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Como prevenir e tratar problemas bucais durante o tratamento de câncer de cabeça e pescoço?

  • Foto do escritor: gbcpcomunicacao
    gbcpcomunicacao
  • 23 de set.
  • 3 min de leitura

O tratamento de câncer de cabeça e pescoço pode trazer desafios para a saúde bucal dos pacientes. Por essa razão, a preparação odontológica antes de iniciar o tratamento oncológico e o acompanhamento durante a jornada terapêutica são fundamentais.

 

Dra Milena Oliveira


A recomendação é da Dra. Milena Oliveira de Faria, cirurgiã-dentista  especializada em Odontologia Hospitalar e Oncologia, habilitada em Laserterapia que atua na Oncoclínicas, em Brasília


A radioterapia e a quimioterapia que, ao lado da cirurgia, constituem os pilares do tratamento desse tipo de câncer,  podem causar toxidades e diversos efeitos colaterais. Entre eles, estão problemas que atingem a cavidade oral, como a mucosite, uma infecção grave e dolorosa que dificulta a alimentação em um momento que o paciente  precisa estar forte para enfrentar o tratamento. “Problemas como esses podem ser evitados ou amenizados com a atuação na equipe multidisciplinar do dentista especializado em oncologia”,  explica.

 

Esse especialista não  atua somente nos efeitos colaterais que prejudicam a saúde bucal durante o tratamento. Ele também tem papel essencial na prevenção.  Por isso, o ideal é que o paciente ao receber o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço faça uma consulta odontológica antes de iniciar o tratamento de radioterapia e/ou quimioterapia. “É importante que o paciente elimine qualquer tipo de problema bucal, desde uma cárie, mesmo que superficial, até inflamações de qualquer tipo, como pulpites, periodontites e gengivites”, alerta Dra. Milena.

 

Os motivos são claros: a quimioterapia compromete a imunidade , tornando o paciente  mais vulnerável a infecções, enquanto a radioterapia aumenta o risco de problemas dentários, feridas na boca e na garganta. "Tratar da saúde bucal do paciente durante um tratamento oncológico é muito complicado. Às vezes a intervenção não pode nem ser feita", destaca.

 

Portanto, o ideal é que o paciente passe por uma consulta com o dentista especializado em oncologia antes de iniciar o tratamento. “Com isso, podemos fazer um check-up para que ele inicie o tratamento com a boca saudável”, diz.

 

Entre os efeitos colaterais referentes à cavidade bucal mais frequentes enfrentados pelos pacientes de câncer de cabeça e pescoço em tratamento quimioterápico e/ou radioterápico estão:

 

  •       Diminuição da salivação : a baixa produção de saliva compromete a proteção natural da boca contra bactérias e dificulta a alimentação.


  •     Perda do paladar :  muito frequente, o paciente deixa de ter prazer de comer.


  •        Mucosite : é uma inflamação grave da mucosa bucal, que causa muita dor.

 

Além da prevenção e tratamento, a odontologia também tem papel importante na reabilitação pós-tratamento. Em casos em que houve remoção cirúrgica de estruturas bucais, são necessárias próteses construídas por dentistas especializados.

 

Laserterapia para prevenir e tratar problemas bucais durante o tratamento de câncer de cabeça e pescoço?

 

Para tratar esses problemas bucais, a laserterapia se estabeleceu como o tratamento mais eficaz. "É o nosso padrão ouro e pode ser utilizado como preventivo ao ser aplicado antes da radioterapia e quimioterapia ou para tratar lesões que acontecem durante o tratamento", afirma Dra. Milena.

 

Aplicada previamente, a laserterapia aumenta a circulação sanguínea e reduz a carga de vírus, bactérias e fungos dentro da cavidade oral, prevenindo complicações. O laser também ajuda a melhorar lesões já existentes, auxiliando na cicatrização, descontaminação e controle da dor.

 

Apesar dos benefícios, o acesso à laserterapia ainda enfrenta obstáculos. “É um tratamento obrigatoriamente coberto pelos convênios em casos de câncer de cabeça e pescoço, mas esbarramos em problemas. Um deles é a demora na autorização, principalmente quando solicitamos o procedimento como intervenção preventiva”, afirma.

 

Quando a laserterapia não está disponível, existem outras opções terapêuticas, como medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos. No entanto, quando associadas à laserterapia trariam um maior conforto ao paciente durante todo o seu tratamento, informa a especialista.

 

Acompanhamento

 

Além do acompanhamento especializado, o paciente pode adotar medidas simples para ajudar a proteger a saúde bucal:

 

  • Escovar os dentes com escova de cerdas macias.

  • Usar enxaguantes bucais sem álcool, que não irritam a mucosa.

  • Manter a boca hidratada.

  • Avisar a equipe de saúde ao primeiro sinal de dor, sangramento ou ferida.

 

O cuidado odontológico não termina com o fim do tratamento oncológico. "Acompanhamos o paciente por um período depois do tratamento para  monitorar eventuais efeitos tardios decorrentes da toxidade da quimioterapia e radioterapia”, observa. Segundo Dra. Milena, o protocolo pode incluir inicialmente consultas de seis em seis meses e depois anuais.

 

Com acompanhamento odontológico especializado desde o início, é possível reduzir significativamente o impacto dos efeitos colaterais e manter a qualidade de vida durante e após o tratamento”, conclui a especialista.

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