Pacientes com câncer de cabeça e pescoço com pior estado nutricional avaliam pior o cuidado oncológico que recebem
- gbcpcomunicacao

- 14 de abr.
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O estudo analisado no episódio é uma coorte prospectiva multicêntrica internacional, que acompanhou pacientes com câncer de cabeça e pescoço desde o início do tratamento até seis meses depois, avaliando tanto o risco nutricional quanto a satisfação com o cuidado recebido

O episódio 35 do Conexão Cabeça e Pescoço, podcast em formato de pílulas do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), discute os achados do estudo Poor nutrition status associated with low patient satisfaction six months into treatment for head and neck/esophageal cancer treatment, que investigou a relação entre o estado nutricional e a percepção dos pacientes sobre o cuidado recebido ao longo do tratamento oncológico. Com mediação do oncologista clínico Dr. Gilson Veloso, diretor de marketing do GBCP, a nutricionista oncológica Dra. Olívia Podestá, do Instituto Podestá de Oncologia, é a convidada do episódio que comenta o estudo.
Pacientes com câncer de cabeça e pescoço e com tumores de esôfago estão entre os grupos com maior risco de desnutrição ao longo do tratamento. A própria localização do tumor e os efeitos adversos de terapias como cirurgia, radioterapia e quimioterapia frequentemente comprometem funções básicas como mastigação e deglutição, além de provocar sintomas como dor, mucosite, náuseas e alterações do paladar. Esses fatores impactam diretamente a ingestão alimentar, levando à perda de peso e à deterioração do estado nutricional.
O estudo analisado no episódio é uma coorte prospectiva multicêntrica internacional, que acompanhou pacientes com câncer de cabeça e pescoço desde o início do tratamento até seis meses depois, avaliando tanto o risco nutricional quanto a satisfação com o cuidado recebido. O estado nutricional foi mensurado por meio do PG-SGA Short Form, instrumento validado para rastreamento de risco de desnutrição, enquanto a experiência do paciente foi avaliada pelo questionário CANHELP-Lite (Projeto Canadense de Avaliação de Serviços de Saúde), que considera aspectos como comunicação com a equipe, participação nas decisões e manejo global da doença.
Os resultados mostram uma associação consistente entre pior estado nutricional e menor satisfação com o cuidado. Pacientes com maior risco de desnutrição relataram pior percepção em diferentes dimensões da assistência, incluindo relação com os profissionais de saúde, qualidade da comunicação, participação nas decisões e sensação de bem-estar. Na análise apresentada no episódio, Olívia Podestá destaca que esse achado reflete diretamente a prática clínica. Segundo ela, os pacientes que apresentaram pior estado nutricional também relataram menor satisfação com o cuidado recebido.
Outro dado relevante é o impacto positivo do acompanhamento nutricional. Mesmo pacientes que tiveram apenas um contato com nutricionista apresentaram níveis mais elevados de satisfação em comparação àqueles que não receberam nenhum tipo de suporte. Para a especialista, isso reforça que a nutrição não deve ser vista como um componente acessório, mas como parte integrante do tratamento oncológico desde o início. Segundo Olívia Podestá, no momento do diagnóstico, o paciente deve ser tratado não apenas com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, mas também com nutrição.
A discussão também amplia o olhar para aspectos práticos do cuidado. Olívia chama atenção para a necessidade de planejamento nutricional precoce e individualizado, incluindo, quando indicado, o uso de vias alternativas de alimentação, como gastrostomia ou jejunostomia. Segundo ela, a resistência a essas estratégias muitas vezes decorre de falhas na comunicação com pacientes e familiares, que ainda percebem essas intervenções como ameaça, e não como recurso terapêutico.
Outro ponto enfatizado é o papel fundamental da família no cuidado desses pacientes. Diante do impacto funcional e metabólico do tratamento, a presença de um cuidador bem orientado pode ser decisiva para garantir adesão ao suporte nutricional e prevenir a deterioração clínica. A abordagem, portanto, deve ser necessariamente multidisciplinar, integrando oncologistas, nutricionistas, fonoaudiólogos e equipe de apoio.
Na avaliação de Gilson Veloso, os achados do estudo dialogam diretamente com os desafios enfrentados no dia a dia do consultório, especialmente em pacientes com maior vulnerabilidade clínica e social. Sintomas como dor, mucosite e alterações do paladar frequentemente comprometem a alimentação, exigindo intervenções precoces e estratégias integradas de cuidado.
O papo completo está disponível em episódio do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast, em formato de pílulas, do GBCP.
OUÇA O PODCAST
Referência do estudo
Widaman AM, Day AG, Kuhn MA, Dhaliwal R, Baracos V, Findlay M, Bauer JD, de van der Schueren M, Laviano A, Martin L, Gramlich L. Poor nutrition status associated with low patient satisfaction six months into treatment for head and neck/esophageal cancer treatment: A prospective multicenter cohort study. Nutr Clin Pract. 2025 Apr;40(2):405-419.
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