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Julho Verde 2022- Claudia Valle: Devemos ouvir os sinais de nosso corpo

Sou casada com Marco Antônio e mãe da Luiza. Meu marido e eu somos dentistas. Em 2020, fui surpreendida com o diagnóstico de um câncer de orofaringe. Aparentemente eu não tinha nada, estava saudável e me sentia muito bem.  


Eu compartilho com você a minha história para reforçar a importância de perceber o nosso corpo, observar alterações, por menores que sejam. O corpo fala e precisamos aprender a ouvi-lo. Eu estou curada porque não ignorei o nódulo que apareceu no meu pescoço, busquei avaliação médica rapidamente.


O câncer tem tratamento e quanto mais cedo ele tiver início melhor. Eu tive acesso a recursos e tratamentos que, infelizmente, não são todas as pessoas em nosso país que têm e contei com o apoio da minha família. Seguimos juntos até a cura: Marco Antônio, Luiza e eu, além dos incontáveis amigos e profissionais de saúde a quem sou eternamente grata.


Um pequeno nódulo


Foi em maio de 2020 que uma inflamação de um gânglio no lado direito, na região do pescoço, chamou minha atenção. Eu havia acabado de passar por uma cirurgia de catarata e como não havia aparentemente nada de errado com a minha saúde que justificasse o aparecimento desse gânglio, pensei que pudesse ser algo relacionado à cirurgia.


No retorno ao oftalmologista, ele descartou essa hipótese, mas disse que eu deveria investigar. Fui à clínica de uma amiga e colega de profissão e fiz vários exames de imagem, mas nenhum deles trouxe alteração que justificasse o gânglio. Levei os exames a outro colega, dentista especialista em canal, e ele também não chegou a qualquer diagnóstico. Decidi ir a um otorrinolaringologista, que considerou a hipótese de ser uma faringite crônica.


Falei para o médico que gostaria de tirar aquele caroço do meu pescoço. Por essa razão, ele me encaminhou para um cirurgião de cabeça e pescoço. Fui, mas saí de lá sem diagnóstico e com pedidos de mais exames.


Nesse ponto, eu já estava emocionalmente cansada. Decidi ir ao cirurgião de cabeça e pescoço que uma paciente minha, tinha indicado há anos. Esse médico olhou os exames que eu havia feito em locais realmente de referência, como ele mesmo disse, e também não achou nada e falou que gostaria de realizar um novo exame. E foi aí, com o olhar treinado desse médico que descobrimos uma alteração na minha faringe que merecia mais investigação, principalmente, porque eu era ex-fumante há 15 anos. Pediu exames e colheu material para biopsia.


O diagnóstico


Assim que os resultados dos exames ficaram prontos eu já acessei pela internet. Estava tão tranquila que nem me preocupei por estar sozinha. Fui surpreendida com o diagnóstico de um carcinoma, um câncer de orofaringe, um dos  tipos mais comuns de câncer de cabeça e pescoço. No momento, foi muito difícil. Pensava em minha filha adolescente, que ainda precisa de mim, em meu marido e nos tantos sonhos que ainda tinha.  


Um dia de cada vez


No retorno ao médico, conversamos sobre as possibilidades e decidimos que eu faria primeiro a cirurgia e depois radioterapia e quimioterapia. Decidi não sofrer por antecipação e me preocupar com as coisas na medida que elas fossem acontecendo. Fui operada em agosto de 2020 e tudo correu bem. Estávamos em plena pandemia da Covid-19 e eu fiquei apenas dois dias no hospital.


Em cerca de uma semana, já fui liberada para a quimioterapia. Cada paciente reage de uma maneira e no meu caso tive poucos efeitos colaterais. Já à radioterapia foi diferente. As sessões foram um desafio para mim, perdi meu cabelo e tive uma reação, com abertura de uma queimadura na região do pescoço, mas segui à risca os cuidados indicados pelo médico, dia e noite, e em apenas 15 dias a pele estava recuperada. Até o médico ficou admirado.


Gratidão e fé


Terminei os tratamentos em outubro de 2020. Fiquei debilitada pelos efeitos colaterais e precisava me recuperar. Antes de eu adoecer, tínhamos programado, como em outras vezes, passar o Natal na cidade de Aparecida do Norte. Já estávamos em novembro de 2020 e eu comecei a fazer fisioterapia todos os dias.


Meu objetivo era conseguir andar. Em cinco sessões já sentia minhas pernas mais firmes. Depois de 10 sessões, consegui voltar para o Pilates, que já praticava antes, com exercícios leves. Ao poucos e sempre tendo o incentivo do Marco Antônio, Luiza e outras pessoas queridas fui melhorando. No Natal, nossa viagem em família para Aparecida do Norte aconteceu e celebramos muito a minha cura.


Um ano depois, tive outro momento muito especial. Em 1º de dezembro de 2021, era meu aniversário e fui sorteada para receber em casa a imagem de Nossa Senhora de Fátima Peregrina. Convidei as pessoas que estiveram comigo nessa jornada para receber Nossa Senhora e, mais uma vez, agradecer a recuperação de minha saúde.


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