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Impacto emocional do câncer de cabeça e pescoço exige atenção tanto quanto os sintomas físicos

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    gbcpcomunicacao
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Embora o tratamento oncológico seja frequentemente associado aos desafios físicos da doença, os especialistas lembram que o câncer de cabeça e pescoço provoca repercussões que vão muito além do tumor. Alterações na voz, na alimentação, na comunicação, na aparência e na respiração podem comprometer funções essenciais do cotidiano, afetando também a autoestima, a identidade, os relacionamentos e a qualidade de vida dos pacientes.


Podcast Conexão Cabeça e Pescoço

O episódio 38 do Conexão Cabeça e Pescoço, podcast em formato de pílulas do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), aborda o impacto emocional do câncer de cabeça e pescoço na vida dos pacientes. Com mediação da oncologista clínica Dra. Lígia Traldi Macedo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e coordenadora do Comitê Educacional do GBCP, a convidada é Tatiana Resende Savoi, psico-oncologista e coordenadora da Psicologia dos Cuidados Paliativos do Hospital na Residência, em Belo Horizonte.

 

Embora o tratamento oncológico seja frequentemente associado aos desafios físicos da doença, os especialistas lembram que os cânceres de cabeça e pescoço provocam repercussões que vão muito além do tumor. Alterações na voz, na alimentação, na comunicação, na aparência e na respiração podem comprometer funções essenciais do cotidiano, afetando também a autoestima, a identidade, os relacionamentos e a qualidade de vida dos pacientes.

 

Durante o episódio, Tatiana Resende Savoi explica que o diagnóstico costuma ser vivido como um divisor de águas. Medo, ansiedade, tristeza, sensação de perda de controle e dúvidas sobre o futuro fazem parte da experiência de muitas pessoas. Segundo ela, essas reações são esperadas diante de uma ameaça real e não devem ser confundidas com falta de força ou de coragem. O sofrimento emocional é uma resposta humana ao adoecimento e merece ser acolhido desde o início do tratamento.

 

A conversa também aborda um aspecto particularmente importante nos tumores de cabeça e pescoço: o chamado luto antecipatório. Antes mesmo do início do tratamento, muitos pacientes já convivem com o medo de perder funções como falar, comer ou respirar normalmente, além da preocupação com possíveis mudanças na aparência física e no convívio social. Essas perdas potenciais fazem com que o câncer afete diretamente a percepção de identidade e autonomia.

 

Outro tema discutido é o papel da psico-oncologia dentro da equipe multidisciplinar. Mais do que tratar transtornos como ansiedade ou depressão, o acompanhamento psicológico busca compreender como cada paciente interpreta sua doença, quais são seus maiores medos, que recursos possui para enfrentar o tratamento e de que forma familiares e cuidadores podem participar desse processo. O objetivo é fortalecer estratégias de enfrentamento, melhorar a comunicação com a equipe de saúde e contribuir para maior adesão ao tratamento.

 

As especialistas destacam ainda que o sofrimento emocional não atinge apenas quem recebe o diagnóstico. Familiares e cuidadores também enfrentam medo, insegurança, sobrecarga e sucessivos processos de adaptação ao longo da jornada oncológica. Por isso, o acolhimento da rede de apoio também faz parte de um cuidado integral.



Desafios do câncer de cabeça e pescoço


Na parte final da conversa, Tatiana Resende Savoi chama atenção para desafios específicos observados em muitos pacientes com câncer de cabeça e pescoço, como o estigma relacionado ao tabagismo e ao consumo de álcool, a tendência ao isolamento social e, em alguns casos, a dificuldade de adesão ao tratamento. Segundo ela, o apoio da família, dos amigos e da equipe de saúde é fundamental para reduzir julgamentos, favorecer a reinserção social e permitir que o paciente encontre novos significados para sua vida após o diagnóstico.

 

Na avaliação de Lígia Traldi Macedo, falar sobre saúde emocional é indispensável para oferecer uma assistência oncológica verdadeiramente centrada na pessoa. Assim como a dor e outros sintomas físicos são monitorados durante o tratamento, o sofrimento emocional também precisa ser reconhecido e acompanhado como parte integrante do cuidado.


O papo completo está disponível em episódio do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast, em formato de pílulas, do GBCP.

 

OUÇA O PODCAST

 






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