Imunoterapia adjuvante reduz risco de recidiva no carcinoma espinocelular cutâneo e aponta mudança de prática clínica
- gbcpcomunicacao

- 14 de abr.
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Atualizado: 14 de abr.
O carcinoma espinocelular cutâneo é uma das neoplasias mais frequentes, com alta taxa de cura quando tratado precocemente por meio de cirurgia. No entanto, um subgrupo de pacientes apresenta características de alto risco, como extensão tumoral, acometimento linfonodal e maior agressividade biológica, que elevam significativamente a probabilidade de recidiva, mesmo após tratamento local definitivo.

O episódio 34 do Conexão Cabeça e Pescoço, podcast em formato de pílulas do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), discute os resultados do estudo Adjuvant Cemiplimab or Placebo in High-Risk Cutaneous Squamous-Cell Carcinoma, que avaliou o uso do cemiplimabe como terapia adjuvante em pacientes com carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco após cirurgia e radioterapia.
A apresentação é conduzida pelo oncologista clínico Gilson Veloso, diretor de marketing do GBCP, que também assume o papel de anfitrião do episódio e conta com a participação do oncologista clínico Dr. Flávio Augusto da Silva, do Hospital de Amor, em Barretos e um dos autores do estudo.
O carcinoma espinocelular cutâneo é uma das neoplasias mais frequentes, com alta taxa de cura quando tratado precocemente por meio de cirurgia. No entanto, um subgrupo de pacientes apresenta características de alto risco, como extensão tumoral, acometimento linfonodal e maior agressividade biológica, que elevam significativamente a probabilidade de recidiva, mesmo após tratamento local definitivo. Nesse cenário, a busca por estratégias adjuvantes eficazes torna-se central para ampliar as chances de controle da doença e de cura.
O estudo C-POST investigou justamente essa lacuna terapêutica ao avaliar a imunoterapia com cemiplimabe, um anticorpo anti-PD-1 já utilizado em doença avançada, agora no contexto adjuvante. Após cirurgia e radioterapia, os pacientes foram randomizados para receber o imunoterápico ou placebo por até 48 semanas. O principal desfecho foi a sobrevida livre de doença, e os resultados mostraram benefício expressivo com a imunoterapia, com redução significativa do risco de recidiva ou morte, indicando impacto clínico robusto na prevenção de eventos.
Na análise apresentada no episódio, Flávio Augusto destaca que o ganho em controle da doença é particularmente relevante em tumores de cabeça e pescoço, nos quais a recidiva está frequentemente associada a morbidade funcional e estética significativa. “Evitar a recidiva, aumentar a chance de cura desse paciente é extremamente importante para que a gente consiga ofertar uma qualidade de vida ao longo do tempo”, afirma. O estudo também demonstrou redução consistente tanto nas recidivas locorregionais quanto nas metástases à distância, reforçando o papel sistêmico da imunoterapia nesse contexto.
Em relação à segurança, o perfil de toxicidade foi considerado compatível com o já conhecido para imunoterapias anti-PD-1, sem novos sinais de alerta. Eventos adversos graves ocorreram em uma parcela dos pacientes, mas de forma manejável, e sem impacto negativo significativo na qualidade de vida, um aspecto relevante considerando que muitos desses pacientes são idosos e apresentam maior vulnerabilidade a tratamentos intensivos.
Outro ponto discutido é a ausência, até o momento, de dados maduros de sobrevida global, o que deve ser interpretado à luz do desenho do estudo, que permitiu crossover entre os grupos. Nesse contexto, a sobrevida livre de doença assume papel central como desfecho clínico relevante, especialmente quando associada à redução de recidivas potencialmente incapacitantes.
Na avaliação de Gilson Veloso, os resultados representam um avanço importante em um cenário até então carente de opções adjuvantes eficazes, sobretudo após resultados negativos prévios com outras estratégias. Ele ressalta ainda que o benefício observado, com diferença superior a 20% em desfechos de controle da doença — tem impacto direto na prática clínica, especialmente em pacientes idosos, nos quais abordagens de resgate nem sempre são viáveis.
A discussão também aponta caminhos futuros, como o potencial uso do cemiplimabe em estratégias perioperatórias, combinando abordagens neoadjuvantes e adjuvantes. Dados preliminares já sugerem boa taxa de resposta com imunoterapia antes da cirurgia, abrindo espaço para estudos que explorem esquemas mais integrados, com o objetivo de aumentar ainda mais as taxas de cura.
Ao reunir evidências de eficácia e segurança, o episódio 34 reforça que a imunoterapia adjuvante com cemiplimabe representa uma mudança de paradigma no tratamento do carcinoma espinocelular cutâneo de alto risco, oferecendo uma nova alternativa para reduzir recidivas e melhorar o prognóstico desses pacientes.
O papo completo está disponível em episódio do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast, em formato de pílulas, do GBCP.
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Referência do estudo
Rischin D, Porceddu S, Day F, Brungs DP, Christie H, Jackson JE, Stein BN, Su YB, Ladwa R, Adams G, Bowyer SE, Otty Z, Yamazaki N, Bossi P, Challapalli A, Hauschild A, Lim AM, Patel VA, Walker JL, De Liz Vassen Schurmann M, Queirolo P, Cañueto J, Ferreira da Silva FA, Stratigos A, Guminski A, Lin C, Damian F, Flatz L, Taylor AE, Carr DR, Harris S, Kirtbaya D, Quereux G, Rutkowski P, Basset-Seguin N, Khushalani NI, Robert C, Ju H, Joseph C, Bansal S, Chen CI, Seebach F, Yoo SY, Lowy I, Goncalves P, Fury MG; C-POST Trial Investigators. Adjuvant Cemiplimab or Placebo in High-Risk Cutaneous Squamous-Cell Carcinoma. N Engl J Med. 2025 Aug 21;393(8):774-785.
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