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Câncer de cabeça e pescoço ainda é diagnosticado tardiamente em até 80% dos casos no Brasil

  • Foto do escritor: gbcpcomunicacao
    gbcpcomunicacao
  • há 17 horas
  • 3 min de leitura

Cerca de 75% e 80% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço chegam aos serviços especializados com doença localmente avançada ou já com comprometimento dos linfonodos do pescoço.


podcast conexão cabeça e pescoço

O episódio 37 do Conexão Cabeça e Pescoço, podcast em formato de pílulas do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), discute o motivo pelo qual o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço continua sendo realizado, na maioria dos casos, em estágios avançados, apesar dos avanços no tratamento e das campanhas de conscientização. Com mediação do oncologista clínico DR. Gilson Veloso, coordenador do Comitê de Comunicação e Marketing do GBCP, o convidado é Dr. Leandro Luongo Matos, cirurgião de cabeça e pescoço, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, professor titular do Einstein Hospital Israelita e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP.

 

Embora muitas pessoas considerem o câncer de cabeça e pescoço uma doença rara, ele está entre os tumores mais frequentes na população masculina quando se somam os cânceres da boca, faringe e laringe. Ainda assim, entre 75% e 80% dos pacientes chegam aos serviços especializados com doença localmente avançada ou já com comprometimento dos linfonodos do pescoço, cenário que reduz as chances de cura e frequentemente exige tratamentos mais complexos e com maior impacto na qualidade de vida.

 

Durante o episódio, Leandro Luongo Matos destaca que cerca de 70% desses tumores surgem na boca ou na orofaringe, regiões facilmente acessíveis ao exame clínico. Segundo ele, diferentemente de outros tipos de câncer que permanecem ocultos até fases avançadas, muitas lesões de cabeça e pescoço podem ser identificadas simplesmente pela inspeção da cavidade oral. O principal desafio, portanto, não é a dificuldade técnica para detectar o tumor, mas reconhecer precocemente seus sinais e sintomas.

 

Diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço


Os especialistas chamam atenção para manifestações que costumam ser confundidas com problemas comuns do dia a dia, como feridas na boca que não cicatrizam, dor de garganta persistente, rouquidão prolongada e nódulos no pescoço. Quando esses sintomas permanecem por mais de 15 a 20 dias ou apresentam piora progressiva, devem motivar avaliação médica. O reconhecimento precoce desses sinais pode permitir o diagnóstico em fases iniciais, aumentando significativamente as possibilidades de tratamento curativo.

 

Outro tema abordado é a dificuldade de acesso ao diagnóstico no Sistema Único de Saúde. Segundo Leandro Luongo Matos, embora o SUS ofereça tratamento de qualidade para muitos pacientes, ainda existem obstáculos importantes na identificação precoce da doença. Muitas vezes, pacientes permanecem meses sendo tratados para problemas benignos, como aftas ou infecções de garganta, antes que seja levantada a suspeita de câncer. Esse atraso compromete diretamente os resultados do tratamento.

 

A conversa também destaca mudanças no perfil epidemiológico da doença. Além do tabagismo e do consumo abusivo de álcool, fatores tradicionalmente associados ao câncer de cabeça e pescoço, cresce a participação dos tumores relacionados ao papilomavírus humano (HPV), especialmente na orofaringe. Esse fenômeno tem contribuído para o aumento da incidência da doença em pacientes mais jovens, reforçando a importância da vacinação contra o HPV como estratégia de prevenção.

 

Para enfrentar esse cenário, os especialistas defendem uma atuação em diferentes níveis. Entre as prioridades estão ampliar o conhecimento da população sobre os sinais de alerta da doença, fortalecer a capacitação dos profissionais da atenção primária para reconhecer precocemente os casos suspeitos, intensificar ações de combate ao tabagismo e ao consumo abusivo de álcool, ampliar a cobertura vacinal contra o HPV e reduzir o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, garantindo o cumprimento dos prazos previstos em lei. Também é destacada a expectativa de implementação de uma linha de cuidado para lesões da boca pelo Ministério da Saúde, iniciativa que poderá contribuir para agilizar o encaminhamento dos pacientes.

 

Na avaliação de Gilson Veloso, campanhas como o Julho Verde têm papel fundamental para ampliar a conscientização da população e dos profissionais de saúde. Embora o avanço ainda seja mais lento do que o desejado, iniciativas de educação em saúde representam um passo importante para reduzir o diagnóstico tardio e melhorar os resultados do tratamento do câncer de cabeça e pescoço.


O papo completo está disponível em episódio do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast, em formato de pílulas, do GBCP.

 

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