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A importância da pesquisa clínica na otimização do diagnóstico do câncer

A pesquisa clínica tem influência na otimização do diagnóstico do câncer? Dr. William Nassib William Junir explica ness entrevista



O diagnóstico precoce do câncer aumenta as chances de sucesso no tratamento da doença. No entanto, muitos tumores só são detectados em estágio avançado, o que pode dificultar as técnicas terapêuticas e de reabilitação do paciente.


No cenário do câncer de cabeça e pescoço, por exemplo, a cada 4 casos da neoplasia, cerca de 3 são diagnosticados em um estágio avançado. Outros tipos de tumores também podem ter dificuldades para serem rastreados e detectados, o que fez com que entidades como a Union for International Cancer Control (UICC) construíssem campanhas para a redução dos gargalos no diagnóstico e tratamento do câncer. Uma das formas de alcançar esse objetivo é por meio da pesquisa: a busca por novas tecnologias e métodos que podem otimizar o manejo com o paciente oncológico.


Para entender melhor como está o cenário da pesquisa no diagnóstico do câncer, entrevistamos o oncologista clínico William Nassib William Junior, diretor do GBCP, chair do LACOG (Latin American Cooperative Oncology Group) Head and Neck Group e especialista na área de pesquisa clínica, que também já falou sobre os avanços no tratamento da doença.


Confira:


1 - Em um contexto histórico, quais foram os principais avanços no diagnóstico do câncer?


Nas últimas décadas observamos uma série de avanços no diagnóstico do câncer. A doença tem sido diagnosticada cada vez mais precocemente, porque os nossos métodos de imagem e de detecção da doença melhoraram bastante. Desde as tecnologias usadas nas tomografias até os métodos de rastreamento.


Para o câncer de cabeça e pescoço, essas técnicas ainda não são muito aplicáveis como são para outros tipos de tumores, o que possibilitam um diagnóstico mais cedo. Mas existem estudos com um olhar para metodologia de rastreamento para o câncer de cabeça e pescoço também.


2 - Quais foram as principais novidades no diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço nos últimos anos?


Além do diagnóstico molecular ficar mais refinado, tivemos outras modalidades de diagnóstico que parecem ter uma importância significativa para esses pacientes. Ao longo das últimas décadas, acompanhamos o desenvolvimento da tecnologia de PET-SCAN, por exemplo, utilizada para identificar onde os tumores de cabeça e pescoço se encontram exatamente e que possibilitam, por exemplo, definir com precisão as emissões de radioterapia e até a elegibilidade de pacientes para a realização de cirurgia.


Há métodos de diagnóstico que também permitem a avaliação por imagem da extensão do tumor para verificar se ele se espalhou para um linfonodo ou para uma estrutura próxima. Isso ajuda muito no manejo desse paciente, principalmente os que podem ser candidatos à cirurgia.


Além disso, nós entramos na era de diagnósticos chamada de “biopsia líquida”. Existem uma série de pesquisas voltadas para avaliação e  acompanhamento da evolução de um câncer de cabeça e pescoço por biópsias líquidas, ou seja, exames de sangue que podem nos dizer se esse tumor está em remissão ou apresenta risco de voltar (recidiva).


3 - Existem pesquisas atualmente voltadas ao diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço?


Um dos avanços mais importantes nos últimos anos foi um entendimento maior da parte molecular do câncer de cabeça e pescoço. Passamos a visualizar melhor quais são as alterações que acontecem cada uma dessas células que compõem esse tumor.


Nós entendemos como essas alterações podem modificar o prognóstico, ou seja, a velocidade de desenvolvimento desse tumor, sua progressão e até a resposta ao tratamento.


Um exemplo bastante importante foi a definição, dentro dos vários tipos de câncer de cabeça e pescoço, de quais são relacionados ao vírus HPV (Papilomavírus Humano), que tem um comportamento muito diferente de tumores relacionados, por exemplo, ao tabagismo e ao álcool. As modalidades de tratamento são ajustadas no caso do tumor ter marcadores relacionados ao HPV versus os que não têm esses marcadores.


Esse tipo de abordagem tem sido estimulado e, eventualmente, vai chegar em tratamentos distintos para esses subtipos tumorais. Isso ainda não é uma realidade, mas certamente as pesquisas estão caminhando nesse sentido.


Além disso, ao entender melhor do ponto de vista molecular como esses tumores funcionam, abrem-se caminhos para desenvolver tratamentos mais promissores que vão agir exatamente nas alterações moleculares que acontecem nesses tumores, com maiores chances de gerar resultados melhores do que em tratamentos mais abrangentes como, por exemplo, uma quimioterapia que vai agir em células do câncer de maneira indiscriminada.

 

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