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Como é feita a avaliação nutricional do paciente com câncer de cabeça e pescoço





Durante o tratamento oncológico, uma equipe multidisciplinar trabalha de forma conjunta com o objetivo de ajudar o paciente em sua plena recuperação.


Um destes profissionais é o nutricionista, que tem um papel de extrema importância na busca por bons resultados, evitando ou minimizando os impactos causados no organismo decorrentes do tratamento.


É quem acompanha a rotina alimentar do paciente ao monitorar o peso e indicar uma alimentação, conforme as necessidades e particularidades. Desse modo, a ingestão alimentar adequada, durante todo o período, irá resultar em uma melhor resposta ao tratamento.


Como hoje, 31 de agosto, é o Dia do Nutricionista, convidamos Olívia Perim Galvão de Podestá, que é especialista em Terapia Nutricional, Nutrição Clínica e Oncológica, mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local e doutora em Ciências na área de Oncologia, para responder a algumas dúvidas sobre a alimentação desses pacientes.

Olívia Podestá atua como pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Epidemiologia, Saúde e Nutrição (GEMNUT), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), professora-orientadora do curso de Nutrição da Faculdade Multivix, membro do Grupo Brasileiro de Cabeça e Pescoço (GBCP) e sócia proprietária do Instituto Podestá Oncologia (IPO). 


Confira a entrevista!


1 - Quais são as atribuições de um nutricionista que faz o acompanhamento de um paciente oncológico?

Olívia Podestá: O nutricionista oncológico precisa conhecer bem a doença, o tratamento e toda a jornada desses pacientes para conseguir identificar de forma precoce a perda de peso ou outras alterações de impacto nutricionais vindas do tratamento. O profissional de nutrição precisa atuar preventivamente nos possíveis sintomas e evitar esse emagrecimento, fazendo com que o paciente consiga se alimentar durante o processo oncológico e até mesmo no pós-tratamento. É importante destacar que os nutricionistas devem prestar muita atenção nas sequelas que o tratamento oncológico traz ao paciente, que o impossibilita ou dificulta a sua alimentação via oral.


2 - Quais os cuidados especiais que essas pessoas devem ter durante todo o processo terapêutico: antes, durante e após o tratamento do câncer?

Olívia Podestá: É necessário prestar muita atenção na hidratação e beber água, mas os pacientes oncológicos costumam negligenciar essa parte do tratamento. Costumo dizer para esses pacientes que “quanto mais líquido você beber, mais xixi vai fazer e, consequentemente, menos efeitos colaterais da quimioterapia vai ter”.

Outra parte fundamental é fazer escolhas certas na alimentação. Um bom exemplo é comer alimentos que sejam mais laxantes, quando estiver com constipação, ou mais constipantes, se estiver com diarreia, e assim conseguir se alimentar para ter um bom prognóstico e evitar a perda de peso. Deve-se optar por alimentos mais naturais, como frutas, verduras e legumes, e opções de fácil digestão e mastigação, assim como menos processados, gorduras, sal e açúcar refinado e frituras.


3 - Qual a importância da higienização dos alimentos, uma vez que a agressividade dos tratamentos pode diminuir a imunidade?

Olívia Podestá: É fundamental higienizar corretamente (com água corrente e hipoclorito de cloro) e evitar comer alimentos crus fora de casa - nesses casos, optar por ingerir opções somente cozidas. Alimentos requentados e por muito tempo fora da geladeira também não são indicados, uma vez que qualquer infecção alimentar pode ser perigosa.


4 - Como deve ser a alimentação de uma pessoa que passa por sessões de radioterapia ou quimioterapia? (tipos de alimentos, quantidade de refeições, hidratação, restrições, etc.)

Olívia Podestá: Depende de cada paciente. Por exemplo, para quem realiza um tratamento na região da boca, é fundamental que uma equipe multidisciplinar, composta por um estomatologista, indique alimentos dentro das consistências certas para evitar o desenvolvimento de mucosite.

Como os tratamentos, em geral, provocam muitas náuseas, é comum aumentarmos a frequência da alimentação, além de diminuir o volume de comida. Restringir alimentos ácidos e quentes também é outra preocupação, no caso de câncer na área de cabeça e pescoço.

A suplementação é outro ponto muito importante para evitar a perda de peso.


5 - E como deve ser a alimentação dos pacientes que fazem a cirurgia de colostomia ou ileostomia?

Olívia Podestá: Neste caso, a alimentação tem que ser diferenciada, evitando alimentos que fermentam muito para evitar a produção de gases e que soltam muito o intestino. Os nutricionistas fazem os ajustes necessários de acordo com o funcionamento da digestão e do intestino de cada paciente.


6 - E a dieta dos pacientes oncológicos que desenvolvem mucosite?

Olívia Podestá: Nós, nutricionistas, sabemos que o melhor tratamento, chamado de padrão-ouro, para a mucosite é a laserterapia, evitando mais uma vez todo tipo de alimento que seja ácido, sempre atuando na prevenção para evitar a perda de peso e a formação dessas úlceras, no caso da mucosite.

É fundamental que os nutricionistas de pacientes oncológicos sejam especialistas para entender toda a jornada dessa pessoa, com as suas particularidades, até mesmo no período de pós-tratamento. O objetivo é que esse paciente se estabilize, não tenha sequelas e possa voltar a ter uma vida social de forma independente o mais rápido possível.


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