópsia, retirada de um pequeno fragmento da lesão para avaliação microscópica. Existem vários tipos de biópsia e a indicação vai depender do local do tumor. Após a análise da biópsia é emitido um laudo anatomopatológico com todas as informações sobre as características do câncer para que seja possível determinar a melhor conduta de tratamento.

Tratamento multidisciplinar

Como parte do tratamento dos tumores da região da cabeça e pescoço pode ser necessário realizar uma cirurgia e, dependendo do estágio da doença, esse procedimento pode trazer algumas limitações estéticas, físicas e funcionais ao paciente, ou ser necessário ainda complementar o tratamento com radioterapia ou quimioterapia. Isso tudo requer um acompanhamento pós-cirúrgico multidisciplinar, por isso, os cirurgiões de cabeça e pescoço trabalham de forma integrada com outras especialidades médicas, como a oncologia clínica, radioterapia, estomatologia, odontologia, fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, nutrição. É a atuação integrada desse time que trará os melhores resultados para o paciente.

Quanto mais precoce for o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço maiores são as chances de sucesso no tratamento.

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Diagnóstico prévio de câncer de cabeça e pescoço aumenta risco de internação por COVID-19

Na amostra, a idade média dos pacientes foi de 70 anos, com 38% deles com 75 anos ou mais. Mais de um terço (34%) residiam em instituições de longa permanência. Treze (41%) tinham câncer ativo, com 6 (19%) em terapia contra o câncer no prazo de até quatro semanas após o diagnóstico de COVID-19. Os principais sintomas relatados foram surgimento ou piora de quadro de tosse e fadiga. Para mais de 30% dos participantes da coorte foi necessário realizar mais de um teste de SARS-CoV-2 antes de confirmar o resultado positivo.

Risco maior em quem não tem câncer ativo

Na avaliação do cirurgião oncológico e diretor científico do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), Dr. Luiz Paulo Kowalski, o achado mais surpreendente foi que o risco de hospitalização, nesta coorte, se mostrou mais elevado mesmo em pacientes já previamente tratados e sem doença em atividade. “Provavelmente esteja associado a idade elevada e comorbidades frequentemente observadas nos pacientes sobreviventes”, observa Dr. Kowalski, Cirurgião Oncológico do A.C.Camargo Cancer Center e Professor Titular de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Intuitivamente, destaca Dr. Kowalski, era esperado um maior risco em pacientes em tratamento. O dado inversamente a isso sinaliza que os pacientes com doença em atividade são protegidos pelos protocolos de tratamento. “Por exemplo, não se opera em menos de três a quatro semanas um paciente com COVID-19. Operar após esse período não eleva o risco”, analisa. Dr. Kowalski observa também que muitos dos pacientes já fora de tratamento, com idade mais avançada, residindo em lares para idosos e não em suas próprias casas, tiveram risco maior. Isso pode, segundo ele, sugerir que manter o idoso com câncer em casa, e protegido, poderia reduzir risco.

Os dados mostram também que sete (22%) morreram (sendo que um estava em tratamento contra o câncer e seis eram sobreviventes). Esses dados, avalia Dr. Kowalski, também reforçam que os pacientes com câncer de cabeça e pescoço constituem uma população de muito alto risco, maior, inclusive, que o risco geral de pacientes com outros tipos de câncer. Esses fatores, avalia o especialista, devem estar relacionados a idade, fragilidade, comorbidades e sequelas prévias em via aerodigestiva superior (boca, laringe e faringe).

Poucos pacientes e outras limitações

Embora seja uma avaliação sistemática e feita por um consórcio acadêmico, os dados são de uma pequena série de pacientes. Traz um alerta sobre o tema que, na análise do Dr. Kowalski, necessita ser confirmado em uma coorte maior de pacientes em estudo multi-institucional internacional.

A boa notícia é que estudos dessa natureza se encontram em andamento e os resultados devem ser conhecidos brevemente. Enquanto isso, afirma o diretor científico do GBCP, esses dados preliminares, ao mostrar que é maior o risco de complicações pela COVID-19 em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, chamam a atenção para a relevância desse grupo receber orientação e adotar medidas rigorosas de proteção.

Referência do estudo

Hanna GJ, Rettig EM, Park JC, Varvares MA, Lorch JH, Margalit DN, Schoenfeld JD, Tishler RB, Goguen LA, Annino DJ Jr, Haddad RI, Uppaluri R. Hospitalization rates and 30-day all-cause mortality among head and neck cancer patients and survivors with COVID-19. Oral Oncol. 2021 Jan;112:105087.

Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.oraloncology.2020.105087

 

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Revisão robusta publicada na Nature traça perfil do câncer de cabeça e pescoço

A maioria dos cânceres de Cabeça e Pescoço são derivados do epitélio da mucosa na cavidade oral, faringe e laringe e são conhecidos coletivamente como carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (HNSCC). Em uma robusta revisão publicada na revista científica Nature Reviews Disease Primers, o perfil destes tumores é detalhado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Universidade de Arizona e Yale Cancer Center (Estados Unidos), Universidade de Amsterdam (Holanda) e da Universidade de Hong Kong (China).

A revisão aborda as principais etiologias (causas) e perfil epidemiológico de cada subtipo. Os cânceres de cavidade oral e laringe são geralmente associados ao consumo de tabaco, abuso de álcool ou ambos, enquanto os cânceres de faringe são cada vez mais atribuídos à infecção pelo papilomavírus humano (HPV), principalmente o HPV-16. “Além de abordar estes fatores etiológicos, a revisão também contempla a prevenção primária (como cessação do tabagismo e vacinação contra HPV) e de prevenção secundária (como diagnóstico precoce e de lesões pré-malignas). Além disso, aborda a carcinogênese, aspectos patológicos, diagnóstico e estadiamento e, claro, fala das atuais estratégias de tratamento multidisciplinar”, ressalta o oncologista clínico Thiago Bueno de Oliveira, do A.C.Camargo Cancer Center e membro da diretoria do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) que comenta o trabalho.

Diferenciação dos tipos de HPV

O carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço pode ser separado em HNSCC HPV-negativo e HPV-positivo. Essa diferenciação, explica Thiago Bueno, é essencial, não apenas para melhor entendimento da etiologia do tumor, mas por haver impacto no estadiamento e, futuramente, no tratamento. Isso porque os tumores de orofaringe HPV positivos têm um estadiamento específico na AJCC 8ª edição (edição mais atualizada do Manual de estadiamento deste tipo de câncer). O prognóstico é melhor nos tumores HPV positivos.

Thiago Bueno avalia que, uma vez que a carcinogênese dos tumores HPV positivos é distinta daquela dos tumores HPV negativos, é racional teorizar que poderia haver tratamentos mais personalizados para este subgrupo, como terapias-alvo ou estratégias de imunoterapia específica. “Tendo em vista o melhor prognóstico dos tumores HPV relacionados, estão sendo estudadas estratégias de tratamento personalizado com intuito de redução de intensidade do tratamento e, consequentemente, de sequelas e morbidade”, afirma o oncologista clínico.  

 

Tratamento diante do diagnóstico tardio

Apesar do conhecimento sobre as principais causas que levam ao câncer de cabeça e pescoço a doença é, na maioria dos casos, descoberta tardiamente. Segundo os autores, em meio a este cenário, o tratamento é geralmente multimodal, consistindo em cirurgia seguida de quimiorradioterapia (CRT) para cânceres da cavidade oral e CRT primária para cânceres de faringe e laringe.

O cetuximabe é geralmente usado em combinação com radiação em HNSCC HPV-negativo, nos quais as comorbidades impedem o uso de quimioterapia citotóxica. O FDA, órgão regulatório dos Estados Unidos, aprovou o pembrolizumabe e nivolumabe para o tratamento de HNSCC recorrente ou metastático em segunda linha e pembrolizumabe como tratamento de primeira linha para doença nesse mesmo contexto. Segundo os autores, esses medicamentos são exemplos dos esforços contínuos que visam integrar o conhecimento da biologia e imunobiologia do HNSCC para identificar biomarcadores preditivos que permitem o surgimento de terapias mais eficazes e menos tóxicas.

 

Diferencial da pesquisa

Na avaliação de Thiago Bueno, um ponto interessante do artigo é não parar no tratamento, como a maioria dos artigos de revisão. O especialista enaltece o fato de os autores abordarem o seguimento, qualidade de vida e survivorship (seguimento após o diagnóstico, numa perspectiva do paciente, incluindo o enfrentamento da doença e experiências que vão além do câncer). “Esse artigo merece ser apreciado como um todo, pela relevância de seu conteúdo. Aborda temas atuais como biomarcadores, medicina personalizada e conscientização (awareness)”.

  

Referência do estudo

Johnson DE, Burtness B, Leemans CR, Lui VWY, Bauman JE, Grandis JR. Head and neck squamous cell carcinoma. Nat Rev Dis Primers. 2020 Nov 26;6(1):92.

Disponível em https://www.nature.com/articles/s41572-020-00224-3

Câncer de cabeça e pescoço. Atenção aos sinais

Quando falamos em tumores de cabeça e pescoço estamos considerando aqueles que podem se desenvolver na boca, faringe, laringe, nas fossas nasais, nos seios paranasais, nas glândulas salivares e na tireoide. São muitos os tipos e subtipos de câncer de cabeça e pescoço e é muito importante estar atento aos sinais que podem surgir em nosso organismo para identificar se existe alguma alteração e o diagnóstico precoce seja possível. É recomendado que todos os meses, seja feito o autoexame, principalmente pelos fumantes ou por quem consome bebida alcoólica rotineiramente, observando a boca, lábios, língua e pescoço ao espelho todos os meses para verificar se há alterações, como manchas brancas, feridas ou caroços. Siga sempre a regra 1 por 3 à 1 sintoma que persiste por mais de 3 semanas deve ser investigado.

 

 

 

 

 

 

Fonte da imagem: https://makesensecampaign.eu

Dentre os sintomas mais comuns do câncer de cabeça e pescoço estão:

  • ferida na boca que não cicatriza
  • manchas esbranquiçadas na boca
  • rouquidão por mais de 15 dias
  • nódulo palpável no pescoço
  • dor de garganta que não melhorar com o uso de antibiótico
  • dor ou dificuldade para engolir ou respirar
  • sangramento ou secreção persistente pelo nariz.
  • dor no ouvido ou dificuldade para ouvir
  • dores de cabeça e tosse persistente.

Ao perceber algum desses sinais que persista por mais de três semanas, busque avaliação médica com um especialista otorrinolaringologista (médico que trata de doenças do ouvido, nariz e garganta) ou cirurgião de cabeça e pescoço para que sejam realizados os exames necessários para o diagnóstico preciso.

O câncer de cabeça e pescoço tem cura e isso depende do estágio em que o diagnóstico acontece. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura da doença. Por isso é tão importante que as pessoas, em especial as fumantes, façam o autoexame e, ao perceberem qualquer sinal suspeito, procurem atendimento médico adequado.

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