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Docetaxel atua como radiossensibilizador em câncer de cabeça e pescoço





Um estudo de fase 3, com pacientes adultos, acima de 18 anos, mostra que a adição de docetaxel à radiação melhorou a sobrevida livre de doença e a sobrevida global em pacientes inelegíveis para cisplatina com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço localmente avançado (LAHNSCC).


O trabalho, de autoria de pesquisadores do Tata Memorial Hospital, da Índia, foi publicado no Journal of Clinical Oncology e é tema do episódio 14 do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast em formato de pílula do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP)


No artigo “Results of Phase III Randomized Trial for Use of Docetaxel as a Radiosensitizer in Patients With Head and Neck Cancer, Unsuitable for Cisplatin-Based Chemoradiation”, os autores recrutaram 356 pacientes entre julho de 2017 e maio de 2021, com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço localmente avançado que eram inelegíveis para cisplatina.


A sobrevida global (SG) mediana foi de 25,5 meses no braço de docetaxel associado com radioterapia e 15,3 meses no braço de radioterapia isolada, enquanto as taxas de SG de 2 anos foram de 50,8% versus 41,7%, respectivamente. O acompanhamento médio foi de 32,4 meses.


A sobrevida livre de doença em 2 anos foi de 42% no grupo de docetaxel/radioterapia versus 30,3% no grupo de radioterapia. Eventos adversos que levaram à descontinuação do docetaxel no braço Docetaxel-RT incluíram mucosite (5%), dermatite (1,1%), neutropenia febril (0,6%), fadiga (0,6%), infecção (1,7%) e outros (1,1%).

Para comentar este trabalho, nosso convidado é Cícero Martins, oncologista clínico do Instituto Nacional de Câncer (INCA).


O profissional afirma ser uma temática interessante, embora a droga principal no tratamento de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço localmente avançado seja cisplatina, não é incomum encontrar inelegibilidade para cisplatina, devido ao status de baixo desempenho, idade biológica avançada, função renal ruim ou perda auditiva.


Por isso, em sua opinião, “é um estudo inteligente, avaliando o radiossensibilizador, que é doxetel, amplamente difundido, porém trazendo dados positivos às custas de uma maior toxidade, mas pra algo razoavelmente esperado”.



Para Martins, é a primeira vez que se vê que há benefício em incorporar radiossensibilizador em uma população com limitadas opções de tratamento. Os pesquisadores concluíram que, “considerando esses resultados, a adição de docetaxel à radiação será considerada grau A de acordo com a ESMO-Magnitude of Clinical Benefit Scale versão 1.1 para novas abordagens de terapia adjuvante ou novas terapias potencialmente curativas”.


Referência do estudo

Patil VM, Noronha V, Menon N, Singh A, Ghosh-Laskar S, Budrukkar A, Bhattacharjee A, Swain M, Mathrudev V, Nawale K, Balaji A, Peelay Z, Alone M, Pathak S, Mahajan A, Kumar S, Purandare N, Agarwal A, Puranik A, Pendse S, Reddy Yallala M, Sahu H, Kapu V, Dey S, Choudhary J, Krishna MR, Shetty A, Karuvandan N, Ravind R, Rai R, Jobanputra K, Chaturvedi P, Pai PS, Chaukar D, Nair S, Thiagarajan S, Prabhash K. Results of Phase III Randomized Trial for Use of Docetaxel as a Radiosensitizer in Patients With Head and Neck Cancer, Unsuitable for Cisplatin-Based Chemoradiation. J Clin Oncol. 2023 May 1;41(13):2350-2361.


Disponível em:


Toda a temática também foi comentada em episódio do Conexão Cabeça e Pescoço, o podcast, em formato de pílulas, do GBCP.

CONFIRA:


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