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Orientação multiprofissional reduz tempo hospitalar após cirurgia oncológica de cabeça e pescoço

Avaliações e orientações pré-operatórias fornecidas por uma equipe multiprofissional ao paciente com câncer avançado de cabeça e pescoço podem reduzir significativamente a gravidade das complicações, tempo de internação e custos de pacientes submetidos a cirurgias complexas.



Essa é a conclusão do estudo retrospectivo de caso-controle Association of Multiprofessional Preoperative Assessment and Information for Patients With Head and Neck Cancer With Postoperative Outcomes, publicado na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.


A adoção do protocolo de um dia dedicado à informação e avaliação multiprofissional pré-operatória abrangente (MUPAID) incluiu 161 pacientes, dos quais 81 (50,3%) estavam no grupo de intervenção e (49,7%) no grupo controle. O estudo foi realizado no Departamento de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço no Hospital Universitário de Berna, na Suíça. O acompanhamento ocorreu de janeiro de 2012 a julho de 2018 - antes (grupo controle) e depois (grupo de intervenção) - para implementação do MUPAID institucional. Já a análise dos dados foi realizada entre 2019 e 2020.


Os resultados apresentados por este estudo mostram que os pacientes que receberam orientações estruturadas por uma equipe multiprofissional no período pré-operatório, quando comparados com aqueles que não foram submetidos a esta abordagem, apresentaram menos complicações locais e sistêmicas, tempo de internação hospitalar e redução de custos por caso. Tudo isso por apresentaram melhor adesão ao tratamento, além de um preparo psicológico para enfrentamento de sua nova condição, e melhor adesão aos cuidados pós-operatórios.


Na análise multivariada dos fatores associados ao desenvolvimento de complicações, o MUPAID foi associado a uma redução de quase 60% em complicações em comparação com o grupo controle. Ainda, segundo os pesquisadores, nenhum estudo anterior relatou a associação de uma intervenção pré-operatória comparável ao MUPAID com a gravidade das complicações pós-operatórias, embora os autores sugiram tratamento mais adequado para cada paciente devido ao longo período observacional.

 

Realidade clínica no Brasil


Convidada pelo GBCP para comentar este estudo, a enfermeira oncológica Renata Otoni Neiva afirma que desconhece a prática de avaliações estruturadas desta maneira nos centros oncológicos do Brasil, exceto pelo A.C.Camargo Cancer Center, onde atua. Na avaliação da enfermeira, “no local são realizadas orientações pré-operatórias ao paciente elegível a cirurgia oncológica de grande porte de cabeça e pescoço. Conforme a elegibilidade, o médico cirurgião encaminha estes pacientes para avaliações e orientações pré-operatórias com equipe de enfermagem, estomatologia e nutricionista”, explica.


Segundo Renata, o que difere do estudo são as avaliações realizadas por equipe multidisciplinar, que ocorrem conforme a agenda disponível das equipes, não sendo necessariamente em um único dia. Quando apoderado de informações claras o paciente envolve-se mais no seu cuidado, e entende que sua colaboração contribui para uma melhor recuperação e reabilitação após a cirurgia.  


A profissional conclui que conhecer os resultados pós-operatórios apresentados estimula a implementação desta prática nas instituições oncológicas, visto a evidência de melhores desfechos clínicos e desempenho apresentados por estes pacientes. Porém, ela alerta: “também é necessário que uma assistência multidisciplinar pós-operatória contemple holisticamente suas necessidades, pois é um período de adaptações funcionais decorrentes das possíveis sequelas geradas pela cirurgia, além de alterações estéticas significativas que podem impactar na autoestima e convívio social”, avalia.

 


Referência do estudo

Schmid M, Giger R, Nisa L, Mueller SA, Schubert M, Schubert AD. Association of multiprofessional preoperative assessment and information for patients with head and neck cancer with postoperative outcomes. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2022;148(3):259-267.


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