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Múltiplos parceiros, sexo oral e relação extraconjugal aumentam risco de câncer de garganta

O tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe (garganta), mas é evidente também o impacto do Papilomavírus Humano (HPV), infecção causada pelo sexo sem proteção, no processo de carcinogênese.



Estudo publicado na revista científica Cancer, da American Cancer Society, aponta que os principais comportamentos de risco para carcinoma de células escamosas – que representa quase a totalidade dos casos de câncer de orofaringe – são ter múltiplos parceiros, contato ainda jovem com o HPV e fazer sexo oral com início em idade mais jovem e com maior frequência. Os dados são do estudo multicêntrico Timing, number and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer, liderado pela epidemiologista Gypsyamber D’Souza, da divisão de Epidemiologia do Câncer do John Hopkins, nos Estados Unidos.


Com 98 mil novos casos e 48 mil mortes no mundo anuais, segundo o Globocan 2018, o câncer de orofaringe (garganta) é um dos mais prevalentes da região de cabeça e pescoço. Neste estudo de caso-controle, foram incluídos, entre 2013 e 2018, um total de 508 participantes, sendo 163 pacientes e 345 controles, com o objetivo de investigar novos fatores de risco (comportamento de iniciação sexual, intensidade de exposição e dinâmica de relacionamento), assim como marcadores sorológicos e o quanto eles estão relacionados com a probabilidade de desenvolvimento de câncer de orofaringe associado com infecção pelo HPV, em especial do tipo 16.


Após a aplicação de questionário de comportamento sexual, o estudo mostra que os participantes que tiveram dez ou mais parceiros de sexo oral ao longo da vida tem 4,3 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de orofaringe. Ter a experiência de primeiro sexo oral antes dos 20 anos aumenta o risco em 1,8 vezes e a intensidade também é fator de risco.


Relações extraconjugais apresentaram probabilidade 1,6 vezes maior. Com base nesses números, os autores concluem que embora já fosse sabido que o número de parceiros de sexo oral já fosse conhecido como fator de risco para desenvolvimento de câncer de orofaringe, o tempo e a frequência de sexo oral agora podem ser vistos como novos fatores de risco independentes.


Na avaliação do médico oncologista Dr. Gilberto de Castro Junior, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), o principal mérito do estudo foi consolidar a associação entre HPV e câncer de orofaringe, e que quanto maior a exposição de risco, maior a chance de desenvolver este tumor, ou seja, prevenção através de sexo seguro é fundamental. Independentemente disso, ressalta Dr. Castro Junior, não fumar continua sendo a medida mais eficaz para prevenir o câncer de orofaringe, assim como de câncer de pulmão, boca, esôfago, bexiga, pâncreas, dentre outros.


Além de sexo seguro, vacinar meninos e meninas


Assim como a prática de sexo seguro é importante para reduzir o risco de infecção pelo HPV, outra medida eficaz é a vacina, que está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. A vacina quadrivalente protege contra os HPVs 6, 11, 16 e 18; sendo estes dois últimos os mais comumente associados ao câncer.


Para ser mais eficaz, a vacina deve ser administrada antes do início da vida sexual. Por isso, ela é indicada para meninas entre 9 e 14 anos e meninos entre 11 e 14 anos, com recomendação de duas doses, com intervalos de seis meses entre elas. Também é indicada para grupos especiais: homens e mulheres de 9 a 26 anos portadores do vírus HIV e pessoas transplantadas de órgãos sólidos, medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos. Para esses grupos são recomendadas três doses, sendo que a segunda dose é feita após dois meses da primeira e a terceira dose após seis meses da primeira dose.

 

Referência do estudo


Drake VE, Fakhry C, Windon MJ, Stewart CM, Akst L, Hillel A, Chien W, Ha P, Miles B, Gourin CG, Mandal R, Mydlarz WK, Rooper L, Troy T, Yavvari S, Waterboer T, Brenner N, Eisele DW, D’Souza G. Timing, number, and type of sexual partners associated with risk of oropharyngeal cancer. Cancer. 2021 Jan 11.


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